quinta-feira, dezembro 13, 2018

«Não é o paraíso, mas está menos mal do que se diz por aí...»


Já não se escrevem cartas, nem mesmo postais...

Se escrevesse, com data, sabia que quando chegasse ao seu destino, o "mundo" já era muito diferente. Pelo menos este mundo, que nos é apresentado a todas as horas pelos canais de notícias.

Mesmo assim, eu digo-te, como vejo o nosso país. E olha que não me parece ser o que dizem alguns jornais, nem o que mostram as notícias da televisão.

Não é o paraíso, que engana os olhos dos franceses, belgas, italianos, alemães, holandeses e até espanhóis, mas está menos mal do que se diz por aí...

Dito por outras palavras, não é o lugar onde tudo está mal. Mesmo que os estivadores, os bombeiros, os enfermeiros, os professores, os juízes (e tantos mais, que "não têm voz"...), tenham a sua razão e prometam não parar de lutar... Curiosamente com a quase satisfação dos dois partidos da direita (até se conseguem aproximar, a espaços, da esquerda mais radical, na "aparente" defesa dos direitos dos trabalhadores...). Lutam ambos pela "sobrevivência política", embora sejam péssimos a vender "banha da cobra", pelo menos quando comparados com o governo. Mas não precisavam de ir tão longe. Se um deles parece  ter dentro de si uma "ala psiquiátrica", onde não existem limites, na guerra pelo poder, o outro é comandado por uma líder do mais populista que tem existido por cá. Promete ser capaz de tudo para chegar ao poder.

O ideal era que não se vendesse tanta "banha da cobra" por parte do governo nem se continuasse à procura do "diabo" por parte da oposição. Mas sei que isso não existe... 

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, dezembro 12, 2018

Cinema, Circo e Palavras...


Estávamos a falar de cinema, de "O Livro de Imagem", de Jean-Luc Godard e do bom que era encontrarmos-nos para conversarmos sobre o que parece interessar cada vez a menos pessoas, quando fomos interrompidos por uns "meliantes" que ocuparam as mesas ao lado e  davam mostras de ter bebido mais que a conta, mesmo que ainda estivéssemos na hora de almoço.

Nós falávamos de cinema e eles aparentemente de circo. Apontavam o dedo a uns tipos com artes de "fantoches" e "palhaços", ausentes, ao mesmo tempo que assumiam o seu papel de "ursos" e "camelos" (palavras deles), no palco da vida...

Olhámos uns para os outros e passámos quase a falar com sinais, sem condições de nos ouvirmos, tal era a "festa" alheia. Esperámos que aquela "vaga" despachasse os cafés e águas ardentes e continuasse a sua marcha.

E depois ficámos pelo "circo", já não conseguimos voltar ao "Livro" de Godard...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, dezembro 10, 2018

O Homem que Finge que Não Gosta do Natal...


Olham para ele, como o homem que não gosta do Natal. É o único do armazém que nunca foi ao jantar pago pelos patrões na noite de 23 de Dezembro. Se não janta, ainda menos leva os filhos à festa que se segue, para receberem os presentes, comprados por atacado aos chineses.

A questão é mais grave do que parece. Ele nunca suportou os "filantrópicos" que andam a vida inteira a explorar os seus empregados, pouco preocupados, como sobrevivem todos os meses com ordenados miseráveis. 

E como nunca gostou de "esmolas", mesmo que venham embrulhadas em papeis brilhantes, finge que detesta a época natalícia...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, dezembro 09, 2018

Ir ao Circo e Sentir a Falta da Magia da Infância...


Hoje fui ao  circo, algo que não fazia há já alguns anos.

O mais curioso é sentir que aquilo que gostava mais na infância, é o que acabo por achar menos graça nos dias de hoje: os palhaços.

Na infância gostava de ir ao circo, com os meus pais e o meu mano, sobretudo por eles. Tudo o que faziam me fazia sorrir. Agora sinto que tudo o que transmitem no palco é demasiado vulgar e rabiscado...

Apesar de ter noção de que os animais deste espectáculo são retirados do seu habitat natural para serem explorados, e muitas vezes maltratados, também sei que foi graças ao "maior espectáculo do mundo", que muitas crianças viram pela primeira vez animais da selva...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, dezembro 08, 2018

Fotografia, Razões e Emoções no Chiado


Hoje estive no Museu de Arte Contemporânea do Chiado, para ver a exposição "Carlos Relvas (1838 - 1894) Vistas Inéditas de Portugal" e para participar na sessão de retratos em cenário de época, através do processo fotográfico do século XIX, realizado pelo Silverbox Studio.

Não menos agradável foi visitar a exposição, "Arte Portuguesa, Razões e Emoções", que faz uma viagem pelas artes plásticas dos últimos 150 anos, com mais de 200 obras de quase 100 artistas.


