sábado, junho 29, 2024

O carrossel do tempo...


O tempo não é de final de Junho. Tal como em Janeiro não tivemos sempre tempo de Janeiro.

Não vale a pena falar sobre as alterações climáticas e a nossa passividade (somos bons a fingir que tudo vai bem...).

Ano após ano, fomos tornando o nosso dia a dia num "carrossel", onde pode chover e fazer sol, minuto sim minuto não, cada vez com mais naturalidade.

É por isso que é no mínimo estranho, partir de férias para o Sul com um céu de Inverno...

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)


sexta-feira, junho 28, 2024

Olhares de cá e olhares de lá


Ao olhar para as fotografias, lembrei-me das palavras de um grande retratista. Com algum humor, ele disse-me que depois dos candeeiros, dos bancos, das portas, das janelas e das árvores, aparecem sempre as pessoas.

Primeiro de uma forma tímida. Depois habituamo-nos a roubar rostos e bocados de corpos e nunca mais paramos. E sem darmos por isso, as pessoas passam a ser a melhor "paisagem" das fotografias.

E ainda me disse outras coisa, como há quem goste de ficar em fotografias, até era capaz de focar um ou outro sorriso...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quinta-feira, junho 27, 2024

As habituais contradições do dia seguinte...


Não tinha pensado escrever sobre a Selecção e sobre o Europeu, por sentir (como de costume...), que as espectativas estavam demasiado altas.

E continuo a pensar, que não há nada melhor que uma derrota, para colocar toda a gente com os pés no chão. Claro que não é preciso viajar do 80 ao 8, nem os "bestiais" passarem a "bestas", em apenas noventa minutos... Muito menos que o senhor Martinez passe a ser apenas o "espanhol" (sim, com letra minúscula).

Continuo a pensar que não somos a melhor Selecção da Europa. Mas também acredito que tudo é possível, basta que a sorte fique no nosso lado (o que não aconteceu ontem, além das ofertas que fizemos, o árbitro também era do clube dos que "não gostam do Ronaldo" (é a única explicação para não marcar o penalty das puxadelas da camisa...).

Só espero é que os jogadores pensem como eu. Faz muito mal a qualquer equipa, achar que são "os melhores da europa", antes de jogarem. 

É muito importante respeitar os adversários.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, junho 26, 2024

Não é nenhuma novidade , de que «há gente para tudo»...


Nunca mais tinha entrado no café. Preferia parar na pastelaria. Mas naquele domingo a pastelaria estava fechada e ele lá entrou, de fugida, no café, para beber a bica da manhã. 

A cara não me era desconhecida. Mas não lhe dei muita atenção, embora tenha percebido que foi atendido com maus modos e foi por isso que mal bebeu o café saiu pela porta fora.

Mal ele saiu, a dona do café começou a "pintar-lhe a manta", dizendo que «Há gente para tudo.»

A minha companheira disse-me que ele morava na Avenida e era deputado, desde as eleições de Março.

«Vejam lá, que o merdas até mudou de penteado e comprou óculos redondos cor pele de tartaruga», continuou a mulher atrás do balcão.

Um dos clientes encostado ao balcão deu a novidade de que o tipo ainda não usara da palavra nos Passos Perdidos. Estava lá apenas a para fazer parte do coro dos "muito bem", assim que alguém acabava de falar, e bater palmas, claro.

«Faz cá tanta falta como a fome!» Insistiu a dona do café.

Entretanto nós saímos, com a sensação de que a conversa estava longe de ter acabado.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, junho 25, 2024

Tentar pensar "dentro dos outros"...


O Cacilheiro ainda é "margem-sul", não tens pensamentos sobre o que te rodeia, como eu tive, hoje, no interior do Metro.

Andei atrás no tempo e recordei as minhas primeiras viagens a Lisboa, ainda adolescente, com o meu irmão (ele já devia ter mais de dezoito anos e eu apenas dezasseis e viemos à Capital provavelmente por causa da Universidade, em que ele se preparava para entrar...). Mesmo assim, só dava para sentir o "cheiro a novidade", todo aquele movimento e a quase indiferença das pessoas pelo que as rodeava. Não dava para descobrir muito mais, entre aquele viver e o da nossa cidade de província.

