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domingo, abril 26, 2026

Que assim seja...



Concordo.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, abril 21, 2026

Abril é tudo isto, e muito mais...


Abril. É uma Revolução. Abril. É um Poema. Abril. É um Cravo. Abril. É uma Canção. 
Abril. É Liberdade. Abril. É Sonho. Abril. É Igualdade. Abril. É Fraternidade.
Abril. É uma Flor. Abril. É um Abraço. Abril. É um Sorriso.  Abril. É um Amor.
Abril. É História. Abril. É Gente.  Abril. É Filme. Abril. É Memória.
Abril. É um Marinheiro. Abril. É um Capitão. Abril. É um Soldado.  Abril. É um Companheiro.
Abril. É a Lua. Abril. É a Alegria. Abril. É a Paz. Abril. É a Rua. 


(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, janeiro 01, 2026

Quando quase nada muda...


Quando quase nada muda...

O fogo ilumina os céus,
nas muitas margens do Rio,
Lisboa, Almada, Alcochete, Montijo, Seixal,
são as visíveis.
Acho que ainda há muitas pessoas,
com doze passas no bolso,
outras vestiram cuecas azuis.
Pelo menos, desta vez,
não ouvi o som de tampas de panelas
e estava demasiado distante,
para ver o aceno de notas pardas
de todos aqueles com cara de Montenegro
que querem chegar aos mil golos
como o nosso Ronaldo...

É por isso que é estranha esta sensação
de que quase nada muda...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


terça-feira, novembro 25, 2025

«O problema não é a festa, é quererem fazer do 25 de Novembro, o que ele nunca foi.»


Sei que "ainda não chegámos à américa", basta falarmos claro e conhecer a história recente, para desmontar as duas ou três mentiras, que tentam passar por cima dos factos.
 
Mais uma vez, socorro-me de uma frase do meu amigo Carlos, que diz tudo sobre o dia de hoje: «O problema não é a festa, é quererem fazer do 25 de Novembro o que ele nunca foi.»

O único partido que poderia acenar a "bandeira da vitória" nos vários episódios que antecederam o 25 de Novembro de 1975, é o PS liderado por Mário Soares. Nem mesmo o PSD, teve voz activa, em todo este processo, provavelmente por o seu líder ter passado quase todo o Verão Quente", em Londres, onde foi operado e fez a sua recuperação.

Mas os socialistas têm consciência que se trata de uma data importante, mas fracturante, especialmente no seio do MFA, onde camaradas tiveram de prender outros camaradas, apenas por pensarem de forma diferente. Foi por isso que os socialistas, tal como o "grupo dos nove", nunca quiseram que o 25 de Novembro fosse o que nunca foi.
 
De uma forma simplista, pode-se dizer que o 25 de Novembro foi uma tentativa, bem sucedida, de voltar a colocar o país no rumo certo, com o regresso daquela democracia, onde se procura que exista espaço para todos.

É por isso que não há um único "militar de Abril", ou de "Novembro", com vontade de participar nesta festa, com ar de farsa, onde a direita mais reacionária, quer sobretudo diminuir o simbolísmo e a verdade histórica do dia 25 de Abril de 1974.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, abril 26, 2025

"25 de Abril Sempre, Fascismo Nunca Mais!"


Felizmente o Dia da Liberdade continua a ser uma festa.

É num clima de alegria, serenidade e cumplicidade que se desce a Avenida da Liberdade, com gente de todas as idades.

Curiosamente ou não, cada vez assistimos mais à presença de jovens, com cravos vermelhos, sorrisos bonitos e vivas ao "25 de Abril, sempre / Fascismo nunca mais!"


(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, abril 20, 2025

O pouco peso da religiosidade nas nossas vidas...


Ano após ano, sente-se que o peso da religiosidade vai diminuindo nas nossas vidas.

O mais importante dos dias memoráveis já não é o seu simbolismo religioso e a história, mas a sua transformação em datas meramente festivas. Pouco interessa que o Natal festeje o nascimento de Jesus da Nazaré, e agora aa Páscoa, a sua ressureição, o importante é estas datas se terem transformado nas grandes referências do consumismo. Usa-se e abusa-se do poder económico e também da gastronomia.

Não deixa de ser curioso, que tanto o Pai Natal como os Coelhos e os Ovos, sejam hoje mais populares e festejados que Jesus...

Claro que é apenas mais um registo do nosso retrocesso civilizacional, da deturpação que se faz da própria história.

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sexta-feira, março 21, 2025

«Sou Poeta!»


