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segunda-feira, agosto 17, 2026

Tempo de organizar papéis e ideias...


Gosto dos começos de semana em que as ideias começam a circular à minha volta, ainda na cama, quase a quererem dar organização à confusão de papeis com frases e ideias, que coloco debaixo das pequenas pilhas de livros, que se julgam importantes, num dos cantos da secretária.

Sei que chegou o momento de comprar três ou quatro cadernos de capa preta, para "apagar a vela" e "acender a luz" aos vários projectos que me perseguem a  horas e dias cada vez menos incertos.

Tenho de me despedir da "preguiça" e das ideias pré-concebidas, de que o tempo dos livros já era...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quinta-feira, agosto 13, 2026

Ter vontade de esquecer a palavra "original"...


Falámos sobre a "originalidade", essa coisa que tanta gente anda à procura no mundo das artes e letras, quase numa perseguição doentia, mesmo que não se saiba muito bem o que quer dizer.

Talvez estivesse a meter gente a mais ao barulho e ser apenas eu que não sabia, muito bem, qual o verdadeiro significado da palavra...

Mais uma vez, a conversa não adiantou grande coisa. Mas pelo menos falámos disto e daquilo, sem querermos "levar a taça para casa"... Há muito tempo que entre nós deixou de ser importante saber quem é que está certo e quem é que está errado.

Comecei por dizer, que uma coisa é escreveres o que te vem à cabeça, que para o bem e para o mal, passa a ser uma coisa tua, mesmo que tenha por detrás, mil e uma apropriações (dos livros, dos jornais ou das vozes que nos rodeiam...). Ou seja, esteja longe de ser uma coisa original...

O que eu fui dizer ao António... 

Ele disse que se formos atrás do meu ponto de vista, a originalidade não passa de uma utopia. Para de seguida me dizer que isso estava longe de ser uma coisa que lhe fizesse perder o sono. E depois lá me ofereceu uma frase, quase batida:

«O importante é sermos criativos, escrevermos, pintarmos ou tocarmos, dando ouvidos apenas à nossa cabecinha, com a ilusão de que são coisas apenas nossas.»

E ainda foi mais longe, trouxe o "pecado original" para a mesa, para me dizer, que este era apenas o primeiro, quase a convidar-me para meter esta palavra no saco das coisas inúteis.

Claro que no meio ainda falámos dos pintores-copistas, dos músicos que cantam sempre a mesma canção e dos poetas que escrevem por cima dos poemas dos outros, que normalmente se têm em grande conta (e ainda bem, é isso que os mantém à "tona de água")...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, abril 30, 2026

Perder a mão para a escrita e a cabeça para as ideias...


Sei que acontece a quase todos os que escrevem, até mesmo aos chamados "melhores" (talvez até mais a estes, devido ao grau de exigência que os cerca...).

Começa-se por se sentir a falta de ideias, depois vem a falta de imaginação, e até a falta de palavras, para conseguirmos descrever o nosso mundo e o mundo dos outros.

Também sei que na literatura este "sentir" acontece mais aos poetas, que gostam de escrever coisas bonitas e não encontram as palavras certas... descobrindo o que é o vazio, que encolhe ou faz desaparecer os poemas. 

Eles bem olham para o céu, para o rio, para as pessoas, mas...

Tenho um amigo que quase foi obrigado a desistir de olhar o mundo com poesia. Começou a escrever prosa, coisas curtas, mas não é a mesma coisa...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, fevereiro 24, 2025

O gostar de me sentir criativo, o gostar de me sentir vivo...


Tenho mais vezes do que devia, a sensação de que a nossa cabeça está longe de funcionar de uma forma regular.

É a explicação que encontro para as manhãs (ainda antes das sete...), em que as ideias se vão avolumando e querem muito passar para o "papel"...

Por preguiça (cada vez me levanto menos a estas horas, até por normalmente me deitar depois da uma e meia da manhã, continuando a alimentar hábitos que ficaram da "santa pandemia"...), deixo muitas destas ideias escaparem...

Esta manhã elas esperaram por mim, mesmo que só me tenha levantado à hora normal, alguns minutos depois das oito. Senti-me feliz, e foi por isso que mesmo antes de tomar o pequeno almoço, registei quase todas as "ideias" no portátil que mora quase sempre na mesa da sala.

Gosto de começar as manhãs assim. Gosto de me sentir criativo, gosto de me sentir vivo...

(Fotografia de Ana Sofia Eme - Caldas da Rainha)