sexta-feira, novembro 02, 2018

O Mau Teatro Português (e o dos Outros...)


Um texto publicado no "D. Notícias" assinado por Maria João Caetano sobre a peça "Worst Of" do Teatro Praga fez-me pensar nestes tempos, e também sentir curiosidade, e querer ver o espectáculo.

Segundo a jornalista, os actores dizem estas coisas:

«Não quero nada disto. Cheira mal, faz-me mal. E ainda por cima faz-me sentir vergonha", diz a actriz São José Correia. "E não é só do século passado, é de agora. Está a acontecer agora. É tudo tão triste", acrescenta o actor Rogério Samora. "Isto devia acabar tudo. O pior é que fica." E ainda falta entrar a mais veterana de todas, a actriz Márcia Breia, bradando: "Que merda. Isto é uma grande merda." De que falam? Do teatro português. Do mau teatro português.»

Eu não sei muito bem o que é o mau teatro português. Claro que percebo que a utilização de peças dos três portugueses, que são considerados os nossos grandes dramaturgos (Gil Vicente, Almeida Garrett e Bernardo Santareno), no mínimo pode ter várias leituras (além de serem mais fácil de "usar"...). O que sei, é que os nossos encenadores usam e abusam de textos estrangeiros, e muitos deles, são como a Márcia Breia "brada"... e pior, não têm nada a ver connosco.

Este também era um bom tema para uma peça, brincar com os nossos "teatreiros estrangeirados", que devem ter gatas em casa que tocam piano e falam francês...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, novembro 01, 2018

A Boa da Sabedoria Popular...


A sabedoria popular ajuda-nos, não a encontrar explicações para o inexplicável, mas a relativizar o nosso quotidiano, quase sempre de uma forma irónica e metafórica.

Claro que quando diz que "não há mal que sempre dure", esquece-se de muita gente, que vive "num autêntico calvário" diário, gente que nem sequer consegue fingir-se feliz, se esquecermos esse turbilhão a que chamam Natal (nesta quadra surgem sempre uns milhares de beneméritos, inesperados, inclusive as senhoras das revistas, que colocam aventais para a fotografia e para a televisão, quando estão a "cozinhar" ou a "servir" os pobrezinhos...).

Natal que já anda por aí nas montras, nos anúncios publicitários e nas cabecinhas de muitas pessoas...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, outubro 30, 2018

Uma Tribo Especial...


Os surfistas são mesmo uma "tribo" especial. 

Visitam o Oceano de Janeiro e Dezembro, sem se preocuparem muito se é Verão ou Inverno, se chove ou faz sol. O que querem é entrar no mar e ficar por ali, à espera das ondas, boas, más e assim-assim...

Embora a Costa não seja a "capital do surf", tem vantagens em relação às praias mais badaladas, não tem um mar tão ruidoso e violento, como os da Ericeira ou de Peniche, por exemplo...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, outubro 29, 2018

O Dia Seguinte...


Acho ridículas todas as tentativas de nos querermos "transvestir" em brasileiros, e pior, querer comandar as suas opiniões e vontades.

E como não frequento as redes sociais, estou longe de conhecer as maiores bizarrices, que se disseram nos últimos dias.

Como amante da liberdade, continuo a pensar que todos os povos são livres de escolher os seus governantes, mesmo que estes tenham tiques de "ditadores" e consigam dizer as coisas mais estúpidas e absurdas, com o ar mais sério do mundo. E nem é aquela coisa, de se mereceram uns aos outros.

Provavelmente nós portugueses, também não merecíamos ter tido Cavaco Silva como primeiro-ministro e presidente da República durante duas décadas... e tivemos.

O mais grave disto tudo, é não percebermos o que aconteceu no Brasil, nos últimos anos, até se chegar a uma situação destas... Não percebermos que os brasileiros se sentem mais inseguros que nunca, com a violência que alastra nas ruas; e que se sentem mais indignados que nunca, pela onda de corrupção que invadiu todas as instituições, públicas e privadas.

À distância de um Oceano, largo e tempestoso, sei que preferia que a democracia triunfasse no Brasil. Tal como alguns anos antes, tinha desejado que o mesmo acontecesse no EUA. Mas eu sou português. só voto em Portugal (e sou daqueles que voto sempre, por mim e pela memória do meu pai e dos meus avós...).

