domingo, maio 31, 2026

A vitória eleitoral dos "ausentes", que deve ter sempre sabor a derrota...


Falar de anarquismo e de surrealismo, leva-me quase sempre para discussões intermináveis com um ou outro amigo. Nem mesmo a minha costela libertária - herdada do meu pai e do meu avô - faz com que consiga compreender algumas das suas posições, que são no mínimo contraditórias.

A maior de todas, é a sua ausência eleitoral, a não participação na escolha democrática de governantes.

Claro que os cidadãos que compõem a tal metade que se furta ao único acto verdadeiramente democrático, e determinante, para o futuro de todos nós, estão longe de ser apenas anarquistas ou surrealistas. Uma boa parte é uma coisa pior, que nem me apetece classificar. Gostam que sejam os outros a resolver os seus problemas, bom bom é estar na "bancada" a "chamar nomes feios ao árbitro"...

Foi por isso que disse ao Luís que o crescimento de partidos como o Chega, também se deve em parte a ele. Claro que não aceitou o meu ponto de vista.

Até porque os anarquistas e os surrealistas, também estão cheios de razões que a razão desconhece...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, maio 30, 2026

«Como é que podes estar a falar de dignidade num mundo completamente indigno?»


Tenho um ou dois amigos anarquistas, surrealistas nunca tive nenhum.

Um ou dois pintores que se inspiram nas formas, ideias e mundos, que parecem mais saturnianas que terrestres, não contam.

Pensei nisso ao ler o livro, de António Maria Lisboa, "Uma Poesia Extrema", que como todos os "verdadeiros artistas", morreu novo.

No quinto ponto do seu "Aviso a tempo por causa do tempo" ele diz ao que vem: 

«que não somos assim contra a ordem, o trabalho, o progresso, a família, a pátria, o conhecimento estabelecido (religioso, filosófico, científico) mas que na e pela Liberdade, Amor e Conhecimento que lhes preside preferimos estes.»

Falei sobre isto com um dos meus homónimos, que também conhece o bom gosto da colecção dos livros de bolso da Penguin.

Também acabei por pensar e falar em Luiz Pacheco e João de César Monteiro, que só devem ter sido anarquistas ou surrealistas, de apelido.

Lembrei-me deles porque sempre tive alguma dificuldade em os respeitar como gente, devido à sua prática quotidiana. Como artistas, reconheço-lhes talento, coragem (é mais lata...) e individualidade, mas a sua "alma de chupistas", o andar sempre à procura da rua "onde chove dinheiro", não me deixa morrer de amores pela sua forma de vida.

No decorrer da nossa conversa, o Luís desculpou-os. Falou-me de "adaptações", de "escolhas", de "provocações", para se conseguir sobreviver nesta autêntica selva, que é a nossa sociedade, que ainda está mais cheia de "leões e panteras" nas ruas da cultura...

Quando me armei em purista e falei na dignidade do individuo, ele voltou a desarmar-me e quase que me silenciou:

«Como é que podes estar a falar de dignidade num mundo completamente indigno?»

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, maio 29, 2026

O cinema português a filmar a história


O cinema português de vez em quando intromete-se com a nossa história e com os seus protagonistas. E ainda bem.

Foi o que fez José Filipe Costa, com o seu, Pai Nosso - Os últimos dias de Salazar. Estou curioso e quero vê-lo, por mais que uma razão.

A principal é abordar um período histórico, santificado na actualidade por uma direita imergente, mesmo que as suas virtudes maiores fossem a mentira, a ambiguidade, a corrupção, a hipocrisia e a repressão.

Se pensarmos que durante o tempo retratado no filme, existiam em simultâneo dois "presidentes do conselho", um a sério e outro a brincar, isto explica muito a seriedade do regime, apesar do tom cerimonioso dos governantes e da meía dúzia de famílias do regime, que dominavam todos os sectores do país. Sim, não devem existir muitos países que tenham alimentado uma farsa do género durante praticamente dois anos. 

Há muitos portugueses que desconhecem, este, e outros factos curiosos, da nossa história.

E nem vou falar da existência de pelo menos três versões da queda de Salazar (de duas cadeiras diferentes e da banheira...), além da oficial (caiu de cansaço quando estava a "trabalhar para o país" no seu escritório...), divulgada um mês depois do acidente caseiro.

Gosto quando o cinema mostra alguns lados da história, de que se fala pouco... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, maio 28, 2026

Portas que se fecham e uma porta que se abriu...


Ia escrever, parece, mas não há nenhum parece na afirmação. As pessoas vão mesmo cada vez menos ao cinema (eu faço parte do lote...). Os números não enganam.

