sábado, outubro 13, 2018

As Vaidades e os Masoquismos dos Governantes


Desde o início que se percebeu que o ministro da Defesa, não tinha nada que ver com aquela pasta e com aquele mundo (provavelmente a escolha do primeiro-ministro já foi feita com esse sentido, para que se fingisse que se fazia alguma coisa, sem se fazer coisa nenhuma...).

Mas os imponderáveis, como o "roubo de Tancos", são tramados...

Só não percebo é porque razão as pessoas (muitas mesmo...) aceitam ser ministros, de matérias que desconhecem, e não demonstram grande interesse em conhecer, para lá dos "dossiers"... Se calhar até percebo: a vaidade de um dia se ser ministro de qualquer coisa, ultrapassa todas as lacunas, possíveis e imaginárias, especialmente num país que continua a viver sobretudo das aparências.

E quem normalmente acaba por ser prejudicado com todos estes "jogos políticos", somos nós, portugueses...

Também não entendo por que razão, os ministros não abandonam os cargos, quando toda a gente percebeu (até eles...), que estão ali a mais. Parece que preferem ser "queimados vivos", como é a vontade do primeiro-ministro, que só aceita demissões, depois dos seus "muchachos" estarem bem "chamuscados" (sim, que este caso, é apenas uma repetição do que se passou com a ministra da administração interna).

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, outubro 12, 2018

Fugir da Biografia...


Embora se diga que tudo o que escrevemos é "autobiográfico", penso que só o é, por sair de dentro de nós.

Muitas vezes criamos personagens completamente opostas e diferentes daquilo que pensamos ser. Claro que fazemos a sua construção, a partir do nosso mundo interior. E por isso, mesmo, sem querermos, podem ficar com uma costela (pelo menos...) "autobiográfica".

Nos últimos tempos tenho aproveitado os momentos de lazer para construir histórias sobre pessoas, que têm um ponto em comum: são completamente desconhecidas para mim. Ou seja, não conheço ninguém com aquelas características (pelo menos é o que penso...). 

Estou a gostar, é bastante estimulante esta busca pelo desconhecido.

Ao fazer este exercício literário lembrei-me de Alberto Caeiro, o heterónimo de Fernando Pessoa mais afastado da sua biografia e um dos meus preferidos...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, outubro 10, 2018

As Vozes do Vento...


Normalmente chamo "vozes do vento" aos barbeiros, merceeiros, cabeleireiras, taxistas (embora estes tenham uma postura mais revolucionária - matam e esfolam dezenas de "gatos" enquanto o diabo esfrega o olho) e afins.

Esta minha "adjectivação" deve-se à sua grande prática em falar a "favor do vento".

Se percebem que o cliente é do Sporting, têm o cuidado de mostrar que são benfiquistas moderados (o poster do tetra não engana...), e que sim, o Peseiro tem de ser corrido, que o Bruno é um bandido e vai acabar engavetado.

Se o assunto for mais actual e tiver a ver com o Ronaldo, medem o pulso ao homem ou mulher, se forem "patriotas" estão à vontade, podem desancar à vontade na americana. Se forem "invejosos", a conversa versará mais sobre os milhões, a colecção de carros, a vaidade de querer ser o "melhor do mundo". E claro, a facilidade em "comprar" mulheres e filhos...

Embora já esteja a passar de moda, ainda podem falar da Cristina Ferreira (mais no cabeleireiro, por causa das revistas atrasadas...). Tanto lhe podem chamar "esganiçada" como um "espectáculo" de mulher... 

Tudo isto por causa do vento.

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, outubro 09, 2018

Talvez seja da "Camisa de Historiador"...


Não consigo olhar com serenidade para o movimento feminista, que adora "caçar fantasmas e recuar no tempo", como se estivesse em plena revolução.

Isso deve-se ao meu entendimento de que as mentalidades não mudam apenas por "decreto" ou por "revolução". Mudam mais pela percepção de que estão erradas, quando se ganha consciência que se habita num tempo novo. Um tempo em que é preciso colocar um ponto final nos comportamentos sociais machistas, que não só foram aceites, mas estimulados pelos mais velhos (de ambos os sexos), durante séculos...

Talvez seja o hábito de vestir a camisa de historiador, de vez em vez, que me faz ter este olhar...

É por isso que me parece mais doentio que saudável recuar 30 ou 40 anos atrás nas nossas vidas, sem se conseguir olhar e analisar, os contextos e os enigmas que alimentaram as relações entre homens e mulheres (não estou a falar de crimes...).

O mundo está a mudar, e ainda bem. Mas não nos proíbam de continuar a olhar, com satisfação, para a beleza feminina...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, outubro 08, 2018

A Escolha de Fotografias...


A minha escolha da fotografia de ontem, não tinha um duplo sentido (pelo menos era o que eu pensava...), como posteriormente lhe foi dado.

Mas isso já aconteceu mais vezes. Embora as mil palavras sejam um exagero,  uma imagem pode e e e deve merecer várias interpretações, com muitas palavras e frases, mesmo sem chegar ao exagero do milhar.

