segunda-feira, abril 30, 2018

Pequenas Grandes Provocações num Dia Especial...


Uma loja em Almada com gestão asiática prepara-se para reabrir amanhã, no dia do trabalhador. Acredito que no seu país natal não liguem a essas "ninharias", que chamamos de "feriados", e que nos são tão agradáveis...

Como já vem sendo hábito, aquele senhor merceeiro, Alexandre qualquer coisa Santos, também deve fazer a habitual investida às carteiras dos portugueses, com "descontos incríveis", para festejar o Primeiro de Maio com os trabalhadores.

É assim o capitalismo, nem nos dá descanso no nosso dia...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, abril 29, 2018

Ainda a Beleza dos Campos...


Hoje à tarde acabámos por ir beber café à Fonte da Telha. Ficámos um pouco pela esplanada a escutar a musicalidade do mar - cheio de ondas - e a saborear o Sol, que ainda não está demasiado forte.

E depois, a pedido dos filhotes, demos um passeio pela parte superior da arriba fóssil, onde se desfruta uma vista extremamente agradável. 

Como estava apenas uma ligeira nebulosidade, era possível ver todas as praias do Sul e do Norte, e ao longe via-se Cascais de um lado e o Cabo Espichel do outro...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, abril 28, 2018

Abril nos Campos...


Não é novidade nenhuma dizer que Abril e Maio são os meses mais bonitos do ano.

Este ano, graças a toda esta água que tem descido dos céus, ainda se encontram mais floridos.

Por termos a memória curta, até nos apetece dizer "não me lembro de passar por aqui nesta estrada e ver as bermas com tantas flores", mesmo sabendo que é quase assim todos os anos.

Claro que quando chove menos, os "jardins selvagens" ficam um pouco mais pobres, porque as plantas são iguais a todos os seres vivos, há algumas de maior sensibilidade, que precisam mais de água que outras...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, abril 26, 2018

O Dia Seguinte...


Acho que as pessoas fingem acreditar no grito que deram ontem, em uníssono, o habitual "Abril Sempre!"

Digo isto porque fazem muito pouco para que este mês (e os outros...) seja mais que uma boa memória.

Eu sei que não é de agora. Toda esta "liturgia televisiva", que nos quer levar até ao esquecimento, com a oferta de anestesiantes constantes, começou logo em 1976, primeiro com alguma timidez, e também com a utilização de vários disfarces. 

Foi por isso que nem foi preciso esperar muito tempo para que o "poder" voltasse para as mãos das famílias que mandavam no país a 24 de Abril, com a brandura e a vénia dos "democratas" que cerravam fileiras nos partidos de poder (PS, PSD e CDS). 

Mas os "donos disto tudo" foram ainda mais longe, agradecidos, trouxeram-nos para a sua "corte", com os escândalos e roubos que todos conhecemos e pagamos... 

Claro que para o ano, gritamos novamente em uníssono, o habitual "Abril Sempre!"

(Fotografia de Luís Eme - esta imagem não aparece aqui por acaso, durante este tempo tivemos um governante que fingia que não era político e esteve no poder durante 20 anos, e ao mesmo tempo que condecorou dois antigos inspectores da PIDE, "esqueceu" e ignorou o nosso herói maior da Revolução de Abril...)

quarta-feira, abril 25, 2018

Almada Cantou "Abril Sempre" com os Xutos


Almada voltou a ter a música como grande atractivo da Festa da Liberdade. Começou ainda a 24 com Gisela João (mas o fado perde tanto em espectáculos de massas...), depois escutámos um coro, infantil e juvenil, que cantou a nossa Grândola, o cântico da liberdade da autoria do nosso maior poeta-cantor,  o inesquecível Zeca Afonso.

Mudou-se a página do 24 para 25 com o tradicional fogo de artífico... e depois veio o grande concerto da noite, com a única verdadeira banda de rock portuguesa, os "Xutos e Pontapés".

