Tudo isto para dizer que o que está acontecer no futebol, com Ruben Amorim, não tem qualquer comparação com a Cultura, porque neste desporto as coisas estão bem legisladas em relação à profissão de treinador. Mas mesmo assim há sempre alguém que "fura as regras" (os dirigentes continuam a achar que "podem fazer tudo", até contratar treinadores sem habilitações...), com a conivência das instâncias superiores.
Numa primeira análise, quase todos temos a tentação de ficar do lado de Ruben Amorim (por ele ser muito bom...) e do Sporting. Mas as coisas não são assim tão simples.
Eu percebo quais são os objectivos da Associação de Treinadores de Futebol em todo este processo: ela pretende acabar, de uma vez por todas, com as ilegalidades cometidas por alguns dirigentes, que contratam treinadores sem a formação adequada, como adjuntos, embora toda a gente saiba que serão eles os técnicos principais das suas equipas...
Embora se trate de uma acção pouco popular, e o Ruben Amorim esteja a ser usado como "bode espiatório", a Associação de Treinadores apenas pretende tornar o futebol mais transparente, acabar com algo a que os órgãos de decisão da Liga e da Federação têm fechado sistematicamente os "olhos".
Claro que esta Associação podia, e devia, ter agido há muito mais tempo (estas "chico-espertices" duram há pelo menos uma década) e não ficar à espera que um excelente técnico, mesmo "não habilitado" - e sem uma equipa de "milhões" -, esteja cada vez mais perto de ser o próximo Campeão Nacional.
(Fotografia de Luís Eme - Almada)