Uma mulher que ia mais apressada, ganhava vantagem em relação à meia-dúzia de pessoas que seguiam na mesma direcção. Foi quando uma das vizinhas, que seguia a passo quase lento, com todo o tempo do mundo para beber o primeiro café da manhã na esplanada, povoada de gente, que ainda gostava de conversar e de ler o jornal em papel, lhe lançou quase um grito, afirmativo, para a acalmar:
«Chegar atrasada não é faltar!»
Como coleccionador de frases do quotidiano, gravei de imediato aquelas palavras, com a certeza de que nunca as escutara, mesmo que não tivessem nada de especial.
Sim, eram uma daquelas evidências, que até deviam constar na lista do senhor das palissadas...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

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