Mostrar mensagens com a etiqueta Civismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Civismo. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, dezembro 08, 2023

As mesmas palavras tornam-se diferentes de um dia para o outro...


No meu caderno diário, onde anoto o quer apetece, sem pensar em significados e significandos, guardei uma frase (já quase com uma semana...) que o professor, Eduardo Baptista Correia, deixou presa na capa do "D. Notícias": «O civismo é a melhor forma de implementar a democracia.»

A frase é tão óbvia, que a tendência é passar-lhe por cima. Quando a li, ainda me apeteceu ir mais longe, porque acho que o civismo é a forma de implementar tudo, é mais uma das várias coisas que nos deviam distinguir dos animais.

Logo que li a frase - demasiado simplista -, juntei meia-dúzia de palavras, neste "caderno de tudo". Até fui capaz de escrever que se existisse civismo, resolvíamos problemas tão graves como as guerras da Ucrânia e em Gaza. 

No dia seguinte tive logo a sensação que estava enganado, porque o que não faltam por aí são "loucos civilizados", que nunca irão perceber o verdadeiro significado de civismo, que começa e acaba no respeito pelo outro, por inteiro...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, outubro 23, 2023

A ciência de se saber sair e de se saber entrar...


O Metro já circula em Almada há demasiados anos, tempo mais que suficiente para que as pessoas percebessem que, só depois de toda a gente sair das carruagens, é que se deve entrar.

Mas continua a ser sempre a mesma "cegada", com choques perfeitamente evitáveis e algumas "bocas" desnecessárias de parte a parte.

Talvez estes utentes precisassem de ser "educados" como as pessoas que em Lisboa apanham o Metro, diariamente, e que nunca se colocam em frente da porta, ocupam sim, os espaços laterais. 

Provavelmente sabem o que é ser-se levado numa "enxurrada de pessoas", que é o que acontece nas saídas das carruagens nas estações mais movimentadas, em hora de ponta (sim, em hora de ponta é impossível alguém entrar antes das pessoas sairem...).

Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, outubro 17, 2023

«Obrigado pelo civismo»


Não gosto nada da ideia de viver num país do respeito, aliás respeitinho, como aconteceu com o salazarismo e marcelismo. Mas também não tenho qualquer vontade de ser, mais um, num país que parece fazer gosto em manter bem viva a "ignorância atrevida", dando cada vez menos hipóteses ao ensino do civismo, tanto nas escolas como nos organismos públicos (sim o civismo ensina-se, através de palavras e de exemplos...).

O último exemplo estranho que tive aconteceu na segunda-feira, em frente do edifício da Segurança Social de Cacilhas, que fica numa avenida larga (e com um passeio também largo...). As pessoas em vez de formarem uma fila lateral, ocupavam todo o passeio, obrigando a quem circulava por aquele espaço a pedir licença para passar ou a ter de se deslocar para a estrada...

Quando passei pedi licença ao mesmo tempo que disse que deviam deixar um espaço para as pessoas passarem. Disse isto com a maior calma do mundo e sem qualquer sinal de irritação.

Assim que dei um passo em frente, houve alguém que soltou um "ooohhhhhh", que rapidamente se transformou em coro. Um homem mais atrevido virou-se para os outros e disse que eu devia pensar que "era o Presidente da República".

Com a mesma calma com que pedira para passar, agradeci aquele momento com um simples: «Obrigado pelo civismo.» 

O homem que me achou com cara de "Presidente da República", talvez com alguma surdez, quase que gritou «o quê?» E eu repeti, agora um pouco mais alto, parado no passeio, «obrigado pelo civismo.»

De um momento para o outro, baixaram todos os olhos e fizeram de conta que nada daquilo se passara e que eu não estava ali parado no passeio. 

Continuei a minha marcha, sem saber o que pensar daquela reacção colectiva, a um simples pedido, que achei fazer todo o sentido, dito sem qualquer arrogância.

Sei que isto é uma coisa muito pequenina, num mundo em que as pessoas se matam umas às outras, muitas vezes sem saberem muito bem porquê... Mas até as guerras, normalmente, começam por coisas pequeninas e sem qualquer sentido...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, maio 17, 2023

Não é só no trânsito que encontramos pessoas com problemas mentais...


Hoje aconteceu-me uma coisa completamente surrealista, na fila do supermercado.

Um senhor comprou algo para o neto e pediu ao homem que estava à minha frente (pelos vistos eram vizinhos) se podia passar à frente ignorando-me, completamente.

Fingi que não percebi, mas já depois de pagar continuou a insistir no agradecimento ao vizinho. Foi quando eu achei que devia dizer alguma. E disse que também me devia agradecer, porque tinha passado à minha frente na fila.

O que eu fui dizer...

Começou a dizer que não me conhecia de lado nenhum, ao contrário do amigo. E depois partiu para o insulto, chamou-me parvalhão, besta... A menina da caixa, incomodada, pediu-me para não lhe ligar. E foi o que eu fiz.

O mais grave é que quando sai da loja o homem quase com idade para ser meu pai, estava à minha espera à porta e ainda me tentou agredir fisicamente. Antes que pudesse responder, uma senhora de cor pediu-me para não lhe ligar e ir embora (e ainda bem...), recordando-me da presença do neto, um menino com uns oito anos. 

E foi o que fiz...

Parece surreal, mas aconteceu-me mesmo, há menos de uma hora. 

A princípio pode parecer uma questão de civismo e de falta de respeito pelo próximo. Mas eu penso que existe aqui mais qualquer coisa a nível mental, próximo da loucura. 

Claro que eu poderia não ter dito nada. Mas isso é que quase toda gente faz neste tipo de situações, para não ter problemas e chatices. E o resultado é as "bestas" que andam por aí à solta, pensarem que podem fazer tudo o que lhe dá na real gana.

(Fotografia de Luís Eme - Salir do Porto)