Foi por isso que foi uma excelente ideia irmos passear ao fim do dia e ver o pôr do sol à beira Tejo, no coração do Ginjal...
(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)
Foi por isso que foi uma excelente ideia irmos passear ao fim do dia e ver o pôr do sol à beira Tejo, no coração do Ginjal...
(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)
Pode ser a explicação para o quase "vício" de vivermos as vitórias dos outros, especialmente no futebol, esse ópio popular que tanto jeito tem dado aos políticos, de Lisboa a Trás-do-Outeiro (o normal é os costas, os medinas e os moreiras andarem às palmadinhas nas costas com os dirigentes do "chuto na bola"...).
Toda esta prosa, porque afinal a onda de calor, sempre veio, apesar dos meteorologistas (coitados, fartam-se de meter água, mesmo em tempo de seca...), dizerem que "era outra coisa"...
E um dos meus amigos, que se tivesse jeito para o desenho podia ser um "Vilhena", disse na esplanada suada que "há vida para lá dos 50 graus", acrescentando de seguida, com o ar mais sério do mundo, enquanto limpava o suor da testa, "para répteis e insectos".
(Fotografia de Luís Eme - Algarve)
Se uma pequena parte pensa que o dinheiro continuará a "comprar tudo" e fingem-se felizes com o egoísmo que alimenta os seus dias, a outra parte maior, por ignorância e dificuldades económicas, encolhe os ombros e vive um dia de cada vez.
Mas será muito difícil mudar mentalidades enquanto os nossos ministros e secretários de Estado tiverem uma postura idêntica, especialmente os ligados ao Ambiente e à Agricultura. O "negócio" continua a sobrepor-se às próprias leis, com violações permanentes ao Plano de Ordenamento da Orla Costeira e às normas das regiões que fazem parte da Reserva Ecológica e Agrícola Nacional. E nem falo dos atentados ambientais que têm sido praticados ao longo dos anos pelos espanhóis e pelos nossos empresários no Tejo, com o habitual encolher de ombros do poder político...
Deve ter sido também por isso que a chamada de atenção recente das Nações Unidas, por António Guterres, em relação às alterações climáticas, não teve o relevo que deveria ter, no nosso país.
Nós que estamos no Sul da Europa, onde todos os dados científicos dizem se caminha para a desertificação (mais depressa do que se pensava...). E é no Algarve e no Alentejo - as nossas regiões mais quentes e secas - que se usa e abusa da agricultura intensiva nas estufas e nos olivais, se mantêm os campos de golfe verdinhos com relva natural e se continuam a construir empreendimentos turísticos na costa...
Mas que faz muitas confusão esta postura, faz. Especialmente de ministros como o do Ambiente e da Agricultura, que deveriam colocar os interesses nacionais à frente de tudo e continuam a governar como se o futuro fosse só depois de amanhã...
(Fotografia de Luís Eme - Algarve)
Sabia bem a quem se referiam (a passagem de um trabalhador emigrante da construção civil, moreno, com barba por fazer e calças pintalgadas com cimento e tinta, deve ter servido de mote para a conversa, mesmo que este não fosse diferente de qualquer operário português "das obras"...).
Nos últimos tempos a praceta ficou mais povoada de famílias de emigrantes, gente do Oriente, de várias idades (penso que são nepaleses e paquistaneses), e também de brasileiros.
Como vivem com algumas dificuldades e se vestem de qualquer maneira, acabam por ser alvos fáceis do preconceito, sobretudo de quem tem mais dificuldades em compreender este mundo, que vive em constantes mudanças.
Mudanças cada vez mais forçadas...
(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)
Foram estas as palavras de Joaquim Manuel Magalhães, professor e poeta, escolhidas pelo Sammy: «Há poemas que não têm caspa nem engordam com o tempo.»
