sábado, outubro 10, 2026

«Eu podia ter escrito esse livro...»


Há bastante tempo que não ouvia a frase: «Eu podia ter escrito esse livro...»

Respondi com um daqueles sorrisos que trazem algumas palavras coladas, nem sempre fáceis de decifrar.

Afastei-me um pouco e fui até à janela aberta, para ver o mundo do lado de fora, por saber que tem muito mais largueza, tanto para Norte como para Sul. Foi a olhar para o azul do céu e do rio que recordei a primeira vez que escutei esta frase, que além de enigmática, fica quase sempre a dever pouco aos elogios. 

Entretanto passaram mais de vinte anos e com o engenho possível, fui capaz de escrever mais de duas dezenas de livros...

Ela era professora  e no alto da "sua cátedra", depois da frase, ainda foi capaz de me dizer o que fazia de diferente (mesmo que nunca escrevesse pela vida fora qualquer livro). Eu depois de a ouvir, disse que "o livro dela" era uma outra coisa e que ela o devia escrever...

Sorri ao pensar nas quase anedotas que se contam à conta do "se"... que muitas vezes contam o que poderia acontecer se os nossos avós tivessem rodas. Sim tanto podiam ser "camiões", "carros" como "bicicletas"...

Depois, menos a brincar (mas ainda com ironia...), pensei nas primeiras polémicas que estão a surgir com os escritores e a inteligência artificial. Talvez  esta até seja uma ferramenta de grande utilidade para os pretensos escritores, sem obra, que falam muito mais do que o que escrevem... e que gostam de ter a preguiça como amiga...

Sim, que isto de escrever dá um bocadinho de trabalho... e por vezes, cansa.

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


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