Só quando vim viver para Lisboa (Cruz Quebrada) é que senti mesmo na pele as grandes diferenças, a quase desumanização da sociedade, mais interessada em coisas de somenos, como conseguir "chegar a casa", ao fim de um dia de trabalho ou de estudo... Era uma cidade diferente, esta, do começo da década de oitenta do século passado, mais velha, mais cansada e sem capacidade para explorar o seu melhor (vivia-se de costas voltadas para o Tejo e para os bairros típicos, onde a degradação era demasiado visível, lugares que hoje são os seus melhores cartões de visita, mesmo que sejam só isso...).

Lá estou eu a mudar de assunto ou a ir longe de mais com as palavras...

O que eu pensei, ao olhar aquela gente, mesmo que muitos fossem de fora, era o que viam no buliço da cidade. Provavelmente, vêm coisas diferentes... Os que têm a pele mais escurecida, que chegam das índias, devem achar que em Lisboa é tudo mais calmo ,que nos seus países de origem, demasiado desorganizados e habitados, e também com mais poluição e pobreza... Os das europas não devem pensar muito. Gostam sobretudo do nosso "exotismo" (mesmo que esteja a desaparecer...), dos preços das coisas e da nossa simpatia (mesmo que seja hipócrita...). Ou seja, em quarenta anos, este Lisboa, não tem quase nada da que descobri no fim da adolescência.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, junho 24, 2024

«Sempre se mentiu muito. Ajuda a viver.»


Como é que eu podia desmontar uma frase como esta? Não podia...

O Carlos estava certo, tal como o seu cigarro, que emergia de um mundo já quase sem fumadores clássicos.

Eu sabia que a mentira é como aquelas facas que se usam apenas nas conversas e que têm dois gumes. Tanto ajuda como desajuda a viver. Depende sempre da forma e do método com que é usada.

Foi por isso que não disse nada. Ele fingiu não perceber e mudou de assunto. E ainda bem, falou-me de um escritor que eu desconhecia, Nelson Aldren. Era americano. Havia um ou dois realizadores que adaptaram os seus romances para o cinema. Adiantou-me que ele escrevia sobre as pessoas que não contavam, os pobres, os desgraçados, os marginais. E ainda me disse que ele era de Chicago...

E rematou a conversa, dizendo que o Aldren era incapaz de mentir, nos livros e, provavelmente, na vida.

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


domingo, junho 23, 2024

O Sol é mesmo um Deus...


No nosso canto, ainda só sentimos umas ligeiras transformações, até porque gostamos de Sol (ainda existem campos de golfe no Algarve e tudo)...

Mas no Mediterrâneo as coisas estão longe de ser simples e fáceis.

Ainda estamos em Junho e já se fecham ilhas (aos turistas...), como aconteceu em Capri, na Itália, porque a única água que existe por lá em abundância, é a salgada.

Segundo as notícias do mundo, há várias regiões do planeta (em vários continentes...) onde as temperaturas têm ultrapassado os 50 graus, como se fosse uma coisa normal.

Continuamos a fingir que não é necessário mudar de vida. Não sei bem porquê. Ou talvez saiba.

Sempre fomos bons a inventar coisas, como se a autodestruição fosse o caminho... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, junho 22, 2024

Contradições que escapam à compreensão de quem tem dois dedos de testa


Eu sei que os políticos e a sua prática diária - cada vez com mais contradições - está longe de fazer parte da compreensão da maior parte dos portugueses.

Mas quando se começa a entrar no jogo do "vale tudo", 

Como é que se pode compreender, que a mesma pessoa que é boa para ser candidata ao cargo da presidência do Conselho Europeu, com o apoio do PSD, possa ser envolvida num caso em que não teve qualquer interferência (caso das gémeas...), apenas por ter recebido um e-mail (provavelmente de informação e que deve ter o mesmo destino de uma boa parte da correspondência electrónica...), com os votos dessa mesma força política.

São todas estas coisas, no mínimo, esquisitas, que afastam cada vez mais as pessoas do mundo da política e das eleições...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, junho 20, 2024

Os cheiros e outras coisas parvas que fazem parte das conversas


Há dias que falamos sobre coisas parvas. Sei que isso acontece porque este mundo que nos rodeia, também está cada vez mais parvo...

