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segunda-feira, julho 20, 2026

"De vez em quando"...


De vez em quando
 
De vez em quando
Acontecem-me coisas estranhas
Daquelas que surgem com mais frequência
Aos poetas e aos malucos.
Eu começo já a contar:
Sentei-me num dos bancos de uma carruagem de metro,
Quando olhei para a frente,
Descobri uma jovem mulher de pele castanha
Enquanto a olhava
Comecei a escutar uma música longínqua
Um blues que ecoava na parte interior dos meus ouvidos
Olhei à volta e percebi que a música era só minha
 
A mulher de pele castanha era jovem
Podia ser minha filha.
Tinha um vestido negro com listas com espigas
cremes e uma mala de viagem
De quem parte ou de quem acaba de chegar
Por mais de meia-dúzia de dias…
 
A música só acabou quando ela saiu
na estação do Marquês.
 
Fiquei sem perceber se tive
Um laivo de loucura ou de poesia…
 
Luís Alves Milheiro

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, junho 03, 2026

Um dia menos igual que os outros...


É possível que fora de Lisboa e Porto, a greve geral não se tenha sentido, pelo menos de uma forma que alterasse o dia a dia das pessoas.

Focando-me apenas na Capital, com os dois transportes que mais utilizo (cacilheiro e metropolitano...), completamente parados, o melhor mesmo foi deixar a  "cidade grande" entregue às moscas e aos turistas (para quem pode, claro...).

Imagino que os "serviçais" - que moram na Margem Sul - desta gente que chega de fora e desembarcam das barcas gigantes e dos aviões, não tivessem desculpa para não aparecerem. Só devem ter desistido de ir e vir a nado porque o Tejo é mesmo parecido com um mar...

A educação e a saúde também causam sempre constrangimentos, embora estes, como de costume,  sejam desvalorizados pelos governantes, clientes e defensores da oferta privada, cada vez mais vasta de Norte a Sul...

Não deixa de ser curioso, que as atenções televisivas se tenham focado sobretudo nos "piquetes de greve" (cada vez menos influentes...) e nos "malucos" (de ambos os sexos...), cujo masoquismo, faz com que escolham estes dias para experimentarem a qualidade dos cacetetes dos polícias...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


terça-feira, janeiro 06, 2026

A nossa passividade perante a "nova ordem mundial"...


Pensava que era fácil para as pessoas olharem para o que se passou na Venezuela, como algo profundamente errado e perigoso, pelo precedente aberto, quando se sabe quais são as vontades de Putin ou de Jinping, em relação à Ucrânia ou à ilha Formosa.

Uns culpam tanto Maduro como Trump, outros apenas o ditador da Venezuela... E depois há uma minoria que tem noção clara do que se passou e diz que, mais uma vez se desrespeitou o direito internacional e a autonomia das nações.

Olho para trás e penso que todos os avanços que se deram ao longo da segunda metade do século XX, no trabalho, na saúde, nos direitos humanos e na integridade das nações, estão a ser engolidos por algo que começou por ser apenas uma "maré" capitalista e populista, mas que rapidamente invadiu "a terra", com o objectivo claro de ser, a nova ordem mundial.

O mais curioso é isto estar a acontecer em praticamente todos os continentes, com a passividade da maior parte das pessoas, de todas as idades.

Ou seja, este 2026 que ainda está só no começo, promete ser um ano de grandes mudanças, para pior, para quase todos nós, até mesmo para uma boa parte dos norte-americanos e dos russos (não se tem noção de como é que eles vivem nestes tempos de guerra)...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


domingo, janeiro 04, 2026

O nosso habitual "baixar de calças" aos Estados Unidos da América...


As reacções do ministro dos Negócios Estrangeiros e do Primeiro-Ministro ao que aconteceu na Venezuela são cínicas e hipócritas, como é costume, no que toca às acções dos EUA.

