A senhora cruzou-se comigo e com mais três amigos na rua, depois do almoço. Cumprimentou mais efusivamente um dos nós, de quem era amiga, depois virou-se para mim e disse que precisava de falar comigo.
Fiquei meio surpreso, mas disse que sim, sem saber o que viria dali, até porque apenas nos conhecíamos de vista e trocávamos bom dia e boa tarde. Perguntou se podia ser na segunda-feira, na esplanada de um dos cafés da Praça Gil Vicente, às 14.30 horas.
E hoje lá nos encontrámos, com a companhia de dois cafés.
Ela começou por perguntou se nos podíamos tratar por tu. Disse que sim. Depois começou-me a contar uma história que achava que poderia dar uma boa peça de teatro. Durante dez minutos escutei-a sem qualquer interrupção. Depois, com alguma lata, ela disse que estava ali para me convidar para escrever aquela peça.
Eu sorri, e, também com a lata possível, disse que ela não precisava de ninguém para escrever a peça. O drama estava toda na sua cabeça, era só colocá-lo no papel.
Fez uma careta e disse que não sabia escrever. Eu insisti e disse que só precisava de ir falando alto, como o tinha feito ali, e escrever, escrever...
Continuou reticente. Foi então que lhe ofereci apoio, dizendo que não me importava de fazer uma leitura crítica, mas insisti: «Tenta escrever. Tens a história toda na tua cabeça.»
Vamos ver o que irá acontecer. Era bom que acontecesse teatro...
(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)
Aguardemos!
ResponderEliminarAbraço
Não sei, Rosa.
EliminarAté porque eu sei que falar é diferente de escrever... Mas não fui capaz de lhe dizer.