segunda-feira, julho 31, 2023

Tudo menos ser "invisível"...


Acabei de ler, "Invisível", de Paul Auster. Embora seja um autor de quem gosto, não vou falar do livro em si, até por ter uma história estranha. Retive algumas frases, como de costume. Houve uma que tem pouco a ver com este tempo e que até poderia ter inspirado o título da obra:

«Julgo que é melhor sermos tímidos que arrogantes, é melhor encaixarmo-nos delicadamente no meio em que vivemos do que intimidarmos toda a gente com a nossa insuportável perfeição humana.»

Também acho que sim, mas uma boa parte das pessoas acha que não. Gostam de apontar dedos, serem arrogantes e de saltar para qualquer palco... 

Tudo menos ser "invisível"...

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)


domingo, julho 30, 2023

O nosso quase "largo da liberdade"...


Durante a minha passagem pelas Caldas resolvi visitar um lugar onde não ia há muitos anos.

Recordava todo aquele vale, todos os montes que era possível avistar...

Tudo me pareceu mais pequeno, como acontece sempre nestas revisitações do passado. Até a proximidade da aldeia onde apenas fui nascer...

Imagino que fosse este o pinheiro, que tinha um baloiço que fazia as delicias da pequenada (nossas e dos primos)...

Ao contrário de hoje, naquele tempo estava tudo cultivado à sua volta. Eram poucos os espaços por onde podíamos caminhar, sem correr o risco de pisar isto ou aquilo. Felizmente ao redor daquele pinheiro não havia qualquer horta, quase que lhe podíamos chamar o nosso "largo da liberdade"...

E como eu e o meu irmão andávamos sempre a correr atrás um do outro (éramos conhecidos pelo "cão e pelo gato"), o avô e os tios, que estavam sempre à coca, a ver quando é que fazíamos disparate, descansavam a vista, quando estávamos a brincar no "largo da liberdade"...

(Fotografia de Luís Eme - Salir de Matos)


sábado, julho 29, 2023

A última das minhas preocupações quando tiro retratos...


Estava a passar pelo largo do Bairro da Ponte (Caldas), onde ficava a velha sede dos "Pimpões" e se organizavam os bailes dos Santos Populares (há anos que já lá vão...), quando reparei num velho sentado a uma mesa da pequena esplanada de um café de supermercado, entretido a ler banda desenhada. Lia um dos clássicos de Walt Disney, que eram a "oitava maravilha" das leituras da minha infância. Nesse tempo eram escritos em brasileiro (importados do Brasil...). Penso que só depois do 25 de Abril é que se começaram a fazer edições em Portugal.

Vendo que o homem estava completamente absorvido pela leitura, não resisti a tirar "um boneco" (meio à pressa nem ficou com a nitidez desejada, não fosse ele olhar para mim  e "estragar a fotografia"...).

Só depois, quando olhei o retrato com "olhos de ver", é que verifiquei que estava a fazer publicidade ao grupo de supermercados. Nada que me preocupasse, até porque eu sempre gostei de publicidade (sou até coleccionador, tenho centenas de recortes da imprensa...) e faço-a por aqui de forma ocasional e gratuita.

Este pequeno episódio lembrou-me uma chamada de atenção de um dos responsáveis pela Oficina de Cultura de Almada, quando lá fiz a minha última grande exposição. Uma das minhas fotografias com um plano geral da Praça da Fruta das Caldas tinha ao fundo, em letras muito pequeninas, o nome de uma instituição bancária. O senhor começou por me dizer que aquilo era publicidade e que não podia constar no folheto. Claro que lhe disse que era uma fotografia de um lugar e que não podia "apagar" as coisas que por lá existiam. Ou seja, se estava a fazer publicidade, era à Praça da Fruta. E claro que fui intransigente. A exposição era minha, era eu que mandava nas minhas fotografias. Um pouco a contragosto, o funcionário da Autarquia lá meteu a "viola no saco" e foi dar música para outra freguesia.

Continuo a pensar da mesma forma. Não vou "apagar" a publicidade por estar atrás da pessoa ou do objecto que quero fotografar. 

E lá acontece, fazer mais uma vez publicidade, de borla, por aqui no "Largo"...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sexta-feira, julho 28, 2023

A Minha Cidade e as Pessoas (desaparecidas)...


Ontem passei uma boa parte do dia com  a minha Mãe nas Caldas. 

Além de almoçar também jantei. Conversámos sobre as pequenas e as grandes coisas da vida, como de costume, com várias pessoas e lugares a surgirem nas nossas memórias e no nosso diálogo tão natural como feliz.

Passar mais tempo do que costumo nas Caldas, fez com que passeasse de manhã e também à tarde pelas ruas da cidade, onde encontrei muitos motivos de interesse para "olhar" e tirar as chamadas "fotografias de momento".

