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terça-feira, outubro 13, 2026

As terceiras pessoas...


Uma das pessoas que costuma passar pelo blogue, quando me encontra, gosta de fazer resumos, ligeiros, sobre algumas coisas que escrevo.

A sua atenção desta vez ficou quase presa aos casamentos que duram a vida inteira e aos outros, que têm prazo de validade.

O seu ponto é de que todas as vidas em comum devem ter prazos de validade. E depois saiu-se com uma frase engraçada, quando acrescentou, que vivemos vezes demais fora dos prazos e com a pessoa errada...

Sorrimos, mas era isso mesmo que acontecia. Há tantas desculpas para nos separarmos como para segurar o casamento... 

E depois falou-me das "terceiras pessoas", que se aparecem numa dessas alturas de crise, dizem-nos o que queremos ouvir e adeus casamento. Foi o que aconteceu com ela...

Não quis saber mais coisas e ela também resolveu ficar por aqui.

Depois de nos separarmos fiquei a pensar no quanto ela estava certa. Sabia que se ainda estava casado, foi por num desses tempos negros, em que pensamos seriamente que estamos dentro de uma história errada, não apareceu ninguém com um sorriso bonito e uma "bóia de salvação"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, outubro 04, 2026

Os deputados da vergonha (mesmo no interior das suas famílias)...


Eu estou farto de saber que o mundo nunca foi a apenas "preto e branco". Há toda uma paleta de cores, que faz com que o mundo seja muito mais coisas, do que aquelas que imaginamos.

E ainda fico algumas vezes surpreendido com as histórias que me contam. É por isso que me apetece usar o slogan comercial mais popular do Pessoa sobre a bebida pela qual Salazar nunca morreu de amores: "primeiro estranha-se, depois entranha-se"...

Não fazia ideia que no interior de algumas das chamadas "boas famílias", se dizia o pior possível do Chega, por estas saberem "o que a casa gastava". O partido tinha imergido no seu seio, com os seus piores elementos, ou seja, com os filhos que eles nunca escolheriam para gerir as suas empresas ou os seus interesses. O que lhes faltava em competência, sobrava em esperteza e isso nunca foi bom para os negócios. Aquele "vale tudo" assustava-os, por saberem que normalmente era isso que os levava à ruína.

Alguns mais desbocados, nem sequer escondiam a vergonha que sentiam pelas tristes figuras que os seus familiares faziam no Parlamento.

Claro que também sei que há muitas outras famílias do "antigo regime", que se sentem orgulhosas do crescimento do Chega, por terem a sensação de que o 24 de Abril já esteve mais longe...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, setembro 25, 2026

O "Luisiana" que ficava depois do fim do bairro...


Gosto das histórias que resistem ao tempo e às "adulterações" humanas, que gostam de as transformar em outras coisas. 

Felizmente, um senhor de noventa e quatro anos, ainda com memória e vontade de recordar os seus tempos de tocador de banjo, contou-me a verdadeira história do "Luisiana". 

Tudo começou com a paixão pela música, um gira-discos e uma dúzia de álbuns que vieram da América, oferta do senhor António (que ainda conheci por ser amigo do meu pai...), que era "embarcadiço" e tinha tocado saxofone na banda filarmónica da aldeia onde nascera. Foi ele que apresentou o Coltrane e outros génios do outro lado do Atlântico aos amigos. 

Ou seja, quando ele estava por cá (passava meio ano no mar e outro meio em terra...), juntavam-se aos sábados à tarde no casal do Luís dos "Ovos" (era um dos seus vários negócios, embora ficasse mais conhecido pelo seu "ferro velho"...), que comprara uma bateria em terceira mão, só para ter o prazer de acompanhar os dois amigos nas suas aventuras jazzísticas quase desconhecidas de toda a gente.

O velho Duarte contou-me também que o meu pai era um dos raros assistentes. Fingia vir passear o cão e ficava ali, pela tarde dentro, a beber uma taça de tinto e a ouvir as histórias e a música dos amigos.

