sábado, junho 30, 2018

Um Outro "Cine Futebol Clube"...


Através de Miguel  Carvalho e da "Visão", tomei conhecimento da realização na cidade do Porto da terceira edição do "Cine Futebol Clube" (ontem e hoje).

O Miguel explica-nos que este é: «Um festival de estádio cheio onde o jogo é apenas o pretexto para ler as máscaras feridas, laços e imaginários que atravessam o planeta.»

Escolhemos as palavras que escreveu sobre Bagdah Messi, que foi filmado em cenário de guerra por Sahim Omar Kalifa. Filme que já venceu 12 prémios internacionais e foi seleccionado para os Óscares (é exibido hoje à noite no "Hard Club"):

«No Iraque devastado, o pequeno Hamoudi tem apenas uma perna, mas dois sonhos, jogar futebol e conseguir ver, pela televisão, a final da Liga dos Campeões entre o Barcelona de Messi e o Mancester United de Cristiano Ronaldo.»

(Fotografia de autor desconhecido do pequeno Hamoudi, que por razões óbvias deve ter sido "empurrado" para a baliza - retirada da "Visão")

sexta-feira, junho 29, 2018

Ginjal, um Fascínio Especial...


O Ginjal é o local que mais tenho fotografado nos últimos anos.

Isso deve-se ao facto de ser o lugar de Almada por onde mais passeio a pé, normalmente ao fim da tarde.

Normalmente ando com uma pequena máquina fotográfica e aqui e ali, vou substituindo o meu olhar pelo visor, retratando as pessoas que passam (de lado ou detrás... para puderem ser qualquer pessoa), o rio com e sem barcas, e claro, as paredes, que mudam de "pinturas de guerra" com alguma regularidade.

No meio de tantos "bonecos" há sempre alguns que parecem mais especiais que outros, como aconteceu com estas três fotografias, com que participo na exposição, "Almada em Festa", que está patente na sede da SCALA...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, junho 28, 2018

Este Mundo dos "Vencedores"...


Todos sabemos, por experiência própria, que esta coisa de viver, tem muito que se lhe diga...

Uma das coisas que mais me incomoda é este mundo ser cada vez mais dos "vencedores". Quase toda a gente está com o olhar preso às "passadeiras vermelhas", esquecidos das "ruas detrás" e dos "bancos de jardim", transformados em "quartos de hotel" por esse mundo fora...

Há demasiados exemplos de vidas que nos fazem pensar duas vezes, especialmente quando caminhamos de derrota em derrota, sem percebermos muito bem o que se está a passar à nossa volta.

Normalmente os pesadelos começam com o desemprego... se não o conseguirmos "fintar" logo no início, podemos perder coisas, que não nos passam pela cabeça.

O Rui em apenas um ano, perdeu o emprego, teve de vender a casa, o carro... E nem a família escapou, pois a mulher quis o divórcio e foi viver para a casa dos sogros com os filhos.

Os únicos que não lhe voltaram as costas foram os pais, que não só mantinham o seu quarto praticamente igual ao dos seus tempos de solteiro, como lhe deram toda a força, para começar de novo, uma outra vida...

De repente viu praticamente todos os amigos a desaparecerem. Os que pensava que o poderiam ajudar deixaram de lhe atender o telemóvel. Sentiu na pele que a realidade de um desempregado, sempre era o tal "filme de terror", capaz de destruir tantas vidas, que ouvia falar por aí...

A partir de certa altura, o que ele queria era trabalhar. Foi por isso que aceitou um emprego mal pago, onde não eram necessárias grandes qualificações. Felizmente para ele, houve um problema a nível informático na oficina e alguém disse que ele percebia daquilo e podia ajudar. Não só ajudou como resolveu o problema.

E foi assim que "saiu do inferno"... conseguindo um trabalho compatível com os seus conhecimentos e mais bem pago.

Lembrei-me dele, porque uma das palavras que menos gosta de ouvir é: "solidariedade".  E continua a não compreender que raio de sociedade é esta, onde vivemos, que quando mais precisamos de ajuda, é quando mais nos fecham a "porta na cara"...

(Fotografia de Luís Eme)


quarta-feira, junho 27, 2018

Gente do Nosso Dia a Dia...


O vai e vem do cacilheiro é sempre prometedor para as vendedeiras que se colocam por ali, bem na frente, da gente apressada que sai da barca e quer chegar a casa...

Elas têm sempre fruta da época, do Outono ao Verão. 

Há também uma senhora que vende roupa (talvez tenha sorte, pelo menos nos dias ventosos, com turistas mais distraídos...).

De vez enquanto também aparece por ali um vendedor de queijos e enchidos.

A vida é isto.  Fazer um ou outro malabarismo, para ver se se soltam umas moedas dos bolsos dos viageiros, de pequeno ou médio curso...

Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, junho 26, 2018

Um Livro à Beira Tejo...


Mesmo fechado, gostei de ver hoje pela manhã um livro à beira Tejo.

Provavelmente estava a descansar, por momentos, tal como a dona...

Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, junho 25, 2018

O Limite das Vinte Linhas...


Cada vez tenho menos dúvidas de que há menos leitores para as histórias grandes. Um dos melhores indicadores desta realidade são os transportes públicos onde se consegue ler (comboios, metro, barcos...), sem transtornos de maior.

De uma forma progressiva os livros e os jornais foram sendo substituídos pelos telemóveis. A imagem foi ganhando às letras (sim, olham-se mais as imagens e os vídeos e lêem-se menos textos - dá-se preferência às legendas).

