quarta-feira, junho 13, 2018

A Capacidade de Dizer Muito com Poucas Palavras...


Sempre gostei da capacidade de síntese dos poetas, de como são capazes de dizer tanto, utilizando poucas palavras.

Uma das nossas poetizas mais brilhantes, Sophia de Melo Breyner Andresen, tem poemas curtos, únicos, mesmo que  ela não pensasse na "poupança" que fazia das palavras, enquanto desenhava os poemas na sua cabeça...

Eu sei que há quem não concorde com este meu gosto. Ainda há pouco tempo tive de esgrimir argumentos com um quase "erudito das palavras bonitas", sem que chegássemos a qualquer conclusão. 

O que mais retive foi a importância que ele dava à "repetição", como se os poemas se resumissem a canções e precisassem de "reforços" para ficar a cirandar junto dos ouvidos das pessoas...

Felizmente os gostos podem-se discutir (ao contrário do que se diz por aí), mas não é por isso que mudam...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, junho 12, 2018

«Não estejas à espera de ética no amor»


Há homens que fingem perceber mais de amor que o resto da "matilha", por terem aberto e fechado muitas portas a mulheres.

Era por isso que aquele "belo exemplar" insistia para com o Pedro: «Não estejas à espera de ética no amor, já tens idade suficiente para não ser passarinho». Com o seu ar experimentado acrescentou: «resume-se tudo ao desejo e à paixão, e quanto mais acesa melhor.»

Eu sabia que o amor era como tudo na vida. A falta de ética, ou não, resumia-se apenas ao carácter de cada um de nós, mas preferi ficar em silêncio...

Mas a Cristina, cansada das entradas do "galã sem ética", trouxe para a mesa uma sua investida frustrada, com mais de vinte anos, quando ainda namorava o companheiro e ele tentou pôr-se no meio, pintando a manta do "amigo" da pior maneira possível.

E a sorrir continuou, dizendo que o amor era demasiado cego para pensar em coisas como a ética. E contou que à medida que ele escurecia o esboço do agora marido, ela descobria-lhe novos encantos, borrifando-se para a sua "música de serrote"...

Acabámos todos a sorrir, por descobrirmos que a "crista de galo" estava a desaparecer e também por percebermos que um bocadinho de "falta de ética" (as mulheres são melhores que nós a descobrir "carecas"...) nas conversas pode dar cabo de "muitas certezas"...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, junho 11, 2018

«Sei que escreve coisas...»


«Sei que escreve coisas...» 

Ela com esta frase curta sintetizou da melhor maneira a minha carreira literária.

Foi fazendo perguntas que eu respondia economizando as palavras, porque era um daqueles dias mais para pensar que para falar...

E se me fez pensar. Talvez  estivesse tudo errado... 

E claro que era vaidoso, por muito que me fingisse um simplório. 

Se fosse mesmo esse gajo simples que gosto de fingir que sou, limitava-se a escrever coisas em cadernos pretos ou sebentas, sem pensar nos outros. 

Cadernos que poderiam dar jeito para acender a lareira no Inverno, quando nos escasseiam os jornais na casa da Beira...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, junho 10, 2018

Portugal, Futebol e Telenovelas...


Hoje Dia de Portugal, com as Comunidades, o Camões e até a "Raça", a um pequeno passo, apetece-me escrever sobre o absurdo de toda esta "futebolização" televisiva, que consegue dar cabo da paciência a qualquer pessoa, por muito que goste de futebol.

Eu pergunto: será que os principais clubes (Benfica, Sporting e Porto) são assim tão importantes para a maioria dos portugueses, ao ponto de serem notícia em todos os canais televisivos noticiosos? Acredito que não. E vou mais longe, passávamos todos bem melhor sem termos de assistir, de "camarote", a todas estas misérias alheias.

É por isso que não percebo todo este "tempo de antena", muito menos a atenção que se dá ao "ditador de Alvalade", que ofende diariamente a inteligência de qualquer pessoa com as suas intervenções, até por normalmente não responder às questões que lhe são colocadas. Só por este pequeno grande pormenor, os jornalistas deveriam virar-lhes costas e deixarem-no a falar sozinho. Se gosta de discursar horas e horas para as câmaras (à boa maneira "fedeliana"), tem a televisão do seu clube, aliás, a única que recomendou aos sportinguistas...

Quem esteja de fora, deve pensar que anda tudo maluco. E deve questionar-se: como é possível perderem-se tantas horas, com insignificâncias, que não contribuem com nada de positivo, para o nosso país? Até porque há muito que  estes acontecimentos deixaram de ser tratados como notícias. São sim, meros "folhetins de telenovelas"...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, junho 09, 2018

As Minhas Visitas à Feira do Livro...


Este ano fui duas vezes à Feira do Livro, e como de costume, trouxe mais livros do que tinha planeado, inicialmente.

Da primeira vez fui lá quase de propósito à procura do livro de fotografias de Paulo Nozolino o segundo número da colecção Ph (publicado pela Imprensa Nacional).

Na segunda vez fui em busca da poesia de Rosa Alice Branco e da Cláudia R. Sampaio. E lá vieram outras coisas, por acréscimo (aquelas coisas que chamamos "pechinchas" e acreditamos ler um dia destes...).

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, junho 08, 2018

Coisas Perigosas (Quase Escondidas)...


Esta fotografia é apenas um exemplo das coisas dramáticas e perigosas, que quase não se vêem, porque estão ligeiramente distantes do "mundo", mas que existem "aos pontapés" neste nosso Portugal, de Norte a Sul.

