sábado, outubro 31, 2026

As acampadas do Porto e de Lisboa, entre a festa da democracia e a tragédia grega...


As acampadas são sobretudo jornadas de protesto, festivas, quando decorrem a horas normais. A presença da polícia é pouco mais que um adereço, pelo menos até às primeiras horas da madrugada.

Quando estão milhares de pessoas nas praças D. João I e D. Pedro IV, a polícia limita-se a manter a segurança num largo perímetro. Embora digam que as pessoas têm de desmontar as tendas e ficar em silêncio a partir das  zero horas e trinta minutos. Só depois das três da manhã, quando em vez de milhares de pessoas, já são apenas centenas, ou até de dezenas, os manifestantes presentes, é que a polícia resolve avançar e reprimir (e agredir., claro..).

É aqui que começa a "tragédia grega", com a cobardia normal das forças, de tudo menos de segurança, que se sentem mais confortáveis quando têm como desafio enfrentar menos gente, porque os milhares de pessoas presentes entre as 19 e as zero horas, já estão em casa a dormir no começo da madrugada, ao contrário dos jovens resistentes, que as forças de direita gostam de chamar de "arruaceiros".

Não deixa de ser curioso que os jovens se preparem para o confronto. Não com armas, mas com capacetes, cotoveleiras, caneleiras e outras protecções corporais. Sim, fazem o papel de "mártires", mas sem abusos.

Outra curiosidade em todas estas manifestações pacíficas, é que até aqui os derrotados têm sido os governantes (as sondagens falam por si...), que dão ordens e se escudam atrás da PSP, ao mesmo tempo que tentam que estes movimentos sejam o que não são: acções violentas de extremistas e arruaceiros...

Pois é, tudo indica que a habitual cobardia e o cinismo "montenegrino" estão a perder mais uma guerra, batalha após batalha, porque hoje os manifestantes contra a politica de habitação são pessoas de todas as idades, dos oito aos oitenta anos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


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