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terça-feira, outubro 20, 2026

«Cuidar de pessoas é muito diferente de tratar de flores»


Num tempo normal, não haveria coragem para se dizer, usando outras palavras, que o filho do jardineiro nunca poderia ser médico. Quanto muito, podia-se pensar...

Todos sabiam que «cuidar de pessoas é muito diferente de tratar de flores», mas daí até fechar a faculdade de medicina aos filhos dos pobres, quase que se tinha de voltar à Idade Média...

O mais curioso é percebermos que estes pensamentos nunca saíram da cabeça de quem abomina a democracia e gosta da desigualdade e da compartimentação social, até a loucura chegar à América. Havia o cuidado de os "fechar a sete chaves", porque ninguém gosta de ser apelidado de "fascista", nem mesmo os nazis ou salazaristas...

Agora com a existência de um partido da extrema-direita, que é tudo e nada ao mesmo tempo, já se sentem mais confortáveis a "pôr a boca no trombone"...

No dia seguinte ainda houve a tentativa de desvalorizar as palavras do doutor, com o argumento de que estava bêbado.

Não foi suficiente. O jardineiro não voltou a cuidar daquele jardim...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, outubro 03, 2026

Tem de existir um terceiro caminho...


Olhando à nossa volta, fico com a sensação de que o mundo está condenado a tornar-se, cada vez mais, um "campo de idiotas". 

Não é difícil de perceber que o espaço público está, cada vez mais, dominado por gente burra e espertalhaça, que usa tudo aquilo que choca e abana com os chamados valores e regras sociais, para ganhar poder e subir mais um passo na chamada "fama", para pertencer ao "clube dos famosos". 

Invadem os vários canais da internet, assim como a televisão e a rádio (os jornais tentam escapar, mas também já têm os "idiotas" que merecem...) e mentem, manipulam, desprezam, apontam dedos, soltam gargalhadas, tentam ditar leis, contrariando tudo aquilo que nos tem caracterizado como seres humanos.

O pior de tudo, é que parece que só temos dois caminhos à escolha: sermos uma "sociedade de idiotas" livres, ou um "rebanho de idiotas" teleguiado por um "idiota-rei", que no consumo externo se assemelha com Trump, e no interno com um Ventura, ambos capazes de tudo para atingirem os seus fins.

Continuo convencido que existe um terceiro caminho. Mesmo sabendo que é cada vez mais difícil lutar contra este modelo de sociedade, que glorifica a estupidez e alimenta o pensamento único.

Os próximos tempos vão ditar muito do nosso futuro. Para já, o Brasil e a França estão no meio do "furacão"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, julho 14, 2026

A gente pequenina dos vales de 10 cêntimos e a nossa facilidade em deitar fora oportunidades...


Não fazia ideia que havia tanta gente, no mínimo estranha (não me estou a referir aos sem abrigo, como é óbvio), que embora andem nas ruas limpinhos e bem vestidos (as pessoas com quem me tenho cruzado são quase sempre homens e mulheres reformados que talvez não tenham mais nada de "útil" que fazer nas suas vidas, além de coleccionarem "inutilidades com preço"...), andam por aí à procura de um "novo lixo". 

Percorrem durante o dia os pequenos caixotes distribuídos cidade, munidos de sacos de plástico, em busca de garrafas e latas vazias, para trocarem nas máquinas de marca "volta". Pensam que são discretos, quando olham para o lado, a tentar perceber se estão a ser observados. Como vêm a maior parte dos transeuntes presos aos "smartphones", enfiam as mãos nos pequenos caixotes rente às paragens de transportes, como quem não quer a coisa... e de vez enquanto "ficam mais ricos".

Já me cruzei com mais de uma dúzia deles pelas ruas de Almada. Apetece-me quase sempre dizer alguma coisa, mas acabo por ficar em silêncio, limitando-me a abanar a cabeça...

Não sei se são estas mesmas pessoas que assim que o dia escurece, saltitam de contentor em contentor, desta vez com muito menos cuidado, ao ponto de revirarem o lixo e deixarem atrás de si um rasto de imundice por onde passam, pela merda de um vale de dez cêntimos. Provavelmente não, porque não olham para a noite como sua companheira...