Ser poeta continua a ter muito que se lhe diga, no nosso país e nos países outros. Foi por saber isso que um dia qualquer escrevi estas palavras:


«Sou Poeta!»
  
Quando lhe perguntam a profissão,
responde sempre:
- Sou poeta!
Gosta de ser olhado de alto abaixo,
como se os outros andassem a ver
de onde lhe faltava um parafuso.
 
Que satisfação boa e secreta…


Luís [Alves] Milheiro


(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

 

sexta-feira, dezembro 20, 2024

Um Natal com cada vez mais dificuldades em esconder as "misérias humanas"...


Não sei se lhe chame uma coisa curiosa, até porque pode ser mais comum do que aquilo que eu possa imaginar.

À medida que os anos vão passando,  tenho cada vez menos paciência para o Natal.

Sei que em parte isso deve-se a este mundo que nos rodeia, ter cada vez menos ares natalícios (as luzes e as montras não contam...). Gaza, Beirute, Damasco ou Kiev, são os maiores exemplos...

Por outro lado, como tenho os filhos já adultos (ainda não há netos...), perdeu-se um pouco o encanto e a sua alegria contagiante (mesmo que passageira...) em receber presentes...

Tenho vários defeitos, mas a hipocrisia, o cinismo e a inveja, não estão no "pacote" (e ainda bem, são das coisas mais miseráveis e vulgares dos seres humanos...). E esta época traz todas essas coisas - em "tamanho xl" - para as casas, para as ruas, para as igrejas e sobretudo para as lojas.

E se há coisa que nós vamos perdendo com os anos, é a paciência para fazermos fretes.

Claro que isto não tem nada a ver, por exemplo, com a reunião natalícias das famílias. Numa época em que este núcleo especial tem sido tão desvalorizado, é bom que as pessoas que se encontrem, nem que seja, na tal "uma vez por ano"...

É com gosto que janto a 24 com a minha sogra, passo ceia com os meus cunhados e mais família (onde até costuma aparecer o "pai natal"...). Ou almoço a 25 com a minha mãe e o meu irmão...

Mas não consigo suportar este regresso ao passado, ao tempo dos "coitadinhos", com os ricos a voltarem a "escolher" o seu pobrezinho, para a sua ceia (voltou-se a isto, com mais visibilidade, porque os ricos estão mais ricos e os pobres mais pobres...) ou a ver o presidente da república a servir refeições aos sem abrigo (ele bem podia fazer com que o natal para esta gente não fosse apenas um dia. Até lhe dou a ideia de, quando sair do cargo, fomentar estes encontros, mensalmente...).

Nota: Este texto começou por ser publicado no "Casario", depois passou para as "Viagens" e agora fica aqui no "Largo"...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


domingo, setembro 01, 2024

Extraordinários exemplos de superação e de alegria...


Não tenho assistido com a mesma assiduidade às competições dos Jogos Paraolímpicos, com que assisti aos Jogos Olímpicos.

Mesmo assim, nas provas a que tenho assistido, noto que transparece um maior companheirismo e também uma grande alegria, só pelo simples facto de estarem ali a participar na maior festa desportiva do mundo.

Mas o que mais me tem impressionado é a alegria destes campeões e campeãs, quando sobem ao pódio e recebem uma medalha, que não precisa de ser a de ouro. Há uma autenticidade expressiva que é capaz de emocionar qualquer pessoa, mesmo os que gostam de fingir que são insensíveis.

Nem quero imaginar o percurso cheio de obstáculos que estas pessoas tiveram de enfrentar, tudo o que passaram até conseguirem chegar aos Jogos. 

São dos mais extraordinários exemplos de superação para todos nós...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quinta-feira, agosto 15, 2024

O meu querido 15 de Agosto...


O feriado do 15 de Agosto, contínua - e continuará - associado a um Portugal que já não existe, onde não existiam supermercados, apenas mercearias e pequenos minimercados, e as feiras que se realizavam nas localidades, adquiriam uma importância primordial, tanto social como económica.

Na cidade da minha meninice a "Feira Anual do 15 de Agosto" realizava-se na Mata da Rainha (das Caldas). Aos meus olhos de criança, era um acontecimento memorável, que ocupava todo o espaço que rodeada o Campo da Mata, que pela sua dimensão e equilíbrio do terreno, era ocupado pelas principais diversões.

Parece que ainda oiço os vendedores de "banha da cobra" (que vendiam tudo menos este produto), à medida que ia andando de mão dada com a mãe ou o pai, para não me perder no meio da multidão...

É por isso que tiro o chapéu (que não uso) à Feira de São Mateus, de Viseu, que vai conseguindo resistir a todas as mudanças que se dão a nível planetário.