Não temos grandes dúvidas que se fosse o PS que estivesse no poder, as reacções não seriam muito diferentes. Provavelmente escolhiam outras palavras, para não se "comprometerem", com qualquer um dos lados. Mas não acredito que se manifestassem contra os EUA.

O mais fácil é refugiarmo-nos atrás das eleições fraudulentas que mantiveram Maduro no poder e falar na esperança de um novo país, democrata, sem se dizer qualquer palavra contra esta invasão dos EUA, que conseguiu capturar o presidente.

Como já se percebeu, o direito internacional é uma "treta", pelo menos para Trump, tal como a independência e autonomia das nações...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, dezembro 23, 2025

O normal deste tempo é discutir e insultar os outros sem razão...


Não é difícil fazermos a pergunta simples e óbvia destes tempos: «porque é que as pessoas estão tão parvas?»

Tanto pode acontecer numa fila, no interior de uma loja, num restaurante ou até numa passadeira, é a coisa mais fácil do mundo vermos alguém a deixar que lhe "salte a tampa". O normal deste tempo é que se discuta e insulte os outros sem se ter razão...

Estás numa fila numa caixa de multibanco, para levantares dinheiro.  Os minutos de espera parecem horas e o casal que está a levantar dinheiro não se despacha, há alguns desistentes e vais passando para a frente. Dez minutos depois o fulano deixa de usar a máquina mas tem o desplante de continuar no mesmo sítio a contar o dinheiro que levantou, sem se preocupar com a bicha que criara, já com mais de meia dúzia de pessoas.

Alguém lhe diz para se desviar da caixa, sem pedir por favor. O que lhe foram dizer...

Desvia-se mas vira-se, furioso, para as pessoas que estão à espera. E nunca mais se calou (a mulher curiosamente desapareceu....). Disparou para todos os lados até para o senhor que estava atrás de mim, que com o ar mais calmo do mundo lhe disse: «Desculpe, mas o senhor não tem razão.»

Isso é que era bom, ele não ter razão!

Ainda disse que estava o tempo que quisesse na máquina. Foi quando uma senhora sexagenária o aconselhou a comprar uma máquina e colocá-la lá em casa, sem perder a compostura...

Deve ter ficado a pensar na possibilidade e afastou-se, mas sem se calar.

O poeta Eduardo dizia que isto estava tudo ligado. E é verdade. Deve existir um dedo do Trump e do Ventura em toda esta irracionalidade...

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


sábado, abril 05, 2025

«Não eras tu que querias chuva?»


«Não eras tu que querias chuva?»

Não respondi, mas se calhar era, como quase todos os portugueses que passavam por rios ou barragens, com escassez de água.

Talvez agora seja o tempo de recebermos tudo em excesso. Aquilo que chamamos equilíbrio, perdeu-se há muito tempo. Agora recebes tudo ou nada...

Penso que o ser humano não nasceu para se confrontar diariamente com todos estes desafios. Não li estudo nenhum, mas de certeza que isto não faz bem à saúde mental de ninguém.

Claro que isto não serve de explicação, muito menos de desculpa, para violadores ou para os assassinos que não deviam andar por ai nas estradas, que matam e fogem...

Pois... Também é tempo dos cobardes. Há demasiados lugares que permitem às pessoas serem outras coisas (e até lucrarem com isso, com a fila enorme de seguidores...), ao ponto de se sentirem "super-heróis", e acharem que "podem fazer tudo"...

Eu sei que isto não tem nada a ver com a chuva, com rios, com barragens. 

Só tem a ver com as pessoas, com vaidades, com loucuras...

(Fotografia de Luís Eme - Constança)


sábado, janeiro 25, 2025

Caricaturar com sucesso a realidade...


Tudo o que leio e ouço, vindo dos EUA, por parte do "homem cor de laranja" (que sabe desde há muito tempo, que o cargo que ocupa lhe oferece o estatuto do ser humano "mais poderoso do mundo"), não é tão estranho como se diz por aí.