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, outubro 28, 2018

(Memórias & Invenções Sobre a Beira Baixa)


Deixo hoje mais algumas transcrições do conto que escrevi, para a antologia, "Contos do Portugal Profundo", onde as memórias abraçam a imaginação... E onde se descobrem pequenas coisas deste nosso Portugal, quase esquecido...

«[...] Quando olhou para o Olival, que quase se perdia de vista, recordou-se que o pai guardava sempre uma semana de férias no mês de Outubro para voltar à Beira. Antes da chegada do Inverno vinha ajudar os tios na apanha da azeitona. Nunca falaram sobre isso, nem sobre tantas outras coisas… Poderia gostar de sentir o tempo a arrefecer perto da Serra, como acontecia na sua meninice, ou então, de continuar preso à tradição familiar do fabrico do azeite. Provavelmente eram as duas coisas…
Tinha saudades dele. Dos seus silêncios, do seu sorriso suave e sobretudo da força que transmitia, apenas com o olhar. Nunca falara disso com ninguém, nem mesmo com o irmão, muito menos com a mãe.[...]»

«[...] Sentia que a pequena localidade tinha regredido muito, tal como acontecera com tantas terras do interior, nas últimas décadas. A taberna, que agora era apenas café, tinha perdido o atractivo de ter a seu lado a mercearia, onde se podia comprar um pouco de tudo, como ainda acontece nos bairros… O facto de antes ter dois mil habitantes e agora ter menos de quinhentos não pode explicar tudo. Até porque o meu milhar de pessoas que mantêm viva a aldeia, além de estar mais envelhecido e limitado de movimentos, continua a ter de comer todos os dias… [...]»

«[...] Quando voltou para dentro aproveitou para se espreguiçar, ao mesmo tempo que olhava à sua volta. A cozinha tinha apenas a mobilia indispensável, assim como a sala e os quartos. Gostava daquela ausência de inutilidades que vamos juntando ao longo da vida. Era bom a casa não ser de ninguém em especial, pertencer sobretudo a quem chegava, que trazia os seus livros, os seus discos e as suas roupas, que depois levava de volta… [...]»

«[...] As fotografias e os nomes foram lhe recordando pequenos episódios, quase sempre positivos. Percebeu que estavam por ali várias pessoas que tinham acabado os seus dias nas cidades, mas por tradição, ou por outra coisa qualquer, quiseram que os seus corpos desaparecessem no mesmo lugar onde tinham nascido, rente aos campos da Beira.
Havia tios e primos que nunca conhecera fisicamente, mas de quem sabia várias coisas das suas vidas, algumas de forma quase lendária, como o Tio Firmino, que morrera novo e diziam ser o maior jogador do pau das redondezas, um autêntico “malhadinhas” do Aquilino. Era comum virem à aldeia desafiá-lo e normalmente saiam de Alcobar, derrotados e cabisbaixos.
Recordou o tio João, um homem alto e bonito, o único que tinha olhos azuis da família, vá-se lá saber porquê. Tinha algo de imperial, como se tivesse existido na família qualquer mistura de “sangue azulado”.
A última morada do bisavô Francisco elevava-se um pouco acima das outras, provavelmente, como reconhecimento da aldeia pelo seu papel activo na defesa da comunidade, ao exteriorizar com tanta energia a importância da água para todos.
Estupidamente lembrava-se mais dos homens que das mulheres da família. Foi por isso que quando descobriu o retrato da tia Isabel, que lhe oferecia uns bolinhos secos deliciosos, reviu-a com gosto. Sorriu ao recordar a sua figura anafada, brejeira e com um andar quase dançante. Agora achava piada ela enchê-lo de beijos quando se víam, na altura nem por isso. Sorriu ao recordar que os beijos lambuzados, eram uma especialidade de quase todas as mulheres da aldeia, especialmente as de mais idade, que o abraçavam e chamavam “filho da minha alma”… [...]»

«[...] Sempre achou graça à diferenciação de sexos assumida na aldeia, até pelo padre e pela igreja. Elas iam rezar para a missa e eles beber do corpo de cristo na taberna do Alfredo.
As coisas não mudaram assim tanto, na actualidade o café continua a ser sobretudo dos homens. As mulheres passam por lá mas quase que não param. Bebem o café e vão para casa. São eles que passam ali as tardes de sábado e domingo a jogar às cartas e a beber minis. [...]»