Acredito que quem teve esta ideia pretendia mesmo que se fizesse um melhor aproveitamento da reciclagem e que as ruas ficassem mais limpas. Mas o ser humano é o que é... e bem podem meter a viola do saco, porque o resultado parece ser exactamente o contrário do pretendido.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, junho 20, 2026

Festa operária em Lisboa na sexta-feira...


Tinha de ser alguém de fora, a dizer que exagerávamos, cada vez mais, na nossa forma de sermos "porreiros" para com os políticos. Disse inclusive que depois do que Hugo Soares e André Ventura tinham dito na quinta-feira e depois do que aconteceu na sexta (chumbo da Reforma Laboral), não havia mais espaço para eles na "câmara dos comuns".

Claro que o Peter - que adora que lhe chamemos Pedro  - estava a exagerar, embora o parlamentarismo do seu país nos oferecesse vários exemplos, de que nós éramos de facto demasiado permissivos.

Se estivermos virados para o humor, somos capazes de achar engraçada a reacção de ambos, no dia em que a proposta de Reforma Laboral foi votada e deitada para o lixo em São Bento. Ventura cantou vitória e até foi capaz de se virar para as bancadas onde estavam os representantes da CGTP e erguer o punho fechado como se fosse o grande defensor da classe operária.

Já o líder parlamentar do PSD, depois de levar mais um "bailinho populista" do Ventura, foi capaz de dizer, com um ar sério, que "com o PSD ninguém brinca"... E depois ainda teve coragem (ou cobardia, depende do ponto de vista...) para tentar colar o PS ao Chega e falar de uma "coligação"...

Tudo isto é realmente triste e mau de mais para ser verdade. 

É por isso, que a única coisa que interessa mesmo, é que esta Reforma Laboral, feita à medida dos patrões, foi chumbada. Ponto final.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, junho 13, 2026

Pensava que uma das maiores qualidades que um ministro deve ter é o bom senso...


Luís Montenegro é um primeiro-ministro sui-generis. Mais esperto que inteligente, escolheu duas ministras como os seus principais "para-raios". Ou seja, escuda-se nas "tropelias" e polémicas criadas pelas suas ministras da Saúde e do Trabalho, que são transformadas quase em telenovelas e se arrastam  durante meses, sem que se consiga resolver o que quer que seja, ao mesmo tempo que não se discutem nem resolvem os verdadeiros problemas do país...

Apesar das doses abundantes de propaganda em volta destas duas áreas, não há uma única coisa que se consiga dizer que esteja melhor na saúde ou no trabalho, nos últimos dois anos. 

Na saúde, a ministra além de não corrigir os problemas com maior gravidade, que encontrou no seu ministério, ainda conseguiu criar mais uns quantos, não menos graves...

Em relação à ministra do Trabalho, as coisas ainda são piores. Teve logo uma "entrada a pés juntos", em relação a Ana Jorge, que tutelava da Santa Casa da Misericórdia, assim que tomou posse. E nunca mais deixou de se envolver em polémicas, que culminaram com a Reforma Laboral e a PSU. Consegue ser quase sempre insultuosa, especialmente para com os mais fracos e desprotegidos do nosso país.

Ou seja, Montenegro consegue demonstrar (para seu interesse próprio...), que o bom senso, está longe de ser uma das maiores qualidade que um ministro deve ter. Pelo menos no seu governo...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


quinta-feira, junho 11, 2026

O país dos políticos que são fracos com os fortes e fortes com os fracos...


Quando os políticos decidem fazer quase uma "caça ao pobre", como se este fosse o maior dos males do nosso país, além de estarem convencidos de que somos todos estúpidos e invejosos (da miséria alheia...), desceram ainda mais fundo no poço da  desfaçatez e da falta de vergonha.

Já não conseguem esconder mais o cinismo, a hipocrisia, a arrogância, o classicismo e a cobardia, com que regem a sua governação.

