quarta-feira, setembro 30, 2026

Quando a vida se torna um processo lento e agonizante de "desintegração social"...


Deverá haver muitos exemplos por aí de gente do mundo da representação, que começa a ver o trabalho escassear, quando o cabelo começa a mudar de cor e o corpo deixa de ser apelativo e desejável.

Há uns anos foi pública a morte de um antigo actor, abandonado e esquecido num pequena tenda, que foi a sua "última casa". 

Na semana passada cruzei-me nas ruas de Almada, com um actor que aparecia na televisão dentro das telenovelas, com a barba por fazer e a roupa amarrotada. Fiquei a pensar que, talvez estivesse a ser obrigado a fazer o papel mais ingrato da sua vida...

Quando contei este episódio a um amigo, que tem uma outra vida dentro das redes sociais, contou-me a história deste homem dos teatros, que devia ter mais ou menos a nossa idade. A parte das mulheres, dos filhos e dos enteados, ou das dependências, seria notícia em algumas revistas, mas eu prefiro ir ao mais importante...

Numa altura em que se discute, mais uma vez, a lei dos arrendamentos no Parlamento, com os governantes a focarem a sua atenção nos problemas  dos senhorios e quase a dizerem, "quem for inquilino que se lixe", o seu exemplo acaba por ser uma banalidade. Sim, o normal dos últimos dez anos, é as pessoas com ordenados baixos serem obrigadas a refazer as suas vidas e deixar Lisboa, mudando-se para o Feijó, a Arrentela, o Cacém ou a Reboleira...

O mais curioso desta história,  foi o meu companheiro de mesa achar, que no meio disto tudo ele até era um sortudo. Porque, graças ao irmão, que sempre foi campista, em vez de se ter de mudar para uma tenda ou vão de escada, passou a viver na roulote deste, que faz parte do material fixo de um dos parques da Costa de Caparica, há vários anos.

Quando toda a gente está preocupada com um sujeito que usa sapatos e ténis de marca, para esconder os seus "pés de barro", viaja de jacto particular e tem mansões espalhadas por todo o lado, eu tinha logo de vir para aqui com um exemplo banal e manhoso, de quando a vida se torna um processo lento e agonizante de "desintegração social"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, setembro 29, 2026

«A liberdade de expressão é falarmos sobre o que nos apetece, mesmo quando dizemos disparates»


Nem sempre pensamos no verdadeiro significado das três palavras que fazem a "liberdade de expressão". O normal é querermos esta liberdade só para nós, estarmos pouco abertos a parvoeiras ditas pelos outros.

Só nas verdadeiras tertúlias, é que é possível dizer coisas absurdas e estúpidas, sem que estas sejam silenciadas. Da mesma forma que são sempre contrariadas, porque estes espaços de amigos, são também de aculturação, de ensinamento, das coisas mais simples às mais complexas. Só é necessário estarmos abertos à partilha de saberes...

E é bom sentirmos a evolução de alguns companheiros, que vão aprendendo a deixar de apontar dedos, por tudo e por nada. E também se habituam a ouvir, mesmo quando dizemos coisas que eles não concordam.

Nunca me esqueço da chamada de atenção que o meu amigo Orlando fez à mesa, na nossa memorável "Tertúlia", quando alguém tentou diminuir a opinião de um de nós, menos informado: «A liberdade de expressão é falarmos sobre o que nos apetece, mesmo quando dizemos disparates.»

Claro que nesta "Liberdade", tão especial, também está presente o respeito pelo outro, embora muito boa gente a confunda com o insulto, ela é outra coisa, muito mais bonita...

(Fotografia de Luís Eme - Almada - escolhi este retrato, porque desde pequeno que embirro com a palavra "proibido")


segunda-feira, setembro 28, 2026

A indignação e a razão de Maria Rueff


Sei que não somos muito de nos indignar, muito menos de chamar os "bois pelos nomes". Quanto muito, atiramos umas bocas, indirectas, e fingimos ter resolvido o caso.

É por isso que achei louvável a forma como Maria Rueff  reagiu a mais uma injustiça, das várias que se cometem durante a entrega dos Globos de Ouro da SIC.

Este ano resolveram criaram uma nova categoria, premiando os "30 Anos de Carreira", em vários sectores da cultura e do espectáculo. No que toca ao humor o prémio foi entregue ao suspeito do costume, Ricardo Araújo Pereira, que afirmou logo durante a entrega estranhar estar a receber aquele prémio, porque ainda nem sequer tinha chegado aos tais trinta anos de carreira...

E estranhou muito bem, acabando por ir ao encontro da Maria Rueff, que tem todas as razões para se sentir injustiçada, por ter mais que os tais trinta anos de palcos e talento de sobra para ser premiada. Nem sequer teve receio de não voltar a trabalhar para a estação televisiva em causa (sim, esta gente muitas vezes é pior que o "Django", não perdoa a quem em vez de ir ao "beija-mão", "cospe na sopa"...).

Num país que premeia mais o "amiguismo" que o mérito é bom que apareça, de vez enquanto alguém com carácter e dignidade, capaz de nos mostrar que este Portugal continua a ser o portugalzito de sempre...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, setembro 27, 2026

Uma certa maneira de se ser funcionário público...