Pouco tempo depois lembrei-me que há dez anos, o poeta Magalhães, resolveu "alterar" e "apagar" grande parte da sua poesia editada até então, com a publicação do seu "Um Toldo Vermelho" (que também substituiu o tão elogiado "A Luz de um Toldo Vermelho"...).
Dizer que o livro e o poeta foram brindados com palavras de escárnio e maldizer, é passar ao de leve pela questão... Pois Joaquim foi tudo menos bem tratado. Houve até quem dissesse que estava senil... Ou seja, foram muito poucos os que aceitaram a decisão do poeta de excluir e substituir a sua obra poética anterior (algo que acaba por se revelar uma impossibilidade, pois seria tarefa impossível andar a recolher de porta em porta os livros editados e vendidos antes de "Um Toldo Vermelho").
Nós achamos que o poeta podia (e pode...) fazer o que lhe apetecesse, com os poemas que escreveu. Mas também estamos fartos de saber que a sua opção teria poucos efeitos práticos (e ele sabia disso...), pois, como já dissemos, os poemas que "alterou" ou "apagou", continuam bem vivos dentro dos livros que publicou antes de "Um Toldo Vermelho".
Voltando à sua frase, à distância de dez anos é possível sorrir e dizer que o que Joaquim Manuel Magalhães achou, foi que toda a poesia que tinha escrito antes de "Um Toldo Vermelho", estava cheia de caspa e de gordurinhas...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
Foi quando me meti na conversa e disse que a minha avó também dizia uma coisa parecida, que o exagero de arroz nos colocava os olhos em bico.
Era praticamente a mesma coisa, usando palavras diferentes.
Acabámos todos a sorrir e a falar da riqueza da nossa língua e das expressões que se vão inventando à volta do mesmo tema, neste caso o arroz, que sempre deve ter existido em quantidade suficiente na Lezíria Ribatejana e nos vales do Sado, mas que até parecia ser todo importado da China, pelas histórias que circulavam à sua volta...
(Fotografia de Luís Eme - Algarve)
Se Pedro Pichardo só se tornou português em idade adulta (como refugiado político...), Patrícia Mamona nasceu em Lisboa e Jorge Fonseca, embora tenha nascido em São Tomé e Príncipe, veio para o nosso país com apenas onze anos, onde fez toda a sua formação desportiva.
Sei que as vozes anónimas e e cobardes das redes sociais valem zero, mas quando um dos atletas mais ecléticos do nosso desporto (Bessone Basto), atleta internacional e campeão nacional em várias modalidades, vem dizer que para ele, só conquistámos uma medalha, o caso torna-se diferente.
Mau mesmo é sabermos que o antigo campeão não exprime apenas o sentimento de muitos ignorantes, racistas. Exprime também o de alguns nacionalistas esclarecidos que emergiram com a voz do Chega, e que continuam a não aceitar que pessoas de cor diferente tenham os mesmos direitos que eles...
(Fotografia de Luís Eme - Almada)
O apoio do Estado ao desporto continua a ser uma miragem, sem grandes diferenças em relação ao que se passava no final do século XX.
A ausência de uma política desportiva apoiada pelo Estado tornou-se ainda mais evidente durante a pandemia, com a interrupção de toda a actividade desportiva (só o futebol profissional, por movimentar milhões, é que não parou, embora tenha ficado sem público...). O ministro da Educação e o secretário de Estado do Desporto, nem sequer devem ter a noção dos clubes que tiveram de fechar portas no último ano, muito menos do número de pessoas que foram "proibidas" de praticar desporto no último ano e meio.
Isto acontece porque o Estado continua a ser o eterno ausente no que toca ao apoio dado ao desporto escolar e popular. Limita-se a subsidiar e a aplaudir os atletas medalhados, sem ter qualquer preocupação com a base, com a existência de uma política de desenvolvimento desportivo consistente.