Até as salas de projecção dos centros comerciais estão a fechar, por míngua de espectadores... Embora aqui se perceba o encerramento, porque estas salas são "lojas", onde se vendem imagens com pipocas, o seu grande objectivo é ganhar dinheiro.

Tem acontecido o mesmo tem pelo interior fora (parece que já chegou ao litoral...), onde já existem várias cidades, com alguma importância social e cultural, sem um único auditório aberto para se verem filmes.

Curiosamente, cada vez há mais fitas portuguesas (sei disso porque ainda leio jornais...). Sei que isso se explica pela facilidade com que hoje qualquer pessoa pode fazer um filme, graças à evolução tecnológica e aos seus baixos custos).

Não sei qual é o verdadeiro objectivo desta "febre" de filmes que falam português. Pode ser a visita a festivais internacionais, ou então, a projecção para os amigos...

Não deixa de ser curioso, que se tenha criado em Almada no último mês um "cine-clube" municipal, no velho Salão das Carochas (esta sala já foi muita coisa e curiosamente foi "sala de cinema" logo depois do 25 de Abril, com a projecção de filmes infanto-juvenis). 

Ainda não me bem informei sobre o assunto, se tem público, embora perceba que o objectivo principal do "Cine-Carochas" é ser um espaço alternativo ao "comércio de filmes", ser uma casa aberta às fitas independentes (talvez as tais dos muitos realizadores portugueses...).

Como de costume não era para escrever nada disto, era para falar de história com cinema. Fica para amanhã...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, maio 27, 2026

O caminho foge de nós e nós fugimos do caminho...


Talvez as pessoas só se sentissem tão perdidas durante a Segunda Guerra Mundial, como se sentem hoje. Talvez...

Claro que não eram todas as pessoas, eram só as dos países ocupados ou em guerra. Felizmente ou infelizmente, estavamos muito distantes da globalidade. Não era um coisa do outro mundo, num lugar afastado do mundo, não se fazer ideia de quem era o Hitler ou o Staline. Hoje é mais difícil passar ao lado de um Putin, um Trump ou um Netanyahu.

Pensei nisto ao ler uma passagem do Diário de Hélène Berr (escrito por uma judia em Paris, durante a ocupação nazi...): "Como se curará a humanidade de outra forma senão começando por descobrir a sua podridão? Como se purificará o mundo de uma forma, senão fazendo compreender a extensão do mal que angustia e me atormenta. Nâo é pela guerra que se vingarão os padecimentos: o sangue chama sangue, os homens ancoram-se na sua malvadez e cegueira."

O mais curioso é estas palavras terem sido escritas por uma judia, e hoje poderem ser transpostas para vários pontos do Mundo. É assim a vida dos palestinianos, dos libaneses, dos iranianos ou dos ucranianos, entre outros povos, especialmente do continente africano.

Sinto que nos estão a querer roubar todas as âncoras...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


terça-feira, maio 26, 2026

Algumas palavras para Miles Davis


Estive indeciso se devia escrever algo sobre o genial Miles Davis, que tornou o jazz ainda mais criativo e expontâneo, com o seu trompete, tal como Charlie Parker, John Coltrane ou Sonny Rollins (que nos deixou por estes dias), entre outras dezenas músicos, que deram outra cor musical ao  século XX.

É graças a eles que o Free Jazz se tornou verdadeiramente revolucionário e  nunca mais deixou de inspirar músicos de todas as cores e credos, por este mundo fora.

Não podemos nem devemos desligar este gosto pela liberdade à sua cor de pele, onde quebraram muitas barreiras, fazendo perceber que o seu génio e a sua liberdade artística não tinham cor, ao mesmo tempo que tentavam dar passos em direcção à sociedade onde viviam, demasiado clara e desigual...

Escolhi esta conhecida fotografia de Irving Penn, pela sua força e pelo seu simbolismo, no dia em que Miles faz cem anos. 


segunda-feira, maio 25, 2026

Dois livros, dois sentimentos distantes...


Desde o primeiro livro que li da Patti Smith, que me identifico com a sua escrita, com aquilo que ela nos transmite de autêntico da vida, sem usar qualquer tipo de cerimónia para falar de si, dos seus e do mundo. Até porque só conta o que tem de contar...

Foi por isso que adorei o seu "Pão de Anjos".

Sei que nem toda a gente consegue escrever de uma forma simples. O que não faltam por aí são escritores que adoram dar voltas às palavras e rodear os assuntos... Foi isso que senti com o livro que acabei de ler de Fernando Namora, "Jornal sem Data" (o que gostei mais da obra literária foi do título...).