As desculpas de algum funcionalismo público vão ter quase sempre ao mesmo lugar, "não me pagam para fazer isto", ou pior ainda, "não me pagam para saber isto". Ou seja, o "maldito" dinheiro é colocado sempre à frente de tudo.

Curiosamente, ou não, quando se candidataram aos lugares já sabiam que iam ser mal pagos, tal como as funções que iriam exercer e o tipo de informação que teriam de dar a quem se deslocasse aos seus serviços, preferencialmente com bons modos.

Hoje de manhã visitei dois museus e consegui ser atendido de duas formas completamente opostas. Na minha primeira visita a senhora da recepção/bilheteira estava ao telefone e conseguiu em poucos minutos formar fila no seu museu. Mas o pior ainda estava para vir. Além de se ter esquecido do sorriso em casa e estava pouco disponível para dar informações...

Não lhe dei conversa e fui ver o espaço de arte contemporânea.

No museu seguinte aconteceu-me o contrário. Além de ter sido bem acolhido, no final da visita fiz duas ou três questões, às quais ela era completamente alheia, mas que fez questão de me responder, demonstrando saber onde estava e também quem era aquele casal parisiense...

A pergunta mais pertinente que fiz foi porque razão o título dos quadros expostos estava escrito na língua francesa. Ela respondeu-me, muito bem, que se optara por manter os nomes originais de  cada obra, franceses, mesmo que o museu fosse português e ficasse em Portugal...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, setembro 26, 2026

Um mundo de enganos à medida de cada um de nós...


Quase todos os políticos são peritos no jogo do "passa culpas", desde o senhor da Educação à dona da Saúde, passando pelo "conde de monteverde". Conseguem culpar os outros pelos seus erros, e não satisfeitos, ainda são capazes de dizer que as coisas estão melhor à sua volta, mesmo que tudo ameace ruir, desde os hospitais às escolas...

Podia falar também da dona Inês, que manda aqui neste nosso burgo, que também adora culpar os outros e pensa ser possível passar pelos intervalos da chuva, mas não vale a pena.

Até porque há "espécies" ainda piores nestes teatros de poder, que gostam de vestir capas de "super-heróis", mesmo que não passem de bandidos de terceira classe, como são os casos de Carlos Moedas ou André Ventura. Embora os seus talentos pareçam estar mais vocacionados para os enredos de ficção ou para a venda de banha da cobra nas feiras, não iriam conseguir ter tanto palco à sua volta, muito menos enganar tanta gente ao mesmo tempo, como o fazem nos seus "púlpitos".

Aquilo que era uma velha questão deixou de ser questão. Sabemos há já algum tempo como é que eles conseguem ludibriar tantas pessoas ao mesmo tempo, nos seus jogos de palavras manhosos, povoados de mentiras e alvos. Conhecem ambos a cartilha do "populismo" como mais ninguém no nosso país.

Como sabem que as pessoas pouco cultas são facilmente enganadas, tanto por quem fala alto, como quem finge falar-lhes ao ouvido, oferecem-lhes dúzias de "histórias da carochinha". Não satisfeitos ainda apontam dedos e chamam "bandidos", aos que também se deixam seduzir pelo poder, esquecidos dos seus "rabos de palha", com um cardápio completo de insinuações e mentiras.

O Carlos quase que já nos convenceu, que o que gostamos mesmo é de ser embalados com "canções do bandido". Desta vez ainda foi mais longe e afirmou, que se há tantas histórias à nossa volta de gente a cair nos "contos do vigário" modernos - ainda melhores que a "dona branca", com ofertas de negócios com juros malucos que rendem 50 e 100 por cento -, é porque o nosso cérebro está a ser invadido, cada vez mais, por massa castanha.

Só ele mesmo, para nos fazer rir com coisas cada vez mais sérias...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, setembro 25, 2026

O "Luisiana" que ficava depois do fim do bairro...


Gosto das histórias que resistem ao tempo e às "adulterações" humanas, que gostam de as transformar em outras coisas. 

Felizmente, um senhor de noventa e quatro anos, ainda com memória e vontade de recordar os seus tempos de tocador de banjo, contou-me a verdadeira história do "Luisiana". 

Tudo começou com a paixão pela música, um gira-discos e uma dúzia de álbuns que vieram da América, oferta do senhor António (que ainda conheci por ser amigo do meu pai...), que era "embarcadiço" e tinha tocado saxofone na banda filarmónica da aldeia onde nascera. Foi ele que apresentou o Coltrane e outros génios do outro lado do Atlântico aos amigos. 

Ou seja, quando ele estava por cá (passava meio ano no mar e outro meio em terra...), juntavam-se aos sábados à tarde no casal do Luís dos "Ovos" (era um dos seus vários negócios, embora ficasse mais conhecido pelo seu "ferro velho"...), que comprara uma bateria em terceira mão, só para ter o prazer de acompanhar os dois amigos nas suas aventuras jazzísticas quase desconhecidas de toda a gente.

O velho Duarte contou-me também que o meu pai era um dos raros assistentes. Fingia vir passear o cão e ficava ali, pela tarde dentro, a beber uma taça de tinto e a ouvir as histórias e a música dos amigos.

Foi sempre apenas isto. Nunca foi um bar, muito menos um bordel (as únicas mulheres da casa eram a mulher, a sogra e a filha do Luís...). E só se tornou o "Luisiana", anos depois, por graça e em homenagem ao dono do casal...

