sábado, dezembro 31, 2022

Mentir para Quê?


A pergunta do título serve para todos nós. Mente-se muito, talvez nunca se tenha mentido tanto como nos nossos dias, porque os acontecimentos quase que nos conseguem ultrapassar e nem sempre conseguimos enfrentá-los e reagir da melhor maneira.

Claro que não pretendo desculpar ninguém, muito menos o Costa, o Pedro Nuno, o Medina ou a Alexandra, por já serem crescidinhos e saberem que os lugares que ocupam não se compadecem com "enganos", "distracções", "descuidos" e outras palavras, utilizadas para esconder "mentiras".

Talvez eles gostem de brincar com "bolas de neve", cada vez mais volumosas...

Normalmente quando mentimos, tentamos enganar-nos a nós próprios. Tentamos criar uma ilusão que nos ajude a reduzir o efeito de nossa falha nos círculos mais próximos.

Foi por isso que gostei de ouvir Roger Schmidt, não por ser alemão, mas por tentar ser honesto (algo que todos devíamos fazer, especialmente os "costas"...), mesmo depois de ser derrotado.

Não tenho qualquer dúvida que Jorge Jesus ou Sérgio Conceição eram incapazes de dizer, depois de uma derrota, que o adversário foi melhor e mereceu ganhar. Roger disse-o, sem se esconder atrás de nenhuma palavra...

Era bom para todos nós, que em 2023 se mentisse menos. Especialmente as pessoas que exercem cargos de maior responsabilidade, não nó no nosso País, mas no Mundo inteiro.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, dezembro 30, 2022

Primeiro Estranha-se, depois Entranha-se...


Já dizia o nosso poeta maior, quando lhe fugiram as mãos para a publicidade, que "primeiro estranha-se, depois entranha-se..."

Todos os benfiquistas sabiam que um dia iria acontecer, mas queriam que fosse tarde ou nunca ("nunca" que podia ser na próxima época...). E aconteceu, há menos de uma hora, em Braga. E logo por três a zero.

Não tem nada a ver com a história de "murros no estomago", mas que nos revolve as "entranhas", revolve.

Já me tinha acontecido o mesmo com o Caldas, que ainda por cima perdeu dois jogos seguidos. Mas a equipa da minha "cidade natal" tem algumas peculiaridades, a principal é ser a mais "amadora" de todas as que participam na Liga 3, com a maior parte dos jogadores a terem um emprego e a treinarem ao fim do dia, coisa que quase parece dos campeonatos distritais.

Foi por isso que um amigo, adepto do V. Setúbal, antes do jogo com o Caldas me disse, meio a sério, meio a brincar: «O que é que vocês andam aqui a fazer? Isto não é para meninos.» E não é mesmo para meninos, foi por isso que o Caldas derrotou o Vitória e este meu amigo teve de "meter a viola no saco" e ir dar música para outra freguesia. Quando me voltou a ligar, foi capaz de me dizer que a "minha equipa" parecia uma equipa da primeira a jogar futebol.

Só que o Benfica não é o Caldas, ou seja, não se pode dar ao luxo de perder dois jogos seguidos. Não pode mesmo, apesar de a matemática dizer o contrário, porque se voltar a perder continua no primeiro lugar do campeonato, com dois pontos de avanço. 

Pois, poder pode, mas não deve...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quinta-feira, dezembro 29, 2022

O Adeus ao Verdadeiro Rei...


Pelé deixou-nos hoje.

Ao contrário de Maradona, Ronaldo Nazário, Messi ou Cristiano Ronaldo, Pelé foi considerado o "melhor futebolista de todos os tempos", enquanto andou a espalhar magia pelos estádios de futebol do mundo inteiro.

E isso não aconteceu por falta de concorrência. Foi contemporâneo de Eusébio, a nossa "pantera negra", e também de Johan Cruyff, que chegou a ser apelidado do "pelé branco", que também foram extraordinários futebolistas e fazem parte da história do "Desporto-Rei".

Não sei se a elegância, a beleza e a espectacularidade dos gestos técnicos de Pelé se ficaram a dever ao facto de o futebol do seu tempo ser mais lento, sei que nunca existiu um futebolista tão completo como ele. Usou os dois pés e a cabeça como mais ninguém, na arte de marcar golos.

É provável que se o futebol fosse uma disciplina do circo, Maradona e Messi, o suplantassem, mas só mesmo na "arte circense", com dribles para todos os gostos e outros truques que arrebatam plateias.

Mas não é.

E é por isso que não tenho qualquer dúvida que Pelé foi, e é, o verdadeiro Rei do "Desporto-Rei".