Não é um diário, não é uma autobiografia, é outra coisa qualquer que fica no meio de coisa alguma. Talvez a melhor definição seja a de pequenos rabiscos do quotidiano que foi coleccionando e colando, para engrossar a "lista de títulos". Talvez...

Muitas vezes quer "atirar pedras" aos confrades, mas nem para isso tem coragem, prefere antes "filosofar" à sua volta.

Isso mostra também quem são as pessoas que escrevem, com quem nos apetece entrar no café e pedir licença para beber um chá e trocar algumas palavras, não é Patti?

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, maio 24, 2026

A quase "piscina-tanque municipal"...


Passei pelo jardim a meio da tarde e reparei em meia dúzia de jovens que aproveitavam o pequeno tanque com repuxo, rente aos azulejos de Manuel Cargaleiro, dos anos cinquenta, para se refrescarem, em mais um dia daqueles...

Como ando sempre com a minha "canon" à mão, tirei dois retratos, a alguma distância, para não quebrar a alegria daquele banho colectivo.

Felizmente não existem em Almada fiscais diligentes, polícias de rua ou cidadãos demasiado zelosos, com a coisa pública... e a ida a banhos deve ter continuado pela tarde fora...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, maio 23, 2026

Olhar para o mundo, no lado de dentro da janela do autocarro...


A vida é quase sempre mais complicada do que aquilo que parece.

O que nos vale (aos optimistas, claro), é agarrarmo-nos às coisas boas que vão aparecendo, ainda que cada vez mais espaçadas.

E não vale a pena insistir que o dinheiro está longe de ser uma "fábrica de felicidade".

Há tantos exemplos, que nem vale a pena falar, mesmo que as pessoas não desistam de tentar comprar "as melhores coisas do mundo", ou pelo menos, "melhores que as do vizinho do lado"...

É por isso que o título desta posta é apenas a legenda da fotografia...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, maio 22, 2026

Bom dia ingratidão...


Há mais de um ano que não encontrava um amigo.

Sabia que a maior parte do tempo iria falar dos seus problemas de saúde, das suas viagens aos hospitais, da recuperação e menos de livros ou de desenhos.

Claro que arranja-se sempre uns minutos para falarmos de arte (da sua e da dos outros) e também de exposições e de associações...

Foi graças ao último iten, que fiquei a saber da tentativa de "golpe de estado", que fizeram na sua colectividade, por quererem substituir a mulher, que tanto dera de si nos últimos anos aos outros (que preferem sempre a primeira fila dos bitaites à mesa de trabalho, onde é preciso arregaçar as mangas).

Ela não precisou de golpe de estado nenhum. De certa forma, estava à espera de um pretexto para se desligar daquele tempo em que tinha de ser uma "faz tudo".

Olhei para trás no tempo e vi-me no mesmo filme... Onde também não precisei de ser empurrado, sai pelos próprios pés da colectividade, que já começava a ser odiada pela minha mulher e pelos meus filhos...

Não só percebi o que ela sentiu, como sei que não existe volta a dar, neste e noutros filmes idênticos (a não ser que estejamos "colados aos lugares", o que nunca foi o caso...). 

A ingratidão vem sempre ao de cima. A memória das pessoas é sempre mais selectiva, do que deveria...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quinta-feira, maio 21, 2026

Quando pensar é uma chatice e o futuro parece ser uma maravilha...


Eu sei que, quem nem sequer usa "smartphone", nos tempos de hoje, é um homem do passado.

Assumo-o. Faço parte daquela esquerda conservadora, que não dá grande espaço às modernices, muitas vezes mais por teimosia que por outra coisa.

Embora não tenha qualquer problema em reconhecer que já uso a "inteligência artificial" há algum tempo, mesmo que nem sempre me aperceba. Os motores de busca são isso mesmo, assim como os "vigilantes", que assim que nos vêem a pesquisar alguma coisa, mesmo que seja só por curiosidade, passam a invadir-nos, diariamente, o ecrã do computador com a tal publicidade. E não me vale de nada ficar chateado, porque eles são insistentes...

Não espero ter de a tratar por tu, apenas porque sim, a mesma justificação que costumo dar por não ter "facebook" ou "instagram".

Foi por isso que fiquei espantado quando ouvi alguém a dizer, que uma das coisas boas da IA, era ajudar-nos a pensar e a tomar melhores decisões no futuro.

Não se pode dizer que estava a olhar para de um "convertido". Era mais que isso. Era alguém que vendia, voluntariamente, a "alma" ao tal futuro que já anda a rondar as nossas portas, entre outras coisas, por não gostar de pensar...

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)


quarta-feira, maio 20, 2026

Escrever sempre foi diferente de falar...


Escrever sempre foi diferente de falar. 

(grande novidade, não é?)

