Nunca percebi porque é que as férias parecem sempre tão curtas, em especial quando se aproxima o seu final...
(Fotografia de Luís Eme - Algarve)
(Fotografia de Luís Eme - Algarve)
Voltei a perceber, mais uma vez que nem sempre são as melhores escolhas porque desta vez a minha companheira não trouxe nenhum livro e teve de ficar com as "minhas escolhas" e já torceu o nariz duas vezes...
Começou por ler "A Sala Magenta" de Mário de Carvalho, que leu até ao fim mas não gostou (eu também já acabei de ler e gostei, mesmo que não se trate de uma grande história, fala dos "desencontros" das pessoas nos meios das culturas, através do insucesso de um cineasta...). Mas com a segunda leitura é que se "estragou" tudo, graças aos contos de Charles Bukowski, do livro, "A Mulher mais bonita da cidade". E abandonou-o logo às primeiras páginas...
Além de estar cheio de sexo (ao vivo e a cores...), a linguagem sem travões do Charles não deixa de chocar alguns leitores. Quando um dos seus contos tem como título, "A Máquina de Foder", está tudo dito...
Comecei a ler o Charles com conhecimento de que ele escrevia sem qualquer cerimónia, sobre o mundo e sobre as pessoas (li um dos seus livros mais populares, embora não me lembre do título...). Não era do seu estilo substituir as palavras que acha certas para ilustrarem as suas histórias. Claro que há sexo e álcool a mais neste livro. É provável que tenham escolhido os seus contos mais vadios e marginais para esta antologia...
Imagino que não haja espaço para Bukowski, nesta nova América tão purista e adepta das "aparências". O mais certo é ele ter sido banido das bibliotecas públicas e até de algumas livrarias de "lacinho"...
(Fotografia de Luís Eme - Algarve)
Há sempre pequenas coisas que ficam.
Reparei que tal como o inspector, uma das coisas que gosto, é de olhar para o exterior no lado de dentro das casas, ver o mundo lá fora.
Mas não tem nada que ver com as razões que Georges Simenon invocou nas páginas de "A Defesa de Maigret":
«No seu gabinete, tal como no Boulevard Richard-Lenoir, Maigret tinha o costume de postar-se à janela, olhando para fora, fosse o que fosse: as janelas fronteiras, as árvores, o Sena, os transeuntes. Talvez isso fosse um sinal de claustrofobia. Por todo o lado procurava um contacto com o exterior.»
Eu sei que no meu caso não é claustrofobia. Ganhei este hábito na infância. Ainda recordo com alguma melancolia quando ficava preso à janela da sala, em especial no Inverno, a olhar para a rua e a ver as pessoas a pé, de motorizada ou de bicicleta (carro menos, havia poucos...), a passarem, a desviarem-se ou a andar a saltitar, para fugir às poças de água castanha, porque o alcatrão só chegaria algum tempo depois ao bairro. E quando passava um carro, era banho certo para quem se deslocava a pé... Para uma criança era um espectáculo digno de se ver.
(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)
Mas o resto da família continua a não prescindir do descanso no nosso canto algarvio, onde continua a ser possível passar duas semanas, sem as variedades e as variantes da Costa de Caparica.
Pode parecer um gosto egoísta (ou até milionário, nos tempos que correm...), mas a minha praia ideal, é um areal espaçoso, onde existe a opção de escutares o mar e não apenas os gritos, a música e as conversas dos outros... Além, claro, de dispensares a areia das suas toalhas...
Felizmente, ainda é possível encontrar algumas praias em estado quase natural, de Norte a Sul. Oferecem-nos a vantagem de deixar o carro a alguma distância e usufruir durante pelo menos uma dezena de minutos, de uma caminhada daquelas que nos "dão saúde e fazem crescer"...
(Fotografia de Luís Eme - Algarve)
Já não me lembrava da simplicidade desta escrita, nem dos "truques" usados pelos escritores de policiais, que nos vão lançando pistas e bandidos pelo caminho, para que continuemos presos às suas páginas, até chegarmos ao fim.
