domingo, novembro 14, 2021

Uma Triste Evidência


Sei que o nosso não apuramento directo da nossa Selecção para o Mundial, não vai alterar nada no seio da Federação, mas pelo menos posso desabar no meu "Largo".

É uma evidência que a Selecção Nacional nunca jogou um futebol, bonito e agradável com Fernando Santos. Nem mesmo quando foi Campeã da Europa. Mas nesta qualificação para o Mundial, apesar de ter melhores jogadores, conseguiu jogar ainda pior. 

Tal como aconteceu na maior parte dos jogos, senti que havia vários jogadores "perdidos" dentro de campo. E a culpa só pode ser do treinador ou dos ditos jogadores.

Por muitas desculpas que sejam dadas, com a sorte e o azar, os factos dizem-nos que nunca tivemos jogadores tão bons (muitos...) e uma selecção tão mediana. Há aqui qualquer coisa que não bate certo. 

É caso para perguntar: como é que é possível alguém conseguir desperdiçar tanto talento?

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, novembro 13, 2021

Anjos da Literatura (que também falam com Demónios)


De vez em quanto falo de literatura com amigos. Fico com a sensação de que é uma coisa cada vez mais rara, por não ter assim tantos amigos do meio. Claro que também conheço quem escreva, que gosta de falar de tudo menos de livros e de escritores. Fala-se de música, cinema, futebol e até política, mas sem bandeiras. Faz de conta que somos todos do Belenenses e do Livre.

Mas não era sobre isso que tinha pensado escrever. Como estive a folhear "O Ano da Morte de Ricardo Reis", lembrei-me das palavras que escutei na Casa dos Bicos, sede da Fundação José Saramago de Pilar Del Rio (em 2018), a sua última companheira e grande protectora de tudo o que tenha a ver com o nosso Nobel da Literatura.

Já me tinha cruzado com Pilar em duas ou três ocasiões e a imagem com que ficara da senhora era pouco agradável. Mas ali, sentado, a ouvi-la falar com tanto carinho, alegria, saber e até devoção, pensei que Saramago não podia ter ninguém melhor para divulgar e defender a sua obra e vida literária.

Nesse dia também fiz a visita guiada pela Lisboa do Ricardo Reis e de Saramago, que também foi bastante luminosa, graças à nossa guia e também a Fernando Pessoa e ao José.

Começo a escrever e vou para outras ruas, quando o que eu queria dizer era bastante simples. Não sei se os casamentos de Mécia com Jorge de Sena nem de Pilar com José Saramago foram felizes (mas tudo indica que sim...). Sei que tanto Mécia como Pilar são tidas como pessoas arrogantes (entre  outros adjectivos mais feios...), mas foram as melhores companheiras que eles podiam ter, para continuarem a sua caminhada literária. Se é extraordinária a obra publicada postumamente por Mécia de Sena, toda a actividade "saramaguiana"  de Pilar não lhe fica atrás.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, novembro 12, 2021

Os Mais de 300 anos de "Tradição" (aliás, de exploração)...


Para algumas pessoas até pode parecer uma coisa romanesca, a existência de gente que se julga superior aos outros e que se pudesse inventava mesmo o famoso "sangue azul". Quando podem fazem a conjugação dos apelidos que têm no nome com o seu historial familiar, que em tempos que já lá vão os tornara donos de quase "metade do mundo".

Alguns ainda andam por aí e de longe a longe esquecem-se que vivemos numa república democrática e... ouvem coisas que não gostam de ouvir. 

Foi o que aconteceu ao "conde", quando se colocou em bicos de pés para exaltar os mais de 300 anos de tradição familiar. Quem não esteve pelos ajustes com os seus devaneios foi o tio Zé David, que lhe respondeu à letra, substituindo a palavra "tradição" por exploração.

O "conde" ainda lhe chamou mal agradecido, mas como o tio Zé David estava com a "corda toda", disse-lhe que se havia alguém mal agradecido era ele e a sua família, que viveram durante séculos à custa do povo da aldeia, que tratara quase como escravos. E eles sim, nunca tiveram uma palavra de agradecimento para todos aqueles que privaram de ter uma vida digna.