É a única explicação que encontro para a sua habitual recusa a taxar os muitos milhões que  entram todos os dias como lucro, nos bancos, nas gasolineiras e nas grandes superfícies comerciais, ao mesmo tempo que "ameaçam" os pobres, com novas regras nos apoios dados, além de trabalho não remunerado, a troco da "esmola" do costume, que querem condensar na PSU.

Ou seja, preferem poupar tostões, com os pobres, a lucrar milhões, com os ricos.

O que este exemplo nos diz, é que é impossível sairmos da habitual "cepa torta", com governantes que são fracos com os fortes e fortes com os fracos...

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade) 


quinta-feira, junho 04, 2026

Havia tanto a dizer sobre os homens e sobre o fechar de olhos da sociedade e da própria justiça...


Estava sentado a ouvi-la contar os insultos diários de que a mãe era vítima do pai, e pensava, que mesmo sem nos termos apercebido, o mundo mudou tanto. E ainda bem. 

Claro que podia - e devia - ter mudado mais, muito mais...

As notícias diárias informam-nos de que o que não faltam por aí, são homens - devia dizer bestas, eu sei - que não aceitam as mudanças, nem conseguem olhar para a mulher como uma igual (muitos nem os outros homens, por isso é que se refugiam nos partidos de direita, mesmo que não passem de uns "pobretanas"...). Entre outras coisas, é sua "propriedade", ponto final.

O pai desta amiga era movido a álcool, desde quase que se levantava, tal como a maior parte destes cobardes. Era pequena e já conhecia todos os nomes feios que existiam. E quase todos os dias via o pai ameaçar a mãe de morte, de formas diferentes (era isto que mais a assustava e fazia com que passasse alguns começos da noite, quase se sentinela à porta do quarto dos pais...).

Embora estes "cães" fossem mais de ladrar que de morder, o álcool consegue dar-lhes a força que não têm, para destruir a sua vida e a dos outros...

De vez em quanto interrompia-a, dizendo coisas como porque não "saíam de casa", etc., esquecido da dependência económica e da sociedade de então, que em casos de infidelidade (ou apenas suposições...), tratava sempre a mulher como "puta" e o homem como "justiceiro"...

Poucas horas depois desta conversa somos informados da morte de uma jovem de 16 anos, barbaramente assassinada pelo namorado de vinte anos.

Ficamos sem palavras. 

Apesar das muitas mudanças que se verificaram, continuam a existir demasiadas "bestas" e  "odivelas" à nossa volta...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, maio 15, 2026

E esta? Portugal está pior e os portugueses vivem cada vez pior (não digam nada ao Montenegro, ao Soares ou ao Amaro)...


Apesar de nunca ter existido um governo em mais de 50 anos de democracia, que tenha usado e abusado, tanto, da propaganda e da "fumaça", a realidade já não dá muito mais espaço para encenações. 

A aposta em discutir "não problemas", como são os casos das alterações da Lei Laboral ou da Constituição, mesmo que sejam desejadas pelos patrões e pela direita, não resolvem qualquer problema dos portugueses.

A continuada tentação em culpar o PS dos "males" do país, também já não dá grandes hipóteses de se "sacudir o capote", quando tudo está pior que há dois anos. 

Sei que irão "cavalgar" na crise provocada por Trump, mas os problemas na saúde, na educação, na alimentação e na habitação, começaram a agravar-se antes da criação da "portagem do estreito de Ormuz"...

Luís Montenegro, por muito que finja viver num "país imaginário" e tenha conseguido transformar a comunicação social num feudo da direita (cada vez existem menos comentadores de esquerda nos canais televisivos...), já não pode dizer, com a "lata" que o caracteriza: que o país está melhor, mesmo que os portugueses vivam pior.

A realidade salta-nos aos olhos diariamente,, seja nos hospitais, nos mercados, nas escolas, nas bombas de gasolina, nos restaurantes ou nas imobiliárias...

Está tudo pior, se esquecermos a meia-dúzia de pessoas do costume (são tão egoístas, que querem tudo, até a tal lei laboral que põe fim ao pagamento das horas extraordinárias...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, maio 14, 2026

A justiça, os justiceiros e os bandidos...