Se por vezes uma frase escrita por nós pode ser interpretada de várias maneiras (não é nada raro que os outros nos queiram ensinar, o sentido das palavras que escrevemos... já me aconteceu mais que uma vez...).

Uma voz amiga relatou-me via telemóvel, a opinião sobre o que escrevera, sem se esquecer de me felicitar pela ideia feliz de colocar a fotografia, com os homens no primeiro andar, presos ao sete e as mulheres no rés de chão, deliciadas com as cuecas do rapaz...

O problema é que não tive nenhuma ideia especial, queria apenas colocar uma imagem minha, como tem acontecido neste último ano (penso que mais de 80% das imagens são fotografias da minha autoria...).

Isso acontece por que nós humanos somos tramados, conseguimos tirar quase sempre algum proveito das coisas negativas.

Há mais de um ano, houve alguém que se queixou, anonimamente, ao "google" sobre os direitos de autor de uma imagem que tinha colocado (nunca percebi qual...). Isso fez com que começasse a ter cuidados redobrados, por um lado tentando colocar sempre o nome do autor da imagem, por outro, optando preferencialmente por fotografias da minha autoria.

Ou seja, o meu "Largo" passou a ser ainda mais personalizado.

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, outubro 07, 2018

O Olhar Masculino e o Olhar Feminino...


Se no caso da sentença recente que suspendeu a pena dos dois violadores, penso que não há diferenças de género, na forma como se olha a aplicação (absurda) da lei, já na alegada "violação" de Cristiano Ronaldo em Las Vegas, há pelo menos dois olhares: um masculino e outro feminino.

Coloquei aspas na palavra violação, porque me parece que se trata sobretudo de um acto de violência sexual, e não tanto de violação. Pelo menos na forma como normalmente se entende a violação.

Embora neste caso particular Cristiano Ronaldo tenha recebido muitos apoios femininos entre nós (é o sentido patriótico a falar e também alguma fobia contra a prostituição...), normalmente a resposta das mulheres é sempre a favor da mulher. E neste caso particular lá aparece novamente a palavra "não", que nos últimos tempos passou a ser mesmo "não"...

Os homens têm sempre tendência para relativizar a questão. O "velho macho", até é capaz de dizer "abençoado", ou "grande homem". Outros, mais identificados com Las Vegas, a Capital do jogo e do prazer, dizem que Ronaldo pagou pelo "serviço completo", ponto final.

Outros ainda, mais legalistas, falam sobretudo em extorsão. Sim, acham que o exame médico feito depois do serviço, não foi realizado por acaso. Muito menos a tentativa de extorsão em forma de leilão (que acabou por resultar, não no quase um milhão pedido inicialmente, mas sim de 323 mil euros pagos, depois da assinatura de um acordo de confidencialidade).

Claro que falo de homens. Não estou a falar de simpatizantes do movimento #me too, pois estes também pedem a "cabeça" de Cristiano Ronaldo, sem dó nem piedade.

As mulheres "justiceiras", começam por falar de uma professora (que deveria estar ali por engano e que deve ter subido ao quarto de Ronaldo apenas para ver as vistas...) e nunca de uma "rapariga de programa" (para não lhe chamar outra coisa...). Depois falam de sexo não consentido, relevando a palavra "não". E por fim, falam da "tragédia" que se seguiu na vida desta mulher depois do episódio:  contusões anais, stresse pós-traumático, depressão, comportamento errático, ansiedade, etc.

Sem a conhecer de lado nenhum, apenas questiono, se a sua presença "em trabalho" numa discoteca em Las Vegas e a visita à suite de Ronaldo, não são já mostras de um comportamento errático (antes de se cruzar com o agradável "pé de meia" português...)? 

Claro que não faço ideia do que irá acontecer amanhã e nos dias seguintes. Sei sim, que Cristiano Ronaldo tem contra si, o facto de ser uma das personalidades mais populares do mundo...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, outubro 06, 2018

Equilíbrio...


Equilíbrio é o que me sugere esta fotografia (penso que já publiquei uma parecida...).

Algo que falta cada vez mais, um pouco por todo o lado. Nem é preciso falar das redes sociais (onde se usam cada vez mais os "megafones"...) ou das caixas de comentários dos jornais e blogues.

Basta andar por aí e mudar de rua nas passadeiras, para perceber que uma boa parte dos condutores olham para os peões com cara de "buldogue", apenas porque lhe interrompemos a marcha.

Do mundo nem é preciso falar. Os EUA passam o tempo a fazer o pino. Mas os exemplos da Venezuela e do Brasil na Latina-América, não são melhores. 

E depois temos a Europa, que gosta de ser paternalista e de fingir solidária, ao mesmo tempo que pisca o olho aos nacionalismos e populismos, que continuam a crescer, numa "ocupação quase silenciosa"...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, outubro 05, 2018

Limpidez...


Hoje esteve novamente um dia de Verão.

Se a temperatura elevada já é vulgar neste começo de Outubro, o mesmo não se pode dizer da limpidez do céu, que aproximou o Barreiro e as restantes Terras do lado de lá do Mar da Palha, quando as olhei do meu "miradouro".