Pela forma desbocada e excessiva que ele anuncia a maior parte das medidas que diz ir impor no seu País e no Mundo, tudo se torna mais espectacular, mais assustador, e até mais burlesco.

Mas se pensarmos bem, ele faz o mesmo que os outros políticos, só que não tem medo de chamar "os bois pelos nomes", nem de dizer, de forma aberta e incisiva, que escolhe os seus amigos para ocuparem vários cargos de poder.

No nosso país é tudo feito, meio às escondidas, quase como quem não querer a coisa. Mas se analisarmos bem a realidade, é quase tudo igual. Os amigos do partido, a pouco e pouco, vão ocupando os cargos que antes era ocupados pelos amigos dos governantes do outro partido, que tinha estado no poder.

Se olharmos para os números, para as substituições que têm sido realizadas ao longo de 2024 - como sempre muitas delas com pouco nexo, substituindo pessoas competentes por gente ligada à AD, sem qualquer experiência ou conhecimento técnico dos cargos - ficamos espantados.

A grande diferença é o "homem cor de laranja" gostar de "caricaturar a realidade", gostar de tornar todas as coisas, ainda mais absurdas, mais trágicas, mais cómicas e até mais grotescas.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, janeiro 10, 2025

O homem "cor de laranja" não está num baile de máscaras...


Não sei se é por causa do corte e penteado do cabelo, pela cor do seu bronzeado ou pelas suas ideias estapafúrdias, sei apenas que é difícil levar a sério o novo "dono" da América.

Agora quer juntar ao reino a Groenlândia e o Canal do Panamá, ao mesmo que quer colar o Canadá ao mapa dos Estados Unidos da América.

Não sei se chegará a algum lado, mas é assim, com  ideias lunáticas, que os grandes ditadores se afirmam no mundo. 

Hitler é o melhor dos exemplos mais recentes da história mundial.

E se presidem a nação mais poderosa no mundo, é bom que se comece a pensar que o homem "cor de laranja" não está num baile de máscaras...

(Fotografia de Luís Eme - Barreiro)


terça-feira, outubro 22, 2024

O cinema a ajudar-nos a reflectir sobre a loucura, a arte e a humanidade...


Um dia destes, acendi a televisão (é curioso, que tanto posso acender a televisão mal me levanto como deixá-la quietinha e em silêncio até às notícias da noite...) e fui surpreendido, pela positiva.

O canal que apareceu era um de filmes (é uma pena repetirem tanto os filmes quando existem milhares e milhares de clássicos de qualidade...) e a primeira imagem que vi foram os olhos azuis de Willem Dafoe, que fazia o papel de Vincent Van Gogh, esse extraordinário pintor dos Paises Baixos.

O filme já ia a meio e eu fui vendo, enquanto preparava o pequeno almoço e a mesa de trabalho.

Provavelmente já tinha visto o filme, mas nunca com esta intensidade. Tanta reflexão sobre a loucura, a arte e a humanidade, que ía aparecendo nas imagens, graças ao talento de Dafoe, que faz mais um dos seus vários "papéis de uma vida" (há actores que são assim, não estão logo na primeira fila de Holywood, mas são essenciais para os filmes graças à forma como dão vida às personagens). 

Fiquei com a sensação que só ele era capaz de nos oferecer tanta sensibilidade e intensidade, neste filme sobre os últimos anos de vida de um pintor que tinha tanto de genial como de problemático, devido à sua débil saúde mental.

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


sábado, agosto 31, 2024

Nunca ouvi tanto a frase: "está tudo maluco"...


Nunca ouvi tanto a frase: "está tudo maluco"...

As queixas maiores são no trânsito, onde as buzinadelas são um doce, quando comparadas com os insultos de janela e até as ameaças de agressões físicas.