Gostei particularmente da forma como as obras estão expostas, quase em módulos (sete): "Espelho de Almas";  "O Poder da Imagem"; "Uma Cultura Moderna"; "Cuidado com a Pintura!"; "Formas de Comunicação e Contestação"; "Linguagens e  Experimentação" e "Pós Moderno".

Apetece-me destacar as obras de Tomás da Anunciação (merecido pela sua qualidade e por se comemorar este ano o bicentenário do seu nascimento). Almada Negreiros também é especial, assim como Jorge Vieira, cujas esculturas são únicas. 


Deixo para o fim uma curiosidade, também está em exposição uma obra do poeta Alexandre O'Neill (um desenho a tinta da china com colagem, dos seus tempos surrealistas).

(Fotografias de Luís Eme)

sexta-feira, dezembro 07, 2018

Músicas na Cidade...


Sempre gostei de ouvir música nas ruas. 

Além de dar vida aos lugares anima as pessoas, especialmente as que trabalham diariamente e que têm muito menos motivos de sorrir, que os imensos turistas, de várias latitudes, que andam por aqui, sobretudo a namorar Lisboa.

E é esta "nova cidade", povoada de turistas, que faz com que a oferta aumente, assim como a qualidade dos cantores e instrumentistas. 

Quase que podemos ouvir todo o tipo de música, com agrado. Nem custa quase nada depositar uma moeda na caixa do instrumento, ou no chapéu da ordem...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, dezembro 06, 2018

Olhares com Linhas


Ultimamente tenho tirado fotografias a olhar as "linhas" de edifícios e das ruas. Os telhados, as esquinas e as escadas, têm me merecido uma atenção especial, e sem que exista uma qualquer "ordem natural" da coisa.

Acho que isto de tirar retratos, muitas vezes, funciona quase por simpatia. E penso que se trata de algo, mais instintivo que racional. 

É quase um pacto, ou um "segredo", entre o olhar e o dedo...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, dezembro 05, 2018

Escuteiros de Almada Suspensos pela Igreja...


Estive quase a colocar como título, "Padre da Paróquia de Almada Suspende Escuteiros", talvez fosse mais verdadeiro...

Embora seja estranho, que uma pessoa só, tenha o poder de suspender a actividade lúdica e católica de 120 jovcns almadenses.

Há algum tempo que ouço falar do "novo padre" (Marco Luís), por gostar de fazer mudanças, "quase à político" (apenas porque sim e não para melhorar as coisas...). Desde os horários das actividades à sua gestão, passando também por algumas mudanças físicas (obras "desnecessárias" na Igreja de Almada...), que segundo um documento distribuído pela cidade ("Pela Preservação da Igreja de Almada (Obra Icónica da Cidade)") serão de alguma forma um "atentado ao património histórico-cultural", e que também são parte do desentendimento entre os dirigentes dos escuteiros e a Paróquia....

Provavelmente este problema vai-se arrastar no tempo, como acontece nas instituições conservadoras...

É por isso que que alguns dos jovens escuteiros, que gostam do que fazem, têm vontade de mudar de agrupamento (o da fotografia é o de Cacilhas, que tem as suas instalações na Quinta do Almaraz)...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, dezembro 04, 2018

Ainda São os Melhores do Mundo...


Mesmo que os "donos do futebol" tenham decidido deixar de lhes entregar os prémios de melhores futebolistas do Mundo (devem achar que já têm bolas de ouro a mais...), Cristiano Ronaldo e Messi, continuam a ser únicos. Neymar, Griezmann, Modric, Mbappé, Salah ou Hazard, mantêm-se a alguma distância, nota-se que lhes falta qualquer coisa para chegarem ao nível destes dois extraordinários atletas.

Curiosamente não são únicos apenas dentro de campo. A sua postura fora dos relvados também tem sido sempre exemplar. Apesar da já eterna rivalidade, tantas vezes exacerbada pelos jornalistas, nunca Ronaldo ou Messi, tiveram uma palavra de desconsideração um pelo outro. Mesmo sem serem amigos, sempre demonstraram um grande respeito, pelo que são e representam. 

É por isso que não escolho um, escolho os dois. Para mim, Messi e Cristiano Ronaldo, continuam a ser os melhores futebolistas do Mundo.

Nota: Concordo perfeitamente com a sua ausência na cerimónia de entrega dos prémios. É uma questão de dignidade.

(Fotografia de autor desconhecido)

segunda-feira, dezembro 03, 2018

As Boas e as Más Memórias...


Não deixa de ser curioso o que as pessoas fazem com as memórias. 

Para algumas pessoas, as más são para esconder em qualquer baú, que existe algures dentro de nós. Se puderem dão preferência às coisas boas, porque sabem que os dias felizes são bem melhores que os outros...

Embora isto tanto possa acontecer, voluntária como involuntariamente. Sim, podemos ser nós a querer esconder os passados maus (o que nem sempre se consegue com sucesso...), ou pode ser a própria memória a trocar-nos as voltas...