Uma vez apareceu um francês, que os quis ouvir e acabou por trazer o piano que comprara numa feira e transformou o trio num quarteto.

Talvez por o casal ficar isolado - na época não devia haver casas num raio de dois quilómetros -, bem depois do fim do bairro (passávamos por lá na infância, nas nossas aventuras de "pequenos vagabundos "...), começou a ser coisas que nunca foi. Ouviam aquela música diferente e começavam a imaginar coisas...

Devem ter sido estas histórias enviesadas que despertaram a atenção de um ou outro informador da PIDE, sequiosos de notas de cem paus, que colocaram o casal no mapa, como um local suspeito, de "encontros de comunistas"... 

E num sábado à tarde foram visitados por três senhores bem vestidos e bem falantes, acompanhados de dois soldados da GNR, que interromperam o ensaio dos quatro amigos. Enquanto um deles fazia perguntas, os outros dois revistaram o casal, de uma ponta a outra. Claro que não encontraram nada de suspeito. Ficaram a saber que o agente das perguntas gostava de música, porque antes de se despedir gabou a bela colecção de discos de jazz da casa. 

Não voltaram ao casal, mas o velho Duarte, ainda hoje diz com um sorriso, «Foi a partir deste dia, e desta visita, que me tornei comunista.» 

E eu fiquei a saber, por um mero acaso, que o meu pai era um dos raros assistentes daquele clube de amigos que gostavam da música de cor escura da América, sem imaginarem que tinha sido baptizado de "Luisiana", vendia bebidas fortes e era visitado por mulheres provocadoras, daquelas que bebiam e fumavam muito, além de se pintarem quase de forma carnavalesca e usarem vestidos curtos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, setembro 24, 2026

Parece que o futebol é só para "fanfarrões"...


Podia começar por falar de André Vilas Boas, que fingia ser um "gentleman", durante as eleições que ganhou, nem sequer queria ter alguma coisa a ver com o portismo do Sérgio Conceição, que apesar de este ser o treinador mais vitorioso do FC Porto, despachou-o assim que pôde. Além de o colocar num "embrulho", tentou humilhá-lo, substituindo-o pelo seu adjunto. 

Curiosamente (ou não), Vilas Boas, acha que só consegue ser um presidente vitorioso, trazendo de volta o passado regionalista do clube, criando a personagem "Pinto2",  inventando inimigos em toda a parte, assim que chega a Vila Nova de Gaia. O problema é que a sua "personagem", além de não saber perder nem ganhar,  vai perder a graça, rapidamente, pois falta-lhe a ironia e a "escola" do antecessor...

Mas o que eu queria mesmo era escrever sobre Jesus, que já deve estar a pensar que voltou a falar demais, quando espalhou a boa nova, de que com ele, a selecção ia jogar "o dobro..." 

Claro que se percebe à légua, que este futebol é muito mais dos Mourinhos e dos Jesus, que dos Ruis Borges, dos Ruis Vitória ou dos Leonardos Jardim, por mais campeonatos que ganhem. Como não precisam de andar no futebol em bicos de pés nem a passar o tempo a insultar os adversários e a inteligência de quem gosta do "Desporto-Rei", não são bons para programas televisivos e para jornais...

Mesmo assim, espero que  este futebol seja para o Marco Silva, que parece ser superior a todos estes "joguinhos". Era bom que ele conseguisse vencer e fazer entender, de uma vez por todas, que o futebol joga-se nos relvados e não nos bancos dos suplentes ou nos repastos combinados, com e sem leitão à bairrada...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


Esperemos que não seja mais um caso de "euforia antes de tempo"...


Pensava que Jorge Jesus já tinha idade suficiente para não fazer conferências de imprensa como a de hoje à tarde, onde fiquei com a sensação que o jogo de amanhã "já está ganho", a Selecção só entra em campo porque "tem de cumprir calendário".

Embora goste do JJ e o ache um excelente treinador, tenho pena que continue a não controlar a vaidade e achar que é o "melhor treinador do mundo".

Vieram-me logo à memória os seus dois campeonatos perdidos (no Benfica e no Sporting), um  por fingir não perceber que os títulos só se conquistam no fim da última jornada, o outro por "achincalhar" de tal forma o treinador adversário (Rui Vitória), que conseguiu unir o clube da Luz, ao ponto de se ter sagrado campeão. 

Também não achei muita piada à "qualificação" que fazia de algumas perguntas mais suaves (inteligentes, interessantes...), ao ponto de até ter "parabenizado" um jornalista, quando se devia limitar a responder às suas perguntas.

Embora não tenha culpa, também foi de gosto duvidoso a FPF entregar-lhe um prémio de carreira (Prestígio), dias antes da sua estreia como Seleccionador Nacional.

Isto de ser "treinador estrela" tem muito que se lhe diga, até porque o "smoking" não serve nem fica bem a todos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, setembro 22, 2026

"Um Café uma Rua e um Boné" (para o Jorge...)


Para o Jorge Palma

Um Café uma Rua e um Boné
 
Voltei a passar na minha rua
Cheia de prédios americanos
Que quase nos proíbem de ver a lua
E transformam em bichos urbanos
 
Quando passei pelo jardim
Lembrei-me do guarda do boné
Que arrastava a perna
E sentia-se feliz por mandar
Por proibir, por ser a lei
Daquele tempo com sal e azar
 
E como Abril nunca mais chegava
A malta arrancou o sinal proibido
Deu saltos de alegria na relva
Enquanto ele, fora de si, gritava!
 