Está a fazer-me bem, ajuda-me a escrever outras coisas...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
Acho mesmo que só Vila Nova de Milfontes e o Porto Covo é que se começavam a aproximar da Costa de Caparica. Zambujeira do Mar ainda era outra coisa...
A Comporta era uma aldeia, onde era difícil escapar à melga e ao mosquito, por causa dos arrozais e das margens lodosas dos canais do Sado, que ficavam próximas. O mar era parecido com o da "praia da minha vida", com ondas sonoras e quase selvagens... Era quase só para quem tratava o Oceano com bastante familiaridade, como era o nosso caso...
Tudo isto se passou há mais de quarenta anos... no começo dos anos oitenta do século passado. Os únicos estrangeiros que se encontravam na zona eram "hippies", donos de carripanas velhas, que acampavam em qualquer lugar calmo, onde não fossem incomodados...
Até cheguei a conhecer uma ou outra praia perto do Presídio do Pinheiro da Cruz, assim como alguns dos seus guardiões, que acabávamos por descobrir que eram velhos presos, que cumpriam parte das suas penas em regime aberto...
Lembrei-me de tudo isto, apenas porque sim. Mas ainda fui capaz de pensar: "O que será que os milionários fizeram às colónias de melgas e mosquitos, que também escolhiam a zona da Comporta como lugar de férias?"
(Fotografia de Luís Eme - Vila Nova de Milfontes)
Fingem mais uma vez que se pode comparar o que não é comparável.
Muitos até dizem que Cristiano nunca foi um génio, que o seu talento é apenas fruto de muito trabalho e disciplina.
Se tivessem falado com os seus antigos companheiros das camadas jovens do Sporting, ou com os seus técnicos, percebiam que Ronaldo foi desde sempre, "o melhor de todos". Desde os iniciados até aos juniores.
Claro que foi sempre um jogador diferente de Messi, até na zona do terreno onde jogava. Por ser alto, forte e rápido, jogava nas alas, sem nunca perder de vista a baliza adversária. A velocidade, a força, a técnica e a inteligência, sempre foram as suas grandes armas. Messi, pequenino e franzino, valia-se da magia que tinha nos pés, para esconder a bola e ludibriar os adversários, ao mesmo tempo que era protegido (e bem) pelos árbitros, pela sua aparente fragilidade física.
É por isso natural que se note muito mais, a decadência futebolística de Cristiano. Além de ser mais velho dois anos e alguns meses, perdeu, naturalmente, as suas principais armas. A velocidade e a força física não são as mesmas aos 41 anos, que eram aos 25, 30 ou 35 anos. É um problema com o qual Messi não se confronta de forma tão directa. A sua magia não se perde no tempo, porque faz parte da sua essência, sem estar dependente apenas da condição física, de mais ou menos velocidade.
É por isso que continuo a achar que não se pode comparar o que não é comparável.
Escrevi isto sem qualquer patriotismo bacoco. Para mim, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, são os melhores de sempre.
(Fotografia de Luís Eme - Algarve)
Mas o domingo há muitos anos que não é o meu "dia de praia". Se nunca gostei muito de confusões, com o avançar da idade, ainda fujo mais delas...
E depois é sempre bom encontrar uma casa cheia de gente à nossa espera e meter a conversa em dia...
(Fotografias de Luís Eme - Caldas da Rainha)
Os testemunhos do padre-operário, Luís Martins Ferreira, das trabalhadoras da indústria conserveira, Maria Poupinha e Alice Silva e do pescador, Rogério Correia, foram extremamente enriquecedores, de vários tempos, que tinham em comum as grandes dificuldades de se subsistir.
Mas o eu quero relevar é a singularidade do historiador José Pacheco Pereira, que conseguiu fazer da "Ephemera" e dos seus arquivos, o principal centro de história sobre as pessoas e também os objectos comuns, no nosso país.