Normalmente não são lugares de passagem. E por isso mesmo, não são assunto de conversa ou de crítica, não se fazem abaixo-assinados nem se faz "tremer o mundo" através do facebook...

Este cais completamente arruinado fica exactamente no Olho de Boi,  um quase "bairro" de antigos operários de Almada, à beira Tejo, rente às antigas instalações da Companhia Portuguesa de Pesca.

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, junho 06, 2018

Gostar de Palavras como "Descobrimentos"...


Sempre gostei de história e de "estórias". Isso explica em grande parte que tenha escolhido este curso no mundo universitário e que também já tenha alguma obra publicada, neste campo aberto, povoado de documentos e memórias.

Tenho acompanhado com alguma leveza a discussão em torno do "Museu dos Descobrimentos" (palavra que faz cócegas a muitos "puristas"...), que outros preferem que seja das Descobertas, da Expansão ou ainda da História de Portugal.

Mesmo sabendo que a história que nos ensinaram na escola até ao secundário estava muito ficcionada (alguns resquícios do Estado Novo ainda se mantiveram presentes algum tempo depois de Abril...), não nos devemos envergonhar do que fizemos há quinhentos anos, até porque o que ficou para o Mundo é bem mais importante que outros legados, que não nos deixam nada orgulhosos, como povo.

É por isso que gosto da palavra "Descobrimentos", pelo seu peso histórico e social. Nunca achei, nem acho, que seja necessário arranjar-lhe sinónimos (como "Achamento" ou outra coisa qualquer...), para agradar aos outros ou por Salazar ter usado e abusado tanto deste nosso passado mais glorioso, quase sempre em nome de um "império caduco" e não pela importância universal que tivemos como navegadores e "descobridores"...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, junho 05, 2018

A Meritocracia é uma "Treta"


Há muito boa gente que gosta de falar da meritocracia, como se esta fosse uma realidade do nosso país. Mas todos sabemos que nem precisamos de fazer muitas contas de cabeça, para recordarmos exemplos de que não passa de uma "treta", ou de um "tapa-olhos", para quem anda distraído.

Tanto no sector público como no sector privado da nossa sociedade, não faltam exemplos de gente que ascende a altos cargos, sem terem a qualidade que lhes deveria ser exigida. E muitas vezes utilizando os outros como "tranpolim"...

Claro que não estou a falar dos gestores, peritos em destruir empresas públicas, até porque podem ter sido escolhidos exactamente para esse fim...

Não deixa de ser curioso que o futebol (dá para tudo...)  também funcione como uma boa metáfora da "meritocracia". Digo isto porque uma das coisas mais curiosas que verifiquei neste defeso, foi o facto dos dois técnicos que desceram de divisão (Ivo Vieira no Estoril e João Henriques no Paços de Ferreira) já terem sido contratados por duas equipas da Primeira Liga (Moreirense e Santa Clara)...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, junho 04, 2018

Conversar Sobre a tal Vida que não Chega a Netos...


Eu limitava-me a escutá-la e a sentir o quanto era diferente das outras mulheres...

Estava preocupada porque se havia coisa que não queria, é que "a sua vida chegasse a netos". Nem sequer tinha educado os filhos para serem pais. Ia mais longe e dizia que os exemplos que ela e o pai deles deram, deviam ser suficientes para não serem patetas e não quererem mais infelizes neste mundo.

Eu mais uma vez estava ali, sem saber o que dizer. Até porque nunca tinha pensado verdadeiramente no assunto. Não me imaginava nem deixava de imaginar avô.

A única coisa que sabia é que neste país (que gostamos de chamar mundo...) estava quase tudo contra a "família", desde os governos dos ordenados precários e das rendas milionárias até às pessoas, que falavam cada vez mais com os dedos e com as imagens, que metiam dentro de mensagens, e menos olhos nos olhos (e como os olhos falam...). 

Gente que se estava a tornar quase escrava, de um tempo que nos parece estar a levar para a mais completa desumanização (sei que há a possibilidade de estar a perceber mal o filme...). 

O mais inquietante é que tudo isto está a ser feito de uma forma ligeira, mas bastante perversa...

Talvez ela tenha razão, e o vazio seja o futuro e estejamos a caminhar em direcção ao "nada"...

Mas a única conclusão que cheguei, é que não nos faz nada bem conversar com gente que já vive sem qualquer esperança, do mundo ou das pessoas...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, junho 03, 2018

O Descanso da Salete...


A "Salete" descansa no Olho de Boi, no cais da antiga Companhia Portuguesa de Pesca...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, junho 02, 2018

Distraídos do Óbvio...


Há sempre coisas óbvias que não reparamos, ou simplesmente, não ligamos...

Foi preciso ouvir aquelas duas mulheres quase jovens, indignadas, a contarem que era normal ver homens feios com mulheres bonitas, já o contrário, uma raridade...

Estava a beber café sozinho, na mesa atrás. Olhei-as com a discrição possível. Percebi que qualquer das duas estava longe de parar o trânsito. Mas tinham razão.

Talvez as coisas agora mudem, com os ventos de "Holywood" embora a publicidade não ajude muito e continue a usar e abusar da beleza feminina...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, junho 01, 2018

Um Cartaz Feliz...


Descobri este cartaz por acaso e gostei logo dele.

Não sei se é o mais indicado para um festival internacional de banda desenhada, em Beja, mas que é bastante sulista, é. Talvez até se aproxime do norte de África...

E se estiverem perto, passem pela Casa da Cultura e pelos lugares onde é possível festejar as histórias feitas com quadradinhos, com palavras dentro de balões...

O mais curioso, é que este desenho também tem algo de juvenil, quase quase a festejar o Dia Mundial da Criança.