(Fotografia de Luís Eme - Viseu)


quarta-feira, maio 01, 2024

É preciso ter memória e lutar contra os "vampiros", todos os dias...


Os 50 anos da Revolução de Abril acabaram por banalizar o Primeiro de Maio, cuja comemoração em Liberdade também faz 50 anos e foi festejada em Lisboa de uma forma única, no Estádio que seria baptizado posteriormente, "1.º de Maio" e também em praticamente todas as ruas e avenidas da Capital.

Todos os que a viveram falam de uma "jornada única".

E 50 anos depois desta Festa dos Trabalhadores, é bom recordá-la, por vários motivos, até porque os donos das grandes superfícies comerciais continuam a apostar em levar as pessoas para as suas lojas, retirando-as das ruas festivas, com a oferta de pechinchas, que podem ir das "batatas", passando pelos "sabonetes" e parando no "papel higiénico".

Mas há coisas mais importantes para falar. Provavelmente nunca existiu tanto trabalho precário como nos nossos dias. Sem esquecer a aproximação à "escravidão", se olharmos para as condições que são oferecidas aos estrangeiros que trabalham na agricultura, na pesca, na hotelaria e restauração (com os patrões a serem capazes de dizer que "os portugueses não querem trabalhar", por não aceitarem estas condições miseráveis...). 

Mas como este governo (e o anterior...) preocupa-se mais em andar atrás das "empregadas domésticas" clandestinas, que em acabar com as condições de exploração e miséria em que se vive e trabalha em Portugal. Está tudo dito.

Do que ninguém terá dúvidas, é que é preciso continuar a lutar, até porque se há coisa que sabemos (ou pelo menos devíamos saber...), é que a direita nunca deu nada aos trabalhadores, se esquecermos as migalhas do costume.

Basta recordar que o tão falado "choque fiscal" do Montenegro vai beneficiar sobretudo as grandes empresas, ou seja quem mais tem lucrado nos últimos anos, primeiro com a pandemia depois com as guerras. 

É por isso que é importante não esquecer que, desde Abril de 1974 que os lucros do trabalho nunca estiveram tão mal divididos.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, abril 25, 2024

Todos os caminhos foram dar à Avenida da Liberdade...


Hoje todos os caminhos foram dar à Avenida da Liberdade.

Foi bom cruzar-me com gente feliz de todas as idades e de todos os extratos sociais. É este o espírito do 25 de Abril, a paixão pela democracia e pela Liberdade.

Talvez esta tenha sido a primeira resposta dada pelos portugueses aos fascistas que estão no Parlamento. 

Espero que a segunda seja dada já nas próximas eleições, para o Parlamento Europeu...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, fevereiro 25, 2024

Tantos dias que têm cem anos (felizmente há a vontade e a determinação de continuar por mais dias)...


Hoje estive na festa de aniversário da única pessoa da minha família que vi chegar aos 100 anos.

É uma pessoa especial, que me acolheu na sua casa, quando vim para a Capital, com dezoito anos. Mas não me acolheu apenas, tratou-me sempre com grande ternura, a espaços, quase como o filho que não teve, tal como o primo Zé.

Ternura que devolvi, de uma forma natural, porque "amor com amor se paga", pelo menos no mundo das pessoas normais.

E como eu cresci nos meses que vivi na Cruz Quebrada...

As conversas que tínhamos (falava mais com a Elisete do que com o Zé...) eram extremamente enriquecedoras. Felizmente o bom ambiente familiar contrastava com a impessoalidade que encontrava nas ruas lisboetas. Embora nunca me tivesse sentido uma "cobaia", sei que a formação em psicologia da Elisete, abria portas e janelas da "minha ainda pequena casinha".

Sei também que me tornei um adulto mais responsável, graças à liberdade e aos bons exemplos que recebi deste casal especial. E também uma pessoa melhor (claro que os meus pais foram as pessoas mais importantes na minha formação e educação, mas este tempo que vivi com os primos Zé e Elisete foi diferente, deu-me outras coisas, muito mais mundo).

É também por isso, que, poder assistir ao centésimo aniversário desta Mulher especial - que continua a manter uma lucidez invejável, para esta idade grande -, deixa-me muito feliz e orgulhoso.

(Fotografia de Luís Eme - Algés)


terça-feira, janeiro 02, 2024

A nossa conduta como cidadãos no espaço público


As notícias da televisão, mesmo que sejam repetitivas, levantam sempre questões.

Faz-me confusão que se insista, ano após ano, com o mesmo tipo de comportamentos, completamente erráticos e ilegais. 