Há muito tempo que não falava sobre Sócrates e sobre a justiça. Talvez fosse por isso que desse mais importância à conversa que tive com um amigo, que não encontrava "há séculos", e que me foi capaz de me fazer ver o caso, numa outra perspectiva.

O facto de ele ter sido vítima da nossa justiça, morosa e tendenciosa, devido a um divórcio litigioso, povoado de mentiras pela parte da ex-mulher e família - só agora, com os filhos na idade adulta é que passou a ter uma relação normal com ambos -, faz com que olhe para tudo de forma diferente.

O mais curioso, foi ele dizer-me que José Sócrates continua preso, desde que o prenderam no aeroporto, como se fosse um "perigoso assassino". Acrescentou que a perseguição de que é alvo por parte dos tribunais, dos jornalistas e das polícias nunca mais lhe permitiu ter uma vida "normal" e em "liberdade".

É por isso que está convencido de que o Estado - ou seja, todos nós -, vai ter de o indemnizar, e que se ele for condenado, será por coisas ridículas, que apenas darão para uma pena suspensa. O que é muito pouco para quem está "preso há tanto tempo"...

Pelo meio ainda me falou das "famílias do actual regime" (PSD), ligadas à banca (sobretudo o BPN), que durante todos estes anos nunca deixaram de viver "à grande e à francesa". A única excepção tem sido o Salgado, cuja tentação de se fazer "passar por maluquinho", lhe deve ter mesmo afectado a cabecinha...

Claro que nada disto alterou o meu pensamento sobre o caso. Os bandidos, os justiceiros e os advogados de defesa, já estão há muito tempo identificados...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


segunda-feira, março 23, 2026

Saudosismos & relatoriozinhos...


Apetecia-me falar da Eva Cruzeiro a quem os deputados do Chega mandaram ir para "a terra dela", que penso que seja o nosso país (talvez por isso não seja entendido como uma frase racista...), e do deputado do PSD Hugo Carneiro,  que assinou um relatório, a repreender a deputada socialista, porque parece que no nosso Parlamento não "existem racistas"...

O que sei é que o "programa" começa a quer ir longe demais, na aproximação desejada ao dia 24 de Abril de 1974 (e se possível, ainda mais para trás...). Nessa altura parece que só havia "comunistas" e "fascistas", hoje mantém-se a dicotomia, "esquerda", "direita", ao ponto dos extremistas do lado direito já começarem a reivindicar uma "cultura de direita" e a tentar correr com os "perigosos esquerdistas", que ocupam lugares de destaque (a Rita e o Francisco são o começo de qualquer coisa...).

Talvez queiram voltar à "cultura de salão", com um ou dois músicos do regime, dois escritores, dois pintores... e por aí diante, deixando bem claro, que se vai acabar o regabofe da "cultura para todos".

Quem aplaude sem mexer as mãos são os "moedinhas", os "leitõezinhos" e os "carneirinhos", que gostam de se fingir democratas, nem que seja para a fotografia...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sexta-feira, março 20, 2026

Cargos de responsabilidade que querem transformar em tachos e tachinhos...


Sem fugir muito ao que escrevi ontem sobre a nossa lei maior, a Constituição, percebe-se que aqueles que deviam ser os primeiros a respeitá-la, desvalorizam-na, sempre que podem.

Isso explica a dificuldade que os principais partidos do Parlamento têm, em chegar a acordo para a nomeação de juízes para o Tribunal Constitucional.

Quando se mete a política e a ideologia à frente da independência e do dever, acontecem coisas destas...

Os últimos governos tanto de Costa como de Montenegro tiveram de alterar vários diplomas porque eram inconstitucionais. Algo que os fazia "trepar paredes", como tem sido o caso do primeiro ministro actual, que nem sequer esconde o incómodo.

Ou seja, aquela que deve ser a principal qualidade na escolha de juízes para o Tribunal Constitucional - a sua independência em relação ao poder político - é a que menos conta nesta "batalha" pela escolha de três juízes. 

O partido do costume, nem tem qualquer problema em dizer que esta é a altura de virar o país para o lado direito (mesmo nos órgãos que devem ser independentes...), como se o PSD já não fosse um partido democrático...

