sexta-feira, outubro 13, 2017

Fátima, a Igreja e os Pastorinhos...


A única coisa que acredito que existe no Santuário de Fátima é um grande "campo magnético", alimentado por toda a energia positiva que é  transmitida pelos crentes.

É por isso que não vou falar do  mar de contradições em que a Igreja tem "navegado" nos últimos 85 anos, quase sempre em proveito próprio, graças ao famoso enlace de Cardeal Cerejeira e Salazar, que tão jeito deu ao Estado Novo e à Igreja Católica (e que nos tentou  amansar durante pelo menos 48 anos)...

Falo sim dos dois irmãos, Jacinta e Francisco, que morreram cedo demais, e que continuo a acreditar que foram instrumentalizados pela prima Lúcia, nas vidências, que alguns anos mais tarde, já "irmã" (foi a vez dela se deixar instrumentalizar...), inventou os patéticos "segredos de Fátima", que são um péssimo "cartão de visita" para o "milagre" que hoje  passou a ser centenário...

(Fotografia de autor desconhecido)

quinta-feira, outubro 12, 2017

Tão Diferentes e tão Iguais...


A complexidade feminina não é muito diferente da complexidade masculina.

A mulher de cabelos brancos, sabia que o seu género não era muito de gostar de gente boa, dava quase sempre preferência a quem fosse capaz de quase lhe "fritar" o sangue.

Foi buscar um exemplo dos piores, a fadista que morava no antigo palacete dos Mantas, que já não ia para nova e continuava a coleccionar "filhos da puta", homens capazes de viverem à sua custa e como "prova de amor", ainda a tratavam mal e andavam com outras.

Mas também os homens não podiam nem queriam ter muita rédea solta, pois eram capazes de ir até ao fim do mundo, atrás de uma das chamadas "mulheres fatais"... 

Parece que ninguém gosta de gente boa, homens e mulheres preferem sempre um bom desafio, alguém que lhes dê luta e que não lhe faça a vida parecer um "mar chão"...

(Fotografia de Édouard Boubat)

quarta-feira, outubro 11, 2017

Esmolas e Desconfianças...

Nós somos bons em ditados, quase todos entram bem nas nossas vidas e na sociedade em que vivemos, mesmo que sejam quase milenares.

Um amigo das escritas, quase com estrela de famoso, queixou-se na nossa mesa, que agora que desistira de ir às salas de teatro, é que se fartava de receber convites na caixa do correio do prédio e na do computador.

Acabamos todos a sorrir, porque tanto eu como a Rita ou o Jorge, não sabíamos o que era isso. E acabámos por ir mais longe, dando porrada na pouca lógica deste mundo...

Todos sabíamos que os convites de tudo e mais alguma coisa, eram oferecidos a quem ganhava dinheiro suficiente para ir todas as semanas à ópera, ao teatro ou ao cinema. A Rita acrescentou que a maior parte destas pessoas nem sequer apareciam, por isso é que havia sempre mais convites que lugares, daí que fosse normal pedir-se a confirmação da presença.

E depois fomos até à rua dos "pobretanas", mais ou menos onde morávamos, com a diferença de uma esquina. Onde quando se recebe um convite, se fica a desconfiar, porque ninguém dá nada a ninguém sem querer nada em troca... 

Sei que é uma forma de pensar egoísta, mas o mundo está assim, só se "dança" quando se sabe que a "esmola é certa"...

(Fotografia de Janine Niépce)

terça-feira, outubro 10, 2017

«E as conversas das mulheres? Eram iguais às cantigas do Quim Barreiros, mas em pior. Muito me ri.»

Não sei se é verdade, mas parece-me que as raparigas falam muito mais que os rapazes.

Claro que a minha "estatística" é falível, resume-se ao facto de passar todos os dias em frente a uma escola secundária e alguns passeios a caminho da minha casa serem aproveitado como recreio e espaços de evasão (e para fumar umas "brocas"...). Pode ser um problema de ouvidos, mas quase que só ouço vozes femininas a falar, para aqui e para ali.