Éramos jovens da rua da amizade
Sem respeito nenhum por um país
Que não conhecia a palavra liberdade
 
Foi por isso que também lhe
Roubámos o boné
E depois, com o amor possível
Oferecemos-lhe um café
 
E querem saber o que aconteceu?
 
O café surtiu um efeito inesperado
Até lhe soltou um sorriso matreiro
Percebemos que o desgraçado
Do guarda de boné
Ficava quase um gajo porreiro
Com um simples café!
 
Luís (Alves) Milheiro

Nota: escrevi meia-dúzia de poemas em 2014, dedicados a músicos portugueses que faziam parte das minhas escolhas musicais. O Jorge Palma, foi um dos "eleitos". Embora já não me recorde muito bem do porquê destas palavras, penso que têm muito a ver com o seu gosto pela liberdade, pela vagabundagem, e sobretudo, por ser um gajo porreiro... (lembrei-me depois, que escrevi a pensar na forma de cantar do Jorge... sem qualquer tipo de pretensiosismo, achei que as minhas palavras ficavam bem na sua voz).

(Fotografia de autor desconhecido)

segunda-feira, setembro 21, 2026

«Temos um gosto especial em acabar com as coisas, mesmo com aquelas que nos dão jeito»


Nunca falamos sobre o fim dos livros, por sabermos que é mais fácil acabar-se com o último homem que com o último livro. Muito menos sobre o "fim da história"...

Mesmo assim, acabamos por falar do fim de muitas outras coisas, graças ao espírito autodestruitivo humano, que aparece por todo o lado.

Nós sabemos que somos um país de malucos, mas deve haver outras razões mais estranhas para que existam tantos incendiários, de Norte a Sul. Embora as autoridades tentem amenizar o problema com as suas investigações e estatísticas oficiais, as evidências são quase sempre mais fortes que o que dizem os relatórios.

O Carlos está cheio de razão, quando nos diz que, «temos um gosto especial em acabar com as coisas, mesmo com aquelas que nos dão jeito.»

Ele não gosta que digamos isso, mas está cada vez mais parecido com o sr. La Palisse...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, setembro 20, 2026

Às vezes acontece, a porta estar fechada...


Tinha lido a reportagem no "Ípsilon" sobre a exposição de Arpad Szenes, patente no Museu Vieira da Silva" e achei que conhecer melhor a arte deste pintor - o grande companheiro de vida da nossa Helena, que quase que teve de ser francesa, para ter uma vida normal -, era uma boa forma de ocupar uma parte do domingo de manhã.

E eis que chego ao museu e descubro as portas estavam fechadas, com a informação de que só seriam abertas, no domingo, às 16 horas.

Como tinha outras coisas para fazer na parte da tarde, não apareci. 

Claro que um domingo destes, de manhã, volto a passar pelo museu...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, setembro 19, 2026

O "Traço Contínuo" é apenas mais uma razão para visitar a Casa da Cerca em Almada


Eu sei, para muita gente, os museus estão longe de ser o melhor lugar do mundo.

Também sei que já estou naquela idade, que não quero convencer ninguém.

Mas mesmo assim, continua  a fazer-me confusão que muitos almadenses nunca se tenham sequer aproximado da Casa da Cerca.

Podem não gostar do género de arte, mas há outros atractivos bastante agradáveis, como é o seu miradouro único, virado para Lisboa e para o Tejo. 

E há também a possibilidade de se passear pelo seu jardim e pelos seus espaços exteriores, com várias janelas abertas para o "melhor rio do mundo".

Ou seja as 24 horas a desenhar, que vão encher de cor, hoje e amanhã, a Casa da Cerca, atrás de um "Traço Contínuo", azul, são apenas mais uma coisa agradável para ser fazer neste museu de arte contemporânea...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, setembro 18, 2026

Um governo povoado de ministros que gostam de "pintar" a realidade com cores berrantes...


Ouvir o ministro da Economia dizer, com cara séria, que os portugueses apesar da crise mundial, vivem hoje melhor, graças aos aumentos proporcionados pelo seu Governo, vai ao encontro da narrativa oficial da AD, contrariada pela realidade e até pelo prof. Coelho, que finge que é líder da oposição.

Mesmo que tivéssemos sido aumentados nos ordenados com valores entre os 10 e os 15 por cento, a maior parte dos considerados bens essenciais, sofrem aumentos semanais, que se se fizerem  as contas ao ano, andam entre os 20 e os 50 por cento (alguns mais...), mesmo que os grandes retalhistas nos tenham habituado às embalagens de meio quilo, que parecem ficar mais em conta...

O senhor Almeida é apenas mais um governante, que gosta de "pintar" a realidade com cores berrantes, mas sem a arte e a qualidade de Bordalo II...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, setembro 17, 2026

Mais um adepto do "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço"...


Assistir à presença de Nuno Crato em mais que um debate sobre educação nas televisões, armado em "salvador da pátria", vai ao encontro da falta de memória dos portugueses (inclusive jornalistas que não gostam muito de fazer o trabalho de casa...) e da vaidade pessoal de quem se acha muito melhor do que realmente é...

