segunda-feira, fevereiro 28, 2022

Estes Tempos do "Vale Tudo"...


Estes tempos do "vale tudo" não acontecem por acaso.

Putin só veio confirmar, que quando se "finge que não se vê" o que está a acontecer à nossa volta, dificilmente conseguimos reagir e enfrentar os problemas da melhor maneira, quando batem com força à porta (ao ponto de a derrubar).

Mas é importante realçar que os trumps, os johnsons, os bolsonaros, os maduros e os putins (e outros tantos que se continuam a governar por aí...), não chegam ao poder por acaso. 

São o produto da mentira, da manipulação e do espectáculo, em que se tornou o nosso dia a dia.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, fevereiro 27, 2022

As Nuvens que Aparecem e Desaparecem...


As alterações climáticas fazem-se sentir de várias formas. Uma das mais visíveis é podermos sentir os ares do Outono, do Inverno, da Primavera e do Verão, num só dia.

Pode estar um belo dia de Sol e de repente começa a arrefecer e sentes necessidade de arranjar um agasalho, para te protegeres (senti isso hoje à tarde...). 

Também pode acontecer o dia nascer cheio de nuvens cinzentas (ontem de manhã, por exemplo...) e uma hora depois, o céu começa a ficar azul, as nuvens vão desaparecendo, quase num "truque" de magia e voltamos ao Verão...

Como não tem chovido por aqui, imagino que as nuvens negras  vão "descarregar a sua água" em qualquer lugar...

E depois temos os finais do dia, alaranjados com cheiro ao tal Verão. Podem ter uma ou outra nuvem, mas é apenas para ajudar na composição da fotografia...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


sábado, fevereiro 26, 2022

O Meu Regresso à "Festa das Artes"...


Voltei a participar na "Festa das Artes da SCALA", com três fotografias (essas mesmo que estão dentro da fotografia...), por várias razões, mas a principal, terá sido a tentativa de regressar ao um "tempo normal" (mesmo que Putin não o deixe...).

Foi bem ver amigos que não via há mais de dois anos, sentir no seu olhar e no toque (houve dois ou três abraços, quase espontâneos, que souberam muito bem...), que nada mudou entre nós, para além de termos ficado mais distantes e mais velhos...

A exposição em si, é isso mesmo, uma "festa" com artes, sem selecções, e por isso existem coisas muito boas e também outras que não são "arte". Mas a escolha e a sensibilidade são uma opção dos autores e não da SCALA...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, fevereiro 24, 2022

Misérias Humanas


Digam o que dizerem os muitos comentadores ("cata-ventos" ou "com agenda"...), que quase fazem fila para "opinar", não há qualquer hipótese de branquear o que está acontecer na Ucrânia.

Só há um país que está a invadir um território que não é seu e a iniciar uma guerra, que como todas as outras, irá matar sobretudo inocentes.

(Fotografia de Luís Eme - Arealva)


quarta-feira, fevereiro 23, 2022

A "Autopromoção" Televisiva Cada vez mais "Abusiva"...


Como se não bastasse a "autopromoção" dos principais canais televisivos (SIC e TVI), sempre a colocarem-se "às cavalitas" das audiências, para se autoelogiarem como os "maiores da cantadeira" televisiva, agora foi a vez da Vodafone, "lamber as feridas", com um "orgulho" e uma "vaidade", publicitários, que devia ser outra coisa.

Para mim este anúncio é das coisas mais estranhas que tenho visto, mesmo em televisão. 

Mas pelos vistos neste mundo tudo é possível, até alguém sentir "orgulho e vaidade", por ter deixado de prestar um serviço - pago pelos seus clientes - durante vários dias (mesmo que involuntariamente)...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


terça-feira, fevereiro 22, 2022

A Protecção do Ambiente devia estar acima da Esquerda e da Direita


É uma constatação, que quanto mais se caminha para o lado direito da política, menos preocupações existem com ambiente. Até porque o "dinheiro" raramente é amigo da qualidade de vida ambiental...

Podia falar de Almada, em que a CDU quis retirar os carros do centro da Cidade (um pouco antes do tempo, é certo...). Também foi criada uma zona industrial nos subúrbios, para retirar da cidade as industrias poluentes. Com a subida ao poder do PS, aliado ao PSD, tudo isso tem sido esquecido. Até oficinas de reparação automóvel já voltaram ao centro de Almada...