Já nem o José Rodrigues dos Santos "reina", ele que era o preferido do público feminino que viajava de cacilheiro. Algo que se compreende, porque até ele é apenas mais um dos "comandantes" que estão a perder esta "batalha", onde as palavras bonitas começam a não ser "argumento"...

Olha onde é que eu já vou... começo a escrever e nunca mais páro. Apenas queria dizer que há já algum tempo que fui aconselhado a não escrever textos superiores a vinte linhas, com o argumento que "muitas palavras" num só texto, afastam os visitantes dos blogues.

E realmente, já devia ter pensado que a palavra "visualização" não é sinónimo de "leitura" (pensava que tinha ultrapassado mais uma vez as vinte linhas, mas desta vez isso não aconteceu...).

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, junho 23, 2018

O 23 de Junho em Almada


Hoje é um dia especial em Almada, em que se começa a festejar o nosso santo, o São João.

Além do tradicional desfile das Marchas Populares lá mais para a noite, é também dia de festa na Casa da Cerca (comemora o seu 25º aniversário), que é muito mais um o Centro de Arte Contemporânea de Almada, é um dos melhores miradouros de Almada, e não só apenas para Lisboa e para o Tejo, como se pode comprovar com esta foto...

Sem esquecer alguns bailaricos, aqui e ali, para manter a tradição...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, junho 22, 2018

O Nosso País Continua a não Ser para Todos...


Ontem estive com o Gui. Confessou-me que vai regressar a São Paulo, em Agosto, desiludido por o nosso país continuar a ser uma farsa... 

Contou-me meia-dúzia de episódios "proibidos", sobre o que algumas pessoas fazem para conseguir ganhar concursos, mesmo os de tostões. 

Nada que me surpreendesse por aí além. Há muito que a dignidade humana anda por baixo...

Meio a brincar meio a sério disse: «Tenho inveja dos tipos que nascem e morrem no mesmo sitio. Sei que não precisam de muito para serem felizes, é por isso que tirando algumas preces relativas à família e à saúde, não pedem quase nada à vida. Aceitam o que ela lhes dá, mesmo que sejam apenas migalhas...»

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, junho 21, 2018

Ainda bem que Estamos Sempre a Aprender...


Um acontecimento dos últimos dias fez com que pensasse pela primeira vez em algo, que nunca me tinha passado pela cabeça: a apropriação de algo que "não nos pertence", quando escrevemos sobre os familiares de alguém.

E pensar que já fiz largas dezenas de ensaios biográficos (uns publicados em livros, outros em revistas ou boletins), sem nunca me preocupar com o que pensavam os seus familiares.

Claro que estou a falar de "retratos positivos", sobre gente que mereceu ver enaltecido o seu trabalho em várias áreas. Alguns familiares agradecem-me pelo trabalho realizado, emocionados, pela minha tentativa de derrubar o "esquecimento", outros permanecem em silêncio. Mas nunca recebi qualquer crítica negativa. Recebo sim algumas chamadas de atenção por pequenas incorrecções, que registo, ciente de que a verdade na história é algo que está sempre em constante mudança...

Ainda bem que estamos sempre a aprender...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, junho 20, 2018

Os Tempos de "São Ronaldo"...


Até agora, ver a nossa Selecção jogar no Mundial, afecta o sistema nervoso de qualquer português.

Há vários jogadores abaixo do que valem (Raphael Guerreiro, José Fonte, William Carvalho, João Moutinho, Bernardo Silva, Gonçalo Guedes... ou seja, mais de meia-equipa), o que acaba por comprometer a resposta ao jogo, que continua a ser, sobretudo, colectivo.

E depois isto acaba por ser contagiante... Quase toda a equipa perdeu demasiadas vezes a bola, com muitos passes falhados, alguns dos quais na direcção dos adversários, e em zonas proibidas.

A nossa sorte tem sido Rui Patrício, Cédric, Pepe (que mesmo sem estar no seu melhor, é imprescindível...)  e Cristiano Ronaldo, mais uma vez o "Salvador da Pátria".

Se se mantiver a teimosia do nosso treinador, sempre muito conservador (incapaz de alterar o onze base, mesmo quando tem um Mário Rui, um Adrien, um Manuel Fernandes, um Ruben Dias, um Quaresma ou um André Silva no banco...), desta vez ficaremos pelos oitavos de final...

(Fotografia retirada do "site A Bola")

segunda-feira, junho 18, 2018

O Uso e Abuso dos Pobres Desgraçados...


Enquanto subia a avenida, depois de assistir a um momento degradante, pelo menos para mim, pensei no  Luiz Pacheco, um escritor e editor, que em nome do "neo-abjeccionismo" (o que quer que isso seja...), fez coisas impensáveis para um ser humano, privando todos os que com ele viviam, de uma vida próxima do normal...

Pensei nele sem conseguir explicar muito bem porquê. Ele não seria o "espelho" do vagabundo alcoolizado que dançava e dizia ordinarices, junto a um bando de comerciantes, que ria a bom rir, - assim como todos os que estavam sentados na esplanada, a assistir ao "espectáculo de borla" - por terem contratado um "palhacito" apenas a  troco de uma imperial e de uns tremoços...

Continuei a minha caminhada, sem conseguir achar piada ao uso que faziam daquele pobre diabo... Mas talvez o problema fosse meu...

(Desenho de François G. Menageot)