quinta-feira, outubro 15, 2026

Conversas com e sem cerejas...


Aconteceu-me uma coisa hoje, que daria para usar no blogue, seguindo o guião das televisões, na forma como transmitem as notícias com mais sumo (até a RTP já está a dar o flanco ao CMTV...). Esse, mesmo, o das telenovelas, com o cuidado de deixar sempre no ar o "suspense" em relação aos próximos capítulos...

Vou ver se consigo contar o episódio de uma forma simples, sintética e sem soltar pontas...

Estou a fazer um trabalho de investigação e existem várias pessoas com quem devo falar. Num dos telefonemas que fiz, uma senhora fez-me uma série de perguntas, que me deixaram com a "pulga atrás da orelha", por não ser habitual (fiquei a pensar que a culpa devia ser dos "vendedores de banhas de outras cobras", cada vez mais hábeis e enganadores, no seu "jogo de caça" para os seus negócios, cheios de promessas que não são para cumprir...).

Quando finalmente nos conhecemos e falámos, a meio da conversa, sem que eu tocasse no assunto, ela resolveu contar o que lhe acontecera meia dúzia de anos antes:

«Apareceu-me uma senhora loura, mais ou menos com a sua idade, que queria saber coisas sobre a minha aldeia. Abri-lhe logo a porta. Pouco tempo depois já me estava a falar das pessoas da Terra. Quis saber quem eram as minhas amigas de infância. Quando lhe falei de um nome, quis saber se tinham posses, como é que viviam... foi quando comecei a achar a conversa esquisita. Depois queria saber se eu conhecia os filhos... Até que me falou de um Carlos. Foi quando percebi tudo e mandei-a ir dar uma volta...»

(Para não deixar ficar qualquer suspense no ar, este Carlos é o amigo que todos gostávamos de ter nesta e na outra vida...)

E depois voltámos à nossa conversa, que era mais sobre acontecimentos que sobre pessoas e tinha pouco que ver com os jornalismo rasteiro das donas Felícia, Sandra e Tânia...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


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