As palavras não nos escapam com tanta facilidade, não nos enganamos tanto com o uso que damos ao português, pela falta de ponderação ou simplesmente de vocabulário...

Falei do livro que estou a ler, um quase diário, que não o chega a ser. Sim, é mais um livro de observações. É curioso, mas o autor só fala de nomes de gente quando escreve de uma forma positiva sobre essas ditas pessoas. Quando faz um comentário mais agreste, esconde-os atrás das palavras...

E não somos todos assim? Questionou muito bem a Carla.

Somos e não somos. Depende do que se diz e também a quem se diz. 

O Rui trouxe outra curiosidade para a mesa, o facto de nunca termos cultivado muito este género literário, As excepções que confirmavam a regra eram Vergílio Ferreira e Miguel Torga, e de uma forma mais disfarçada, Fernando Namora (o livro de que falo é dele, com um belo título, "Jornal sem Data"...) e mais um ou outro autor.

O Carlos acrescentou que lhes devia faltar "vidinha". Como nunca foram escritores de café nem de tertúlias, montavam as mesas e as cadeiras em casa e chamavam uma ou outra personagem, apenas para lhes fazerem companhia e "vingavam-se do mundo dos outros"...

Provavelmente estava certo. Era possível que lhes faltasse mais mundo, mais rua, mais conversa fiada...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, maio 19, 2026

As coisas que pensamos, enquanto o mundo vai passando por nós...


Uma das coisas que os anos fazem, ao passar por nós, é conseguirem com que acreditemos cada vez menos, na espécie humana.

A vida dá-nos demasiado "calo", assim como algumas "bofetadas" sem mãos, que nos vão "acordando para a vida" (tal como ela é e não como devia ser...).

Um dia cansamo-nos de fingir que não percebemos que nos estão a tentar enganar. Outro dia desistimos de ser nós a fechar a porta. Quando damos por ela, descobrimos que estamos cansados de tentar ser "boas pessoas" (o que quer que isso seja, que para muitas pessoas é ser-se parvo...).

Podemos pensar nestas coisas todas a ler um livro... Mas também, sentados num banco, a ver o mundo a passar por nós...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


segunda-feira, maio 18, 2026

Eu sei que as pessoas são quase estranhas... e nós que escrevemos, ainda somos mais...


A palavra "remendar" apareceu na conversa, por causa da frase, «há coisas para a qual não existe remédio, nem tão pouco se podem remendar...»

Diz-se muitas vezes que só não há remédio para a morte, mesmo que a vida nos diga algumas vezes, que é mentira, que há mais duas ou três coisas sem solução...

Foi por isso que fomos atrás do "remendar", de uma forma literal, que mesmo que não seja algo definitivo, tem sempre como primeiro objectivo, resolver qualquer questão no momento. 

Ambos sabíamos que no nosso país é comum que os "remendos" se vão tornando definitivos... ou pelo menos que existam até que deixam de remendar coisa alguma.

Mas naquele caso a palavra "remendar" tinha a ver com pessoas. E pessoas não são bocados de tecido que se podem cozer a peças de roupa ou bocados de alcatrão que se colocam nos buracos das estradas...

Eu sei que as pessoas são quase estranhas... e nós que escrevemos, ainda somos mais...

Tudo por causa das palavras, que podem ser mais que uma coisa.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, maio 17, 2026

O chavão de que "o que vem de fora é que é bom"...


Por vezes escrevemos um texto diferente, sem sairmos da sua "alma".

Isso acontece quase sempre, por terem ficado demasiadas pontas soltas no ar.

Continua a ser uma evidência, que o nosso país é uma maravilha para quem chega de fora, então se tiver a pele e o cabelo claro...

Podia aplicar aqui o bom e bonito, "vive e deixa viver", mas não é uma coisa assim tão simples e agradável.

Não se pode apagar todo um histórico, que se deve ao facto de termos sido sempre, um país pobre e pouco desenvolvido, que fixou a frase, de que "o que vinha de fora é que era bom" (com alguma lógica...) e que acabou por ficar gravada na cabeça dos portugueses.

Agora que se fala tanto em "reforma laboral", é importante falar dos ingleses que desenvolveram algumas das nossas indústrias no século XIX e sempre trataram os trabalhadores com mais dignidade e respeito que os patrões portugueses.

Todas estas coisas fizeram com que nos tornássemos hipócritas e subservientes (os políticos continuam a dar o exemplo nas relações com o EUA ou a Europa, ao quererem ser "bons alunos").

Embora seja um tema pertinente, e com opiniões diversas, acho que nunca nos conseguimos livrar do tal chavão, de que, "o que vem de fora é que é bom" (com a excepção das peles mais escuras, claro...).