Nas festividades do Natal e do Ano Novo continuam a perder-se demasiadas vidas nas estradas (e nem vou falar nos mutilados...), em acidentes estúpidos, muitos deles provocados por condutores com excesso de álcool no sangue.

Mesmo que saiba que não sou exemplo para ninguém (nunca conduzi alcoolizado...), não consigo compreender este comportamento "assassino", repetido ano após ano. 

Infelizmente, é apenas mais um exemplo, que diz muito sobre a nossa conduta como cidadãos no espaço público.

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)


sábado, dezembro 24, 2022

Um Dia não são Dias...


Embora a história destes últimos tempos os tenha reduzido, uma das melhores coisas do mundo continuam a ser os amigos, com quem se pode falar de tudo. Até é possível troçar do Pai Natal e tudo, nestes tempos já de si apressados em que se corre um pouco mais, pelo menos durante um dia ou dois...

De Jesus todos sabíamos a história, da fuga, do nascimento quase acidental num curral, daí a companhia do burro e vaca... Também imaginávamos que a estrela e os reis magos apareceram depois, graças a um contador de histórias, dos bons, que quis aproximar ainda mais este nascimento dos céus.

Agora sobre o velho das barbas brancas e da corrida às compras, acabámos por chegar a acordo que tinha sido uma criação de algum capitalista espertalhaço, daqueles que até quando dão pontapés nas pedras, descobrem uma oportunidade de negócio. 

Mas andámos por outros lados, esquecidos do vermelho da coca-cola, inspirados nas pessoas que quase corriam à nossa volta, e que sim, até tinha sido uma criação feliz. Nem sequer parámos na patranha de que devia ser natal todos os dias. Se o fosse, deixava de ser Natal...

Apaziguados pela época, nem sequer criticámos o presidente da República, que nesta quadra gosta de servir refeições àqueles que a única coisa que têm é a rua. Estávamos tão embebidos pelo espírito natalício, que se ele aparecesse por ali, até éramos capaz de tirar uma "selfie" para a sua colecção. 

Como o Carlos disse, se perguntássemos a todos estes rapazes e raparigas que vivem ao deus dará, se estão de acordo com estas refeições natalícias, a maioria dizia que sim, porque um dia não são dias... Eles sabem que é melhor um que nada...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, setembro 01, 2022

Uma Outra Feira do Livro (mais festeira e menos literária)...


Voltei à Feira do Livro e estranhei-a, mais do que nunca. 

Sei que o problema deve ser meu, por ser  de outro tempo (e querer ficar por lá...), em que os livros não se vendiam em supermercados nem eram produzidos e vendidos como se fossem apenas mais um acessório para as nossas vidas, como um perfume, um vestido ou um casaco.

Acredito que se batam recordes de tudo, tanto no número de editoras presentes (há várias de que nunca tinha ouvido falar, das tais que podiam muito bem estar ali a vender "batatas" em vez de "livros"...) como nas vendas. Nas praças dos dois grandes grupos editoriais, formavam-se filas para se pagar. O que até se compreende, pois conseguiram meter no bolso as editoras mais interessantes e com melhores livros e autores deste nosso pequeno país...

Mas também sei o quanto devem ser importantes para toda a gente que vive (ou finge viver...) dos livros. Como fui a um dia de semana, não encontrei escritores à espera de leitores e a assinar os seus nomes na folha de rosto dos livros que escreveram, mesmo que pensassem que estariam bem melhor deitados numa praia sossegada que naquela "costa de caparica" dos livros. Mas este é um dos "fados" de quem escreve livros...

Claro que não vou falar da "banalização" que têm feito do livro. Sei que muitas das tais editoras emergentes só existem para satisfazer os caprichos daqueles que não querem deixar este mundo "sem deixar um filho, plantar uma árvore e escrever um livro" (desconfio cada vez mais que esta frase nasceu de algum editor...). E por causa desse capricho há pessoas que até são capazes de "pagar dois livros" pelo preço de um, para gáudio de quem precisa deste conjunto de folhas impressas para comer. Uma boa parte destes autores acabam por  perceber, que afinal só alguns primos e vizinhos é que sentiam alguma curiosidade sobre o que estava dentro das suas histórias ou poemas. 

Mas quando percebem, é quase sempre tarde demais. Afinal não são bem escritores, apenas pagaram a impressão de um livro com as suas palavras...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, junho 13, 2022

As Marchas, os Bairros e as Colectividades Lisboetas


Provavelmente o meu filho foi excessivamente sincero quando disse, ontem ao jantar, que não conseguia encontrar qualquer encanto nas marchas populares. Não suportava a falta de originalidade, que começava na música, praticamente igual há cinquenta anos, e sem grandes variações, de marcha para marcha.