Passou-se também uma coisa curiosa e estranha. Apesar do passeio ser mais longo do que o costume, não encontrei uma única pessoa conhecida, nem mesmo de vista. Foi como se todas as pessoas que conheço tivessem mudado de lugar ou então se tivessem escondido à minha passagem...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quarta-feira, julho 26, 2023

Se antes já se ganhava dinheiro a mais no futebol, o que dizer agora?


Penso muitas vezes que o futebol é um desporto único, com uma capacidade de resistência invulgar, ultrapassando toda a espécie de ataques, altos ou baixos.

O mais provável é que, com esta "febre do ouro" (ou do petróleo...), das arábias, ele leve um abanão, daqueles grandes. Mas no final, mais uma vez, acabará por resistir...

O mesmo não poderei dizer de alguns clubes, que ao ficarem sem os seus melhores jogadores, podem ver os seus adeptos a virar costas aos estádios, em ruptura com todo o "negócio", ao mesmo tempo que os investidores "batem asas", deixando-os nas "ruas da amargura"...

Embora seja cedo para se fazerem contas ou lançar para a mesa prognósticos, ninguém duvida que tudo isto é surreal. Se antes já se ganhava dinheiro a mais no futebol, o que dizer agora?

E o mais grave, é que nem se pode dizer que se trata de um investimento, trata-se apenas de "gastar dinheiro" quase por vaidade e arrogância, para se poder ter os melhores jogadores no campeonato da Arábia Saudita.

Quando há quem veja nesta "loucura", uma boa novidade global, eu olho-a apenas como mais um ataque ao futebol e até à economia europeia e mundial.

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


terça-feira, julho 25, 2023

Seremos sempre diferentes, apesar das insistências...


Continuamos com alguma dificuldade em aceitar que somos diferentes, não apenas pelas coisas mais visíveis, ligadas ao corpo.

É por isso que algum feminismo se torna ridículo (deve continuar a existir "machismo", mas está cada vez mais escondido...), porque quer que sejamos iguais, muito para lá dos direitos. Se nós pensamos e olhamos para as coisas de maneira diferente, não podemos ver as mesmas coisas, aqui e ali.

Tudo isto a propósito de uma conversa que tive com uma amiga socióloga, sobre o nosso comportamento em grupo. Disse-lhe que se se acabarem com "as conversas de homens", onde se dizem palavrões e se usam palavras politicamente incorretas (sim, nós entre homens continuamos a falar de pretos, de paneleiros, de putas, entre outras coisas parvas e ofensivas...), perdemos alguma (ou muita...) liberdade. E não é por dizermos essas parvoíces que somos mais ou menos racistas, machistas, homofóbicos.

Ela disse-me o óbvio, que provavelmente isso nunca iria acontecer, tal como  "as conversas de mulheres". Acrescentou que precisamos dos "grupos sexistas" para existirmos, e que é preferível os encontros de amigos no café a dizerem coisas parvas, que os novos grupos, em que se juntam para fazer muito mais que porcaria, nos estádios de futebol e afins.

Mas o mais curioso foi ela dizer, que "as conversas de homens", mesmo que tivessem bolinha, deviam ser quase sempre mais interessantes que as "conversas de mulheres", muito mais focadas em modas, decorações, cremes, dietas, etc...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, julho 24, 2023

Quase me apetece falar dos "poucos mas bons" (que me pareceram mais que noutros anos)...


Já falei aqui de um Algarve com menos gente. 

O que é mais curioso, é que no meio de essa "menos gente" descobri mais leitores. Sim, vi mais gente a ler livros. E nem estou a falar do meu chapéu, que chegou a ter quatro leitores em simultâneo...

Como continuo a coleccionar retratos de leitores, deixo aqui dois registos, que bem podiam ter como legenda "o rapaz solitário do chapéu azul" e  "o bikini que lia livros"...

(Fotografias de Luís Eme - Algarve)


domingo, julho 23, 2023

Cacilhas com algumas novidades neste domingo de manhã...


Embora só tenha estado ausente uma semana, descobri algumas novidades, nesta manhã de domingo, quando resolvi dar um ligeiro passeio até ao Tejo em Cacilhas.

Gostei de ver algumas pinturas curiosas (com textos ligeiramente diferentes...) na parte superior das grades de sarjetas no largo de Cacilhas.


E também a instalação de oito "wc's" portáteis numa das extremidades do mesmo largo. Pelos vistos, a juventude católica pode vir à vontade a Cacilhas, pois já têm espaços para deixaram a sua "pegada", líquida ou sólida (bem os podiam manter depois das jornadas, pois a localidade recebe visitantes o ano inteiro)...

E quando me aproximava de casa, descobri junto aos contentores do lixo, um quadro com anjos, que parecia estar ali em exposição, mas o que queria mesmo era uma mão amiga que "salvasse" os anjinhos abandonados e com cara de caso...