Foi sempre apenas isto. Nunca foi um bar, muito menos um bordel (as únicas mulheres da casa eram a mulher, a sogra e a filha do Luís...). E só se tornou o "Luisiana", anos depois, por graça e em homenagem ao dono do casal...

Uma vez apareceu um francês, que os quis ouvir e acabou por trazer o piano que comprara numa feira e transformou o trio num quarteto.

Talvez por o casal ficar isolado - na época não devia haver casas num raio de dois quilómetros -, bem depois do fim do bairro (passávamos por lá na infância, nas nossas aventuras de "pequenos vagabundos "...), começou a ser coisas que nunca foi. Ouviam aquela música diferente e começavam a imaginar coisas...

Devem ter sido estas histórias enviesadas que despertaram a atenção de um ou outro informador da PIDE, sequiosos de notas de cem paus, que colocaram o casal no mapa, como um local suspeito, de "encontros de comunistas"... 

E num sábado à tarde foram visitados por três senhores bem vestidos e bem falantes, acompanhados de dois soldados da GNR, que interromperam o ensaio dos quatro amigos. Enquanto um deles fazia perguntas, os outros dois revistaram o casal, de uma ponta a outra. Claro que não encontraram nada de suspeito. Ficaram a saber que o agente das perguntas gostava de música, porque antes de se despedir gabou a bela colecção de discos de jazz da casa. 

Não voltaram ao casal, mas o velho Duarte, ainda hoje diz com um sorriso, «Foi a partir deste dia, e desta visita, que me tornei comunista.» 

E eu fiquei a saber, por um mero acaso, que o meu pai era um dos raros assistentes daquele clube de amigos que gostavam da música de cor escura da América, sem imaginarem que tinha sido baptizado de "Luisiana", vendia bebidas fortes e era visitado por mulheres provocadoras, daquelas que bebiam e fumavam muito, além de se pintarem quase de forma carnavalesca e usarem vestidos curtos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, setembro 09, 2026

«Continua a falar-se pouco do país que queria ser uma "máquina de fotocópias humanas"»


Percebi de uma forma curiosa, que a liberdade estava longe de ter o mesmo valor para a quase dúzia de pessoas sentadas à mesa do jantar.

Sempre falámos de política de uma forma aberta, usando as divergências que surgiam aqui e ali, com algum humor.

Por ser o mais velho daquele convívio, fui sentindo com o decorrer da conversa que o meu mundo era diferente do deles. Mas não era só isso. Eu sempre fui pouco maleável a novas ideias e a novas tecnologias (era o único que não usava smartphone e isso podia explicar muita coisa...).

O mais estranho, era aquela gente achar-se mais bem informada que eu, por estarem a ler títulos de notícias quase minuto sim minuto não, ignorando que eu era assinante e leitor de jornais a sério...

Houve mesmo alguém que foi capaz de dizer que o país do Salazar não era assim tão mau como o pintavam. Foi quando eu disse que era muito pior.

A duas ou três coisas que foram ditas de forma leve, eu respondi com meia-dúzia de factos, que por si só, conseguiram silenciar aquela mesa, por alguns segundos.

Antes do ignorante atrevido meter a viola no saco, por perceber que estava sozinho, ainda lhes disse: «Percebo que não conheçam a realidade do país salazarento. Continua a falar-se pouco do país que queria ser "uma máquina de fotocópias humanas".»

Os sorrisos voltaram à mesa e começou-se a falar de futebol, pois tanto o Sporting como o Benfica tinham acabado de ganhar os seus jogos de "pontapé na bola"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, setembro 07, 2026

Dores de crescimento e dores de envelhecimento...


Eu sei que são dores diferentes.

Provavelmente as de crescimento parecem ser mais dolorosas. Parecem...

Noto isso com a minha filha, que se prepara para entrar no mundo do trabalho, onde vai descobrir uma outra "selva humana", mais animalesca que nos meus primeiros tempos de operário, por vivermos uma época diferente, em que por vezes até se fica com a sensação de que já vale "tirar olhos" e tudo...