A única coisa que tem mudado são os cenários e a coreografia. De ano para ano as roupas e os arcos das marchantes vão mudando de cor e de temática, assim como a forma como se apresentam.

Embora saiba que o meu filho tem razão, também sei que há coisas tão ou mais importantes, que o espectáculo na Avenida...

Sim, as marchas são hoje um dos principais incentivos para a sobrevivência de muitas das colectividades, que representam nestes dias festivos os bairros lisboetas. Estas participações, além de trazerem os jovens para o seu seio, animam os seus arraiais, que acabam por ser a principal fonte de receitas para as suas actividades do ano inteiro.

Normalmente nestes dia falo dos dois aniversariantes, os dois Fernandos e os dois Antónios, que continuam a ser tão importantes para Lisboa. Mas hoje apeteceu-me falar do Associativismo Popular Lisboeta...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, junho 11, 2022

O Calor Humano, os Bairros e os Santos


Ao passarmos por qualquer arraial de bairro dos Santos Populares, percebemos o quanto os portugueses gostam do "calor humano" e das festas.

Claro que mesmo não sendo todos, são muitos. Provavelmente são os mais bairristas, os que sentem os Santos Populares quase como uma tatuagem, que mesmo invisível, fica-lhes para sempre no corpo. 

Foi por isso que fiquei a pensar se os antigos moradores de Alfama e de outros bairros típicos (apesar de "terem sido corridos" pelos empreendedores do turismo de lucro fácil), nestas noites especiais, voltam às suas antigas ruas, para matar saudades da vizinhança e das colectividades locais.

Talvez sim, talvez não. Calculo que nem todos gostem das confusões em todas as ruas, que em alguns casos não permitem andar, nem para a frente nem para trás...

Eu por exemplo, menos dado a estas confusões, se sentisse saudades, escolheria dias e noites mais calmas.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, maio 02, 2022

Memórias de Abril e Maio de 1981...


O único ano em que participei nos desfiles e nas festas das comemorações do 25 de Abril e do Primeiro de Maio, em Lisboa, foi em 1981.

Era o meu primeiro ano em Lisboa... e com alguma naturalidade, foi um ano de descobertas.

Vinha da província, de uma Cidade quase sem Abril, pouco dada a fervores revolucionários.

Embora fosse um simples observador, era um observador feliz ao assistir a todas aquelas encenações humanas, ainda com espaço para sonhos.

Lembrei-me de tudo isto, porque hoje senti a alegria de um casal, que nunca perdeu um desfile na Avenida da Liberdade de Abril ou na Almirante Reis em Maio (os tempos da pandemia não contam...), que me explicou, entre outras coisas, que é um local de encontro anual. Há amigos que só se encontram nestes momentos festivos em que ainda se festeja a Liberdade...

E o que ficou, foi a expressão da contentamento da Teresa, de que continua a ser muito bom festejar a Liberdade, ainda que seja uma festa cada vez mais curta...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, março 29, 2022

A Vida Está Cada Vez Mais Longe dos Contos de Fadas...


O mundo sempre foi uma coisa estranha, mas agora começa a ficar "perdido", para quem acreditava e tinha esperança na humanidade.

Não me apetece falar da agressão gratuita de um actor ao apresentador da cerimónia da entrega dos óscares (um comediante que disse uma piadola sobre a esposa do actor e que provavelmente nem foi escrita por ele...), sem me esquecer de referir a ironia das ironias, que aconteceu minutos depois, quando o agressor foi premiado com o óscar para melhor actor e que, depois de subir ao palco, juntou às desculpas, as "lágrimas de crocodilo", que tornaram o seu discurso mais húmido.

Pensava que nestes tempos de guerra as pessoas fossem mais comedidas e pensassem duas vezes, antes de tentarem resolver as pequenas querelas da vidinha através da violência física. Não foi o que se passou na Festa dos Óscares (que até por ser uma festa, dispensava o que aconteceu...). Tal como não é o que acontece ao fim de muitas noites, como a da tragédia que ceifou a vida a um agente da PSP (que continua muito mal explicada, pois estes senhores, com e sem farda, infelizmente, têm muito pouco de "anjos salvadores" de quem quer que seja...).

Era bom, era que o inferno que está a destruir um país e a vida de milhões de pessoas, nos tornasse melhores pessoas, mas a vida está cada vez mais longe dos "conto de fadas"...

(Fotografia de Luís Eme - Caramujo)