Pois, o problema está aí. Se calhar o PSD já não é o partido que ajudou a construir esta Constituição, mesmo que os seus dirigentes gostem de encher a boca com o nome de Sá Carneiro...

(Fotografia de Luís Eme - Vila Franca de Xira)


segunda-feira, janeiro 26, 2026

Viajar dentro do outro país antigo, que felizmente já não existe...


Estávamos a acabar de almoçar e no já habitual entrelaçar das conversas, começámos a falar do tempo antigo. Acho que foi a água que desperdiçamos nos banhos diários, que nos levou lá, acompanhada pelos "pareceres científicos" de que este hábito nos rouba defesas ao corpo...

O Tomás é um rapazola demasiado inteligente para se ficar e lembrou-nos da esperança média de vida desses tempos, em que ultrapassar os setenta anos era quase como hoje vencer-se a barreira dos noventa. Respondi-lhe que havia muitos outros factores para que isso acontecesse, como a alimentação muito mais pobre e uma assistência médica quase inexistente, em especial nos lugares onde hoje se continua a sentir mais o abandono... 

Mas depois fomos ainda mais longe, falámos da ausência do saneamento básico em quase todo o país, antes de Abril. Dos muitos prédios, mesmo nas cidades, sem a existência de casas de banho. A única coisa que existia era uma pia colectiva, onde se despejavam os penicos, que iam directamente para uma "fossa" (um buraco subterrâneo apenas com paredes laterais, para que as porcarias fossem transformadas em "substrato" e absorvidas pela terra...).

O Tomás, com os seus quinze anos, olhou-nos com alguma incredulidade, até perceber que estávamos mesmo a falar a sério.

Nem me lembrei de lhe falar dos "bairros de lata" que vão crescendo à volta dos grandes centros urbanos, como aconteceu nos anos sessenta e setenta do século passado, onde se vive com os mesmos problemas. Falei-lhe sim da Palestina, da ausência de condições mínimas para aquela gente viver, a todos os níveis...

Depois houve alguém que mudou de assunto e ainda bem. Até porque aquela conversa não era para se ter à mesa, mesmo que já estivéssemos à espera dos cafés...

(Fotografoa de Luís Eme - Cacilhas)


quinta-feira, janeiro 15, 2026

Três parágrafos com três dedicatórias


Nunca o discurso contra a esquerda esteve tão ruidoso. Em alguns casos, além de mentiroso, começa a ser doentio.

Normalmente vão buscar o Stalin e o Lenine (esquecem-se quase sempre do Marx, não sei porquê... espero que não o confundam com os "irmãos", de outros filmes bem mais alegres), como se todas as pessoas com um pensamento humanista, que se preocupam com quem vive à sua volta, fossem comunistas...

Como as coisas estão a avançar, começo a acreditar que, num tempo não muito distante, vão começar a culpar os "comunistas" por todos os problemas que aconteceram na Primeira República e também pela chegada ao poder de Oliveira Salazar (que na sua opinião até deve ter sido "um gajo porreiro" - espera, gajo não, isso é coisa dos esquerdalhos, é melhor escrever "senhor gajo")...

Notas: A dedicatória vai para João Miguel Tavares, João Vieira Pereira e Ricardo Simões Ferreira.

Em relação à escolha da imagem, já o bom do Vasco Santana dizia: "Chapéus há muitos, seus palermas!"

(Fotografia de Luís Eme - Corroios)


segunda-feira, janeiro 12, 2026

Esconder a realidade "debaixo do tapete"...


Há um problema muito mais grave, que os "50 anos de corrupção" dos cartazes do senhor Ventura, é a forma como se nomeia e demite gente dos cargos públicos que dizem ser de "confiança política".

Isso explica em grande parte o que se passa na saúde, em que parece que a única coisa para a qual a ministra tem capacidade, é demitir os responsáveis de hospitais ou de outra coisa qualquer, apenas por não terem o cartão de militante do PSD.

