quinta-feira, setembro 17, 2026

Mais um adepto do "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço"...


Assistir à presença de Nuno Crato em mais que um debate sobre educação nas televisões, armado em "salvador da pátria", vai ao encontro da falta de memória dos portugueses (inclusive jornalistas que não gostam muito de fazer o trabalho de casa...) e da vaidade pessoal de quem se acha muito melhor do que realmente é...

Crato é apenas mais um político da "escola do cavaco", daqueles que nunca se enganam e gostam de apontar dedos aos outros. E logo ele, que cometeu erros como ministro em toda a linha, desde a pré-primária à universidade... 

Por saber que foi dos ministros da Educação mais contestados - e considerado por muito boa gente o pior ministro desde a Revolução de Abril - resolvi fazer alguma pesquisa e encontrei um belo resumo do muito que se fez de mal às escolas e aos professores no seu mandato. Embora a minha escolha siga a direcção do quadrante político oposto, achei esta frase da socialista Alexandra Leitão (publicada no "Diário de Notícias de 22 de Maio do corrente ano...) a mais completa sobre a sua passagem como responsável pela educação:

«Em 2011, o Ministro da Educação, Nuno Crato, afirmou que o Ministério era “uma máquina gigantesca que se acha dona da Educação em Portugal. Eu quero acabar com isso”. E, na verdade, durante o período em que Nuno Crato foi ministro, que correspondeu ao período de intervenção da Troika, desapareceram quase três mil estabelecimentos escolares, aumentou-se o número de alunos por turma, cortaram-se apoios educativos, incluindo na educação especial, e retiraram-se 30.000 professores das escolas. Detenhamo-nos neste último ponto. Quando já era previsível, atendendo ao perfil etário dos professores, que num futuro próximo haveria falta de docentes por causa das saídas para a reforma, o Ministério tirou do sistema dezenas de milhares de professores, essencialmente contratados, ou seja, os mais jovens. Estes professores foram até convidados a emigrar pelo Primeiro-Ministro Passos Coelho.»

 Mais palavras para quê, é um governante português, e está tudo dito...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


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