(Fotografias de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, julho 21, 2023

Quando as "crianças" já são adultas...


Foi a primeira vez que tirámos apenas uma semana de férias de praia, no Sul. 

Já imaginávamos que ia saber a pouco, mas percebemos que a partir de agora, com dois filhos já adultos, não conseguirás mais do que apenas uma semana com, os dois, ou até apenas com um deles...

Mesmo que por vezes surjam alguns esquecimentos, as crianças cresceram e já começam a desenhar as suas próprias vidas...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


terça-feira, julho 18, 2023

"Quem tudo quer, tudo perde". Ou seja, os "velhos" que já ninguém quer ouvir (sábios de um saber popular quase milenar), continuam certos em quase tudo, nas nossas vidas...


Não precisava do desabafo da senhora que vende bolas de berlim, que se queixava que em relação a outros anos, deviam estar metade das pessoas de férias na praia.

Basta olhar para o aldeamento onde estou (Praia do Cabeço), onde se vê que metade das casas estão fechadas. E percebe-se muito bem o porquê. Quando me pediram quase o dobro do valor que paguei em 2021, por uma quinzena para a mesma casa... 

Apesar da "ganância" (não se nota apenas nas Jornadas da Juventude...), de esta gente, que pensa que os outros são todos parvos, a vida vai tratar de lhes dizer que a maior parte dos portugueses não "nadam em dinheiro"...

Ontem demos um salto a Tavira encontrámos o movimento muito mais calmo. Pois, nem parecia que estávamos na segunda quinzena de Julho...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


segunda-feira, julho 17, 2023

"Agosto Azul" em Julho...


Nestas férias trouxe meia dúzia de livros para ler, como de costume. Um deles foi o "Agosto Azul" de M. Teixeira Gomes, que segundo consta foi um dos poucos Presidentes da República que além de resignar ao cargo, respirou de alívio por se livrar daquela "camisa de onze varas", durante a controversa Primeira República. 

Tenho este livro há bastante tempo, mas só agora, quando andei a fazer algumas mudanças, é que o deixei  de parte (com mais uma dúzia...), para ler nos próximos tempos. O gostar bastante da capa, toda azul, desta quarta edição (1984), também deve ter pesado um pouco na escolha.

Embora o livro não seja muito fácil de classificar, o que mais me apraz de realçar, é a forma como está escrito: a grande riqueza linguística,  cheio de expressões que caíram em desuso, tão comuns nos finais do século XIX e princípios do século XX. 

Não é difícil de perceber que Teixeira Gomes era um homem especial. Além de ser extremamente sensível, tinha uma ligação muito forte à natureza. Descendente de uma família abastada algarvia, teve a oportunidade de "conhecer mundo" desde cedo, como representante dos negócios do pai (venda de frutos secos). Natural de Portimão, tinha uma relação especial com o mar. Relação que está espelhada em várias páginas deste livro, como nesta transcrição:

«Vale-me a presença do mar e só posso pensar no mar... Que grande castigo seria passar sem ele! Eu não vivo contente em sítio donde lhe não veja luzir o azul por entre as árvores... É um segundo céu mais sugestivo por certo  do que o outro. A gente do sertão não tem mais do que um céu. e o mais pobrezinho... A proximidade do mar é o único lenitivo possível à torreira do Sol e a aragem que ele bafeja torna-se a bênção do Verão.»

Saindo do livro e voltando à sua vida, há um aspecto pouco singular (ou não... estamos a falar de um republicano e de um democrata que não devia morrer de amores por Salazar), foi o facto de ter vivido o final da sua vida exilado. Desde 1925 até 1941, data do seu falecimento, na Argélia, não mais voltou a Portugal, onde deixara a esposa e duas filhas...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


sábado, julho 15, 2023

"Ainda estou, mas quase que já não estou..."...


"Ainda estou, mas quase que já não estou..."

Pois é, daqui a pouco vou dizer adeus a Almada, por uns dias, e passar umas pequenas férias. 

Acho que era a minha avó materna que dizia, que sempre fez bem mudar de ares, nem que fosse um fim de semana prolongado. E como ela estava certa...

Sempre deve ter havido "stress", mas nunca como agora. Vou mesmo mais longe, acho que o nosso corpo não está preparado para viver a esta "velocidade" (tudo passa cada vez mais rápido nas nossas vidas e se não conseguimos acompanhar este ritmo, ficamos irremediavelmente para trás...). Isso explica também o aumento de depressões e outras doenças estranhas, quase iguais a este tempo quase maluco, que nos consome e se esforça para nos "engolir"...

É por isso que todos nós devíamos partir, mudar de ares, nem que fosse por apenas três ou quatro dias...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)