Mesmo quando ouço um "foda-se" ou um "caralho" é quase sempre dito por uma miúda, que finjo ser parecido com um "bom dia" ou "boa tarde". 

Foi ainda neste registo, que acabei a escutar uma moçoila, divertida, a contar as suas aventuras da apanha da fruta no Oeste, na paragem do metro.

Quase que também me ria, quando ela se saiu com esta: «E as conversas das mulheres? Eram iguais às cantigas do Quim Barreiros, mas em pior. Muito me ri.»

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, outubro 09, 2017

É Sempre Melhor Gostar (com e sem espelhos)...

No meio da conversa com um amigo, acabou por surgir uma terceira pessoa, que foi pintada da pior maneira, ao ponto de eu não a reconhecer. Tinha a certeza que não era aquela pessoa que eu conhecia.

Foi por isso que fiquei de fora do "coro maldito", que se poderia formar por ali. Sem querer acabei por provocar algum constrangimento, e até incómodo. Ele mudou de conversa, mas não foi capaz de voltar a ter um registo alegre e agradável.

Quando voltava para casa fiquei a pensar que é sempre melhor gostarmos dos outros, porque sempre que os recordamos é pela positiva, nunca há qualquer travo amargo que se intrometa nas conversas que temos. Mas ninguém é perfeito.

Mais uma vez percebi que os outros são sempre o nosso melhor espelho...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, outubro 08, 2017

(Ainda) Todo este "Teatro" Imposto pela Vida...


A vida está cada vez mais teatral. Cada vez somos mais personagens e menos aquele sujeito, que reconhecemos de longe a longe, quando nos pedem o Cartão de Cidadão e fazem algumas perguntas de cariz mais pessoal.

Talvez seja por isso que quase todos correm na direcção da fama (cada vez mais cedo), da televisão ou até dos computadores, onde se pode ser importante e ter muitos seguidores, com a aposta nas redes sociais.

Trabalhos passageiros (e até precários...) fazem com que possamos ser muito mais pessoas ao longo da vida, tornando a vida menos monótona, mas também muito mais stressante e desequilibrada.

Não se tem "tempo" para coisas tão básicas (pelo menos até meados do século passado), como pensar em casar e ter filhos. 

Muita gente crítica a juventude, por não ter objectivos. Então, e todo este "teatro" imposto pela vida?

Como é que se pode querer que toda esta gente a quem roubaram o futuro, pense no futuro?

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, outubro 06, 2017

Os Teatros da Vida...


Ontem ao ler uma reportagem sobre o circo (com mais de vinte anos...), apeteceu-me escrever uma peça de teatro. 

Claro que teria de ser sobre os palhaços, os antigos, a histórica dupla do palhaço rico e do palhaço pobre, que quase já não fazem ninguém sorrir... E não é apenas por usarem piadas gastas pelo tempo.

O objectivo é conseguir que a personagem principal se debata com os vários problemas da profissão. Embora um deles seja o espaço cada vez mais reduzido para a vida de saltimbanco, o maior de todos é ele ter a percepção de que o que se chama humor inteligente, não tem qualquer futuro no circo, porque as poucas pessoas que se sentam nas cadeiras e nos bancos, não estão ali para se rirem meia-hora depois das piadas...

(Óleo de Kim Leutwyler)

quinta-feira, outubro 05, 2017

Festejar 169 Anos Todos os Dias...

Hoje é um dia especial, e não apenas por a República ser muito mais bonita que a Monarquia, também foi pensada para ser mais justa e igualitária...

Felizmente a realização da Sessão Solene da Incrível Almadense coincide muitas vezes com o 5 de Outubro, festejando-se a Democracia e o Associativismo, duplamente, em Almada, uma Terra profundamente republicana.

