quinta-feira, outubro 01, 2026

«Anda a esconder o quê?»


A pergunta foi directa e provocatória. «Anda a esconder o quê?»

Por isso mesmo, só devia ter uma resposta ainda mais curta, das que não dão grande margem para outras questões: «Tudo!»

Percebi que aquela mulher era das que não desistem, das que querem saber tudo. E continuou a insistir: «Havia um concurso na televisão, acho que era "Com a verdade me enganas". É capaz de ir ao seu encontro.»

Continuei a responder usando apenas uma palavra: «Provavelmente...» Ela nem por isso.

«No outro dia falava pelos cotovelos com os seus amigos, homens. Só é assim com as mulheres?»

Ela queria ir ainda mais longe e eu estava decidido a não abandonar o "jogo de uma só palavra" e afirmei: «Só.»

Depois da troca de olhares entre as cinco pessoas daquela mesa de café, surgiu uma gargalhada sonora, que abanou a "alma de perguntadora" da jornalista sem jornal, quase da minha geração.

Depois surgiram outras conversas e a minha singularidade, de ser o único na mesa sem smartphone e redes sociais, deixou de ser assunto. Claro que isso não iria evitar que existissem mais pessoas a pensar que quem não tem "facebook", "instagram" ou "tik-tok", tem uma data de armários fechados em casa.

Outro aspecto curioso, foi eu ter falado nos "blogues" e isso não ter despertado qualquer reacção, positiva ou negativa...

Só espero que, com o tempo, estas singularidades não se tornem um "caso de polícia"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)