Passa-se o mesmo com a paisagem humana, é por isso que conseguimos gostar e sentir empatia por pessoas diferentes... e ainda bem.
Pensei nisso quando o Carlos Alberto, com o seu olhar de nonagenário, de quem nunca casou nem teve filhos (embora tivesse dezenas de namoradas pela vida fora...), me perguntou se ainda vivia com a minha mulher. Disse-lhe que sim. Justificou a pergunta por nunca mais nos ter visto juntos...
Pois, ele estava longe de imaginar que no último ano a nossa vida se tinha alterado, ao passarmos a ter mais alguém em casa, que precisava de cuidados e não nos permitia andar por aí (pelo menos os dois juntos...).
Não fazia ideia que a nossa mudança de hábitos, involuntária, foi sentida pelos outros.
Já a caminho de casa, voltei a somar dois mais dois. Pouco tempo depois da pandemia, que nos tinha tentado roubar a rua, o Carlos encontrou-me com a minha mulher e quando me apanhou sozinho, perguntou se tinha casado de novo (não sei se foi por ele ter um penteado diferente, se por estar um pouco mais velha, mas ele viu nela "outra mulher"...).
Nas conversas sobre casais, já tinha percebido que lhe fazia alguma confusão os homens (como era o meu caso...), que eram capazes de viver uma vida inteira com a mesma mulher. O seu normal, era irem mudando, viver novas experiências...
(Fotografia de Luís Eme - Almada)

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