Ou seja, são retiradas pessoas de cargos de responsabilidade, muitas vezes com provas dadas nesses lugares, para se colocar no seu lugar gente que nem como doentes visitavam os hospitais públicos, porque davam preferência às clínicas privadas (Talvez a sua missão seja mesma essa, continuar a preferir a fazer o "jogo" das clínicas privadas e "destruir" o SNS...).

O curioso da questão, é perceber que apesar das palavras e dos cartazes do senhor Ventura, o Chega é exactamente igual aos outros, como se percebeu na Câmara de Lisboa (e provavelmente em outros Municípios...), onde o partido se "vendeu" ao Moedas, por meia dúzia de "tachos", pouco relevantes mas bem remunerados...

E também percebo, cada vez com mais nitidez, o porquê da manutenção no poder de uma ministra tão incompetente: nunca houve um primeiro-ministro com um discurso tão distante da realidade. É capaz de chamar azul ao verde.

Podem existir mais de 20 horas de espera nas urgências dos principais hospitais, que Montenegro vai continuar a dizer que as coisas na saúde estão melhor que no "tempo dos socialistas"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, janeiro 06, 2026

A nossa passividade perante a "nova ordem mundial"...


Pensava que era fácil para as pessoas olharem para o que se passou na Venezuela, como algo profundamente errado e perigoso, pelo precedente aberto, quando se sabe quais são as vontades de Putin ou de Jinping, em relação à Ucrânia ou à ilha Formosa.

Uns culpam tanto Maduro como Trump, outros apenas o ditador da Venezuela... E depois há uma minoria que tem noção clara do que se passou e diz que, mais uma vez se desrespeitou o direito internacional e a autonomia das nações.

Olho para trás e penso que todos os avanços que se deram ao longo da segunda metade do século XX, no trabalho, na saúde, nos direitos humanos e na integridade das nações, estão a ser engolidos por algo que começou por ser apenas uma "maré" capitalista e populista, mas que rapidamente invadiu "a terra", com o objectivo claro de ser, a nova ordem mundial.

O mais curioso é isto estar a acontecer em praticamente todos os continentes, com a passividade da maior parte das pessoas, de todas as idades.

Ou seja, este 2026 que ainda está só no começo, promete ser um ano de grandes mudanças, para pior, para quase todos nós, até mesmo para uma boa parte dos norte-americanos e dos russos (não se tem noção de como é que eles vivem nestes tempos de guerra)...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


domingo, janeiro 04, 2026

O nosso habitual "baixar de calças" aos Estados Unidos da América...


As reacções do ministro dos Negócios Estrangeiros e do Primeiro-Ministro ao que aconteceu na Venezuela são cínicas e hipócritas, como é costume, no que toca às acções dos EUA.

Não temos grandes dúvidas que se fosse o PS que estivesse no poder, as reacções não seriam muito diferentes. Provavelmente escolhiam outras palavras, para não se "comprometerem", com qualquer um dos lados. Mas não acredito que se manifestassem contra os EUA.

O mais fácil é refugiarmo-nos atrás das eleições fraudulentas que mantiveram Maduro no poder e falar na esperança de um novo país, democrata, sem se dizer qualquer palavra contra esta invasão dos EUA, que conseguiu capturar o presidente.

Como já se percebeu, o direito internacional é uma "treta", pelo menos para Trump, tal como a independência e autonomia das nações...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, janeiro 03, 2026

Virar o mundo ainda mais de pernas para o ar...


O que se passou na Venezuela contraria tudo o que se conquistou ao longo do século XX, no campo da independência das nações e no respeito pelos direitos internacionais (e já nem falo da ONU, que devia fechar portas...).

Não sinto qualquer pena de Maduro, mas sim da Venezuela e dos seus habitantes, que, provavelmente, ainda gostam menos de Trump que do presidente deposto e capturado.

Mas se Trump quer mesmo dedicar-se à "caça" a ditadores, devia começar pelo seu amigo Putin...

Mas o pior de tudo, são os sinais que os EUA deram ao mundo. Não só abriram portas à  anexação definitiva da ilha Formosa por parte da China, como pioraram, muito, a situação da Ucrânia nas negociações de paz com a Rússia.