Não é por acaso que em muitos lugares, se dá mais importância ao que dizem as pessoas de fora, que os da casa. Mas isso dá para mais um ou dois textos, escritos em jeito de crónica...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, maio 16, 2026

«Acho que não ias perceber, com exemplos, mas o teu país é muito mais livre que o meu»


Lembrei-me da última conversa que tive com uma mulher de pele e cabelo claro, que vivia na Beira Baixa e nunca deixou de escrever para os jornais do seu país. Conheci-a por um mero acaso.

Alguém lhe dissera que eu também escrevia. Ela estava a investigar a história de uma família importante (já quase não se fala dela...) e a forma como beneficiou dos fundos europeus. Queria que eu lhe explicasse algumas coisas, por ainda não perceber as muitas virtudes da língua portuguesa. Ou seja, a nossa conversa foi mais sobre o português que sobre a dita família.

Quando ela se instalou no interior, no começo do século, ainda não estavam na moda os famosos "nómadas digitais", que vivem espalhados por todo o lado. Nem a vida era tão fácil para quem vem de fora, como é hoje...

Encontrei-a uns vinte anos depois, numa superfície comercial, acompanhada da filha adolescente. Acabámos por beber um café e gostei de ver que ela falava a nossa língua correctamente, apenas se notava um ligeiro sotaque.

A vida já estava pior para todos, inclusive para quem era de fora e vivia como nós. Mas ela nunca pensou em regressar para a Holanda com o companheiro e os dois filhos.

Embora eu não tivesse sido curioso ao ponto de perguntar o porquê, ela disse-me uma coisa, daquelas que nunca se esquecem: «Acho que não ias perceber, com exemplos. Mas o teu país é muito mais livre que o meu.»

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


sexta-feira, maio 15, 2026

E esta? Portugal está pior e os portugueses vivem cada vez pior (não digam nada ao Montenegro, ao Soares ou ao Amaro)...


Apesar de nunca ter existido um governo em mais de 50 anos de democracia, que tenha usado e abusado, tanto, da propaganda e da "fumaça", a realidade já não dá muito mais espaço para encenações. 

A aposta em discutir "não problemas", como são os casos das alterações da Lei Laboral ou da Constituição, mesmo que sejam desejadas pelos patrões e pela direita, não resolvem qualquer problema dos portugueses.

A continuada tentação em culpar o PS dos "males" do país, também já não dá grandes hipóteses de se "sacudir o capote", quando tudo está pior que há dois anos. 

Sei que irão "cavalgar" na crise provocada por Trump, mas os problemas na saúde, na educação, na alimentação e na habitação, começaram a agravar-se antes da criação da "portagem do estreito de Ormuz"...

Luís Montenegro, por muito que finja viver num "país imaginário" e tenha conseguido transformar a comunicação social num feudo da direita (cada vez existem menos comentadores de esquerda nos canais televisivos...), já não pode dizer, com a "lata" que o caracteriza: que o país está melhor, mesmo que os portugueses vivam pior.

A realidade salta-nos aos olhos diariamente,, seja nos hospitais, nos mercados, nas escolas, nas bombas de gasolina, nos restaurantes ou nas imobiliárias...

Está tudo pior, se esquecermos a meia-dúzia de pessoas do costume (são tão egoístas, que querem tudo, até a tal lei laboral que põe fim ao pagamento das horas extraordinárias...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, maio 14, 2026

A justiça, os justiceiros e os bandidos...


Há muito tempo que não falava sobre Sócrates e sobre a justiça. Talvez fosse por isso que desse mais importância à conversa que tive com um amigo, que não encontrava "há séculos", e que me foi capaz de me fazer ver o caso, numa outra perspectiva.

O facto de ele ter sido vítima da nossa justiça, morosa e tendenciosa, devido a um divórcio litigioso, povoado de mentiras pela parte da ex-mulher e família - só agora, com os filhos na idade adulta é que passou a ter uma relação normal com ambos -, faz com que olhe para tudo de forma diferente.

O mais curioso, foi ele dizer-me que José Sócrates continua preso, desde que o prenderam no aeroporto, como se fosse um "perigoso assassino". Acrescentou que a perseguição de que é alvo por parte dos tribunais, dos jornalistas e das polícias nunca mais lhe permitiu ter uma vida "normal" e em "liberdade".

É por isso que está convencido de que o Estado - ou seja, todos nós -, vai ter de o indemnizar, e que se ele for condenado, será por coisas ridículas, que apenas darão para uma pena suspensa. O que é muito pouco para quem está "preso há tanto tempo"...

