Para o Jorge Palma
Um Café uma Rua e um Boné
Voltei a passar na minha rua
Cheia de prédios americanos
Que quase nos proíbem de ver a lua
E transformam em bichos urbanos
Quando passei pelo jardim
Lembrei-me do guarda do boné
Que arrastava a perna
E sentia-se feliz por mandar
Por proibir, por ser a lei
Daquele tempo com sal e azar
E como Abril nunca mais chegava
A malta arrancou o sinal proibido
Deu saltos de alegria na relva
Enquanto ele, fora de si, gritava!
Éramos jovens da rua da amizade
Sem respeito nenhum por um país
Que não conhecia a palavra liberdade
Foi por isso que também lhe
Roubámos o boné
E depois, com o amor possível
Oferecemos-lhe um café
E querem saber o que aconteceu?
O café surtiu um efeito inesperado
Até lhe soltou um sorriso matreiro
Percebemos que o desgraçado
Do guarda de boné
Ficava quase um gajo porreiro
Com um simples café!
Luís (Alves)
Milheiro
Nota: escrevi meia-dúzia de poemas em 2014, dedicados a músicos portugueses que faziam parte das minhas escolhas musicais. O Jorge Palma, foi um dos "eleitos". Embora já não me recorde muito bem do porquê destas palavras, penso que têm muito a ver com o seu gosto pela liberdade, pela vagabundagem, e sobretudo, por ser um gajo porreiro...
(Fotografia de autor desconhecido)

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