Tantas vezes que nos apetece fugir dos acontecimentos...
Como se fosse possível apagar a memória com uma "borracha"...
Sei que a televisão gosta de se transformar num produto tóxico, quando acontece algo que entra dentro de nós pelo olhar e revela toda a nossa fragilidade.
Sei também que graças ao cabo "podemos fugir do mundo", escolher uma série ou um filme. Mas acontece, que, de repente, perdemos a vontade de fazer "zaping" e ficamos por ali, presos ao sofá, incrédulos, sem perceber muito bem no que nos transformámos. Mesmo que transmitam pela centésima vez a mesma imagem, usem as mesmas palavras, ao espreitarmos a janela, percebemos que não sabemos quem vamos encontrar depois da esquina...
Mas baixar os braços e fugir da rua não adianta nada. Além disso a memória e a imaginação são livres...
É ela que me diz que somos a pior espécie que habita neste planeta. Mesmo dotados de inteligência, raramente aprendemos com os erros que cometemos. Além de destruirmos tudo aquilo que nos cerca, somos cada vez melhores a dar cabo de nós próprios.
Isso reflecte-se em tudo, até nas nossas escolhas políticas. Não é por acaso que os mentirosos e os fantasistas são normalmente os nossos eleitos.
Talvez seja mesmo cíclico e dentro de pouco tempo surja das trevas do Oriente, o "IV Imperador", ainda mais impiedoso que o alemão que também fingiu querer purificar o mundo...
O óleo é de Emile Bernard.