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, outubro 27, 2018

(A Segunda Despedida à Francesa)


E agora a segunda e última despedida à francesa, que coincide com o fim da história...

«[...] Ao olhar para a paragem da camioneta de carreira, houve algo que lhe chamou a atenção. Aproximou-se e descobriu um cartaz teatral no mínimo curioso, que disputava o espaço publicitário com o anúncio descolorido de uma tourada do ano passado. Sem saber explicar porquê achou piada ao título da peça de teatro, “A Mulher que Falava com os Morcegos”. Podia ser apenas uma piada, mas pensou que era capaz de não ser má ideia aparecer por lá no começo da noite e conhecer esta personagem curiosa.
As sete pancadas de Molière anteciparam a entrada de uma actriz no palco, que descobriu que ia andar por ali, quase uma hora, a falar com as sombras…
O mais engraçado foi descobrir que o monólogo era interpretado por uma cara conhecida. Nada mais nada menos que a Eva, a “conversadora do café”. Embora a personagem se chamasse Laura e a actriz do cartaz fosse identificada como Cristina Nunes...
Não morria de amores pelo género teatral que ficava entre o absurdo e o intelectual, mas sentiu-se bem na sala. A espaços encontrou aquela magia que de vez em quando surge nos palcos. Acabou por ficar agradado, por que havia por ali uma autenticidade diferente, virada do avesso, com várias nuances, com a Laura a movimentar-se muito bem, quase como se estivesse num baile de máscaras.
Percebeu ao longo da quase uma hora, que ela era uma boa actriz.
E até tiveram um momento só deles, quando ela parou de representar por breves segundos.
Aproximou-se da ponta do palco, olhou para ele por mais de um segundo e sorriu. Depois fez um pequeno silêncio e disse, completamente a despropósito, apontando para cima: “Ele veio”… Embora estremecesse com a surpresa, fingiu o melhor que pôde, que não tinha nada a ver com aquele assunto. Os espectadores da plateia, por distracção ou desatenção, também de comportaram como se aquela frase curta fizesse parte do acto. E ainda bem.
No final houve muitos aplausos, Laura veio três vezes ao palco agradecer a generosidade do público beirão, que acabou a bater palmas de pé.
Se fosse numa outra cidade e numa outra vida, tinha passado pelo camarim, para lhe deixar flores e oferecer um sorriso, agradado pelo espectáculo e até pela pequena referência.
Mas preferiu imitá-la e fazer o que ela lhe tinha feito no café, nada mais nada menos, que o que alguém, para os lados de Paris, popularizara como “despedida à francesa”…»

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, outubro 26, 2018

(A Primeira Despedida à Francesa)


Como expliquei na resposta a um comentário, o conto que escrevi para o livro, "Contos do Portugal Profundo", é grandito. Mesmo assim resolvi ir ao encontro de duas frequentadores dilectas do "Largo", que mostraram interesse em ler a história, publico aqui os dois momentos que acabaram por contribuir para o título da ficção ("Despedidas à Francesa num Outro Portugal"). Um hoje. E outro amanhã...