Todos estes "selvagens" que fazem ameaças físicas no quentinho do carro, deviam ser confrontados, da mesma forma que foi o Jeremias, na Avenida D. Afonso Henriques de Almada. Quando este parou o carro para tirar satisfações com o condutor que vinha atrás, teve a "sorte" de ver sair da viatura um calmeirão com quase dois metros, munido de um taco de basebol. Para felicidade dele, não lhe dirigiu qualquer palavra, limitou-se a amassar a porta do condutor e o capot com o taco. Depois voltou para o carro e seguiu viagem. O Jeremias, ficou pequenino e sem reacção, quase enterrado no banco do condutor. Serviu-lhe de lição para a vida...

(Assisti casualmente ao episódio, quando ia apanhar o metro na Gil Vicente...)

Mais uma vez dei a "volta ao cavalo" e escrevi sobre outra coisa. A "maluquice" de que queria falar aconteceu ontem no coração do Bairro Alto, junto à estátua do Padre António Vieira com os meninos índios. Enquanto passava por ali, assisti a uma discussão entre brasileiros  que não queriam os índios na estátua. 

Fingi que não percebia brasileiro e continuei a marcha até ao Cais Sodré...

O homem que há quase quatrocentos anos defendeu os índios, se manifestou contra a escravidão, depois de ter fugido para o Brasil, devido à perseguição da inquisição, para algumas pessoas parece ser "persona non grata", na actualidade. Pessoas que fingem não perceber que o mundo está sempre em mudança, que é um erro olhar para o passado apenas com os "olhos do presente"...

Lá vou eu voltar ao começo da conversa, porque o que não falta por aqui, e ali, é "gente maluca"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, julho 28, 2024

Os loucos que nos estão a levar à loucura...


Este mundo está a tornar-se um "paraíso" para todos aqueles que têm poder e se afastam, sempre que podem, do que entendemos por racionalidade. Começam pelo uso das palavras (são capazes de dizer  as coisa mais estúpidas e grotescas, com o ar mais sério do mundo), mas se alguém lhe der "a mão, rapidamente fica sem braço". 

Há cada vez mais exemplos de gente louca, que não só pensa, como faz aquilo que mais lhe convém, com a conivência de uma "corte de vassalos", sem vontade própria, que fingem ter serradura na cabeça.

Talvez Putin, seja a personagem principal deste "filme de terror". Talvez. Mas cuidado com as outras personagens, pouco secundárias como são Trump, Maduro, Netanyahu, Jimping ou Jong-il. 

É tudo gente capaz de aliar à paranóia, o gosto pelos "jogos de guerra". 

Se não os conseguirmos "destruir" vai ser difícil escapar ao que eles andam a "escrever nas estrelas"...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve) 


sexta-feira, abril 05, 2024

«Aposto que nunca se sente nua...»


Quando o homem disse para a jovem, que estava no palco. «aposto que nunca se sente nua...», todos os que os rodeavam interromperam o ensaio e ficaram a olhar, surpreendidos. 

Por breves instantes ficaram suspensos pelas palavras do encenador, depois sorriram. Aquilo podia parecer uma provocação, mas não era. Era mesmo uma constatação pelo que observava enquanto a jovem se expressava, pelas cores e imagens que faziam com que os braços e as pernas parecessem telas.

Há pessoas que acham que lhes é permitido dizer tudo o que lhes apetece, quase sempre pelos cargos que ocupam. Outras parece que gostam de "abusar da sorte". Fernando era uma dessas pessoas. Não falava muito, mas dizia sempre o que lhe apetecia, fazendo-se notar pelas coisas que dizia. Era por isso que era levado a sério.

Quando pararam para descansar, ele justificou as suas palavras, com a simplicidade que o caracterizava. «Olho para a Sara e sinto que ela tem uma segunda pele, mesmo sem nunca a ter visto sem qualquer peça de roupa. Imagino que o seu corpo seja igual aos braços e às pernas, esteja todo decorado.»

Todos ficaram a olhar, sem dizer uma palavra, provavelmente nunca tinham pensado no assunto, muito menos com  esta perspectiva. E depois ele continuou.