Crato é apenas mais um político da "escola do cavaco", daqueles que nunca se enganam e gostam de apontar dedos aos outros. E logo ele, que cometeu erros como ministro em toda a linha, desde a pré-primária à universidade... 

Por saber que foi dos ministros da Educação mais contestados - e considerado por muito boa gente o pior ministro desde a Revolução de Abril - resolvi fazer alguma pesquisa e encontrei um belo resumo do muito que se fez de mal às escolas e aos professores no seu mandato. Embora a minha escolha siga a direcção do quadrante político oposto, achei esta frase da socialista Alexandra Leitão (publicada no "Diário de Notícias de 22 de Maio do corrente ano...) a mais completa sobre a sua passagem como responsável pela educação:

«Em 2011, o Ministro da Educação, Nuno Crato, afirmou que o Ministério era “uma máquina gigantesca que se acha dona da Educação em Portugal. Eu quero acabar com isso”. E, na verdade, durante o período em que Nuno Crato foi ministro, que correspondeu ao período de intervenção da Troika, desapareceram quase três mil estabelecimentos escolares, aumentou-se o número de alunos por turma, cortaram-se apoios educativos, incluindo na educação especial, e retiraram-se 30.000 professores das escolas. Detenhamo-nos neste último ponto. Quando já era previsível, atendendo ao perfil etário dos professores, que num futuro próximo haveria falta de docentes por causa das saídas para a reforma, o Ministério tirou do sistema dezenas de milhares de professores, essencialmente contratados, ou seja, os mais jovens. Estes professores foram até convidados a emigrar pelo Primeiro-Ministro Passos Coelho.»

 Mais palavras para quê, é um governante português, e está tudo dito...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, setembro 16, 2026

De repente parece que se descobriu a pólvora: " hoje lê-se mais mas lê-se pior"


Sei que uma semana destas, aparece outro assunto qualquer, e deixa-se de falar do relatório com nome de terra italiana, como se o remédio para a resolução dos problemas fosse substituí-los por outros...

Há muito tempo que sei que se lê mais, mas muito pior. Basta andar nas ruas e ver gente de todas as idades (sim, dos oito aos oitenta anos...), com os olhos presos aos smartphones, a lerem o "lixo diário" que lhes enviam, minuto a minuto, disfarçado de notícias. 

Os cérebros de plástico dos fazedores de notícias e e da inteligência artificial passam o tempo a oferecer-lhes cabeçalhos sumarentos de apenas duas ou três linhas - usam a mesma técnica dos "tablóides", que têm sempre duas ou três notícias de capa, capazes de chamar a atenção de quem passa na rua, mesmo que depois a notícia seja ligeiramente diferente do título - pintando a realidade com as cores que lhes dão jeito.

Quem não tem hábitos de leitura (a maioria da nossa população...), além de "comer" facilmente gato por lebre, sente-se muito bem informado e capaz de discutir qualquer assunto, do país e do mundo, numa mesa de café ou na mercearia de bairro. 

Vale quase sempre pouco, dizermos que não foi bem assim que as coisas se passaram. Ainda somos capazes de passar por mentirosos, por estarmos feitos com os jornais e as televisões, que ainda se esforçam por serem "fábricas de notícias" e não de entretenimento...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, setembro 15, 2026

A honra suprema de uma má actriz de telenovelas que faz o papel de jornalista com grande êxito


Sei que tanto uma como a outra, não frequentam blogues. São adeptas de lugares mais populares, onde se pode representar, cantar, dançar, pescar, caçar, e claro, "pintar a manta", com mais descontração (e imaginação...).

Mas mesmo assim achei que não podia perder esta "caricatura" de bairro, desenhada com tanta perfeição.

Falava-se de qualquer coisa na mercearia, e uma das senhoras dizia, "fale com a Tânia, que ela sabe", repetiu isto umas três vezes até que uma senhora, que tal como eu, pertencia ao  clube dos "incautos" e "ignorantes" do lugar, curiosa, perguntou quem era essa tal de Tânia. A mulher que falava pelos cotovelos sorriu e esclareceu o assunto numa penada:

«E esta? Claro que sabe quem é a Tânia. Não conhece você outra coisa!» Sem que deixasse que alguém a interrompesse, virou-se para mim e disse: «É a loira que mora na rua deste senhor.» E depois concluiu, «Ela é a mulher mais bem informada do bairro. Como tem o cabelo amarelo e é avantajada de carnes, houve alguém com olho que a batizou, e muito bem, de Tânia Laranjo.»

Gargalhada geral. Até eu que não apreciava o estilo, conhecia esta "peça principal" do jornalismo de faz de conta do "Correio da Manhã"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, setembro 14, 2026

As perguntas que não sabemos responder...


Ele perguntou-me se existia algum ponto inteligível que conseguisse definir o que é arte e o que é um artista. Alguma coisa que fosse perceptível ao olhar, algo que mexesse com as emoções do espectador comum.

Lembro-me que no jornalismo com bola usava-se muito a expressão "perguntas de mil paus", quando alguém se silenciava e fechava a caixa de respostas a sete chaves.

Ali o caso ainda era mais complicado. O artista em causa, com a "estrela de famoso", por vezes, parecia brincar com a inteligência dos outros, ao fazer obras de arte que se confundiam, aqui e ali, com obras públicas manhosas.

Tal como ele, eu também não sabia quem é que tinha inventado as "instalações". Nem estava muito interessado em saber, diga-se de passagem.