E que bom que é existirem as antigas instalações fabris da CUF, que se transformaram em arquivos de todo o género de materiais. Todas as pessoas que gostam de guardar coisas, que parecem não ser importantes (para as suas famílias...), têm agora um lugar onde as depositar, distante dos caixotes do lixo...
Como a gratidão não é o nosso forte, nunca iremos agradecer a este homem especial, por tudo que ele tem feito pela nossa história, cultura, literatura e liberdade.
Mas eu estou-lhe muito grato, por entre outras coisas, também gostar de livros, papeis e de liberdade...
(Fotografia de Luís Eme - Barreiro)
Também achei curioso um álbum com fotografias das nossas praias, estar aberto na Foz do Arelho. Acabei por perguntar se podia tirar uma fotografia, porque esta era a "praia da minha vida"...
Uma das senhoras que vendia aqueles livros, disse-me que sim, afirmando que esse pedido era comum, porque todos nós tínhamos uma "praia da nossa vida"...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
Ou seja, este ano a Feira do Livro, pareceu-me mais "normal", talvez pelas cores e por não a ter visitado em "hora de ponta", mesmo que tenha tudo de grande centro comercial a céu aberto.
Isso também deve ter acontecido por ter levado um lista com meia dúzia de títulos (para depois trazer uma dúzia...) e os ter encontrado praticamente todos.
Pelo que tenho lido, esta novo modelo é um êxito, para os escritores, para os leitores, e sobretudo para os editores. Também gostei de ver por lá o "Lobo de olhos azuis".
E além disso sabemos que a sabedoria popular poucas vezes se engana, pelo menos no nosso país: "um burro carregado de livros continua a ser um doutor..."
(Fotografias de Luís Eme - Lisboa)
Há várias razões para que isso aconteça. A primeira delas, e a mais importante, é a sua beleza, única. A capacidade que ela tem de nos seduzir através das imagens, mesmo que nos aparecesse como outra mulher, a tal personagem que continuamos a amar através dos tempos...
Claro que o aparecimento de um "furacão", nos anos cinquenta do século passado, em forma de uma mulher bonita e atrevida, tinha de virar muitas coisas de pernas para ar...
Isso explicará que tenha morrido cedo demais e com uma névoa à sua volta, que nunca se dissipou.
E também explica o porquê de que nunca termos deixado de a amar, ao mesmo tempo que sentimos que não precisamos de a tentar compreender.
É isso que faz com que diga neste primeiro dia de Junho de 2026, BOM DIA TRISTEZA.
Esta é uma das fotografia que mais gosto da Marylin. Não consegui descobrir a sua autoria, embora ela tenha sido fotografada por todos os grandes fotógrafos da época...
Foi por isso que adorei o seu "Pão de Anjos".
Sei que nem toda a gente consegue escrever de uma forma simples. O que não faltam por aí são escritores que adoram dar voltas às palavras e rodear os assuntos... Foi isso que senti com o livro que acabei de ler de Fernando Namora, "Jornal sem Data" (o que gostei mais da obra literária foi do título...).
Não é um diário, não é uma autobiografia, é outra coisa qualquer que fica no meio de coisa alguma. Talvez a melhor definição seja a de pequenos rabiscos do quotidiano que foi coleccionando e colando, para engrossar a "lista de títulos". Talvez...
Muitas vezes quer "atirar pedras" aos confrades, mas nem para isso tem coragem, prefere antes "filosofar" à sua volta.
Isso mostra também quem são as pessoas que escrevem, com quem nos apetece entrar no café e pedir licença para beber um chá e trocar algumas palavras, não é Patti?
(Fotografia de Luís Eme - Almada)
Como ando sempre com a minha "canon" à mão, tirei dois retratos, a alguma distância, para não quebrar a alegria daquele banho colectivo.