Pelo meio ainda me falou das "famílias do actual regime" (PSD), ligadas à banca (sobretudo o BPN), que durante todos estes anos nunca deixaram de viver "à grande e à francesa". A única excepção tem sido o Salgado, cuja tentação de se fazer "passar por maluquinho", lhe deve ter mesmo afectado a cabecinha...

Claro que nada disto alterou o meu pensamento sobre o caso. Os bandidos, os justiceiros e os advogados de defesa, já estão há muito tempo identificados...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quarta-feira, maio 13, 2026

Esta coisa curiosa de se ser líder...


Quando ouço falar de liderança, fico sempre com alguma vontade de rir.

Digo isto porque fiz parte de uma instituição, que costumava inscrever os seus quadros médios em cursos deste género (muito uteis, diga-se de passagem, também por lá andei e aprendi alguma coisa, quando mais não fosse, pelas partes lúdicas da coisa, que além de nos divertirem, também nos faziam pensar...).

Ou seja, quem realmente precisava destes cursos na "fábrica" - as chefias - não os frequentava (já sabiam tudo, os "sabões"...). Nunca percebi bem porquê.

Claro que muitas vezes o tiro saia-lhes pela culatra, porque um ou outro colaborador mais sabido, era capaz de lhes dizer, quando usavam e abusavam do poder que tinham, que as "moscas não se apanhavam com vinagre". Ou então, que não tinha sido isso que tinham aprendido no tal "curso" (que eles não frequentavam)...

Toda esta conversa a propósito da aparente falta de liderança do presidente do Benfica, quando comparado com os seus adversários do FC Porto e do Sporting.

Eu não conheço o Rui Costa, pelo que não posso dizer se é o "banana" que algumas pessoas nos querem fazer querer. Acredito que não seja. Mas ele já devia ter percebido, que a liderança não se faz apenas para dentro, também se faz para fora.

E os silêncios dele, são realmente ensurdecedores...

Nota: Reparei agora que me enganei no "éfe", era dia de falar de fátima e falo de futebol...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, maio 12, 2026

Uma boa maneira de se "gostar"...


Depois de deixar os meus amigos na mesa do café, fiquei a pensar em como somos condescendentes com as pessoas que gostamos...

E ainda bem que é assim. É apenas mais uma boa maneira de se "gostar", das muitas que existem, sem qualquer espécie de loucura.

São esses amigos que me fazem responder com sorrisos às suas provocações, e claro, com uma ou outra boca, mas sem nunca se perder o humor, que como se percebe, é tão importantes neste dias, em que se faz gala de se ser estúpido, agressivo e mal educado, mais vezes do que se devia, para quem não se conhece, apenas por que o dia nos está a correr mal...

Quando somos mesmo amigos, temos uma capacidade enorme de desculpar.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, maio 11, 2026

«O normal é sermos maus pais»


Às vezes há alguém que passa pelo "Largo" e aproveita para falar sobre isto e aquilo. Foi o que fez o Carlos, que resolveu iniciar as hostilidades à sua maneira com a frase: «O normal é sermos maus pais.»

Éramos quatro na mesa e deixámos o Carlos sozinho, por não querermos enfiar a carapuça de "maus pais". Se bem que eu me limitasse a sorrir e a dizer-lhe que ele não precisava de ser tão definitivo. Claro que eu estava farto de saber que o que ele era, era um "provocador". E que era graças às suas provocações que muitas vezes chegávamos a lugares interessantes dentro das conversas...

Naquele momento, lembrei-me do meu professor de rádio do curso de jornalismo, o Carlos Martins e de uma chamada de atenção que ele me fez, por eu com vinte e poucos anos, andar demasiado agarrado à palavra "objectividade", num mundo tão subjectivo... Ele em vez de me dizer que estava errado, sorriu e mostrou-me, com exemplos práticos, que o melhor que tinha a fazer era guardar a tal palavra, tão definitiva, no saco...

Pois é, nós aos vinte pensamos que sabemos tudo da vida e aos sessenta, ficamos algumas vezes com a sensação de que aprendemos menos do que devíamos com a vida.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


domingo, maio 10, 2026

O Miguel e a "pirâmide invertida" da Segurança Social...


Embora o Miguel Sousa Tavares seja "excessivo", gosto de o ler, de o ouvir e ver, porque mesmo quando diz disparates, faz-me ficar a pensar em muitos dos temas que trás para a discussão pública.

Nem sempre me lembro que ele uma vez por semana (às quintas) comenta os casos mais pertinentes da semana, no Jornal Nacional da TVI. Esta sexta-feira, ao fim do dia, cansado das mesmas notícias e dos mesmos comentadores diários, lembrei-me e andei para trás no tempo e fui ouvir os seus comentários.

