quarta-feira, setembro 09, 2026

«Continua a falar-se pouco do país que queria ser uma "máquina de fotocópias humanas"»


Percebi de uma forma curiosa, que a liberdade estava longe de ter o mesmo valor para a quase dúzia de pessoas sentadas à mesa do jantar.

Sempre falámos de política de uma forma aberta, usando as divergências que surgiam aqui e ali, com algum humor.

Por ser o mais velho daquele convívio, fui sentindo com o decorrer da conversa que o meu mundo era diferente do deles. Mas não era só isso. Eu sempre fui pouco maleável a novas ideias e a novas tecnologias (era o único que não usava smartphone e isso podia explicar muita coisa...).

O mais estranho, era aquela gente achar-se mais bem informada que eu, por estarem a ler títulos de notícias quase minuto sim minuto não, ignorando que eu era assinante e leitor de jornais a sério...

Houve mesmo alguém que foi capaz de dizer que o país do Salazar não era assim tão mau como o pintavam. Foi quando eu disse que era muito pior.

A duas ou três coisas que foram ditas de forma leve, eu respondi com meia-dúzia de factos, que por si só, conseguiram silenciar aquela mesa, por alguns segundos.

Antes do ignorante atrevido meter a viola no saco, por perceber que estava sozinho, ainda lhes disse: «Percebo que não conheçam a realidade do país salazarento. Continua a falar-se pouco do país que queria ser "uma máquina de fotocópias humanas".»

Os sorrisos voltaram à mesa e começou-se a falar de futebol, pois tanto o Sporting como o Benfica tinham acabado de ganhar os seus jogos de "pontapé na bola"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


2 comentários:

  1. Os mais jovens não fazem a mínima ideia do que foi o regime salazarista.
    Mesmo as fotocópias não saíam todas iguais!

    Abraço

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    1. Viver sempre em liberdade faz com que se pense que ela não tem grande importância, Rosa.

      Por outro lado, acho que há mais gente a "esquecer passados" que a "recordar passados".

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