Sei que vai ter de "enrijar" os ossos... e o coração...

As dores de envelhecimento, ainda não me chegaram, pelo menos de uma forma que merecem qualquer desabafo mais sério. Percebo-as no contacto e nas conversas que tenho com a minha Mãe e com o meu amigo Chico. Sei que são dores diferentes, porque são de todas as horas, doer isto ou aquilo, é quase como respirar...

Aqui não há "analgésico" possível, ou "morfina" que resulte, para lá das viagens que poderá proporcionar, dependendo apenas da respectiva dose...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, agosto 22, 2026

"o mesmo bilhete de ida e volta"


o mesmo bilhete
de ida e de volta
  
quando parti
sabia que tinha tirado
um bilhete de ida e de volta
ia ficar e ia voltar
ainda era um rapaz novo
estava longe de pensar
nas voltas que a vida dá
de como o tempo
nos pode transformar…
 
soube sempre que
aquele não era o meu país
era apenas o lugar possível
onde se podia acreditar
na palavra futuro e
pensar num final feliz
 
os anos foram passando
e já a dois sentimos
que nada é como sonhamos
a vida é sempre outra coisa
 
mesmo assim nunca desistimos
de voltar ao nosso ponto de partida
fingimos não perceber a factura
que no final teríamos de saldar
 
num tempo não muito distante
uma parte de nós, “ia ficar”…
talvez a mais importante.
 
Isso dizia-nos que iriamos continuar
a usar o mesmo bilhete
vezes sem conta
a ir e a voltar
porque quando o coração
está no sítio certo
ninguém consegue vencer o verbo amar
 
percebemos e aceitámos
que o nosso bilhete
nunca seria diferente
 
era o nosso
bilhete de ida e de volta
de sempre…
 
Luís [Alves] Milheiro

Nota: escrevi este poema para os meus tios, Zé e Lurdes, que emigraram para Alemanha no começo dos anos setenta, onde nasceram os seus dois filhos. Filhos que se sentem, naturalmente, mais alemães que portugueses. O que faz com que os pais, embora tenham voltado para Portugal, para gozar a reforma, acabem por voltar, sempre que as saudades apertam, para estarem com os filhos e com os netos... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, junho 22, 2026

Quase "certificados (ou atestados) de sexualidade"...


Uns familiares afastados, quase que nos obrigaram a entrar na sua casa, com o argumento de tomarmos o café, que íamos beber à Associação Cultural local, quando passámos pela sua rua. Acabou por ser uma visita de médico agradável.

Um dos aspectos curiosos que mereceu a atenção dos meus filhos, foram duas fotografias, de nus, de bebés, dos dois filhos do casal, que são da minha geração, expostas em cima de um dos móveis da sala.

Começaram por "gozar" o prato, afirmando que eu e o meu irmão também devíamos ter fotos daquelas na casa da avó. Acabámos os quatro a sorrir. Argumentei que foi um pormenor que escapou à nossa família, e ainda bem. Isso fez com que nós também não explorássemos a sua nudez em bebés...

Quase em coro, os meus filhos disseram, "que pena". E nova gargalhada geral.

O mais curioso, é que a maior parte destes retratos eram tirados no atelier de fotografia. Sem encontramos uma justificação, achámos devia ser uma moda geracional, que ajudava as lojas de fotografia a sobreviverem.

A conversa ainda avançou mais, ao ponto de se falar em "certificados (e atestados) de sexualidade", a prova de que éramos meninos ou meninas... 

Algo que hoje não prova grande coisa (a não ser para o "toureiro"do CDS...), pois há quem tenha pilinha e se ache mulher e quem tenha pipi e se sinta homem...

(Fotografia de Luís Eme - A Foto Franco é uma boa resistente, que continua com a sua loja história aberta, na Rua das Montras das Caldas. E tem exposta, com orgulho, uma fotografia do  actual Presidente da República).


domingo, junho 14, 2026

Passar o domingo (de Verão) nas Caldas...