Acabei por ficar surpreendido com as suas palavras sobre as reformas e sobre as pessoas que não têm filhos. O que é mais curioso, é que eu nunca tinha pensado nesta questão como ela foi colocada pelo Miguel, ao dizer que quem não faz filhos e não deixa descendentes - para alimentar a "pirâmide" da Segurança Social (cada vez mais invertida), devia ser penalizado.

Mesmo sabendo que não há forma nenhuma de penalizar as pessoas que decidem, por isto ou aquilo, não ter filhos, ele não deixa de ter razão. Estas pessoas estão a contribuir para que a "pirâmide" fique cada vez mais invertida e embora tenham descontado, as suas reformas acabam por ser pagas com os descontos dos filhos dos outros...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, maio 09, 2026

«Nem mas, nem meio mas. Sempre aceitámos estas regras»


Eu sabia que era assim. Mas também sabia que estamos sempre a tempo de mudar, mesmo que este tempo nos dê menos tempo para mudar o que quer que seja.

Foi por isso que ele insistiu na "mesma tecla": «Nem mas, nem meio mas. Sempre aceitámos estas regras.»

Embora existisse alguma crueldade e frieza nas suas palavras, elas eram verdadeiras. A meritocracia sempre foi uma treta. E não houve revolução que conseguisse mudar isso...

A nossa vida foi vermos pessoas a passarem-nos pela esquerda e pela direita, não pela sua competência, mas sim por outros predicados. Os "olhos bonitos" também fizeram algumas misérias, mas houve sempre um outro lado, quase oculto, que tanto podia vir da parte da mãe, do pai, do avô ou do tio, que arrumava quase todas questões.

E isso acontecia quando ainda podíamos mandar um chefe de merda para qualquer sítio desagradável, seguros pelos "trabalhos para toda a vida"...

Fiquei a pensar, que apesar dos nossos cabelos cinzentos e das rugas que se instalaram à volta dos olhos, parece que estamos a ver melhor agora. 

Parece... Os nossos filhos vivem os mesmos tempos que vivemos (ainda que sejam ligeiramente piores...), em que tínhamos a mania de que éramos felizes...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


sexta-feira, maio 08, 2026

Uma semana com exposições...


Esta semana visitei três exposições (uma delas era três...), diferentes. Uma de fotografia, uma de pintura e outra documental, na Capital.

Apetece-me falar das fotografias de Gérard Castello Lopes ("Fotografias 1956-2005"), Georges Dussaud ("De Lisboa para Ti") e Rita Barros ("Hyperosmia"), cada uma com o seu espaço e a sua narrativa, que estão nas paredes do Arquivo Municipal à espera de visitantes.

Claro que me identifico mais com o Gérard e com o Georges que com a Rita, o objecto da sua arte. Faz-me confusão nós sermos o centro da nossa forma de nos expressarmos artísticamente, como acontece com a Rita, que se especializou nos "auto-retratos", tal como Jorge Molder e antes Helena Almeida. Poderá ser falta de sensibilidade minha para a coisa...

Quando sai do Arquivo (Rua da Palma) vinha agradado com o que vira. Ainda antes de chegar ao Martim Moniz pensei que se havia duas pessoas ligadas a fotografia, que gostaria de ter conhecido, eram Gérard Castello Lopes e Augusto Cabrita, por razões diferentes. 

Sei que aprendia algumas coisas com eles (já aprendo bastante só quando olho as suas fotografias...), porque me identifico com o seu trabalho e também por gostar de comparar tempos...

Fala-se muito de censura, da escrita durante as ditaduras salazarista e marcelista, mas fala-se pouco da imagem, de como ela era recebida, tanto pelas pessoas (especialmente nas ruas), como pelos poderes, nesses tempos com poucas cores...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, maio 07, 2026

Em nome do cinema e da família...


Só hoje é que pensei no filme de ontem.

Não me disse nada de novo, talvez por eu já ir para velho. 

Mas nem sempre fixamos o nosso olhar nas coisas pequeninas, e rasteiras, que as pessoas são capazes de fazer na defesa da família.

A desculpa que usam quase sempre no "caderno das justificações": é o amor.

Como se ele servissem para desculpar tudo, até mesmo as acções crueis e desprezíveis.

Pois é, o cinema faz-nos pensar de uma forma mais profunda e séria sobre a vida, porque só tem um episódio, ao contrário das séries e telenovelas televisivas... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, maio 06, 2026

Era apenas eu que queria que o cinema fosse mais parecido com as nossas vidas...


Atravessava o rio e queria, quase à força, que o cinema fosse mais parecido que as nossas vidas que as telenovelas. Pelo menos com as vidas que queríamos ter, ou tivemos, quando pensávamos que éramos felizes...