Foi o que aconteceu hoje à tarde, com o Salão de Festas a receber a visita das forças vivas da Cidade, que ofereceram discursos mais sentidos e também com mais história que o costume, não estivessem eles na " Colectividade-Mãe" do Associativismo Almadense, que está a festejar o seu 169.º aniversário durante todo o mês de Outubro. 

Joaquim Judas e António Matos, presidente  e vereador da Cultura do Município de Almada (cessantes) falaram com grande lucidez, evocando a história da Incrível que se confunde com a história de Almada, sem fugir aos tempos que se avizinham (e sem qualquer ressentimento...). Não só transmitiram confiança à assistência incrível, como afirmaram que continuarão presentes no dia a dia de todos nós.

Estes dois nossos governantes sabem melhor que ninguém, que há um equilíbrio de forças em Almada (empate técnico, quatro vereadores do PS e quatro da CDU - além de dois do PSD e um do BE), pelo que faz todo o sentido colocar em funcionamento a tão célebre "geringonça", que tão bons resultados tem obtido no país.

Quem como eu, não gosta de "maiorias", sabe que, para bem de todos nós, o PS e a CDU têm mesmo de se entender. Há todo um capital de experiência (são 41 anos no poder...) que poderá ser útil aos socialistas, que de forma completamente inesperada, ficaram com os destinos de Almada nas mãos...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, outubro 04, 2017

Andar Dias e Dias a Fingir que Não se Passa Nada em Catalunha...


Só hoje é que ouvi a União Europeia falar da "batalha" pela independência da Catalunha.

Posso ter andado distraído, mas só hoje é que os vi disponibilizarem-se para mediarem o conflito, mas sempre de acordo com Madrid. Tudo isto depois de já se ter realizado o referendo local, muito pouco pacífico, com cargas policiais (dos polícias que vieram de fora...) sobre os habitantes de Barcelona, como todos vimos via televisão e internet...

Ainda não escrevi nada sobre a Catalunha, porque tenho dificuldade em tomar uma posição. Não sei até que ponto as reivindicações dos catalães são justas e fazem sentido. 

O que sei é que o chefe do Governo Espanhol está farto de dar "tiros nos pés", mas mesmo assim parece estar bem "agarrado" ao poder.

E no último domingo Rajoy deitou tudo a perder, ao lançar as polícias do governo central contra a população de Barcelona.

E também sei que esta Europa não presta. Mas já sei isso há muito tempo. Quando se tenta "vender" a questão da migração europeia à Turquia, está tudo dito...

(Óleo de Leon Kroll)

terça-feira, outubro 03, 2017

O Calor Perdeu a Graça...

Não gosto nada deste Outubro com temperaturas de mais de trinta graus. Já não me apetece andar de calções, muito menos ir dar um mergulho à praia.

E também olho com alguma apreensão para o que se está a passar com muitos dos nossos solos... estão a tornarem-se "pedra", com cada vez menor capacidade de absorção, e que podem tornar trágicas as primeira chuvas (mas espero que chova ainda em Outubro, mesmo sem ser agricultor...).

Este desabafo não tem nada que ver com o Sol (ele pode aparecer sempre, com temperaturas amenas, pouco acima dos vinte graus, ou até abaixo...). Aliás o Sol nunca foi inimigo da chuva, podem aparecer no mesmo dia e tudo...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, outubro 02, 2017

A Mudança Política (Inesperada) em Almada...

Sabia que um dia isto ia acontecer. Mas sempre pensei que fosse um processo gradual. Que a CDU começasse por perder a maioria, e depois então acontecesse a "revolução" eleitoral.

Sem analisar qualquer estudo, penso que a diminuição da abstenção foi a chave do sucesso socialista. Assim como a "onda positiva" que invadiu o país de Norte a Sul (nem os trágicos incêndios ou as armas desaparecidas "destruíram a onda"...).