O calor convidava uma visita às praias do Oeste, à minha Foz do Arelho, por exemplo.

Mas o domingo há muitos anos que não é o meu "dia de praia". Se nunca gostei muito de confusões, com o avançar da idade, ainda fujo mais delas...


Foi mais agradável passar pela Praça da Fruta ao final da manhã e visitar o Museu José Malhoa depois do almoço (mais uma vez a ser quase "guia turístico" na cidade...), que mesmo depois da centésima visita, é sempre memorável...

E depois é sempre bom encontrar uma casa cheia de gente à nossa espera e meter a conversa em dia...

(Fotografias de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sexta-feira, maio 22, 2026

Bom dia ingratidão...


Há mais de um ano que não encontrava um amigo.

Sabia que a maior parte do tempo iria falar dos seus problemas de saúde, das suas viagens aos hospitais, da recuperação e menos de livros ou de desenhos.

Claro que arranja-se sempre uns minutos para falarmos de arte (da sua e da dos outros) e também de exposições e de associações...

Foi graças ao último iten, que fiquei a saber da tentativa de "golpe de estado", que fizeram na sua colectividade, por quererem substituir a mulher, que tanto dera de si nos últimos anos aos outros (que preferem sempre a primeira fila dos bitaites à mesa de trabalho, onde é preciso arregaçar as mangas).

Ela não precisou de golpe de estado nenhum. De certa forma, estava à espera de um pretexto para se desligar daquele tempo em que tinha de ser uma "faz tudo".

Olhei para trás no tempo e vi-me no mesmo filme... Onde também não precisei de ser empurrado, sai pelos próprios pés da colectividade, que já começava a ser odiada pela minha mulher e pelos meus filhos...

Não só percebi o que ela sentiu, como sei que não existe volta a dar, neste e noutros filmes idênticos (a não ser que estejamos "colados aos lugares", o que nunca foi o caso...). 

A ingratidão vem sempre ao de cima. A memória das pessoas é sempre mais selectiva, do que deveria...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


domingo, maio 10, 2026

O Miguel e a "pirâmide invertida" da Segurança Social...


Embora o Miguel Sousa Tavares seja "excessivo", gosto de o ler, de o ouvir e ver, porque mesmo quando diz disparates, faz-me ficar a pensar em muitos dos temas que trás para a discussão pública.

Nem sempre me lembro que ele uma vez por semana (às quintas) comenta os casos mais pertinentes da semana, no Jornal Nacional da TVI. Esta sexta-feira, ao fim do dia, cansado das mesmas notícias e dos mesmos comentadores diários, lembrei-me e andei para trás no tempo e fui ouvir os seus comentários.

Acabei por ficar surpreendido com as suas palavras sobre as reformas e sobre as pessoas que não têm filhos. O que é mais curioso, é que eu nunca tinha pensado nesta questão como ela foi colocada pelo Miguel, ao dizer que quem não faz filhos e não deixa descendentes - para alimentar a "pirâmide" da Segurança Social (cada vez mais invertida), devia ser penalizado.

Mesmo sabendo que não há forma nenhuma de penalizar as pessoas que decidem, por isto ou aquilo, não ter filhos, ele não deixa de ter razão. Estas pessoas estão a contribuir para que a "pirâmide" fique cada vez mais invertida e embora tenham descontado, as suas reformas acabam por ser pagas com os descontos dos filhos dos outros...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, maio 04, 2026

Que famílias são estas? Quem são estes pais?


Quando algumas crianças, entre os cinco e os sete anos, resolvem agredir outra criança, cega, mais desprotegida que elas, não nos deve apenas fazer pensar. 

Diz que é urgente agir, especialmente dentro das famílias. 

A primeira pergunta que faço é esta: "quem são os pais destas crianças agressoras?"