Em Lisboa passa-se a mesma coisa. As preocupações ambientais de Medina estão a ser colocadas no bolso do Moedas. Além da destruição de ciclovias, as vias de circulação automóvel vão expandir-se no centro da Capital.

Sei que existe algum fundamentalismo das associações ambientais e até de alguns partidos de esquerda mais virados para a ecologia. Mas outra coisa, bem diferente, é assobiar-se para o lado e fingir que está tudo normal, que não há alterações climáticas, que a "seca" é uma coisa passageira (o antigo ministro da agricultura socialista, Capoulas Santos, disse algo parecido...) e que se deve continuar a apoiar a agricultura intensiva ou a plantação de eucaliptais, por exemplo.

(Fotografia de Luís Eme - Monte de Caparica)


segunda-feira, fevereiro 21, 2022

Há Espaço para a História no Mundo dos Partidos?


Não tenho qualquer afinidade com o CDS nem senti nenhum desconforto especial pela sua ausência no Parlamento, decidida nas últimas eleições por quem ainda acredita, que "o voto é a arma do povo".

A única coisa que sinto é curiosidade. Curiosidade em saber se o "peso da história" conta alguma coisa na "vida" ou "morte" dos partidos políticos. Estou a falar de um partido com quase 50 anos de existência e não de um daqueles partidos, que "aparecem" e "desaparecem" da vida política. Partidos que nunca se distanciam da imagem dos seus principais ideólogos (o PRD e Ramalho Eanes são o melhor exemplo...) nem conseguem criar uma identidade colectiva própria. 

Por saber que os partidos não são pessoas, não sei até que ponto é que a sua componente social, a história e o seu sentido colectivo (teoricamente deveria ter um peso muito maior que a imagem dos seus dirigentes, mas apenas teoricamente...), ultrapassam a imagem dos seus líderes. 

Mas a política é quase como o futebol, o que parecer ser, muitas vezes não é. Isso explica, por exemplo, a existência incrível de políticos com mais que "sete vidas". O caso mais gritante é Pedro Santana Lopes, o político a quem mais vezes foi anunciada a "morte política"... e que venceu recentemente as autárquicas para o Município da Figueira da Foz...

(Fotografia de Luís Eme - Alcochete)


domingo, fevereiro 20, 2022

«Não existem mentiras na nossa profissão»


Eu já sabia da generosidade do Pedro, o actor com quem falei, por ser um "faz tudo" na companhia, profissional, onde trabalha.

Quando tinha funções executivas numa associação, recebi várias vezes o seu telefonema, para nos disponibilizar bilhetes para assistirmos à peça em exibição nos "dias mortos" (meio da semana...). Fazia questão de nos oferecer bilhetes por saber que "éramos das culturas" e gostarmos de teatro. E quando não podia oferecer, fazia preços de grupo convidativos.

Numa das poucas vezes que conversámos, no bar do teatro, ele explicou-me o porquê daquelas "ofertas". Algumas empresas patrocinadoras recebiam bilhetes como contrapartida dos apoios, mas raramente os levantavam. E como o mais importante era ter gente na sala, a companhia tinha uma lista de associações e de escolas, que aceitavam os convites de bom grado, e que até poderiam, mais tarde ou mais cedo, tornarem-se espectadores assíduos (gostei deste seu argumento...).

Lá estou eu a "esticar-me"... Só queria escrever uma frase que ele me disse, e que diz quase tudo desta arte. Quando me falou da "feira de vaidades" que reina nos palcos, deixou bem claro, que essa é uma das características da profissão: «Aqui, ninguém esconde ao que vem.» E continuou, «ninguém esconde que o que quer é brilhar no palco. Não existem mentiras na nossa profissão.»

E como ele está certo... A maior parte dos actores de teatro (não estou a falar dos das telenovelas...) só quer aquele palco. Nem sequer participa no "jogo" das revistas castanhas, que alguém resolveu "pintar cor de rosa"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, fevereiro 19, 2022

O Teatro Continua a ser um Enigma (para mim)


O teatro continua a ser, em parte, um enigma para mim. Uma das coisas que me faz mais confusão é a escolha dos textos por parte dos encenadores. Muitos até são capazes de escolher textos que não têm nada a ver com o teatro (desde poemas a ensaios, desde que tenham sido escritos por alguém conhecido...), apostados na parte mais "absurda" da arte de talma e na sua reinvenção.