«[…] Na Vila perdeu-se um pouco pelas ruelas, quase desertas, até que entrou num café, decidido a petiscar qualquer coisa. Um dos pratos do dia era ervilhas com ovos escalfados, algo que não comia há muito tempo. Não pensou duas vezes na escolha da ementa.
No final, quando saboreava o café, foi surpreendido pelo olhar vivo de uma mulher da sua geração, cujas rugas indiciavam que poderia ter um ou dois anos a mais que ele. Mas ela não se limitou a olhar, foi-se aproximando e fez-se mesmo convidada para um café, como se estivessem numa daquelas casas onde os homens pagam bebidas às mulheres.
Ao perceber que ele não estava com muita vontade de falar, fingiu não se preocupar e fez quase todas as despesas da conversa. Esperta, começou por o provocar e fazer sorrir, quando tentou certificar se o gato da vizinha Aurora também lhe comera a língua.
Disse ser uma Eva e quis saber quem era ele. Ofereceu-lhe o segundo nome, Manel, o que foi aproveitado para ela misturar logo um pincel na conversa, em mais uma tentativa de deixar mais à vontade.
Naquele momento não sabia muito bem o que pensar da mulher, com o tal nome original que alguns homens fingem acreditar, que foi uma criação por Deus… Mas era impossível passar ao lado da sua lata…
E ela lá continuou a falar sem parar. Queria saber coisas do homem que se ia tornando um mistério, por não lhe dizer praticamente nada do que lhe apetecia ouvir. Foi quando Eva lhe explicou que podia mentir, inventar uma vida, acrescentando que às vezes era uma boa maneira de se sonhar acordado. E sem deixar que a interrompesse afirmou que todos mentimos, todos escondemos alguma coisa. Foi quando ele sorriu de novo, por ser verdade e também por ter à frente uma mulher que parecia não desistir às primeiras às segunda e às terceiras.
Talvez fosse professora de filosofia, ou então psicóloga, daquelas que fartas de ouvirem as histórias dos outros, se resolvem libertar nos lugares mais insólitos e oferecer quase todas as palavras do mundo a desconhecidos.
Ela insistiu e foi ainda mais longe na descodificação que fazia da natureza humana. Falou do medo, da impotência, da solidão, da perda… Metia-se com ele, talvez por sentir que ele fingia não ser grande adversário, E era verdade. Naquele momento estava ali sentado, com a mesma sensação de estar a assistir a uma peça de teatro ou a um filme. E como sabia que o silêncio era de ouro nos momentos em que a arte se confundia com a vida, não perturbava nem um pouco o “monólogo” da Eva…
Numa última tentativa de lhe arrancar alguma coisa dos bolsos de dentro, onde se escondem os sonhos e pesadelos, Eva contou algo que, segundo as suas palavras, nunca tinha dito a ninguém. Pensava cada vez mais vezes que talvez tivesse sido melhor ter uma vida calma, de ser apenas mãe e dona de casa. Ter uma vida mais parecida com a da avó que com a da mãe, que também teve de trabalhar a vida quase toda fora de casa… E foi ainda mais longe. Olhou para outra mesa mais distante, com dois adultos e duas crianças, e falou-lhe de uma família, que poderia muito bem ser a sua, se…
 Foi o único momento em que se sentiu quase obrigado a dizer alguma coisa. Com um sorriso leve afirmou que adoramos desculpas, quando todos estamos sempre a tempo de mudar. Sem se deixar interromper, disse que a vida tem o condão de nos oferecer mais que um caminho, tanto podemos dar um passo em frente, dois para o lado ou um para trás.
Depois das suas palavras apareceu o silêncio. Os segundos que se seguiram pareceram minutos. Foi como se ele quebrasse a magia do “monólogo” anterior.
Foi neste momento que Eva fingiu ir à casa de banho e desapareceu.
Só dez minutos depois é que percebeu que ela não ia voltar… Ainda ficou por ali a pensar, pelo menos outros dez minutos, novamente com a máquina do tempo a fazer marcha atrás, e sem grande esperança de a voltar a olhar.
O mais curioso foi ter gostado de a conhecer, mesmo que soubesse que era provável nunca mais se encontrarem, em qualquer parte incerta, porque como lhe confessou, quando ensaiou a despedida, estava ali apenas de passagem. Depois ela desculpou-se, quase à homem, que ia fazer uma “mija” e já voltava.
Mas desapareceu…
Talvez fossem as suas palavras que quebraram a magia da conversa, comandada pela mulher, do início ao fim.
Foi acordado nas suas deambulações pelo olhar de uma outra mulher, que entrou à procura de alguém e saiu. Sorriu novamente, mais pelo presente que pelo passado, porque há muito que não o olhavam de uma forma estranha, e muito menos se faziam convidados para a sua mesa. [...]»

 (Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, outubro 25, 2018

Costa de Caparica, 25 de Outubro...


Hoje passei pela Costa de Caparica à hora de almoço e descobri que ainda há quem aproveite o bom tempo (que os meteorologistas dizem estar perto do fim...) para ir a banhos e se estender na toalha,  na tentativa de manter a pele com uma tonalidade mais viva e brilhante...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, outubro 24, 2018

A Apropriação das Memórias...