Sim, são eles os primeiros, e principais culpados, desta agressão cobarde e preconceituosa.

Não venham culpar as escolas e a falta de auxiliares, muito menos as guerras que assolam o Planeta. 

O problema começa e acaba nas nossas casas. Ponto final.

No meio desta atitude vergonhosa, só espero que não exista nenhum pai ou mãe, que ainda tenha ficado orgulhoso, do rebento que tem por casa, por ser bom a "bater no ceguinho".

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, maio 03, 2026

Festejar a Mãe com o cinema e com os museus...


Embora a minha mãe tenha nascido e crescido numa aldeia, onde nem mesmo a menina mais afortunada, aprendia a tocar piano e francês, nunca lhe passou ao lado a importância das coisas bonitas e curiosas no nosso crescimento.

Hoje ao almoço, nas Caldas, perguntei-lhe por que razão, na minha meninice e na do meu irmão, nos levava às matines do cinema e uma ou outra vez, ao Museu José Malhoa.

Disse-me que isso acontecia por passar muitos domingos sozinha connosco (o pai era caçador e preferia passar os domingos aos tiros que a passear com a família...) e que de vez enquanto, sentia necessidade de arranjar programas diferentes para nós...

Disse-lhe que foi graças a Ela, que gosto tanto de cinema e que me sinto tão bem dentro de museus...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quarta-feira, abril 22, 2026

O que é que é isso, afinal, de se ser livre?


Sei que há alguma dificuldade, em se perceber, o que é isso, afinal, de se ser livre.

Digo isto por pensar que só conseguimos ser verdadeiramente livres, quando conseguimos respeitar (e até fazer uma vénia) a liberdade, de ser, e de viver, dos outros, que teimam em ser diferentes.

Durante muitos anos achei que o meu pai era o "homem mais livre do mundo", por ter a sensação de que fazia sempre o que queria. Hoje penso de outra forma, porque havia algum egoísmo na sua forma de ser livre (aliás, ele só conseguiu viver como um pássaro sem gaiola, porque a minha mãe sempre o deixou voar para onde lhe apetecia...).

Hoje percebo que ser-se livre, é muito mais do que fazermos o que nos apetece.

A nossa liberdade não deixa de estar ligada a outra palavra, não menos importante, a dignidade. Só somos dignos da palavra liberdade quando conseguimos respeitar, da mesma forma, a nossa liberdade e a liberdade dos outros.

Parece fácil mas não é... É por isso que se confunde tantas vezes o verdadeiro significado da palavra liberdade...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, abril 15, 2026

Isto de gostar de olhar para aquilo que se mexe nas ruas, com olhos de ver, acaba por ter uma ou outra coisa que se lhe diga...


A minha filha assim que entrou em casa avisou-me logo para ter cuidado, porque houve um "passeador de cães" que deixou o seu "mais que tudo" a "libertar o prisioneiro" mesmo à nossa porta (ainda apanhou a grade-tapete da entrada...).

Como a minha Sofia sabe que olho para todo o lado menos para o chão, e que sou um tipo "cheio de sorte" (houve alguém que inventou esta patranha, de que pisar "merda" dá sorte...), fez com que pensasse logo que: "isto de gostar de olhar para  aquilo que se mexe nas ruas, com olhos de ver, acaba por ter uma ou outra coisa que se lhe diga..."

O mais curioso, é que nem me apetece catalogar a personagem que "educa" o seu "bebé" a preferir a pedra da calçada do passeio ao espaço verde meio abandonado que fica a menos vinte metros...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, abril 12, 2026

A política caseira e as viagens até à Lua...


Pensava que era possível falar de política (sei que com o futebol ainda é pior...), de uma forma descontraída, sem termos necessidade de nos afastarmos uns dos outros, num jantar mais alargado de família.

Estava enganado. Continuam a existir temas demasiado "quentes", tanto à esquerda como à direita...