Depois desta é que o "conde" pegou nos seus mais de "300 anos de tradição" e com uma passada rápida, caminhou na direcção da velha casa senhorial, cujo portão se fechou com estrondo.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, novembro 11, 2021

A Revolta Já não Cabe Dentro dos Hospitais


Provavelmente as várias demissões e manifestações de descontentamento de médicos, enfermeiros e restantes funcionários dos hospitais, não estão a acontecer neste período, que se pode considerar pré-eleitoral, por acaso.

Até porque os bastonários das respectivas ordens pertencem ao lado direito da política.

Mas não são eles os culpados do "reboliço" que está a virar quase todos os hospitais de pernas para o ar. Os grandes culpados são os ministros das finanças socialistas dos últimos anos e as suas celebres cativações, que foram depauperando o SNS, ao ponto de ele estar quase a "dar o estoiro". 

E claro que tudo isto só pode ter acontecido com a conivência do primeiro-ministro...

É caso para dizer que a sorte do espertalhaço do Costa é a "guerra" de poder no PSD. Mesmo assim não dou a sua vitória por garantida, muito menos a maioria sonhada, à custa dos seus dois bodes espiatórios preferidos (PCP e BE)...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, novembro 10, 2021

Comportamentos & Manias (com e sem dedos)


Ainda ontem ao almoço falámos do comportamento das pessoas, durante e pós-pandemia, muito menos tolerantes e pacientes para com os outros. Isso nota-se até mesmo nos pequenos gestos, como um simples sorriso ou aceno, como forma de agradecer qualquer acto generoso.

Todos aqueles que achavam que a pandemia ia melhorar o comportamento humano, tornando-nos mais solidários e menos egoístas, devem estar extremamente desiludidos. 

Mas os "tempos de guerra" são assim mesmo, tanto podem mostrar o melhor como o pior de nós...

E se a sociedade onde estamos inseridos primar pela ausência de valores humanistas, o cenário torna-se ainda mais negro...

Mas há outro aspecto social ainda mais sinistro, a crescer, é a mania que algumas pessoas têm de querer mandar na liberdade individual de cada um de nós. Mostram que poderiam dar agentes de qualquer PIDE, pois parecem estar sempre prontos a apontarem o dedo a alguém (esquecidos dos três que se viram contra eles...), apenas por algumas pessoas primarem pela diferença e pela liberdade.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, novembro 08, 2021

As Greves contra o Povo...


Eu sei que se as greves não incomodarem as pessoas não fazem grande sentido. Mas há incomodar e incomodar...

É por isso que também sei que estas greves quase cirúrgicas, marcadas para as horas que "fazem mais doer" a quem não tem outra escolha, que deslocar-se para o trabalho de transportes públicos... só conseguem colocar mais pessoas contra as greves e os grevistas.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, novembro 07, 2021

As Voltas que os Livros Dão...


Sei que se um livro tiver a sorte de pertencer a viageiros que gostem de ler (como o casal que ficou nesta minha fotografia, tirada na sexta-feira, a meio da tarde, no Ginjal), pode "escutar vozes" diferentes das que está habituado, ganhando também ele mais mundo, mesmo que viaje dentro de uma mochila ou mala.

Mas não é dessas "voltas" que quero falar. Na quarta-feira ainda caíram alguns pingos de água e eu como de costume, estava sem chapéu de chuva e tive de me abrigar por alguns minutos no exterior da entrada de um prédio. 

Fiquei à espera que o "São Pedro desligasse o chuveiro", quase à porta de um antiquário, que também vende livros. Fui olhando para a montra, mas como não era "a mesma coisa", acabei por entrar, porque sabia era melhor esperar a ver lombadas de livros, que estar cá fora a ver a chuva a cair. No meio de centenas de livros descobri dois de poesia, da autoria de almadenses. Sabia que um deles estava lá para casa, em alguma estante, o outro fiquei na dúvida. Mas o que despertou a atenção foram as suas dedicatórias. Estavam dedicados a um amigo que também escrevia livros e que nos deixara no final de 2020.

Acabei por meter conversa com o antiquário, para satisfazer a minha curiosidade e descobrir como é que os livros ali tinham chegado. Ele tinha milhares de livros em casa e como acontece nestes casos, a família acaba por vender quase todos os livros, por uma questão de espaço e também para ganhar alguns cobres. Foi quando me disse que um colega de Lisboa tinha comprado milhares de livros e ao descobrir vários sobre Almada, entrou em contacto com ele, para saber do seu interesse. E foi assim que alguns livros do escritor almadense voltaram a atravessar o rio, à procura de novos leitores...

