domingo, abril 12, 2020

Um Olhar Pascal


A Páscoa é diferente do Natal, não é tanto da família, mas é muito de reencontros e de viagens...

Se os espanhóis adoram vir até ao nosso lado (de Norte a Sul, era costume encontrarem-se em todo o lado, o que lhes dava direito a algumas "piadas" nossas...), nós também gostamos de ir aqui e ali.

Claro que falo muito por mim, por esta quadra ser sempre aproveitada para fazer "mini-férias" no interior, para fazer coisas diferentes...

Estou convencido que no próximo ano as coisas já terão voltado à normalidade. Ouviremos a "língua apressada" (e ruidosa) dos "nuestros hermanos", por tudo o que é sitio, e poderemos voltar a alguns lugares que nos fazem felizes...

(Fotografia de Luís Eme - Idanha-a-Velha)

sábado, abril 11, 2020

O País da Cultura dos "Amigos dos Amigos"...


O que mais me surpreendeu em toda a polémica sobre o festival de música "TV Fest", foi a reacção imediata de tanta gente contra (mais de 18.600 assinaturas em menos de 24 horas da divulgação das regras de funcionamento do evento) a "festa".

Se analisarmos a maneira como os políticos funcionam - a nível nacional e local, em praticamente todos os campos - a base do seu critério de escolha é quase sempre a mesma, o "amiguismo". A única coisa que mudou aqui, foi o Ministério da Cultura (entidade organizadora e financiadora...) ter entregue a "escolha" aos músicos envolvidos no projecto (cada um escolhia um amigo para o "render"...). Talvez por estarmos na época da Páscoa, fez como Pilatos, "lavou as mãos"...

Como só iam ser abrangidos 160 músicos (e 700 técnicos), num universo que terá mais de mil homens e mulheres que se assumem como músicos, do fado ao rock (técnicos serão bem mais de cinco mil...), foram muitos os que sabiam que não iriam ser escolhidos... e as redes sociais fizeram o resto.

Quem deve estranhar tudo isto é o Júlio Isidro, que escolheu os primeiros quatro músicos, porque para ele, tudo isto é normal,  e espelha a forma como ele e tantos promotores culturais funcionam, sempre na sua "roda de amigos"...

E a Ministra da Cultura não teve outro remédio, senão "meter a viola no saco". Mas é triste que se gaste o dinheiro de todos nós, desta forma, sem que exista um critério de escolha, claro, que tenha como base a qualidade e a variedade musical (seria polémico na mesma, mas não era a "mesma coisa"...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, abril 10, 2020

Passagem Obrigatória...


A passagem por Idanha-a-Velha, faz sempre parte do nosso roteiro pascal...

(Fotografia de Luís Eme - Idanha-a-Velha)

quinta-feira, abril 09, 2020

Uma Páscoa sem Andorinhas, Oliveiras e Procissão...


Há praticamente duas décadas que íamos passar a Páscoa à Beira Baixa. Tornou-se mais que uma tradição...

Se a razão "maior" era abrir a casa de família, que por lá está fechada o ano inteiro, as "menores" não lhe ficavam atrás. Sim, acordar com o chilrear das imensas aves de pequeno porte, que animavam os campos, com destaque para as andorinhas que todos os anos faziam ninho na varanda do primeiro andar; espreitar à janela e ficar encantado, porque a única coisa que se vêem são campos floridos cheios de oliveiras, que se perdem no horizonte; ou entrar dentro da noite com um céu completamente estrelado, são coisas inesquecíveis para quem vive na cidade...

E depois, na sexta-feira santa, ainda tínhamos a "procissão cantada", que costumávamos apanhar a meio caminho, onde era possível ver a "Verónica", a subir um banco e a estender o pano com o rosto de Cristo, num grito quase cantado. Procissão que dava a volta pela Aldeia e era digna de se ver...

Este ano a nossa Páscoa, será diferente, assim como a de milhões de pessoas, por esse mundo fora...

(Fotografia de Luís Eme - Alcafozes)

quarta-feira, abril 08, 2020

Uma Primavera Diferente


A Primavera continua a ser estação do ano mais bonita, e mais agradável, para se passear por aí (eu sei que não se deve...), e se for pelos campos, melhor.

Neste ano de 2020, em que Abril tem feito jus ao ditado das "águas mil", continuam a crescer flores em todos os recantos, mesmo que esta seja uma Primavera diferente...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

terça-feira, abril 07, 2020

Livros, Memórias e Livreiros...


Embora não tenha nada a ver com a situação que se vive actualmente, achei curiosas as palavras de Santos Fernando, no seu livro "Sexo 20" (a primeira edição é de 1975), que também é de memórias, sobre a relação que a PIDE tinha com a literatura, e também sobre a "habilidade" e "capacidade de adaptação" dos livreiros a esses tempos... 

Transcrevo as suas palavras com a devida vénia:

«Lembro-me, numa manhã de Dezembro, ter visto entrarem na "Ler" dois burjessos que, munidos de autos de apreensão do modelo 325, por determinação superior, segundo constava do auto em papel almaço azul (da cor dos descobrimentos marítimos) caçaram dois meses depois da abertura da caça, 125 exemplares de "Sobre a Emancipação da Mulher", da autoria de Engels, Lenine e A. Kollantai, e alguns exemplares de "Pessoas Livres", do padre José Felicidade Alves.»