Como tenho dificuldade em perceber, em pleno século XXI, a "paixão" de tantos actores e encenadores pelo rei dos clássicos: o eterno William Shakespeare (passam a vida a sonhar com Otelo, Rei Lear, Hamlet ou McBeth...), aproveitei a oportunidade de estar na mesma mesa com um actor, para falar com ele sobre esta "fixação", entre outras coisas.

Com um sorriso disse-me ser imprescindível que Shakespeare conste na "ficha curricular" de qualquer actor ou encenador que se preze.

Mas foi ainda mais longe: confessou que não existe outra arte, com tantos "jogos de espelhos" e "feiras de vaidades", como o mundo da representação. Mas que se não fosse assim, não teria tanta magia e tanta beleza, nem existiria tanta gente a sonhar com a possibilidade de viver "outras vidas" nos palcos.

Ou seja, o teatro continuou a ser, em parte, um enigma para mim...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, fevereiro 18, 2022

Viver uma Vida Normal


Viver uma vida normal afasta-nos de outras coisas boas, como por exemplo, escrever romances. Claro que falo de "romances com alma" e não de "estórias de cordel"...

Sei que pode parecer exagero, o que António Lobo Antunes disse, mais que uma vez: «Não podes escrever e fazeres outra coisa. Não se podem fazer bons livros e ser-se jornalista, médico ou o que quer que seja. Estás de tal maneira ocupado com o livro que não tens tempo para mais nada, tens de sacrificar as outras partes da tua vida.» Mas é mesmo assim...

Mas não me arrependo nem um pouco, de em vez de escrever romances, ter acompanhado de perto o crescimento dos meus dois filhos...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


quinta-feira, fevereiro 17, 2022

"Caminhos" e "Descaminhos" na Rua das Artes...


Uma boa parte dos criadores da actualidade gostam de esconder coisas, como se possuíssem um "cofre" especial, onde guardam os seus segredos artísticos. 

É curioso, mas os artistas mais velhos que hoje andam pelos oitentas e noventas, cresceram muito uns com os outros, partilharam muitos sonhos e projectos. Era um tempo diferente do nosso, onde o colectivo fazia sentido, até por quase todos terem um inimigo comum (o fascismo...).

Mas não era disso que eu queria falar. Uma das coisas que apareceu na conversa de ontem com a Teresa, foi a caminhada que muitos pintores fazem ao longo da sua vida. Embora ela não se quisesse, "colar", ofereceu-me os exemplos de Picasso e Pomar, que também começaram na arte figurativa e cuja evolução os levou para "caminhos" onde a cor e a forma se tornaram a sua razão de ser, e de existir, enquanto artistas. 

Como contraponto, acabámos por falar de outros "pseudo-artistas", que por serem incapazes de desenhar um rosto ou um corpo, entraram logo no "descaminho" que os levou para o lado que parece mais fácil da arte: essa coisa que pode ser tudo e nada, o abstracionismo (eles nem sequer falam da cor e da forma...).

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


quarta-feira, fevereiro 16, 2022

«É quase como organizar o caos...»


Hoje bebi café com uma amiga pintora que não encontrava há mais de um ano.

Nunca pergunto aos meus amigos criadores, o que têm andado a fazer neste tempo estranho. Mas eles perguntam... Digo que se não tivesse o blogue para escrever diariamente o que me apetece, talvez colocasse a escrita de lado. Digo isso porque estive largos meses sem escrever poesia ou ficção...

Ela disse-me que também esteve alguns meses sem conseguir pintar. E como tinha perdido o hábito de desenhar em papel, teve de fazer um esforço para voltar a mexer nas tintas. Perguntei-lhe se ainda anda com as suas abstracções. Disse-me que sim, com um sorriso. Falei-lhe das "suas mulheres" e de quanto gostava delas (durante muito tempo pintou mulheres, vestidas, despidas, usando quase todas as cores. Já havia o chamamento da cor e da forma, só faltava deixar de ser "gente"...).

Acabei por lhe oferecer uma definição de abstracção muito feliz, do pintor Rogério Ribeiro, que também deixo por aqui: «Há um momento em que se sente que só com a cor e a forma se podem coser os elementos que criam um universo muito próprio. É quase como organizar o caos.»

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)