E a Groenlândia e a Dinamarca que se cuidem...

(Fotografia de autor desconhecido - o "regresso ao velho oeste"...)


terça-feira, dezembro 23, 2025

O normal deste tempo é discutir e insultar os outros sem razão...


Não é difícil fazermos a pergunta simples e óbvia destes tempos: «porque é que as pessoas estão tão parvas?»

Tanto pode acontecer numa fila, no interior de uma loja, num restaurante ou até numa passadeira, é a coisa mais fácil do mundo vermos alguém a deixar que lhe "salte a tampa". O normal deste tempo é que se discuta e insulte os outros sem se ter razão...

Estás numa fila numa caixa de multibanco, para levantares dinheiro.  Os minutos de espera parecem horas e o casal que está a levantar dinheiro não se despacha, há alguns desistentes e vais passando para a frente. Dez minutos depois o fulano deixa de usar a máquina mas tem o desplante de continuar no mesmo sítio a contar o dinheiro que levantou, sem se preocupar com a bicha que criara, já com mais de meia dúzia de pessoas.

Alguém lhe diz para se desviar da caixa, sem pedir por favor. O que lhe foram dizer...

Desvia-se mas vira-se, furioso, para as pessoas que estão à espera. E nunca mais se calou (a mulher curiosamente desapareceu....). Disparou para todos os lados até para o senhor que estava atrás de mim, que com o ar mais calmo do mundo lhe disse: «Desculpe, mas o senhor não tem razão.»

Isso é que era bom, ele não ter razão!

Ainda disse que estava o tempo que quisesse na máquina. Foi quando uma senhora sexagenária o aconselhou a comprar uma máquina e colocá-la lá em casa, sem perder a compostura...

Deve ter ficado a pensar na possibilidade e afastou-se, mas sem se calar.

O poeta Eduardo dizia que isto estava tudo ligado. E é verdade. Deve existir um dedo do Trump e do Ventura em toda esta irracionalidade...

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


sexta-feira, dezembro 12, 2025

"O congresso de migalhas" do primeiro-ministro


Não posso deixar de citar o grande Alexandre O' Neill, que num dos seus textos (De um "Congresso de Migalhas") do seu livro, "Tempo de Fantasmas", podia muito bem estar a referir-se ao espertalhaço do nosso primeiro-ministro.

«Ao grande torneio mandibular que os nossos antepassados introduziram no seu sistema de sobrevivência, com o correr sempre indiferente dos anos, sucedeu este pequeno jogo de migalhas, migalhas de tudo, que ficará como a forma típica do convívio neste tempo.»

A lei laboral, é isso mesmo, um jogo, ainda com mais migalhas, para serem distribuídas para os mesmos de sempre.

É por isso que o "conde de monteverde" é capaz de dizer, sem se rir, que a greve foi pouco geral, de mão dada com o seu querido Amaro, que já se percebeu há muito, que é "pau para toda a obra".

Isso só quer dizer, que não podemos baixar os braços, muito menos aceitar que o nosso patronato, que sempre se esteve borrifando para o crescimento do país (gostam é de ter "bolsos cheios"...), tenha a vida ainda mais facilitada para explorar os seus "colaboradores".

Sim, há coisas que nunca mudam. Uma delas é a filosofia dos "patrões" portugueses.

 (Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)


terça-feira, dezembro 09, 2025

Não foi apenas o mau tempo no canal...


Não é a primeira vez que os funcionários da maior parte dos transportes públicos (comboio, cacilheiro e metro de superfície...) decidem fazer pequenos ensaios da greve geral (que apoio...), dois dias antes, com a supressão de horários e paragens em alguns estações, apenas porque sim. Ou então, estão com vontade de empatar (e chatear) as pessoas, obrigando-as a chegar fora de horas aos seus trabalhos.

Por não querer descer ao mesmo nível deles, digo apenas que se trata de uma grande falta de respeito por todos nós.

Até por que sei que isto não aconteceu por estar mau tempo no canal.

Talvez eles gostem de ter a maior parte das pessoas contra eles, mesmo as que também estão a pensar fazer greve no dia onze...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)