(Fotografia de autor desconhecido)


quarta-feira, dezembro 28, 2022

Resistências, "Partilhas Selvagens" e Ladrões


Estive quase a cometer o erro de escrever sobre o telefonema que recebi a meio da manhã. Mas depois achei melhor não.

Embora concordasse, que o meu amigo também é, de facto, um resistente. 

Quando alguém que é "roubado", sistematicamente, não desiste ou "põe trancas na porta", optando por continuar a "oferecer" mais textos e fotografias, aos habituais "amigos do alheio", pode ser olhado como um resistente, sem qualquer dúvida (também podia ser parvo, mas não é o caso...).

Ela disse-me que aquilo não era bem um roubo, porque o nosso amigo comum continuava na posse dos seus escritos e das suas imagens (percebi que lhe apetecia chatear-me...). Percebi isso quando falou da minha "embirração" pelo facebook. Foi quando me lembrei de lhe dizer que se calhar estava certa, eram "partilhas selvagens" e não roubos...

Num dos comentários o Sammy recordou uma frase do poeta Pina sobre a literatura ser uma arte de ladrões que roubam ladrões (e como tal com muitos anos de perdão...). Falando mais a sério, penso que o grande poeta e cronista do Norte, não falava de forma literal, apenas queria dizer que todos aqueles que escrevem são influenciados pelos escritores e pelos livros que gostam (mesmo sem darem por isso) e que a originalidade é uma palavra quase utópica.

Do que eu não tenho dúvidas, é que duas pessoas terem a mesma ideia é uma coisa diferente de se "copiar" uma ideia alheia...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, dezembro 27, 2022

Indignado mas Presente (no mundo virtual)...


Um amigo desabafava estar farto que lhe "surripiassem" fotografias e palavras do facebook e as publicassem como se fossem da sua autoria, sem qualquer referência ou citação. Há mais de um ano já tinha ouvido algo do género. Mas ele ali estava, indignado mas presente no mundo virtual.

Éramos quatro. Em vez de nos mostrarmos incomodados, sorrimos, por motivos diferentes. Eles por andarem por outros lados há algum tempo e terem deixado esta rede social quase ao abandono. Embora não o dissesse, fiquei com a sensação que era o único que sorria por desconhecimento, por me ter conseguido manter "fora do mundo" nesta quase dúzia de anos.

Falou de um fulano qualquer, que era useiro e vezeiro em rapinar fotografias, ao ponto de o "obrigar" a criar uma marca d' água nas fotografias que eram mesmo suas. Mas o que mais o chateava era copiarem exactamente as mesmas palavras que escrevia, nem se davam ao trabalho de mudar a parte inicial do texto.

Felizmente ou infelizmente, todos levaram aquele desabafo para a brincadeira. Ninguém quis discutir o assunto com alguma seriedade. Eu pensei em várias coisas, mas fiquei-me pelos pensamentos... Continuava com alguma dificuldade em perceber como é que alguém insistia em ficar num lugar, onde lhe "roubavam" coisas e a generalidade das pessoas fingia que "não se passava nada"...

Pois é, parece que por ali, o "crime compensa", não existe nenhum xerife texano a pôr "ordem na rede".

Havia alguma sobranceria na forma como ele se expressava. Foi por isso que comecei por pensar que como todos os que estávamos naquela mesa éramos criativos, não nos passava pela cabeça que existissem pessoas incapazes de escrever uma frase da sua autoria com sentido, com princípio, meio e fim. Embora isso não desculpasse nada nem ninguém...

Mas foi a parte do "crime" que ficou na minha cabeça. Com algum exagero comecei a pensar, que talvez esta "lei da selva" que começa a vigorar na sociedade seja importada destes lugares, onde a "ignorância atrevida" vai ditando as suas regras, com o beneplácito de todos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, dezembro 24, 2022

Um Dia não são Dias...


Embora a história destes últimos tempos os tenha reduzido, uma das melhores coisas do mundo continuam a ser os amigos, com quem se pode falar de tudo. Até é possível troçar do Pai Natal e tudo, nestes tempos já de si apressados em que se corre um pouco mais, pelo menos durante um dia ou dois...

De Jesus todos sabíamos a história, da fuga, do nascimento quase acidental num curral, daí a companhia do burro e vaca... Também imaginávamos que a estrela e os reis magos apareceram depois, graças a um contador de histórias, dos bons, que quis aproximar ainda mais este nascimento dos céus.