Não acompanhei muito a campanha, encontrei-me ocasionalmente com Inês Medeiros e acabámos por falar sobre Almada e estas eleições. Fui de alguma forma "provocador", mas ela respondeu-me sempre de uma forma positiva... Claro que nunca pensei que a boa impressão que me deixou, fosse suficiente para se tornar presidente (rima... mas foi mentira).

Talvez os Almadenses tivessem saudades de ser governados por uma mulher.

Apesar de achar que Joaquim Judas foi um bom presidente e que tem excelentes qualidades humanas, não estou nada triste com esta mudança. Quarenta e um anos de poder da mesma força política é muito tempo. E quase sempre com maiorias, o que acaba por ter efeitos perversos, pois algumas pessoas tendem a esquecer o que é viver em democracia...

Espero que fiquemos todos a ganhar com a mudança. A cidade e os Almadenses. 

Nota: a crónica de ontem foi mesmo sobre o Benfica, embora o título possa ser colado à "posta" de hoje. Mas felizmente vivemos em democracia e não é preciso escrever nas "entrelinhas" - nem eu tenho essa capacidade. Não há qualquer dúvida é que existem mesmo coincidências tramadas...

(Fotografia de Luís Eme - este cartaz diz-nos uma coisa importante, Almada pode e deve viver mais perto do Rio Tejo)

domingo, outubro 01, 2017

Crónica de um Adeus Esperado (ou talvez não)...


Segundo a tradição - e também legislação - hoje não é dia para falar de partidos, eleições, governantes, etc. É por isso que vou escrever sobre algo de que gosto muito, mas que está povoado de zonas cinzentas, de gente que nunca gostou profundamente de desporto, particularmente de futebol. A única coisa que os motiva são as vitórias dos seus clubes, com a ajuda de árbitros, fiscais de linha ou juristas, demasiado coloridos.

Já disse várias vezes que gosto do Benfica. Penso que a única razão que encontro para "este gostar" é a "magia" da fotografia do José Águas, a sorrir, com a Taça dos Clubes Campeões Europeus, pendurada num quadro na sala da casa do vizinho de cima, no prédio onde vivi a minha meninice, no Bairro dos Arneiros, nas Caldas da Rainha. Até porque lá por casa era tudo "lagarto", a mãe, o pai e o mano.

Mas o que eu quero mesmo é falar de futebol, da actualidade, mas sem me afastar dos relvados. Falar apenas dos jogadores, dos treinadores e da bola. Neste caso particular, falar da "crise" do Benfica, do seu treinador e dos seus jogadores.

Como não tenho a memória curta, não esqueço que o Benfica que praticou melhor futebol nos últimos vinte anos, foi o de Jorge Jesus. Até ao momento Rui Vitória demonstrou ser um bom líder, sereno, competente, mas, talvez demasiado "frio" e "apagado". Pelo menos é essa a ideia que passa, para quem vê a sua equipa do Benfica a jogar, mais calculista que apaixonada por um futebol desgarrado e bonito.

Jorge Jesus só provou, que de facto é um grande treinador, na época seguinte a ter perdido "tudo" (podia ter sido Campeão Nacional, ganhar a Liga Europa e vencer a Taça de Portugal...). Conseguiu colocar os pés no chão e vencer os dois campeonatos seguintes, praticamente com os mesmos jogadores...

Rui Vitória para muitos tem hoje um "teste de fogo", na Madeira. Para mim, nem por isso. O seu verdadeiro teste é conseguir retirar da equipa "jogadores intocáveis", como é o caso de Luisão, que pode ser muito importante como líder no balneário, mas que já não tem capacidade física para ser titular de uma equipa com a grandeza do Benfica. E claro, conseguir que o "Benfica jogue à Benfica" (sempre a querer ganhar, em qualquer relvado...), o que ainda não aconteceu esta época.

Voltando ainda ao Luisão, muito mal vai o Benfica se não tem um jogador com qualidade suficiente para o substituir...

(Fotografia de autor desconhecido - mas eu gostava que fosse do grande Nuno Ferrari)