Lembrei-me disto quando um grupo de octagenários me falaram da "fome" que os perseguiu durante a infância, enquanto a Europa se "autodestruia" na Segunda Guerra Mundial.

Falaram desses tempos sem qualquer problema, cientes, de que há coisas na vida que não são para esquecer...

Recordaram com emoção o senhor Oliveira, que andava pela Vila de Almada a distribuir pão, com um pequeno carrinho (quase em jeito de "caixa de pão"), pelos lares dos sócios da Cooperativa Almadense (era praticamente toda a gente, porque a "caderneta" permitia pagar tudo no final do mês, mesmo nos meses que tinham mais de trinta dias...). Com ele havia pão para todos, sabia que o pão não se negava a ninguém...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, dezembro 02, 2018

Dinheiros, História e a Politiquices...


Ontem comprei o "Público" apenas pela notícia sobre a Fundação Mário Soares, que embora tenha feito um trabalho notável na preservação da história do século XX no nosso país, também tem sido vítima do muito que se diz de negativo destas instituições.

Como é hábito no nosso país, as pessoas gostam de falar (e criticar...) sobre o que não sabem, mesmo as "inteligências pardas" que comentam sobre tudo e mais alguma coisa, na televisão. Misturam dinheiros com partidos, levantam suspeitas sobre pessoas, e nem se preocupam em saber o mais importante: qual tem sido o verdadeiro papel de instituições como a Fundação Mário Soares na nossa sociedade.

A Fundação recebeu e organizou nos últimos anos dezenas de espólios, de gente com história, ligada à política e à cultura do nosso país (uma parte significativa dos documentos já estão digitalizados e disponíveis para consulta online...). Trata-se de uma trabalho, que não deve ser feito em regime de voluntariado, até por exigir conhecimentos e gentes com formação superior (historiadores e arquivistas) no seu tratamento.

A morte de Mário Soares fez com que os subsídios começassem a ser reduzidos (alguns drasticamente, o exemplo da Fundação EDP é sintomático, passagem de 75 mil euros para 7 mil...), provocando a dispensa de vários colaboradores e o aparecimento de prejuízos, que só no ano passado quase que chegaram aos 400 mil euros...

O mais curioso (e negativo, na nossa opinião, embora se deva a uma questão de sobrevivência...) é a proposta defendida pela actual direcção da Fundação, que quer que a Instituição guarde apenas o arquivo pessoal de Mário Soares e de mais dois ou três amigos próximos. Proposta que implica a saída de quase todos os arquivos à sua guarda de grandes personalidades do século XX (da Primeira República ao 25 de Abril), que em princípio irão para a Torre do Tombo.

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, dezembro 01, 2018

Memórias das Ruas Lisboetas...


O Primeiro de Dezembro além de comemorar a nossa Restauração de 1640, depois de 60 anos de domínio espanhol, também é o Dia Mundial de Luta Contra a Sida.

Esta doença hoje "já não é uma sentença de morte", como nos diz a publicidade que foi capa do "Público" de hoje (e provavelmente de mais jornais, mas só comprei este e nem olhei as outras capas...), graças aos avanços da medicina.

O mais curioso é que ontem tinha escrito umas palavras sobre  algumas conversas com amigos antigos de Almada, que ainda se recordam dos "números de polícia" e das ruas (Ferragial, Rosa, Diário de Notícias, Gáveas, Norte, São Paulo, etc) dos bordéis que frequentaram no começo da idade adulta.

No começo da minha idade adulta existiam sobretudo "bordéis de rua", em praticamente toda a Avenida da Liberdade e também no Largo de São Pedro de Alcântara, Enquanto descia a Avenida em direcção ao Cais do Sodré, para apanhar a barca que me levava para a outra margem, recebia convites femininos de todo o género, desde o simples "vamos querido?" até ao quase cristão, "faço-te o homem mais feliz do mundo".

O curioso é que a partir da Praça dos Restauradores a "fauna" mudava, eram as "bichas" que me faziam uma perseguição quase impiedosa, normalmente sem palavras, apenas com olhares viciosos. Era uma espécie de jogo de escondidas e também de estafeta ("elas" revezavam-se de esquina a esquina, cheguei a ser perseguido por mais de uma dezena de "bichas"). 

Recordo que quando vinha acompanhado, brincávamos com o assunto e "elas" não se aproximavam muito. Agora quando vinha sozinho, o "assédio" era bem mais descarado...

O aparecimento da Sida nesses primeiros anos da década de oitenta do século passado afastou toda esta gente das ruas. Se os homossexuais ainda devem andar por ai, com mais discrição, as prostitutas não voltaram à Avenida...

(Fotografia de Luís Eme - os laços vermelhos que são colocados neste dia, em volta das árvores num dos jardins de Almada...)