Agora sobre o velho das barbas brancas e da corrida às compras, acabámos por chegar a acordo que tinha sido uma criação de algum capitalista espertalhaço, daqueles que até quando dão pontapés nas pedras, descobrem uma oportunidade de negócio. 

Mas andámos por outros lados, esquecidos do vermelho da coca-cola, inspirados nas pessoas que quase corriam à nossa volta, e que sim, até tinha sido uma criação feliz. Nem sequer parámos na patranha de que devia ser natal todos os dias. Se o fosse, deixava de ser Natal...

Apaziguados pela época, nem sequer criticámos o presidente da República, que nesta quadra gosta de servir refeições àqueles que a única coisa que têm é a rua. Estávamos tão embebidos pelo espírito natalício, que se ele aparecesse por ali, até éramos capaz de tirar uma "selfie" para a sua colecção. 

Como o Carlos disse, se perguntássemos a todos estes rapazes e raparigas que vivem ao deus dará, se estão de acordo com estas refeições natalícias, a maioria dizia que sim, porque um dia não são dias... Eles sabem que é melhor um que nada...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, dezembro 22, 2022

O Regresso da Água aos seus Cursos Naturais


Se na cidades - devido à acção humana - é impossível devolver à água aos seus cursos naturais, o mesmo não acontece nos campos, onde além da subida dos leitos dos rios (alguns praticamente secos no Verão passado...) "nascem" ribeiros quase em todas as encostas, oferecendo-nos um espectáculo único, com pequenas e grandes cascatas de água.

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


terça-feira, dezembro 20, 2022

O Não aproveitamento dos nossos Melhores...


Cada vez se aproveita menos a qualidade humana de todos aqueles que fazem a diferença no nosso país. Isso acontece porque o poder está entregue a uma hierarquia partidária (que vem dos "jotas"...), que valoriza mais a amizade e o compadrio, que a competência e a inteligência.

É por isso que não nos deve espantar que eles fiquem agradados quando os nossos melhores jovens emigram, são menos "sombras" incómodas que circulam à sua volta.

Claro que tudo isto depois acaba por ter um preço: somos cada vez mais governados por um pequeno grupo de políticos medíocres e incompetentes (crescem como cogumelos no PS e no PSD...), que baseiam toda a sua prática política na demagogia e nas promessas que sabem que nunca irão cumprir.

Quando penso nos portugueses extraordinários, que apesar dos mil e um obstáculos que tiveram de enfrentar, ainda conseguiram deixar obra, quase sempre devido à sua teimosia, não posso deixar de me curvar com a devida vénia.

É impossível passar ao lado de um Gonçalo Ribeiro Teles, que se tivessem feito um décimo de tudo aquilo que ele sempre defendeu em termos ambientais (ainda antes de de falar das "alterações climáticas"...), não teríamos o flagelo cíclico dos incêndios nem das cheias com esta dimensão...

Felizmente houve um caso de sucesso, que foi o João Bénard da Costa, que conseguiu fazer um trabalho fabuloso na Cinemateca, rodeando-se de óptimos colaboradores. É a excepção que confirma a regra. E só foi possível porque a Cultura que tem menos holofotes à sua volta (e dá trabalho...), está longe de ser um lugar apetecível. Ou seja, pôde ir sempre fazendo coisas, apesar dos limites orçamentais.

E depois existem os chamados "espíritos livres", cujo talento se expande para fora das nossas fronteiras, ao ponto de se tornarem maiores que o próprio país. Estou a lembrar-me de três personalidades: Manoel de Oliveira, José Cutileiro e Álvaro Siza Vieira (felizmente o arquitecto ainda está entre nós...).

Mas neste pobre país, governado pelos Silvas, pelos Costas, pelos Almeidas, pelos Sousas, pelos Coelhos e outras espécies rasteiras, não há espaço para quem seja capaz de pensar pela sua própria cabeça e tenha talento para encontrar soluções, para os tais problemas com décadas, que quem governa finge querer resolver...

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)

 

segunda-feira, dezembro 19, 2022

Tanto Menosprezo pela nossa Dignidade...


De vez em quando, aparece alguém a falar com alguma seriedade sobre este nosso Portugal, tão avesso a reformas e a ordenados normais (ou são muito altos ou muito baixos...).

Não sente dificuldade em dar duas ou três dicas sobre o que é preciso fazer para mudar, para crescermos sem truques. Os políticos fingem ouvi-los, mas não passa disso mesmo, de um fingimento.

Se há coisa que eu não consigo perceber, é porque razão é que os democratas nunca se libertaram do "paternalismo salazarista", que sempre se foi conseguindo manter à tona de água, para agora "flutuar" com serenidade no seio da sociedade, como se fizesse parte da "mobília".