Os largos milhares de pessoas que inundaram as praças S. João Baptista e da Liberdade (não me lembro de as ver com tanta gente...), saíram satisfeitas, porque o Tim, o Kalu, o Cabeleira e o Gui, continuam em grande (mesmo sem o carismático Zé Pedro...) e ofereceram aos almadenses um concerto inesquecível.

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, abril 24, 2018

Pensar no 24 de Abril...


Infelizmente, não há muito tempo, estivemos mais próximos que nunca, do 24 de Abril. Foi quando tivemos um primeiro-ministro a mandar os nossos jovens para fora (e muitos tiveram mesmo que ir, para conseguir um trabalho...).

Eu escrevi um poema e tirei uma fotografia (encenada, em que o actor é o meu filho, que se as coisas não tivessem mudado para melhor, bem poderia também ter de partir), que fizeram parte da minha exposição de fotografia com poesia, "Cravos da Liberdade" de 2014...

Abril Floria


Fazias as malas
enquanto lá fora ABRIL FLORIA.
Sabias que não havia
lugar para ti neste país
onde se continua a fingir

que se vive em democracia…

Luís [Alves] Milheiro

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, abril 23, 2018

Os Jornais, os Leitores, os Vendedores e os Distribuidores...


Incomoda-me ir comprar o jornal e ficar por ali à espera, a ver os empregados do balcão a despacharem raspadinhas, cigarros ou a registarem apostas do placard e do euromilhões.

Mas percebo esta nova realidade, se se vendem poucos jornais (e com pequenas margens de lucro...), é normal, que me dêem cada vez menos atenção.

Mas segundo li ontem no "Diário de Notícias", na crónica assinada por Joel Neto , jornalista e escritor açoriano, há coisas bem mais graves a acontecerem por este país fora no que toca à compra de jornais. Por exemplo nas ilhas:

«[…] Os jornais perderam massa crítica, os leitores de jornais também e, no geral, a indústria contraiu-se. Mesmo assim, as lojas do Carlos e dos colegas vendiam bastantes jornais - quase todos os que se vendiam nesta ilha. E agora, de repente, já não vendem quase nenhum. 
Não porque não reste ninguém para os ler: ainda há quem os queira, mesmo se não tanta gente como no passado. Não porque não sobre às lojas força para os vender: ainda é nos jornais que sentem mais em jogo todo o seu sentido de missão. Simplesmente porque os aviões da SATA e da TAP já não os trazem. Ou porque os trazem apenas no voo da madrugada seguinte, quando já ninguém os lerá.[…]»

Não há muito a dizer. Uma coisa é venderem-se poucos jornais, outra coisa é não aparecerem sequer nas bancas...

(Fotografia de Luís Eme - não é esta a tabacaria onde habitualmente compro o jornal, por que fica "fora de mão"...)

domingo, abril 22, 2018

A "Canalhice" Feita a um "Canalha"...


Quando assisti à transmissão televisiva de parte dos interrogatórios a José Sócrates, perguntei a mim mesmo, como é que era possível, tornarem aqueles filmes públicos. Porquê esta necessidade de humilhar o arguido e de colocar a justiça ainda mais nas "bocas do povo"?

Mas hoje ao ler a crónica de António Barreto no "Diário de Notícias", em que ele escreveu muito do que pensei, achei que devia dizer alguma coisa. E nada melhor que transcrever algumas das suas palavras:

[...] «A divulgação em canais de televisão do interrogatório de José Sócrates, brada aos céus. Outros, incluindo os banqueiros arguidos, já por ali tinham passado. E também aqui não se viu, até agora, uma reacção institucional que traga decência e civilidade à justiça.
Mesmo em democracia, um interrogatório feito pela polícia é sempre um momento de debilidade pessoal. Seja ou não bandido ou aldrabão, tenha ou não um currículo violento, possua ou não músculos ou capital, partilhe ou não ferocidade com animais selvagens, um arguido ou um suspeito está sempre, durante o interrogatório, em situação de inferioridade, facilmente amedrontado, quase sempre em fragilidade psicológica. Mesmo quando reage com fúria destemperada, como foi o caso, o arguido está assustado e luta pela vida. Em pleno interrogatório, sobretudo se tem algo a esconder, se há culpa, se procura defender-se, qualquer pessoa, mesmo valente ou violenta, merece, porque é uma pessoa humana, um pouco de respeito. Uma justiça decente tem em consideração a humanidade das pessoas e dos processos. O que estão a fazer com José Sócrates é imperdoável. Como foi com os banqueiros e outros. A falta de respeito pelo arguido não é apenas isso: é sobretudo falta de respeito pelos cidadãos, por nós todos.» [...]

Quem será que tem a coragem de dizer aos juízes, delegados, procuradores e jornalistas, que eles não são "justiceiros populares"?

E nem me apetece falar das estações televisivas e da comunicação social em geral... a não ser para dizer que a SIC afinal não é assim tão diferente da TVI e do CMTV, nem o "Expresso" do "Correio da Manhã"...

(Óleo de Armando Morales)

sábado, abril 21, 2018

Os Muros Invisíveis que Construímos...


Ao cruzar-me com um rapaz ligeiramente mais velho que eu, lembrei-me de um episódio festivo que aconteceu há pouco tempo, em que me deixei ficar, quase "fechado", dentro de um grupo de amigos. Na altura não pensei muito no caso, mas sempre que o vejo,  recordo a cena, a sua chegada, a tentativa de intromissão, e o fazerem de conta que ele não estava ali (papel bem interpretado pelas mulheres, que estavam em maioria...). Inteligente, bebeu o café e foi embora.

Nunca me falou no assunto, mas como tenho o velho hábito de me colocar no seu lugar, imagino que se deve ter sentido incomodado, até por nos conhecer a todos, uns melhores que outros.

Com o tempo fui percebendo que havia pelo menos dois grupos entre estas gentes das culturas (talvez tivesse um pé nos dois (mas só os dedos...), por me dar bem com praticamente todos os seus elementos. E ele até é do outro grupo...

Quem evita fazer parte destes grupos demasiado fechados, que gostam de perder tempo a falar de "coisas pequeninas", acaba por ser olhado de lado pelas duas partes. No meu caso pessoal, acho que isso nem acontece. Mas não era nada que me incomodasse, até por passar ao lado de uma série de intrigas (sei sempre depois...), que acabam por ter efeitos nocivos na relação entre uns e outros, e no meio onde estamos inseridos. 

Mas nós humanos somos mesmo assim. Desde os tempos da escola primária que nos habituamos a querer os nossos amigos só para nós e a construir "muros invisíveis"...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, abril 20, 2018

A Competência versus a "Má Imprensa"...


Há palavras que são muito utilizadas, especialmente como "chavões" de discursos, como é o caso da  "competência", "solidariedade" ou "méritocracia", mas que infelizmente têm pouco efeito prático na sociedades actuais, onde a "mediocridade",  o "individualismo" e o "amiguismo", continuam a ser quem mais ordena.

Só quem é mesmo muito bom, é que se vai conseguindo manter "à tona de água"...

Há já algum tempo que me apetecia escrever sobre dois treinadores de futebol, cuja carreira tem sido mais complicada do que devia, por serem dois homens com um grande carácter e seriedade, que não se limitam a  sorrir para as câmaras ou a debitar frases banais que ajudam o "negócio".

Acreditam sobretudo no trabalho e na qualidade profissional. São eles Arséne Wenger e Carlos Queirós.

Por serem dois treinadores com convicções fortes (não alteram o sistema táctico nem utilizam jogadores, por pressão ou a pedido, quer de "comentadores" quer de "jornalistas"...), acabam por ter má imprensa, que ao menor deslize, começa logo a "inventar crises" e a "pedir a sua cabeça"...