A primeira discussão começou em relação ao Livre, que a minha filha chamou de um "partido capitalista", apenas por não ser contra a iniciativa privada. Claro que ninguém concordou. Confunde-se muito democracia com outras coisas...

Mas o pior estava para vir depois. Um tio disse que o Chega não era um partido de extrema-direita. Toda a gente o contrariou. Apenas eu o "defendi", dizendo que não sabia se este partido tinha ideologia, para além do populismo, de ser capaz de dizer uma coisa agora e cinco minutos o seu contrário.

Claro que houve alguém de cabelos cinzentos e sorriso fácil, que teve a habilidade de mudar de conversa, falando da "Lua". Até foi capaz de dizer que depois do homem ter chegado ao nosso satélite lunar, pensava que por esta altura já seria normal viajarmos até lá, de forma regular...

Felizmente não havia nenhum "negacionista" à mesa e a refeição continuou animada.

(Fotografia de Luís Eme - Céu)


sábado, março 28, 2026

Um dia diferente em Salir de Matos...


Hoje à tarde vou apresentar o meu livro, "Uma viagem no tempo com o Padre Felicidade", na aldeia onde nasci - tal como o meu primo Zé, o protagonista do livro -, Salir de Matos, com a colaboração da Teresa.

Aldeia que hoje é Vila... mesmo que para mim, seja sempre "a minha aldeia", onde passei durante anos parte das "férias grandes"...

Há algumas curiosidades, a maior delas deverá ser a presença de muitos familiares, por todas as razões, e mais algumas, na apresentação. E alguns deles ainda não sabem que este livro também acaba por ser um livro da nossa família, dos Alves, pois aparecem, a espaços, a avó, os tios e os primos, dentro das minhas memórias e da própria história...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, março 17, 2026

Os maus hábitos nunca se combateram com outros maus hábitos...


Apetece-me escrever, mas nem sei bem como relatar a situação, pouco normal...

(Por serem coisas que não fazem parte da tua maneira de ser, por sempre dares valor a pelo menos meia dúzia de exemplos na educação dos teus filhos, olhaste para tudo aquilo como algo no mínimo absurdo...)

A minha filha também achou tudo aquilo estranho. Embora nunca trocássemos palavras sobre o assunto durante a refeição, trocámos demasiados olhares cúmplices.

Estávamos sentados à mesa com pessoas amigas e uma delas, ainda antes de começarmos a comer, recebeu uma chamada telefónica. Poderia ter despachado a conversa ou simplesmente ter dito que estava a começar a jantar. Mas não, a conversa com a amiga (escutada por todos nós) era mais importante...

Conversa que continuou durante toda a refeição, sobremesa e café incluídos...

O mais curioso naquilo tudo, foi sermos todos pessoas demasiado educadas, que nem sequer lhe chamámos a atenção para acabar com aquele "diálogo mole" e começar outro connosco, com bons modos claro...

Isto explica quase tudo sobre nós. Coisas que achamos importantes, para outras pessoas não têm importância nenhuma.

Mas depois deste retrato, acho que continua a ser muito bom tomarmos as refeições sem a presença dos telemóveis ao lado dos talheres...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, março 12, 2026

Um livro especial, cheio de pessoas especiais...


No sábado apresento o último livro que escrevi, "Uma viagem no tempo com o Padre Felicidade (cem anos-cem crónicas)".

É um livro diferente, porque além de contar a história de uma pessoa especial da minha família, deu-me a oportunidade de "viajar no tempo" (o título não engana...) e ficar a saber mais coisas sobre o Padre Felicidade e a nossa família. Além dos vários episódios com importância histórica que desconhecia e que abordei (sem nunca me esquecer duma palavra demasiado importante, "rigor", fundamental para quem escreve sobre os outros, seja na história seja no jornalismo...), foi possível oferecer um olhar mais pessoal e escrever sobre  as pessoas de quem muito raramente se fala (as personagens secundárias da vida do Padre Felicidade para o mundo exterior, como foram os seus pais ou de uma forma ainda mais "sumida", a minha avó e a minha mãe, por exemplo...).