Na maior parte dos países a escola é a base da pirâmide do desporto, com o apoio do Estado, só depois é que aparecem os clubes e o movimento associativo. No nosso país continua a não existir "desporto escolar". Existem sim, alguns professores, que por estarem ligados a clubes, quando lhes aparece um jovem com talento nas aulas, aliciam-nos para se dedicaram às modalidades para as quais revelam talento, abrindo-lhes as portas dos clubes e do desporto federado.
Enquanto o Estado fingir que está, mas não está, as medalhas dos atletas serão apenas o reflexo do seu talento natural e do apoio que recebem dos clubes, e claro, da sua aposta pessoal em chegarem ao topo (com anos e anos de sacrifício e entrega ao treino e à competição...).
(Fotografia de Luís Eme - Algarve)
A vinda de Pedro para Portugal foi feita já em adulto (era um atleta internacional cubano medalhado em grandes competições...) e coincidiu com a saída de Nelson Évora do Benfica para o Sporting e a posterior passagem de Pichardo para o clube da Luz. E por essa razão, o atleta nascido em Cuba acabou por ser envolvido numa polémica, sem ter feito nada para isso. Nelson Évora é que não perdoou este "troca", e ainda menos o seu processo de naturalização (segundo o seu ponto de vista, demasiado rápido...).
O mais provável é que o atleta nascido em Cuba nunca tinha ouvido falar da rivalidade entre o Benfica e o Sporting, apenas aproveitou a boa oportunidade de poder voltar a treinar com o seu pai (estava proibido na ilha de Havana...) e com melhores condições de treino e de vida, num país com um excelente clima para quem faz desporto.
É também importante referir que o tempo dos "puristas" acabou, especialmente no desporto. Pedro Pichardo tem hoje a companhia de muitos outros atletas, que representam Portugal e não nasceram no nosso país (nos Jogos Olímpicos estiveram pelo menos mais cinco atletas cuja naturalização também poderia ser colocada em causa...).
Mas quando se trata de campeões, o normal é "fechar-se os olhos". Lembro-me por exemplo, do processo da naturalização de Deco (que por acaso até veio para o nosso país bastante jovem, assim como Pepe...), que foi criticada por alguns jogadores, especialmente Figo e outros centro-campistas. Ou seja, as críticas acabam por vir sempre de quem sente de alguma forma o seu lugar em risco...
Já em relação ao Governo, aos Clubes ou às respectivas Federações, o silêncio é quase sempre ensurdecedor...
(Fotografia de Luís Eme - Almada)
Chegamos de férias e precisamos de apanhar novamente o ritmo do quotidiano. Mas quanto mais os anos passam, menor é a vontade de voltar...
É estar e (ainda) não estar... essa frase curta que parece pessoana...
(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)
Durante as férias foi possível sentir essa aparente normalidade. Por frequentar uma praia isolada e sem concessionário, era possível manter o distanciamento tanto no areal como no mar. E por essas razões era raro ver alguém de máscara (a excepção era a senhora das bolinhas da praia...). E nós íamos e víamos da praia sem colocar a máscara porque nas viagens atravessávamos um pinhal, quase sempre sem nos cruzarmos com ninguém.
O facto de estarmos vacinados também nos dá alguma segurança e esperança (as mentiras que são difundidas quase diariamente sobre as vacinas e sobre o vírus valem muito pouco, quase menos que zero, pelo menos cá em casa, onde todos esperámos calmamente pela nossa vez...), de que é possível caminharmos na direcção da normalidade.
Claro que o distanciamento nas ruas continua a ser decisivo, assim como o uso de máscaras em locais fechados. Só desta forma é que é possível voltar a ter uma vida mais perto da normalidade...
(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)
Sei que esta capa inteirinha para a Patrícia também se deve ao futebol ainda estar de férias e à Volta a Portugal ainda não ter começado, mas é mais que merecida.
É bom que o Jornal de Cândido de Oliveira, Vitor Santos, Carlos Pinhão, Carlos Miranda, Homero Serpa, Alfredo Farinha, entre tantos outros gigantes do jogo das palavras, de vez enquanto seja um verdadeiro jornal desportivo...