
O homem dos pés de
barro dourado
Olho para ti e fico a pensar:
“tantas coisas que se
esqueceram
de te dizer e de te
ensinar”.
Não sei se cresceste antes
do tempo ou
se foi o tempo que não te
deixou crescer
Sei sim, que logo no
começo de tudo
surgiu o dinheiro. Muito
dinheiro!
Eram muitos, muitos
tostões!
Descobriste que ele servia
para comprar mais coisas,
além do pão, da manteiga e
do leite…
Depois empurraram-te
para o território dos
deuses
e tu deixaste que
pensassem
que eras muito mais
que um simples mortal
Mas ainda não estavas
satisfeito.
Nunca estavas.
Querias sempre mais, mais…
E quem circulava à tua
volta
em vez de te trazer de
regresso à Terra
continuava a alimentar o
teu ego
e a chamar-te “deus
maior”.
Fingiam-se esquecidos
de que eras apenas um ser
humano,
que os bonecos de cera estavam no
museu da madame qualquer coisa.
E a tua estátua na
Madeira,
era apenas isso, uma
estátua…
Esqueceram-te de dizer
que ninguém é maior que o
mundo,
por mais talento que tenha…
Luís [Alves] Milheiro
(Recorte da capa do "Público" de 2 de Outubro)
Nota: não era para publicar este poema, mas depois de pensar um pouco, disse para os meusa botões "porque não?". E ele aqui está. Foi a minha primeira reacção a tudo o que se passou...
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