Ainda não me dei ao trabalho de contar as crónicas de que falo de Salir Matos, a aldeia onde nasci. Sei que são mais de uma dúzia... Claro que não falei de Salir de Matos por ser a Terra da minha família materna e onde passei parte das minhas férias (até quase à adolescência...), mas sim por fazer parte desta história.

É por isso que além da apresentação de dia 14 de Março (16 horas), haverá outra, no dia 28 de Março (16 horas), em Salir de Matos, que está longe de ser menos importante que a que se realiza no Centro Nacional de Cultura...

(Fotografia de Luís Eme - é uma imagem especial, porque estou ao lado da Elisete - esposa do Padre Felicidade -, que ninguém diz que já tem 102 anos, e que nos proporciona momentos muito bons, como este  registado na segunda-feira e que também está muito presente neste livro...)


domingo, março 01, 2026

Um bom exemplo do que nos podem fazer as boas influências e as boas companhias...


Estávamos a ver o "Programa cujo nome estamos legalmente impedidos de dizer" (cá por casa tornou-se um programa familiar e é visto quase sempre ao almoço de sábado) e a minha filha chamou-me a atenção que digo sempre a mesma coisa do João Miguel Tavares, que parece um "cordeirinho" na companhia do Pedro Mexia, do Ricardo Araújo Pereira e do Carlos Vaz Marques.

Normalmente não concordo com as coisas que escreve no "Público", porque faz questão de ver e escrever coisas diferentes das outras pessoas (é mais uma imitação rasca de Vasco Pulido Valente...), fazendo notar bem de quem lado é que está e os ódios de estimação que mantém (não é apenas Sócrates), assim como a complacência que tem com a direita, mesmo a populista.

Na televisão o JMT transfigura-se, torna-se um democrata, até quase que parece um "gajo porreiro" (coisa que não é, de certeza...) no convívio com os três amigos. É aqui que surge o motivo das minhas palavras. Ele é um bom exemplo do que nos podem fazer as boas influências e as boas companhias. No mínimo, fazem-nos parecer melhores pessoas.

Isso também acontece nos nossos grupos de amigos, onde surge sempre um "torcido", que obrigamos a andar na linha, dizendo-lhe, mais que uma vez, que o que ele diz não faz qualquer sentido.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, fevereiro 04, 2026

Pode ser bom passar a vida a "mudar de vida"...


Nunca devia ser tempo de tomarmos conclusões, antes de sabermos (ou percebermos...) melhor o porquê das coisas. Mas isso era estar à espera que o melhor de nós, andasse mais vezes por aí à tona de água...

Eu estava ausente e assim continuei, embora ouvisse a conversa e me sentisse a espaços um privilegiado, por não ter ninguém da família que fosse actor de telenovelas ou vedeta dos "reality shows".

O "pseudo-drama" era um primo que não passava cartão à família, desde os pais aos avós, passando pelos primos e tios, mesmo não passando de um actor de terceira categoria, daqueles que fazem sempre o mesmo papel, a única coisa que muda é o nome da personagem. Parece que há dois ou três anos que não visita os pais, sem que existisse qualquer zanga...

Continuei em silêncio, mas senti que uma boa parte dos actores deviam ter uma existência estranha, não era por acaso que a sua profissão era ser "outras pessoas", passar o tempo a "mudar de vida", mesmo que isso acontecesse só na sua vidinha de ficção. Sabia que muitos, faziam quase tudo, para não ter de voltar a ser o "antoninho" da vida real...

Eu não era exemplo para ninguém, por gostar de ser "invísivel", mas estava farto de saber que o que há mais por aí, é gente que detesta a pessoa que encontram logo pela manhã, no lado de lá do espelho...

Ainda bem que não disse nada. O mais provável era dizerem que estava a "defender" o tal artista dos papeis menores, que tenta andar entretido nos teatros e nas televisões, para não ter de ser, o que não gosta de ser...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)