sábado, fevereiro 20, 2021

Uma Manhã com Saudades da Obsessão pela Escrita e pelas Palavras...


Escrevi o meu único romance há mais de 28 anos (no Verão de 1992...).

E sei porque razão não voltei a escrever nenhum livro de ficção, de "longa duração". Para mim é impossível ter uma vida normal e escrever romances.

Sei que há mais que uma definição do romance, tal como há várias formas de escrever romances. É também por isso que existem bons romances, médios romances e maus romances.

O romancista não é um operário fabril, as palavras não podem, aliás, não devem, ser escritas a metro. Apenas por que sim.

Todas estas palavras porque hoje de manhã cedo, pensei na falta que sentia de uma "terceira mão" para voltar a escrever um romance... e de um lugar onde pudesse estar sozinho, apenas entregue aos meus sonhos e pesadelos.

De uma forma ocasional descobri antes do almoço uma frase de Maria Velho da Costa, que explica um pouco como a "coisa funciona": «O conto é um repouso. O romance exige uma total dedicação. Entra-se num estado de obsessão de tal forma que vamos na rua e temos necessidade de tomar nota de uma ideia que passa pela cabeça. Há uma ferocidade com o romance, uma avidez na construção ficcional.»

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


2 comentários:

  1. De quem olha as capas, mas acima de tudo o que se escreve, de quem se espanta pelos que escrevem romances, e ele que tanta dificuldade tem em arranhar um textinho. Sempre esteve cheio de palavras dos outros, nunca as dele. Os conselhos inúteis que ele gosta de dar: - Luís atreva-se a um romance, atreva-se mesmo. Sabe, pelo exemplo dos outros, o que isso custa. Lembra o trabalho no romance (ele dizia que eram ensaios) de José Saramago que tanto admira, mesmo sabendo que nem só escreveu grandes livros, não esquecendo José Rodrigues Miguéis, de que também tanto gosta, que escreveu para sobreviver e deixou-nos obras notáveis conseguidas num estuporado exílio novaiorquino, onde nem sequer havia cafés, cafés que ele teve em Lisboa, em Paris, nunca em Nova Iorque.
    Percorrerá o Largo, esperando o dia em que o Luís lhe dirá: - escrevi a primeira palavra do novo romance.

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    1. Acho que também ainda não tive a "vontade" de voltar de corpo inteiro ao romance, Sammy.

      Não é só culpa da "vida", nós próprios deixamo-nos enredar em várias teias de "contradições". :)

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