«Os livreiros aprenderam os seus truques, passaram a fazer o seu bom negócio com o fruto proibido, vendendo não só a maçã do pecado, como ainda o Adão, a Eva e a serpente, por baixo do balcão e às escondidas.»

«Os livros proibidos escondiam-se nos sítios mais incríveis e inacessíveis. Algumas vezes uma obra de Neruda ou de Fidel Castro era embrulhada com o rótulo exterior de "Discursos de Marcelo Caetano".»

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, abril 06, 2020

O "Covid", os Jornais e os Livros...


Neste momento de grande indefinição social, já se percebeu que há mudanças que vieram para ficar. O "tele-trabalho" será uma delas. Não tenho dúvidas que irá aumentar, em todos os sectores da sociedade, porque irá permitir reduções de despesas nas contas de "quem mais ordena".

Mas há dois sectores que me são queridos, que não voltarão a ser os mesmos. Falo do jornalismo e da literatura. A quebra das vendas nas bancas e da publicidade na imprensa irá acabar quase com a sua venda "em papel", a curto prazo.

O comunicado assinado por duas dezenas de directores de jornais e revistas sobre o aumento da "pirataria" (distribuição por e-mail, de forma gratuita - em pdf - para a rede "infinita" de amigos de jornais e revistas...), é o primeiro sinal do "medo" que impera num sector essencial, que tenta informar-nos segundo as regras  e de forma isenta, combatendo o "reino da mentira" nas redes sociais. Mas é também o alerta para um crime.

Só há uma maneira de ajudarmos, é assinarmos alguns deste órgãos de comunicação social - e até há boas promoções. Eu fiz mais duas assinaturas digitais (já era assinante de um semanário), de dois diários, um desportivo e outro generalista.

Já em relação aos livros, ainda não fiz nenhuma compra (não me faltam livros cá em casa para ler...), mas vou fazer, esta semana.

Estas são apenas duas das muitas maneiras que existem, de ajudar a nossa economia e quem trabalha (e tem de continuar a viver...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

domingo, abril 05, 2020

Acordar e Pensar...


Embora não seja tempo para fazer balanços, do que quer que seja, hoje acordei a pensar em toda esta alteração de rotinas no nosso dia-a-dia.

E fiquei com algumas certezas, comuns a todos: estamos a ficar, diariamente, mais "velhos", mais "cansados", e sobretudo, mais "frágeis"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, abril 04, 2020

O "vale tudo" de ontem e o "vale nada" de hoje...


Nunca pensei que o "el dourado" dos novos senhorios de Lisboa e do Porto, que trataram de correr com os moradores - quase sempre gente de idade - das casas que habitavam há décadas, para depois as transformarem em "hostels", tivesse uma "vida rica" tão curta.

Não será nada estranho, que num destes dias, apareçam por aí de mão estendida para o Estado, a ver se "cai" algum subsídio... Porque, o "vale tudo", com que encheram os dias e os bolsos, agora, não "vale nada"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, abril 03, 2020

Poemas de "Inspiração" e de "Transpiração"


Continuo a olhar para a poesia como o "caminho" mais livre da literatura. Esse mesmo, onde tudo é possível.

Por vezes estou tempos e tempo sem escrever nenhum poema. Normalmente não "forço", espero que ele apareça, do "nada" ou do "tudo", quando lhe apetecer, ou lhe der jeito. E tanto pode "entrar" pela janela como pela porta...

Mas o que eu queria referir era as duas formas com que divido os poemas, no acto criativo. Aqueles que são fruto da inspiração momentânea (hoje aconteceu-me, de manhã, ainda na cama...) e os outros (por vezes "encomendados"...), que acabam por serem fruto, sobretudo da "transpiração".

Sei que há uma diferença grande entre eles. Não é por acaso que a inspiração é essencial. Ponto final.

(Fotografia de Luís Eme - Convento dos Capuchos)

quinta-feira, abril 02, 2020

Apontamentos de "Ontem"...


Estive a rasgar papeis com apontamentos avulsos, escritos aqui e ali. A maioria tinha coisas que podiam fazer algum sentido na altura, mas agora...

Houve alguma coisa que foi transcrita para os meus cadernos temáticas, mas pouca. Uma delas foi esta frase:

«Faz-me confusão os escritores que dizem que depois de acabarem os seus livros, não os voltam a ler. Sempre peguei nos meus livros, sempre os folheei, alguns com mais intensidade, outros menos. É normal.»

Continuo a pensar da mesma forma. Talvez só aqueles que sonham com o "nobel", não voltem a ler o que escreveram ontem...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

quarta-feira, abril 01, 2020

Parece Mentira (mas não é)...


Se no começo do ano alguém dissesse que iríamos começar o mês de Abril (que promete ser de águas mil...), fechados em casa, a ver o tempo passar - por aqui não passa tão lento quanto isso, continuo a deixar sempre coisas para fazer amanhã... -, a sentir no corpo e na alma, os efeitos de uma "clausura" inédita e estranha, para evitar o caos, ou pelo menos fazer com que ele apareça mais tarde e com efeitos menos nefastos.... diria que se tratava de ficção. Sim, da matéria com que se começam a "desenhar" os livros e os filmes...

Apesar de me sentir "prisioneiro", penso que estamos a fazer a coisa certa.

Talvez seja esta a única vantagem de não se ter uma economia forte, na hora de de "fazerem contas", não se torna tão difícil pensar mais nas pessoas que no dinheiro...

(Fotografia de Luís Eme - Monte da Caparica)