Entre outras coisas falou-me do monte de tijolos que encontrou uma vez expostos em Tavira. Mas quis ir ainda mais longe e recordou-me o episódio polémico com as vigas de ferro que colocou numa rotunda de Leça de Palmeira. "Escultura" que acabou por ser vandalizada, porque alguns munícipes, além de se sentirem "gozados" pelo artista, acharam que havia coisas mais importantes no Concelho para se gastar dinheiro e manifestaram-se da pior maneira possível.

Quem percebe um pouco de arte, sabe que escrevo sobre Pedro Cabrita Reis.

O mais provável é que sejamos demasiados "incultos" para querer colocar limites na arte, que vive mais do nosso olhar, que das imposições exteriores..

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas - não sei se o "artista" que virou um dos contentores do lixo de pernas para o ar, teve a noção de que podia estar a criar uma "instalação artística"...)


domingo, setembro 13, 2026

Quando os artistas mudam as "suas dores" e deixam de falar das artes...


Estava a ouvi-la e a ficar cada vez mais enfastiado. Tentava disfarçar. É possível que o tenha conseguido, porque ela "só se ouvia a ela própria". Eu estava ali, quase a fazer apenas de "ponto"...

Só me conseguia lembrar de um outro nosso amigo comum, que a partir de certa altura (é verdade que começou a visitar mais vezes hospitais que galerias de arte...), não conseguia começar uma conversa sem se queixar disto ou daquilo. Ela disse-me mais que uma vez, que era cada vez mais difícil falar com ele, que se tornara um chato, que só falava de doenças...

Depois de a deixar, fiquei a pensar que aquilo podia ser quase "epidémico". Ela estava como ele. Talvez o problema seja da vidinha. Sim, quando o mundo ameaça cair-nos em cima, aquilo que nos realizava até aí, pode deixar de ser importante...

De uma forma optimista, pensei que talvez conseguisse escapar a este epidemia, por ser um tipo estranho. 

Sim,  já que raramente falo com os outros dos meus "achaques" e até há muito "boa gente" que acha que isso não é muito normal...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa - detesto quando destroem a arte alheia como aconteceu neste caso...)


sábado, setembro 12, 2026

Viver com as coisas "fixas", que nunca mudam...


Não vale a pena pensar no que é melhor ou pior. Somos o que somos. E não deixa de ser boa ideia, aceitarmos que temos de viver com essas coisas "fixas", que nunca mudam...

E não é por a escritora Rosa Montero ter metido esta frase dentro de uma das suas personagens, que banalizava as coisas: «Ela não sabia fazê-lo. Não sabia jogar esse jogo de intrigas nem conquistar pessoas com quem antipatizava.»

Eu também não sabia (nem queria...) gostar de quem não gostava de mim. Nunca consegui ser agradável para quem me é desagradável (e houve alturas que me esforcei...).

Sim, pudemos gostar de Jesus de Nazaré e achar o gesto magnânimo, de dar a outra face, uma estupidez...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, setembro 11, 2026

"Cinco anos depois" (que agora são vinte cinco...)


Cinco anos depois
 
Cinco anos pode ser uma eternidade,
Ou ser apenas o dia seguinte...
 
Nova Iorque não voltou a ser igual,
As pessoas perderam tantas coisas...
Até a liberdade de serem quem eram.
O simples gesto, de um aceno ou sorriso,
Foi suprimido pela ditadura da segurança,
Assim como qualquer palavra circunstancial
Trocada na rua, com estranhos.
 
Cinco anos pode ser uma eternidade
Ou ser apenas o dia seguinte...
 
Podemos banalizar o que aconteceu
Fingir que as Torres Gémeas desapareceram,
Num truque qualquer de magia,
Podemos dizer que a vida continua,
Que o que já lá vai, lá vai...
 
Cinco anos pode ser uma eternidade
Ou ser apenas o dia seguinte...
 
Mas os rostos daqueles que partiram,
Sem marcar qualquer viagem,
Permanecem vivos no coração de Nova Iorque.
Sim, coração, de Nova Iorque!
O coração de qualquer cidade
São sempre os seus habitantes.
 
Luís [Alves] Milheiro

Nota: escrevi este poema em 2006, quando passaram cinco anos desta tragédia, ou seja há vinte anos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
 

quinta-feira, setembro 10, 2026

A liberdade tem sempre custos...


Não é só na rua que gosto de parar e ficar a olhar para trás, para ver as coisas de um ângulo diferente, para ver o mundo que caminha em direcção contrária...

Sempre gostei de pensar, de olhar o mundo, de querer saber e descobrir coisas, consultando apenas a minha cabecinha.

Foi por isso que tive os meus primeiros dissabores logo na infância, porque para algumas pessoas não passava de um "refilão" e um "chato", que nunca estava bem com nada...

Não percebi logo que as pessoas não gostam que sejas diferente delas, que queiras ter uma cabeça só tua, os teus pensamentos, as tuas ideias, os teus sonhos...

Muitos anos depois, sinto que só não incomodava verdadeiramente os meus pais.

Nunca tinha pensado, a sério, que para algumas pessoas (são capazes de ser muitas...), gostares de pensar pela tua própria cabeça, está longe de ser a "melhor coisa do mundo". 