«Eu que não tenho nenhuma tatuagem, não tenho a sorte da Sara. Não consigo disfarçar nenhuma parte do corpo, nem tão pouco esconder a minha brancura, de quem não vai à praia há anos.»

Ficámos todos a sorrir. A Sara também sorriu e piscou o olho ao Fernando, com um aceno, como se concordasse com ele, na parte da nudez.

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quarta-feira, fevereiro 14, 2024

«Lembras-te do "Laranjadas"? O que será feito dele?»


O mundo mudou um pouco por todo o lado.

O Vitor estava na oficina a arranjar um vitrine, quando passou por lá o Dinis, mesmo a tempo de nos interromper a conversa, com as banalidades do costume.

Por saber que muitas das nossas conversas começavam e acabavam na Incrível, começou a falar de quase toda a gente que andava por ali, pelo salão, à procura de qualquer coisa para matar o tempo, enquanto ajudavam a manter de "cara lavada" que era a sua "segunda casa".

De repente soltou quase um grito, para o Vitor: «Lembras-te do "Laranjadas"? - fez uma pausa, para voltar a perguntar - O que será feito dele?»

O Vitor sorriu, lembrava-se muito bem dele, era quase a sua sombra. E era mesmo...

O rapaz que devia ser ligeiramente mais velho que eu, tinha um problema qualquer cognitivo, daqueles que costumamos associar a "fios mal ligados, na caixa dos fusíveis". Mas andava sempre por ali e gostava de ajudar. O único prémio que queria, era um copo de sumo de laranja. Foi por isso que ficou o "Laranjadas".

Ele tinha ido viver para o Alentejo com a mãe, que se reformara e foi à procura das suas raízes... e por lá ficou. Há dez, quinze anos? 

Como o tempo passa...

Gostei de me recordar desta Cidade, que era capaz de tratar os "maluquinhos" como gente quase igual a nós...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, novembro 20, 2023

Os tempos em que quem vota parece ser ainda mais "louco" do que quem é eleito...


Eu sei que sempre houve loucos a chegarem ao poder e a dar a sua contribuição para a "destruição" de direitos e deveres que demoraram décadas a sair do papel, como se a aspiração de se viver numa sociedade mais justa fosse algo do outro mundo. Mas agora passou a ser uma coisa normal. De repente aparece um tipo com um ar de quem veio de um circo qualquer, depois de passar umas temporadas em qualquer hospício, a disparatar e a apontar dedos e medir toda a gente pela mesma bitola (são todos ladrões e corruptos...). Como se isso fosse a "chave" para a eleição...

Depois dos EUA, do Brasil e do Reino Unido, agora é a vez da Argentina ter o seu "ultraliberal" (o regime que pode ser tudo e nada ao mesmo tempo...), onde continua a sobressair uma cabeleira tonta, misturada com um discurso populista, digno de qualquer vendedor de pulseiras ou chás milagrosos.

Provavelmente muitos argentinos votaram no senhor Mitei, porque pensaram que pior do que o que vivem, deve ser impossível (com uma inflação a 150%...). Mas estão enganados. É sempre possível escavar o "buraco" ainda mais para baixo...  O maior exemplo que se lhes pode dar é o Brasil, que apesar de estar longe de ser um país pobre, a maior parte das pessoas vivem com grandes dificuldades, graças ao "desgoverno" de Bolsonaro. 

Essa será uma das explicações (a par da violência urbana...), para termos tantos imigrantes brasileiros entre nós.

Nós perguntamos, como é que alguém pode ser eleito, a defender (entre outros disparates) a livre comercialização de órgãos humanos ou a chamar o Papa Francisco de "comunista" e de "diabo".

Pode, porque quem vota parece ser ainda mais "louco" que quem é eleito...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


sábado, outubro 14, 2023

A mesma profissão, universos diferentes...


Poucos minutos depois de sair de casa vi o homem com o táxi mal estacionado, a responder com buzinadelas monumentais aos que passavam por ele e também buzinavam (com toda a razão), por ele estar ali a interromper o trânsito, ocupando a faixa de rodagem.