O mais curioso nesta troca de palavras, foi ele ter ficado a saber mais sobre o escritor e sobre os livros que tinha de Almada, que eu sobre o "apeadeiro" lisboeta dos livros...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


sábado, novembro 06, 2021

«O Inverno ainda não veio. Foi só o frio que chegou.»


As pessoas dizem coisas que parecem não ter muito nexo, pela forma descontraída como se usam as palavras.

Quando ouvi a senhora da tabacaria a dizer que «o Inverno ainda não veio. Foi só o frio que chegou.» Percebi perfeitamente o que ela quis dizer. 

Estava frio sim, mas os dias continuavam a ser de Sol, até se podia passear na praia e tudo.  

Claro que mesmo com Sol, o homem dos sorvetes agora vende castanhas. Ele não é parvo nenhum e sabe que agora o que apetece mesmo são as "quentes e boas"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, novembro 05, 2021

O "Outro Lado das Imagens"...


Quem gosta mesmo de fotografar, à medida que se vai emaranhando no mundo das imagens, começa a fazer alguns desvios e percorrer um caminho diferente, em busca do que normalmente não preenche o olhar dos outros. 

Claro que esta caminhada não está isenta de riscos. O maior de todos talvez seja a fixação do nosso olhar num "outro lado das imagens", quase sempre estranhas e cuja classificação deixa de ser óbvia.

Até porque o que é diferente e único, raramente é o mais bonito...

Para muitos este é o caminho que nos leva à arte. Arte que nem sempre quer coincidir com o belo, que com o tempo começa a parecer uma banalidade...

Talvez alguns mestres da fotografia tenham razão, talvez o belo seja mesmo o mais fácil de retratar...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, novembro 04, 2021

As Estórias que Ficam a Meio (e as outras)...


Estive a "limpar" alguma da (demasiada) palha que vai enchendo o meu portátil, diariamente.

Apaguei várias duplicações, organizei pastas, e claro, descobri muitas histórias que ficaram a meio...

Encontrei também coisas quase acabadas, como um conjunto de microcontos escritos durante as férias do último Verão, no Sul. A receita foi simples, encontrava alguém, cuja única característica (pelo menos no início...) era a cor do biquini ou dos calções de banho... E fazia-lhe um desenho com palavras. Acabei por fazer algumas variantes, como escolher uns óculos ou um balde de praia, também com cores distintas.

Ao contrário de outros escritores, costumo-me reler. E como achei piada a estes microcontos, talvez tenham direito a uma edição artesanal, para oferecer aos amigos no Natal...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


quarta-feira, novembro 03, 2021

Nunca Existiram Tantas "Realidades Paralelas"


Nunca existiram tantas "realidades paralelas", nunca houve tantas interpretações dispares para o mesmo facto, devido às novas "caixas de ressonância" da sociedade, mas também à opção cada vez mais "novelesca", de transmitir notícias pela televisão. 

A pouco e pouco, tudo se foi transformando em entretenimento, especialmente a política. E com a crise do "maior espectáculo do mundo", foram surgindo, tanto à esquerda como à direita, "palhaços", "malabaristas", "trapezistas", "ilusionistas" e até "domadores de feras".

 Apesar de toda esta "diversão",  gostava mais do mundo quando não era "um circo"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, novembro 01, 2021

Céu Azul num Dia Cinzento


Apesar da procissão se ter realizado este ano numa versão mais "softe" (só com dois andores...), as ruas esburacadas de Cacilhas (a chuva não perdoou as muitas obras incompletas...) encheram-se de gente neste primeiro dia de Novembro. 

Gente que tanto pode vir acompanhar a Nossa Senhora do Bom Sucesso, padroeira da localidade ribeirinha, no cortejo religioso, como participar apenas no ambiente festivo que cresce junto ao Largo de Cacilhas e à Rua Cândido dos Reis.

Hoje voltou a estar um dia cinzento (ameaçou mesmo chover em vários momentos...), mas, curiosamente, quando a procissão passou pelas ruas o céu ficou azul. Embora não "empurre" este fenómeno natural, para a "rua dos milagres", não deixa de ser digno de registo.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)