Sempre soube que podia ser um incómodo para políticos, patrões e outra gente que vive embrulhada em "papel de poder". Nada que me incomodasse por aí além. Para lhes escapar, nunca pertenci a partidos e trabalhei a maior parte das vezes sem ter patrões com rosto.

Claro que viver desta forma tem custos. Sabes desde cedo que nunca vais ser rico. O que, diga-se de passagem, também está longe de ser a coisa mais importante do mundo, porque sabes que continuas a gostar mais de liberdade que de dinheiro...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, setembro 09, 2026

«Continua a falar-se pouco do país que queria ser uma "máquina de fotocópias humanas"»


Percebi de uma forma curiosa, que a liberdade estava longe de ter o mesmo valor para a quase dúzia de pessoas sentadas à mesa do jantar.

Sempre falámos de política de uma forma aberta, usando as divergências que surgiam aqui e ali, com algum humor.

Por ser o mais velho daquele convívio, fui sentindo com o decorrer da conversa que o meu mundo era diferente do deles. Mas não era só isso. Eu sempre fui pouco maleável a novas ideias e a novas tecnologias (era o único que não usava smartphone e isso podia explicar muita coisa...).

O mais estranho, era aquela gente achar-se mais bem informada que eu, por estarem a ler títulos de notícias quase minuto sim minuto não, ignorando que eu era assinante e leitor de jornais a sério...

Houve mesmo alguém que foi capaz de dizer que o país do Salazar não era assim tão mau como o pintavam. Foi quando eu disse que era muito pior.

A duas ou três coisas que foram ditas de forma leve, eu respondi com meia-dúzia de factos, que por si só, conseguiram silenciar aquela mesa, por alguns segundos.

Antes do ignorante atrevido meter a viola no saco, por perceber que estava sozinho, ainda lhes disse: «Percebo que não conheçam a realidade do país salazarento. Continua a falar-se pouco do país que queria ser "uma máquina de fotocópias humanas".»

Os sorrisos voltaram à mesa e começou-se a falar de futebol, pois tanto o Sporting como o Benfica tinham acabado de ganhar os seus jogos de "pontapé na bola"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, setembro 08, 2026

Talvez seja a melancolia de Setembro a aparecer mais cedo...


Estava ali e não estava.

Ouvia mas pensava em outras coisas. Claro que sabia que ritual não era sinónimo de hábito, mas nem sequer me dei ao trabalho de "jogar às diferenças".

A cor dos dias estava diferente, as sombras apareciam a horas desiguais porque os dias começavam a encurtar de uma forma visível. Ver o pôr do sol às nove do começo da noite agora só no começo do Verão de 2027...

Foi quando pensei que as minhas ausências, discretas, não perturbavam ninguém. Deviam estar ligadas à melancolia que costumo colar ao mês de Setembro...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


segunda-feira, setembro 07, 2026

Dores de crescimento e dores de envelhecimento...


Eu sei que são dores diferentes.

Provavelmente as de crescimento parecem ser mais dolorosas. Parecem...

Noto isso com a minha filha, que se prepara para entrar no mundo do trabalho, onde vai descobrir uma outra "selva humana", mais animalesca que nos meus primeiros tempos de operário, por vivermos uma época diferente, em que por vezes até se fica com a sensação de que já vale "tirar olhos" e tudo...

Sei que vai ter de "enrijar" os ossos... e o coração...

As dores de envelhecimento, ainda não me chegaram, pelo menos de uma forma que merecem qualquer desabafo mais sério. Percebo-as no contacto e nas conversas que tenho com a minha Mãe e com o meu amigo Chico. Sei que são dores diferentes, porque são de todas as horas, doer isto ou aquilo, é quase como respirar...

Aqui não há "analgésico" possível, ou "morfina" que resulte, para lá das viagens que poderá proporcionar, dependendo apenas da respectiva dose...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


domingo, setembro 06, 2026

«Foge, mas sem nunca correres, desta e de outras mulheres, que querem sair de casamentos falhados»


Sabia que aquela frase podia ser o começo de um guião para qualquer telenovela portuguesa.

Mas não, referia-se mesmo a uma mulher, que tinha escolhido há semanas um de nós para "cortejar".

Começámos a reparar nisso quando os vestidos da senhora começaram a encurtar e o rosto ganhou alguma cor, nos olhos e nos lábios. E claro, quando começou a dar atenção a mais a um de nós e a desafazer-se em sorrisos.

Não foi preciso o Carlos insistir, quase poeticamente, «foge, mas sem nunca correres, desta e de outras mulheres, que querem sair de casamentos falhados.»

Foi quando ele fingiu que ia comprar tabaco (por sorte, não se vendia naquele café...) ao outro lado da rua, mesmo sem fumar...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, setembro 05, 2026

Também não sei para onde foi a "normalidade"...


Deve ser das coisas mais difíceis de definir nesta actualidade estranha, a tal "normalidade", tanto ao alto como ao baixo nível. Todos sabemos que o que é normal para países como a Rússia ou o Israel, é diferente para  a Ucrânia, ou o Irão...

Depois podíamos descer um patamar e chegar aos chamados conservadores e aos ditos progressistas, onde uma simples saia acima do joelho ou um véu que cobre o cabelo, conseguem encher um livro de reclamações.

Pior que as saias curtas são os livros cheios de obscenidades e ideias malucas, que tanto medo provocam a quem gosta de um mundo demasiado certinho e cheio de regras, pelo menos fora de casa...