Mas ele não se limitava a buzinar, insultava todos aqueles que lhe chamavam a atenção para o facto de estar ali a interromper a passagem. 

É apenas mais um exemplo da existência de demasiadas pessoas no espaço público, que fingem estar sempre certas, por mais disparates que façam.  Este homem tinha a agravante de exercer uma actividade que tem contacto directo com outras pessoas...

Felizmente depois de atravessar o rio, vejo um taxista calmamente entretido a dar comer aos pombos, enquanto não chegava a sua vez de transportar clientes.

Percebia-se à légua que embora tivessem a mesma profissão, viviam em "universos diferentes"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, agosto 12, 2023

O velho lema: "unidos contra tudo e contra todos"


Não vou falar do treinador do FC Porto, que se recusou a abandonar o banco de suplentes depois de ter sido expulso, após gesticular, gritar e insultar o árbitro (segundo o relatório do juíz da partida, não ficou satisfeito com o seu comportamento rente ao relvado e no túnel de acesso aos balneários voltou a insultar o árbitro...).

Vou falar sim da permissividade da justiça deste futebol português em relação ao FC Porto (algo que dura há décadas...), pródigo em atitudes que tentam contrariar as leis de jogo e influenciar as decisões dos árbitros em seu benefício. Sempre que este apita contra a equipa, toda a gente do banco de suplentes se levanta, grita, insulta e barafusta, ameaçando em alguns casos invadir o terreno de jogo.

No relvado os jogadores têm o mesmo tipo de comportamento. Adoram rodear o árbitro (e até empurrar), quando apita a favor do adversário, tentando influenciar as suas atitudes (o que conseguem, mais vezes do que deviam, daí insistirem neste tipo de pressão, jornada após jornada...).

Uma boa parte dos adeptos do clube do Norte, defendem estas atitudes, assim como os seus dirigentes, que nunca tiveram uma palavra de desagrado para com o técnico, que já foi expulso 24 vezes (14 com as cores do Clube), prejudicando e oferecendo uma má imagem do clube para o País e para o Mundo.

O mais curioso é que, normalmente, tanto o Clube como o Treinador ainda se fazem de vítimas em todas estas situações. Enchem a boca com a ausência de "verdade desportiva". Em sua defesa falam de perseguição (desde os árbitros aos jornalistas de Lisboa...) e erguem a frase gasta que lhes dá força para ganharem títulos (dizem eles...): «Unidos contra tudo e contra todos.»

Provavelmente, só quando existir coragem para punir o Clube e o Treinador, exemplarmente, é que eles começarão a perceber que afinal não são mais iguais que os outros...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quarta-feira, julho 26, 2023

Se antes já se ganhava dinheiro a mais no futebol, o que dizer agora?


Penso muitas vezes que o futebol é um desporto único, com uma capacidade de resistência invulgar, ultrapassando toda a espécie de ataques, altos ou baixos.

O mais provável é que, com esta "febre do ouro" (ou do petróleo...), das arábias, ele leve um abanão, daqueles grandes. Mas no final, mais uma vez, acabará por resistir...

O mesmo não poderei dizer de alguns clubes, que ao ficarem sem os seus melhores jogadores, podem ver os seus adeptos a virar costas aos estádios, em ruptura com todo o "negócio", ao mesmo tempo que os investidores "batem asas", deixando-os nas "ruas da amargura"...

Embora seja cedo para se fazerem contas ou lançar para a mesa prognósticos, ninguém duvida que tudo isto é surreal. Se antes já se ganhava dinheiro a mais no futebol, o que dizer agora?

E o mais grave, é que nem se pode dizer que se trata de um investimento, trata-se apenas de "gastar dinheiro" quase por vaidade e arrogância, para se poder ter os melhores jogadores no campeonato da Arábia Saudita.

Quando há quem veja nesta "loucura", uma boa novidade global, eu olho-a apenas como mais um ataque ao futebol e até à economia europeia e mundial.

