Respondi com um daqueles sorrisos que trazem algumas palavras coladas, nem sempre fáceis de decifrar.
Afastei-me um pouco e fui até à janela aberta, para ver o mundo do lado de fora, por saber que tem muito mais largueza, tanto para Norte como para Sul. Foi a olhar para o azul do céu e do rio que recordei a primeira vez que escutei esta frase, que além de enigmática, fica quase sempre a dever pouco aos elogios.
Entretanto passaram mais de vinte anos e com o engenho possível, fui capaz de escrever mais de duas dezenas de livros...
Ela era professora e no alto da "sua cátedra", depois da frase, ainda foi capaz de me dizer o que fazia de diferente (mesmo que nunca escrevesse pela vida fora qualquer livro). Eu depois de a ouvir, disse que "o livro dela" era uma outra coisa e que ela o devia escrever...
Sorri ao pensar nas quase anedotas que se contam à conta do "se"... que muitas vezes contam o que poderia acontecer se os nossos avós tivessem rodas. Sim tanto podiam ser "camiões", "carros" como "bicicletas"...
Depois, menos a brincar (mas ainda com ironia...), pensei nas primeiras polémicas que estão a surgir com os escritores e a inteligência artificial. Talvez esta até seja uma ferramenta de grande utilidade para os pretensos escritores, sem obra, que falam muito mais do que o que escrevem... e que gostam de ter a preguiça como amiga...
Sim, que isto de escrever dá um bocadinho de trabalho... e por vezes, cansa.
(Fotografia de Luís Eme - Tejo)
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