Mas o pior deve ser a valoração da mentira, que começa a ficar quase ao mesmo nível da verdade, como era entendida antes de aparecerem as redes sociais e todos aqueles que as "cavalgam", como se o seu hoje fosse o amanhã...

O mais curioso é que escrevi uma data de coisas, que passam ao lado da conversa de sábado de manhã, que questionava a "normalidade" e tinha como protagonistas um político aldrabão, que quer ter no currículo  a demissão de um ministro (e vai conseguir, mas mais tarde do que aquilo que estava a pensar...), e um antigo polícia "chico esperto", com a escola das américas dos xerifes...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, setembro 04, 2026

Encontrar medidas para uma coisa que é mais de sentir que de medir...


Fazia-me confusão ver pessoas da minha geração a quererem medir a amizade, fingirem que não percebiam que havia mais de uma dúzia de formas de se ser amigo, de se expressar a amizade...

Foi quando me lembrei que aquele era um dos momentos em que me apetecia fumar cigarros, para ter uma desculpa fácil para ir até ao átrio e ficar por ali a ver passar os carros e as pessoas, a várias velocidades...

E a amizade até era uma coisa mais fácil de lidar do que com o amor, por exemplo, em que se fazem coisas muito mais incompreensíveis e pouco razoáveis.

Mesmo assim fui à casa de banho. Olhei-me ao espelho. Lavei os olhos. Mijei. Lavei as mãos. Voltei.

Eles continuavam com a fita métrica à querer tirar medidas a uma coisa que é mais de sentir, que de medir...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, setembro 03, 2026

Homens que bebem para viver, sem perderem de vista os lugares onde foram felizes...


Há muitas formas de convívio, de estar e de conversar com os amigos.

Gostei de estar ali sentado, de sentir que havia uma outra forma de gostar, de conversar e até de rir nas esplanadas. Por ser um estranho, deixaram-me beber apenas uma imperial, enquanto eles já iam na quarta ou quinta.

Não deixei de ser bem recebido, porque um "amigo de um amigo", naquela mesa recebe também o mesmo tratamento.

Sorri muitas vezes, porque as conversas são muito diferentes das que estou habituado entre amigos. Há um jeito trocista na forma como se olha para o bairro, para o país e para o mundo, que é descontraído com os lados cómicos da vida, alimentados pelas imperiais de Verão e pelas taças de tinto no Inverno.

Nas nossas mesas com livros, teatros e cinemas não se ia falar das "quatro mulheres" de um dos convivas, que querem se encontrar e conhecer no aniversário dele, muito menos qualificá-las com o habitual humor masculino de tasca, com gargalhadas de todos, inclusive do homem que fazia o papel de "galã" na mesa e que se preparava para fazer setenta anos.

O meu amigo fez-me sinal, de que estava na hora. Despedi-me daqueles companheiros de ocasião, que como acontece em quase todas as tertúlias, me trataram como se fosse um deles.

Já no carro, ele ainda disse que esperava que não tivesse desgostado de todo daquele "circo humano". Claro que não, respondi com um sorriso. Ainda acrescentou que havia ali um ou outro rapaz, que até poderia querer ser personagem de alguma das minhas aventuras literárias.

O mais curioso naquela tertúlia de "amigos do copo", era terem nascido todos por ali e serem amigos desde os tempos da primária. E perceber-se que continuavam a gostar, muito, de estar uns com os outros...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, setembro 02, 2026

Ontem é que era hoje...


Pois é... foi ontem é que começou Setembro. 


Estou atrasado um dia (o que os bons dos livros fazem)..

Talvez ontem fizesse pouco sentido lembrar-me do vento dos fins de tarde e dos dias que a partir de agora são cada vez mais curtos, porque nestes tempos estranhos, nada é o que era.

A temperatura dizem que vai voltar a subir, o que deve ser do agrado de quem começou as férias ontem e de quem gosta de ir para o trabalho com roupas leves e curtas. Sim, Verão sem calor é outra coisa, que fica entre a Primavera e o Outono...

O porquê destas palavras vagas? Prometi a uma mulher que foi de férias ontem, que ia escrever sobre o "nada" no começo de Setembro.  

Atrasei-me só um dia...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


terça-feira, setembro 01, 2026

«Quem é que te disse que os livros são vendidos para ser lidos?»


Alguns leitores, assumidamente, não comentadores do "Largo" gostam de dizer coisas sobre o que escrevo, como foi o caso do "anónimo" da camisola azul que frequenta o café da praça. Não só teve o descaramento de acrescentar palavras sobre os livros, como o disse de uma perspectiva sobretudo comercial: «Quem é que te disse que os livros são vendidos para ser lidos?»

Pois foi... ninguém me disse. Mas é o que acontece, mais vezes do que pensamos. 

O "anónimo" da camisola azul, está cheio de razão... Desde que a Feira do Livro se tornou um "hiper-mercado", até mesmo os leitores de livros acabam por comprar ainda mais livros, que sabem que nunca irão ler. 

São apenas os livros que gostavam de ler um dia...

A "febre" do consumismo é isto... leva-nos sempre a comprar coisas, que não nos fazem falta, nem mesmo na nossa cabeça. 

Pois é, nada escapa a esta vontade de vender e de comprar destes tempos, nem mesmo os livros...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)