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


segunda-feira, abril 03, 2023

«Convém não te esqueceres, que não te livras deles nas passadeiras...»


Um amigo quase a entrar na fase em que é necessário um atestado médico anual para comprovar que ainda estás na posse das tuas faculdades para conduzir decidiu, que assim que o seu carro achar que já chegou ao fim o seu "tempo de vida", não vai comprar outro.

Assumiu que é cada vez mais "condutor de domingo", que a sua viatura há já algum tempo que deixou de ser um "bem necessário" no seu dia a dia. Só tem pena que os transportes deixem tanto a desejar e que se façam tantas greves (tem lhe calhado sempre a "fava", quando precisa de ir a Lisboa...).

Mas o motivo principal para esta tomada de decisão, é o facto de a condução ter deixado de ser um prazer. Irrita-o cada vez mais que se buzine e se grite por tudo e por nada nas estradas. Houve uma frase que ele disse, mais forte que as outras: «Parece que anda tudo doido e apressado, é quase como se estivessem a querer fugir de alguma coisa.»

O Rui disse que talvez quisessem fugir das estradas movimentadas, o mais rapidamente possível... 

Sorrimos, mesmo que o caso não fosse para rir. Quem conduz, sabe que as estradas são um dos melhores indicadores do estado psicológico (e até psiquiátrico...) dos habitantes de um país. E sim, parece que "anda tudo doido"...

Foi quando o Rui, com o seu humor menos claro, insistiu em lembrar-lhe que não é por deixarmos de conduzir que nos livramos dos carros. «Convém não te esqueceres, que não te livras deles nas passadeiras...»

Voltámos todos a sorrir. Provavelmente já todos deveríamos ter passado por uma ou outra situação perigosa, em qualquer passadeira, recebendo inclusive uma buzinadela de "presente", por passarmos para o outro lado da estrada, no local certo...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, março 25, 2023

Os "Puros", a Literatura e a Vida...


Quase todas as semanas os "puros" das redes sociais e da vida inventam novas vítimas na literatura. A escritora Enid Blyton parece ser a última e já está a ser "banida" das bibliotecas do seu país, que desaconselham a sua leitura, de uma forma já mais oficial que formal.

Sinto vergonha desta gente e deste tempo, em que se finge perceber que o mundo nem sempre foi igual ao que é, nos nossos dias.

Voltando aos livros, continuo a pensar que, quando os livros mexem com a nossa inteligência ou com outra coisa qualquer, a única coisa sensata que devemos fazer, é colocá-los num canto e deixá-los por lá ficar, sossegadinhos. Ponto final.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, abril 09, 2022

Os "Loucos" que não São "Malucos"...


Se Luiz Pacheco e João César Monteiro não foram as figuras mais "fora da caixa" do seu tempo, andam  muito perto disso, com toda a certeza.

Nunca me cruzei com nenhum deles, nem mesmo quando fazia jornalismo nos jornais. Não calhou, mas eu também não fiz nada para que isso acontecesse, mesmo sabendo que o Pacheco viveu (miseravelmente, diga-se de passagem...), na minha Cidade Natal, durante a minha infância.

Nunca morri de amores pelas suas singularidades, em especial pela forma "chupista" com que viviam. O João César Monteiro ainda me dizia menos, embora fosse mais "fino" (até mesmo, literalmente...) que o escritor e editor "maldito".

Um dos meus amigos adorava o João César. Ainda hoje me conta histórias dele, que parecem pertencer ao domínio da ficção. Ele era sobretudo um provocador. Dizia o que lhe apetecia, sem guardar nenhuma palavra no bolso. Humor negro, cinzento ou castanho, era com ele.

Se tanto um como outro  conseguirem "espreitar", de vez enquanto, cá para baixo, vão sentir que valeu a pena viver quase aos "trambolhões". Se bem que continuam a ser mais recordados pelas suas histórias de vida que pelo seu talento como criadores...

(Fotografia de Luís Eme - Tavira)