quinta-feira, outubro 08, 2026

"O homem dos pés de barro dourado"

 

O homem dos pés de barro dourado 

Olho para ti e fico a pensar:
“tantas coisas que se esqueceram
de te dizer e de te ensinar”.
Não sei se cresceste antes do tempo ou
se foi o tempo que não te deixou crescer
 
Sei sim, que logo no começo de tudo
surgiu o dinheiro. Muito dinheiro!
Eram muitos, muitos tostões!
Descobriste que ele servia
para comprar mais coisas,
além do pão, da manteiga e do leite…
 
Depois empurraram-te
para o território dos deuses
e tu deixaste que pensassem
que eras muito mais
que um simples mortal
 
Mas ainda não estavas satisfeito.
Nunca estavas.
Querias sempre mais, mais…
 
E quem circulava à tua volta
em vez de te trazer de regresso à Terra
continuava a alimentar o teu ego
e a chamar-te “deus maior”.
 
Fingiam-se esquecidos
de que eras apenas um ser humano,
que os bonecos de cera estavam no 
 museu da madame qualquer coisa.
E a tua estátua na Madeira,
era apenas isso, uma estátua…
 
Esqueceram-te de dizer
que ninguém é maior que o mundo,
por mais talento que tenha…
 
Luís [Alves] Milheiro

(Recorte da capa do "Público" de 2 de Outubro)

Nota: não era para publicar este poema, mas depois de pensar um pouco, disse para os meusa botões "porque não?". E ele aqui está. Foi a minha primeira reacção a tudo o que se passou...


Sem comentários:

Enviar um comentário