segunda-feira, outubro 12, 2026

«Se isto continuar assim, vou ter de fechar...»


«Se isto continuar assim, vou ter de fechar...»

Ouvia aquele desabafo, a cinco metros de mim, e sabia que não se tratava de "música de cordel". Caminhávamos novamente para o fundo de qualquer coisa. A vida voltara a estar difícil, para todos, sem excepção (a meia dúzia do costume não conta...).

Uma noite antes passara por outro lugar de petiscos, que não visitávamos há meses (mais largos do que pensava, facto comprovado pelas as mesas e as cadeiras novas, oferta de uma cervejeira...). A minha companheira estranhou encontrar clientes diferentes, mais jovens, mas que quase enchiam a casa.

Depois percebemos que era a noite dos "jogos de tabuleiro". O dono, de quem nos tornámos amigos durante a pandemia (era um dos poucos lugares onde bebíamos café sem grandes incómodos, por ter uma esplanada que mantinha as distâncias), contou-nos a história daquele encontro de amigos, e quase que nos disse: "venham elas, as noites de jogos, todos os dias"...

Claro que não seria comigo que estas "casas de pasto" se iriam governar". Além do meu almoço tertuliano semanal, fazia praticamente todas as outras refeições em casa...

Mas era triste ouvir o discurso do primeiro-ministro, sempre preparado para apontar o dedo aos "xocialistas", ao mesmo tempo que mentia descaradamente, ao dizer que "estava tudo melhor". 

Não é o que dizem os rostos das pessoas, muito menos as ruas, com cada vez mais lojas e restaurantes fechados...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


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