Tenho lido algumas críticas (quase sempre de militares...) a António Lobo Antunes, por ele ficcionar demasiado a Guerra Colonial. Outros ainda vão mais longe, e duvidam mesmo que ele, que foi médico militar, alguma vez tenha pegado numa arma, ou até tenha estado em contacto directo com o fogo inimigo.

Acho todas estas críticas patéticas e mentirosas. Sem precisar de lhe perguntar, tenho a certeza de que pegou em armas, assim como esteve presente em situações de combate.

Mas mesmo que isso não tivesse acontecido, reconheço toda a legitimidade a Lobo Antunes para escrever sobre essa guerra estúpida (como são todas...). Ao tratar dos seus camaradas feridos em combate, sentia as suas dores e o feridas, um pouco como suas. É esse o espírito militar. E a união ainda se solidifica mais em situações dramáticas... 

E vou ainda mais longe, o escritor faz muito bem em se apropriar das memórias dos seus antigos camaradas, que sabem que têm nele, um extraordinário "porta-voz".

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, outubro 23, 2018

As Primeiras Imagens...


Estávamos em casa quando ouvimos a sirene dos bombeiros de Cacilhas a tocar. Passado alguns minutos voltámos a ouvir aquele som estridente. O meu filho disse que há muito tempo que não ouvia "aquela música" seguida.

E depois acabámos por conversar sobre o provável fogo ou acidente, que deveria ser grande. E também  sobre o profissionalização dos bombeiros, que faz com normalmente tenham homens suficientes no quartel, sem precisarem de ligar o  tradicional som de "chamamento" dos voluntários...

Graças àquele episódio acabei por viajar no tempo e contar-lhe as minhas imagens de criança dos bombeiros...

Era pequeno - ainda nem sequer andava na escola primária - e costumava ir diariamente com à minha mãe, de mão dada, às compras à Praça da Fruta das Caldas.

Quando ouvia a sirene e estávamos perto do quartel dos Bombeiros (à época no centro da cidade...), quase que a obrigava a levar-me até lá, para ver os carros de bombeiros a saírem, apressadamente, com os seus habituais sons de alarme.

Pelo caminho era normal cruzar-me com alguns bombeiros, uns a correr, outros de bicicleta, na direcção do quartel, para mais uma aventura, em defesa da comunidade.

E depois era ver os carros a abandonarem o quartel, rapidamente, enchendo a cidade de sirenes, com os bombeiros pendurados de qualquer maneira, uns já fardados e outros ainda a mudar de farpela...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, outubro 22, 2018

Estavas Ali para Ver a Banda Tocar...


Bem me parecia que não tinhas ido ao largo ver a banda passar. Até porque este ano não passou como nos outros anos pelas ruas de Almada (A PSP cobra uma nota preta pelas Arruadas na Cidade...).

Estavas sentada, mas para ver a nossa Incrível (e as bandas amigas, claro) tocar, na manhã de domingo, que até chegou a ameaçar chuva. 

Nada que te assustasse, muito menos aos músicos de Almada, Alverca e Aljustrel...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, outubro 21, 2018

Contos do Portugal Profundo


Escrevi assim na minha "Carroça":

«A blogosfera tem bastantes coisas boas. Uma delas é a interacção entre pessoas, que gostam das mesmas coisas que nós.
Alguns dos comentadores do blogue literário, "Horas Extraordinárias", de Maria do Rosário Pedreira (poeta e editora), pensaram (penso que a ideia inicial foi da Cristina Torrão...) na possibilidade de  se editar uma colectânea de contos, aberta a todos os "comentadores-escritores", interessados em fazer parte activa da obra.
O mote foi "Portugal Profundo", segundo a visão de cada um de nós.
Aceitaram o desafio: António Breda Carvalho, António Luiz Pacheco, Cláudia da Silva Tomazi, Cristina Torrão, João  J. A. Madeira, José C. Catarino, Luís Alves Milheiro, Maria do Rosário Pedreira e Pedro A. Sande.
E o livro já anda por aí e pode ser adquirido na Amazon.»

Posso acrescentar que o meu conto tem como título, "Despedidas à Francesa num Outro Portugal", onde misturo memórias reais da Beira Baixa com alguma ficção, como foram os dois encontros inesperados, que tiveram despedidas à francesa...