Neste caso, não importava nada que a felicidade seja fosse só uma ideia.

Talvez tivesse tudo a ver com a possibilidade de se contar uma duas ou três histórias em apenas hora e meia, mais minuto menos minuto. Não se ter de ir buscar "palha" ao palheiro para andar a encher tempo de tempo, transformando uma simples história de cordel em algo enfadonho e repetitivo, apenas porque tem de durar meses e meses...

O mais curioso foi pensar nestas questões quase técnicas e não nas coisas que dissemos, antes e depois do filme.

Também não pensei no filme, porque era daqueles para falar apenas no dia ou na semana seguinte.

Talvez estivesse a valorizar o cinema, por ter visitado uma sala especial e por já não ver um filme às escuras e em silêncio (ali não se vendem pipocas...), há mais de meia dúzia de anos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, maio 05, 2026

A cor do sangue e das maneiras...


Sempre me fez confusão que quem nos trata mal esteja à espera de ser bem tratado, seja na rua, numa loja ou mesmo em casa.

Mas acontece...

Talvez seja isso que nos faça perceber que a cor do sangue não deve ser igual para todos, pelo menos em algumas cabecinhas.

É possível que algumas pessoas pensem mesmo que têm sangue azul...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, maio 04, 2026

Que famílias são estas? Quem são estes pais?


Quando algumas crianças, entre os cinco e os sete anos, resolvem agredir outra criança, cega, mais desprotegida que elas, não nos deve apenas fazer pensar. 

Diz que é urgente agir, especialmente dentro das famílias. 

A primeira pergunta que faço é esta: "quem são os pais destas crianças agressoras?"

Sim, são eles os primeiros, e principais culpados, desta agressão cobarde e preconceituosa.

Não venham culpar as escolas e a falta de auxiliares, muito menos as guerras que assolam o Planeta. 

O problema começa e acaba nas nossas casas. Ponto final.

No meio desta atitude vergonhosa, só espero que não exista nenhum pai ou mãe, que ainda tenha ficado orgulhoso, do rebento que tem por casa, por ser bom a "bater no ceguinho".

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, maio 03, 2026

Festejar a Mãe com o cinema e com os museus...


Embora a minha mãe tenha nascido e crescido numa aldeia, onde nem mesmo a menina mais afortunada, aprendia a tocar piano e francês, nunca lhe passou ao lado a importância das coisas bonitas e curiosas no nosso crescimento.

Hoje ao almoço, nas Caldas, perguntei-lhe por que razão, na minha meninice e na do meu irmão, nos levava às matines do cinema e uma ou outra vez, ao Museu José Malhoa.

Disse-me que isso acontecia por passar muitos domingos sozinha connosco (o pai era caçador e preferia passar os domingos aos tiros que a passear com a família...) e que de vez enquanto, sentia necessidade de arranjar programas diferentes para nós...

Disse-lhe que foi graças a Ela, que gosto tanto de cinema e que me sinto tão bem dentro de museus...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sábado, maio 02, 2026

O 25 de Abril não tem donos, mas tem pais e guardiões orgulhosos...


Felizmente o 25 de Abril não nasceu de um parto difícil, muito menos teve "pais incógnitos".

A sua história continua a ser demasiado bonita e real, ao ponto de alguns a continuarem a achar mais próxima dos filmes e dos sonhos, que da realidade.

O único sangue derramado foi pela polícia política, que não gostou de ver o povo a encher as ruas, muito menos a dar vivas à liberdade.

Foi o seu último gesto, cobarde e assassino, que felizmente não conseguiu retirar a beleza ao vermelho dos cravos.

Embora a direita goste de encher a boca e dizer que o "25 de Abril não tem donos", por questões dúbias, têm razão.

Abril não tem donos. Tem sim "pais" e "guardiões". Gente de todas as idades que vai gritar sempre, com orgulho: «25 de Abril sempre! Fascismo nunca mais!»

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, maio 01, 2026

O Tejo com um Maio que promete amadurecer...


O Tejo está sempre em mim.

Basta aproximar-me da janela ou da varanda viradas para este, da minha casa.

Apesar desta nossa ligação diária, não dispenso descer até às suas margens e conversar, tu cá tu lá, seja no Ginjal ou na zona ribeirinha de Lisboa.

E neste primeiro dia de Maio, houve mais gente que também quis conversar e festejar este "Dia do Trabalhador", no Ginjal, sem o bulício citadino da gente de todas as idades, que quis deixar bem audível, que a lei que este governo quer aprovar só serve o patronato, cujos olhos cheios de cifrões continuam apenas virados para eles próprios... 

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)