E a Ponte Vasco da Gama também ficou uns quilómetros "mais para cá"...

(Fotografia de Luís Eme - quase que parece um barco de brincar...)

quinta-feira, outubro 04, 2018

Recordar o 4 de Outubro...


Hoje é um dia especial pelo menos para Almada, Loures e Montijo, que se anteciparam um dia na proclamação da República.

Isso aconteceu porque apesar dos tempos não serem pródigos em instrução e cultura, os operários da cintura industrial de Lisboa sabiam bem do que não gostavam. 

Por exemplo, Reis, Condes ou Baronesas, era coisa não lhes caía nada no goto, assim como a Igreja que gostava de coitadinhos, muito pelos seus usos e abusos...

E gostavam ainda menos de ser tratados como escravos.

A República era, entre outras coisas, a esperança da transformação do mundo em algo menos desigual...


quarta-feira, outubro 03, 2018

Medalhas & Tiros nos Pés...


O assalto a um dos paióis de armamento de Tancos, é de tal forma caricato e inverosímil - em todos os seus episódios - que a realidade ultrapassa mais uma vez a ficção.

Mesmo assim é importante perceber que nada disto aconteceu por acaso, que foi um dos "preços a pagar" pelos muitos anos de desinvestimento nas Forças Armadas e na degradação da condição militar (provavelmente chegou-se a um ponto em que já existem mais oficiais e sargentos que praças na Marinha, Força Aérea e Exército...). Os principais responsáveis por se ter chegado a este ponto, são os três partidos do "arco governativo", quase sempre com a complacência das chefias militares, mais preocupadas com as suas estrelas e louvores, que com os homens e mulheres que comandavam.

Mas o que ainda me deixa mais apreensivo em todo este "filme", é a falta de cooperação que existiu entre as polícias (neste caso particular entre a PJ e a PJM...), desde o começo de todo o processo. 

Parece que a "coroa de louros" é sempre mais importante que o trabalho em equipa, para a resolução rápida e séria dos vários casos de polícia, que envolvem mais que uma força de segurança ou polícia de investigação...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, outubro 02, 2018

«Não, não é sempre não!»


Com cinquenta e seis anos de idade, casado e pai de dois filhos, podia ficar por aqui em silêncio. Era muito mais confortável.

Mas não me apetece. Estou farto de puritanismos e do politicamente correcto.

Sei também que podia esperar algum tempo, por causa dos ecos  de  revolta por causa de mais uma sentença absurda dos nossos tribunais, que penaliza claramente a mulher, em relação aos violadores.

Com todos estes movimentos em defesa da mulher e com o avolumar das suas acusações de violação (algumas com quarenta anos...), sinto que estão a querer destruir as relações entre um homem e uma mulher, todos os jogos de sedução que alimentavam o "amor". Não sei se apenas por que sim, ou se existe qualquer outro propósito social, aparentemente obscuro.

Eu ainda pertenço a uma geração em que por vezes a mulher dizia, não, ou não sei se, quando lhe apetecia dizer, sim (porque só as "galdérias" é que não se faziam difíceis...).

Claro que aceito que muitas vezes devíamos ter levado a sério um "não", e não o fizemos. Da mesma forma que muitas vezes ouvíamos um "não", sem que a nossa amante deixasse de nos beijar, apertar o corpo contra o nosso e relaxar as pernas...

É por isso que eu continuo a pensar - provavelmente mal -, ao contrário do que ouço por aí, que  «não, não é sempre não».

(Fotografia de Henry Clarke)

segunda-feira, outubro 01, 2018

A Patetice (ou não) do "Auto-Elogio"...


Claro que sei que sempre houve livros e filmes a caírem para o lado do "auto-elogio", mas também sei que todos eles acabavam por ser uma "nódoa" artística para os seus autores. Num tempo em que existiam críticos...

Embora não tenha conhecido o país antes de Abril (pelo menos não o olhava com olhos de ver...), penso que tanto o salazarismo como o marcelismo fomentavam - de uma forma exagerada - a sobriedade  na sociedade (até nas cores das roupas que se vestiam...).

Mesmo o jornalismo televisivo era obrigado a alguma contenção (o que devia irritar uma série de gente vaidosa. esses mesmo, que se achavam os melhores da rua deles e apareciam nas páginas da "Plateia"...). 

Até que tudo mudou na nossa "caixa mágica"...

Apesar das mil e uma coisa positivas que nos trouxeram as televisões privadas (olá liberdade...), o foco das minhas palavras é o "auto-elogio", que só começou a ser fomentado de uma forma patética, com o aparecimento da SIC e da TVI. Foi nestas estações que as pessoas começaram a aparecer no ecrã a disser de uma forma despudorada (e muitas vezes mentirosa...) que a "galinha delas era melhor que a da vizinha", ou ainda pior: "eu sou bom, tão bom, tão bom...", (quase a olharem-se ao espelho da madrasta da "Gata Borralheira"). E a "feira de vaidades" nunca mais parou...

Infelizmente foi influenciando toda a sociedade, que de uma forma geral, se acha melhor do que realmente é...

(Fotografia de Luís Eme)