É também por isso que cada vez tenho menos respeito pelos políticos portugueses, que passam o tempo a reduzir a cacos a dignidade do nosso povo. 

Apesar de saber da teia de interesses que rodeia toda a "indústria" de mendicidade, não consigo aceitar que não se faça nada para reduzir o número de pobres no país. Pelo contrário, nos últimos anos faz-se tudo para que eles sejam cada vez mais, e estejam também cada vez mais dependentes deste sistema vicioso e viciado, que contraria todas as ideias sobre crescimento e progresso.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

domingo, dezembro 18, 2022

Fingir Desconhecer a Palavra Civismo...


Nestes dias que antecedem o Natal é normal existir mais confusão de trânsito que no resto do ano. Mesmo com a inflacção, a correria tonta à procura de prendas é a mesma de sempre.

E foi por causa das compras, que eu estava ali parado, dentro do carro, bem estacionado, porque entretanto alguém deixara um lugar vago. Esperava e desesperava para que "ela chegasse" com as mãos cheias de sacos...

Quase a meu lado uma mulher jovem buzinava há já um par de minutos, porque alguém a encurralara com o carro e fora às compras, com a maior desfaçatez. Algum tempo antes houve outro alguém que também me tentou "prender", mas eu buzinei, e ele lá foi "tapar outro carro" nas redondezas, de preferência sem condutor...

Entretanto o homem chegou e em vez de pedir desculpa à jovem pelo incómodo, começou a insultá-la, por esta ter demonstrado o seu desagrado, educadamente, por ter de ficar ali presa, há já uns bons cinco minutos. 

Eu achei tudo aquilo surrealista, embora fosse mais normal do que poderia parecer, vindo de quem vinha o insulto.  O sujeito era de etnia cigana e devia passar o tempo fingir que desconhecia o significado da palavra civismo, quando circulava pelas ruas da cidade.

Acabei por ficar a pensar, que ainda bem que era uma mulher que estava ali, a afastar-se com o carro. Ela não só não voltou a dirigir a palavra ao "selvagem", como foi capaz de fingir que ele não existia. 

Se fosse um homem não ia reagir assim e acabaria por haver confusão, com toda a certeza pouco natalícia...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, dezembro 16, 2022

Os Chapéus (pequenos) e a Chuva...


Não gosto muito de guarda-chuvas, apesar de reconhecer a sua utilidade em dias fartos de água, como os destas duas últimas semanas.

É uma coisa de sempre. 

Como sempre fui muito distraído, desde os tempos de escola que o normal era esquecer-me deles, aqui e ali, assim que aparecia o sol. 

É por isso que dou preferência aos chapéus "malabaristas", que conseguimos reduzir quase ao tamanho de um palmo e podem ser guardados no bolso. 

O único problema é a sua fraca resistência aos ventos que sopram tanto do Sul como do Norte...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, dezembro 14, 2022

Empurrão Daqui mais Empurrão Dali e...


Uma das coisas que me fez mais confusão no jogo de ontem entre, a Argentina e a Croácia, foi ouvir o relatador da RTP - em directo - a dizer que "O futebol já deve um Campeonato do Mundo ao Messi".

Depois de todos os "zuns-zuns" de que a FIFA e os organizadores locais do Catar, apostam todas as fichas na vitória da Argentina de Messi no Mundial, com várias polémicas e comportamentos, que deixam muito a desejar, como o dos jogadores do pais das "pampas" após o final do jogo com a Holanda.

E é muito estranho que ninguém tenha prestado muita atenção às declarações de Pepe no final do jogo com Marrocos, quando se referiu à má arbitragem do árbitro argentino e à sua nomeação. Críticas que têm toda a razão de ser. Por muito bom que seja, nenhum árbitro dos países apurados para quartos de final deveria apitar jogos. E isto deveria fazer parte dos regulamentos.

Sempre me incomodou que a arbitragem tenha o mesmo comportamento nos estádios que a Igreja tem na sociedade: está sempre ao lado dos mais fortes e poderosos.

Gostaria de poder dizer ao relatador da RTP que isso do merecimento não existe no futebol,  e que os jogos ganham-se dentro do campo, nem sempre pela "melhor equipa", mas pela "equipa mais objectiva e eficiente". Ou seja, aquela que consegue meter mais bolas na baliza adversária.

E outra coisa, se há alguém a quem o futebol não deve nada, é a Lionel Messi (além de ter ganho muitos milhões, é provável que tenha ainda uma ou outra bola de ouro a mais lá por casa...).

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)