Éramos quatro na mesa e deixámos o Carlos sozinho, por não querermos enfiar a carapuça de "maus pais". Se bem que eu me limitasse a sorrir e a dizer-lhe que ele não precisava de ser tão definitivo. Claro que eu estava farto de saber que o que ele era, era um "provocador". E que era graças às suas provocações que muitas vezes chegávamos a lugares interessantes dentro das conversas...
Naquele momento, lembrei-me do meu professor de rádio do curso de jornalismo, o Carlos Martins e de uma chamada de atenção que ele me fez, por eu com vinte e poucos anos, andar demasiado agarrado à palavra "objectividade", num mundo tão subjectivo... Ele em vez de me dizer que estava errado, sorriu e mostrou-me, com exemplos práticos, que o melhor que tinha a fazer era guardar a tal palavra, tão definitiva, no saco...
Pois é, nós aos vinte pensamos que sabemos tudo da vida e aos sessenta, ficamos algumas vezes com a sensação de que aprendemos menos do que devíamos com a vida.
(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)
A vida passa o tempo a dar-nos lições que nem sempre compreendemos ou aceitamos.
ResponderEliminarÀs vezes só entendemos essas lições tão tardiamente que ficamos perplexos por termos sido tão pouco recetivos.
Mas a vida é assim mesmo, mais cheia de subjetividade do que de objetividade.
Abraço
Pois é, Rosa.
EliminarO "comando" que temos das coisas está muitas vezes avariado. :)