Não vou ao exagero de dizer que está tudo mal nessa coisa que dizem ser a mais inteligente que habita neste planeta quase redondo. Mas o normal é encontrarmos mais caras sisudas que caras sorridentes nas ruas e nos transportes públicos.

Não sei quem foi que começou a falar de "cheiros", mas acho que foi a senhora que disse que teve de fingir que estava com alergia logo de manhã e tapar o nariz, e logo às oito e alguns minutos da manhã, porque um dos companheiros de viagem não devia gastar dinheiro em desodorizantes e também devia evitar tomar banho para poupar água...

Claro que depois a Capital quase que veio abaixo, porque Lisboa há muito que não cheira bem. E diziam eles, que era por causa de quem vinha de fora, não de férias mas em trabalho...

Estavam certos. Se em muitas casas vivem mais de uma dezena de pessoas, deve ser complicado ter condições para dormir, quanto mais para um banhito... E nem vale a pena falar de quem vive em tendas.

Vá lá que só se falou do cheiro do sovaco, não se falou do cheiro dos lugares mais recatados, que fazem as vezes de urinol público...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, junho 19, 2024

Falar para o microfone é uma coisa, falar com a bola é outra coisa...



As coisas mudaram muito no nosso país, inclusive no futebol, onde se ganha muito mais dinheiro que há cinquenta, sessenta anos.

O normal é que as diferenças monetárias também se intrometessem na cultura e na educação (mas nem sempre acontece...).

Esta pequena entrada deve-se a um comentário que ouvi sobre um jogador da selecção, que além de ter dificuldade em falar para a televisão, não falava com clareza. 

Foi quando me lembrei de uma história contada por um dos nossos grandes jornalistas, Carlos Pinhão, quando se sentiu na obrigação de perguntar a outro jornalista, que estava a criticar de uma forma abusiva a dificuldade que um dos nossos grandes futebolistas tinha em se expressar - ainda por cima tinha vindo das "áfricas", ou seja a sua instrução devia ser diminuta -, "se ele tinha sido contratado para discursar ou para resolver jogos com golos". 

E o bom do Carlos lá obrigou o outro senhor "a meter a viola no saco" e a escolher outro, para o "canal da critica", porque ele fazia golos de toda a maneira e feitio...

(Fotografia de autor desconhecido - uma homenagem a Fernando Vaz e ao Vitória de Setúbal, que tinha acabado de ganhar a Taça de Portugal com estas três excelentes "pérolas negras")


terça-feira, junho 18, 2024

Agora é tempo do "país do futebol"...


Nós agora somos um país de muitas coisas, depende sobretudo da "moda" da semana ou do mês.

E a moda do mês de Junho (e Julho...) é o futebol. Não o dos clubes mas o das selecções. Por norma costuma ser mais pacífico, embora aconteçam sempre coisas estranhas, aqui e ali.

O que já não é estranho são as horas que todas as televisões lhes dedicam, nem tão pouco os comentadores, normalmente, treinadores, jornalistas ou antigos futebolistas. Pelo menos na área do "comentário da bola", não se vai buscar gente  de quem nunca ouvimos falar (como acontece com a guerra ou com a cultura da batata). 

Claro que, mesmo assim, junta demasiados motivos para desligar a televisão e voltar ao mundo sem futebol...

(Fotografia de Luís Eme - Boca do Vento) 


segunda-feira, junho 17, 2024

Os "filhos do euro"...


Sei que há publicidade e publicidade e que os profissionais do ramo, tentam ir cada vez mais longe.

Não me lembro se os primeiros anúncios sobre os "filhos do euro" já tem nove meses, mas deverão ter. Ou pelo menos deveriam ter.

Falámos sobre isso ao jantar cá por casa, se a taxa da natalidade terá aumentado ou se é apenas mais um anúncio. Todos achámos que não, que um campeonato de futebol não é uma motivação para se encher Portugal de crianças. Mas nunca se sabe...

Já tínhamos falado também sobre as "noivas de Santo António" (acho curioso nunca se falar dos "noivos de Santo António, já faltou mais...), mas aí não estivemos de acordo. Mesmo sem dados estatísticos, achámos que embora seja uma oportunidade, está longe de ter tudo "para dar certo"...

Sim, apesar do "espectáculo" fazer cada vez mais parte da nossa vida, isso não indica que sejamos mais felizes...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)