É por isso que é quase um milagre Wenger estar no comando do Arsenal há praticamente 22 anos (anunciou hoje a sua saída no final da época...). É também por isso que os 16 títulos que conquistou são normalmente desvalorizados... mesmo que tenham sido conquistados contra algumas equipas históricas  inglesas como foram o Manchester United de Alex Ferguson, o Liverpool de Kenny Dalglish ou o Chelsea de José Mourinho.

(Fotografia de Autor Desconhecido)

quinta-feira, abril 19, 2018

Livros Iguais para Leitores Diferentes...


Como quase tudo na vida, também a leitura dos livros nos desperta sentimentos diferentes, em parte por termos a capacidade de olhar para o mundo que nos rodeia com "cores diferentes".

O "filme" começa logo nas primeiras páginas, na forma contraditória como gostamos, ou não, da escrita ou da história que a pessoa que brinca com as palavras nos oferece.

Ao ler "O Nervo Ótico" de Maria Gainza, pensei nestas coisas todas, porque o seu começo não é nada deslumbrante. Também não é uma coisa chata, daquelas que nos apetece logo encerrar "o caso", às primeiras. Foi por isso que continuei a ler e à medida que ia lendo, ia gostando das palavras da Maria, que sim, faz uma original combinação de memórias (frase da capa... que também nos diz que a vida é um museu), com a sua cultura artística, a família, os lugares que foi percorrendo, sempre de uma forma simples, que nos vai colando à sua vidinha com prazer.

Mas eu nem queria falar do livro, mas sim das sensações que me foi despertando, e não menos importante, das questões que foi levantando. Pensei, entre outras coisas, nas diferentes técnicas usadas pelos escritores para nos contarem as suas histórias. Se uns querem agarrar-nos logo na primeira página, outros preferem não dizer nada de especial nos primeiros capítulos, para depois nos agarrarem, até ao fim. E depois há os outros, que nunca nos conseguem prender às suas palavras. E cada vez estou mais convencido de que isso acontece por falta de talento ou por talento a mais (acho que é o caso no nosso Lobo Antunes...). Se nos meus primeiros tempos de leitor, lia todos os livros até ao fim (por vezes com grande sacrifício...), hoje já não caio nessa "patetice". 

Sei e aceito, pacificamente, que há livros e escritores que não são para mim...

quarta-feira, abril 18, 2018

«Um Corrupto de esquerda é diferente de um da direita. Ponto final.»


De repente a comunicação social voltou a "acordar" o monstro adormecido e a inquietar alguma esquerda, que ainda quer acreditar que o antigo presidente do Brasil é diferente dos seus companheiros de partido e governo, já que sobre o antigo primeiro-ministro pouco haverá a acrescentar. 

Em conversa de café, ficou mais uma vez registado que há uma exigência moral maior para a esquerda que para a direita, no mundo da política. Isso pode explicar em parte a forma como o jornalismo e a justiça têm "perseguido" o nosso "Animal Feroz" por cá, e o "Molusco Metalúrgico " por lá.

Essa exigência prende-se sobretudo pelos valores que defendem.

Quando o Jorge disse que «um corrupto de esquerda é diferente de um da direita. Ponto final», explicou quase tudo.

Falou-se muito do "cavaquistão", dos muitos escudeiros do "homem que nunca se engana" que se safaram à grande com os fundos comunitários, e que nunca foram alvo de uma investigação séria como esta (nem mesmo os envolvidos no "roubo" do BPN...). 

Mesmo que precisássemos de exorcizar os nossos fantasmas, todas as comparações são odiosas... 

E na verdade, pelo que se diz e mostra, nunca houve um "pobre provinciano" que usasse tanto a chamada "esperteza saloia" e pensasse que éramos todos tolinhos... 

Mas o erro maior disto tudo é dizer-se que o rapaz que "veio das berças" é de esquerda, ele até andou pela JSD, como salientou a Rita...

(Fotografia de Luís Eme)