Mas mesmo assim achei que não podia perder esta "caricatura" de bairro, desenhada com tanta perfeição.
Falava-se de qualquer coisa na mercearia, e uma das senhoras dizia, "fale com a Tânia, que ela sabe", repetiu isto umas três vezes até que uma senhora, que tal como eu, pertencia ao clube dos "incautos" e "ignorantes" do lugar, curiosa, perguntou quem era essa tal de Tânia. A mulher que falava pelos cotovelos sorriu e esclareceu o assunto numa penada:
«E esta? Claro que sabe quem é a Tânia. Não conhece você outra coisa!» Sem que deixasse que alguém a interrompesse, virou-se para mim e disse: «É a loira que mora na rua deste senhor.» E depois concluiu, «Ela é a mulher mais bem informada do bairro. Como tem o cabelo amarelo e é avantajada de carnes, houve alguém com olho que a batizou, e muito bem, de Tânia Laranjo.»
Gargalhada geral. Até eu que não apreciava o estilo, conhecia esta "peça principal" do jornalismo de faz de conta do "Correio da Manhã"...
(Fotografia de Luís Eme - Almada)

Faz lembrar aquela rábula do Herman José - É melhor perguntar ao Nuno Rogeiro, ele sabe tudo! 😀
ResponderEliminarAbraço
Se fosse merceeiro, podia ter um blogue só com as aventuras dos clientes e da loja, Rosa. :)
EliminarSou mesmo azarado, não tenho bairro, muito menos mercearias e tanias na rua onde moro.
ResponderEliminarO mundo antigo tinha algumas coisas divertidas.
Quem gosta de morar em lugares demasiados modernos, perde muitas coisas que não cabem dentro dos telemóveis. :)
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