Felizmente não existem em Almada fiscais diligentes, polícias de rua ou cidadãos demasiado zelosos, com a coisa pública... e a ida a banhos deve ter continuado pela tarde fora...
(Fotografia de Luís Eme - Almada)
Éramos quatro na mesa e deixámos o Carlos sozinho, por não querermos enfiar a carapuça de "maus pais". Se bem que eu me limitasse a sorrir e a dizer-lhe que ele não precisava de ser tão definitivo. Claro que eu estava farto de saber que o que ele era, era um "provocador". E que era graças às suas provocações que muitas vezes chegávamos a lugares interessantes dentro das conversas...
Naquele momento, lembrei-me do meu professor de rádio do curso de jornalismo, o Carlos Martins e de uma chamada de atenção que ele me fez, por eu com vinte e poucos anos, andar demasiado agarrado à palavra "objectividade", num mundo tão subjectivo... Ele em vez de me dizer que estava errado, sorriu e mostrou-me, com exemplos práticos, que o melhor que tinha a fazer era guardar a tal palavra, tão definitiva, no saco...
Pois é, nós aos vinte pensamos que sabemos tudo da vida e aos sessenta, ficamos algumas vezes com a sensação de que aprendemos menos do que devíamos com a vida.
(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)
Apetece-me falar das fotografias de Gérard Castello Lopes ("Fotografias 1956-2005"), Georges Dussaud ("De Lisboa para Ti") e Rita Barros ("Hyperosmia"), cada uma com o seu espaço e a sua narrativa, que estão nas paredes do Arquivo Municipal à espera de visitantes.
Claro que me identifico mais com o Gérard e com o Georges que com a Rita, o objecto da sua arte. Faz-me confusão nós sermos o centro da nossa forma de nos expressarmos artísticamente, como acontece com a Rita, que se especializou nos "auto-retratos", tal como Jorge Molder e antes Helena Almeida. Poderá ser falta de sensibilidade minha para a coisa...
Quando sai do Arquivo (Rua da Palma) vinha agradado com o que vira. Ainda antes de chegar ao Martim Moniz pensei que se havia duas pessoas ligadas a fotografia, que gostaria de ter conhecido, eram Gérard Castello Lopes e Augusto Cabrita, por razões diferentes.
Sei que aprendia algumas coisas com eles (já aprendo bastante só quando olho as suas fotografias...), porque me identifico com o seu trabalho e também por gostar de comparar tempos...
Fala-se muito de censura, da escrita durante as ditaduras salazarista e marcelista, mas fala-se pouco da imagem, de como ela era recebida, tanto pelas pessoas (especialmente nas ruas), como pelos poderes, nesses tempos com poucas cores...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
O importante é termos sempre coragem de a expressar, de todas as maneiras possíveis.
(Fotografia de Luís Eme - Almada)
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
Estava farto de saber que quem vive sozinho pode fazer coisas diferentes de que quem partilha casa com outras pessoas.
Mas mesmo quando vivemos com os outros, podemos ter um quarto, que é quase como um de hotel, com a porta fechada para o exterior. Acho que hoje isso acaba por ser levado ao extremo pelos nossos filhos, que passam demasiado tempo fechados na sua "divisão de hotel"...
Mas não é sobre isso que quero falar. Até porque, como já perceberam pelo título, é de livros que se trata a conversa.
Livros e leitores. Às vezes lembro-me de ter passado a noite toda a ler (deve-me ter acontecido apenas duas ou três vezes...), quando vivia sozinho e quando um livro (desses que são cada vez mais raros...) me pedia para ser lido da primeira à última página.
Mas a história que vos vou contar é outra. A Zé costuma acordar demasiado cedo, a horas quase indecentes, como seis e meia da manhã. É então que resolve "ler para acordar"...
Sorri quando ouvi a expressão. Sei que todos os leitores que têm livros na cabeceira, já o fizeram, uma ou outra vez. Mas achei delicioso alguém me contar que "lia para acordar"...
(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)