Foi o que aconteceu com as primeiras palavras da crónica de Ana Cristina Leonardo no "Ípsilon" de sexta-feira:
«Desde que fechou o café do largo junto à
estrada que serpenteia até à vila, a vida no monte foi estreitando. Foi-se a
caminhada diária que exercitava as pernas e os sentidos, incluindo o sentido
comunitário, e não há tai chi walking que nos valha.
Para muitos, tratava-se de um hábito de
décadas, ponto de encontro das mulheres pela manhã bem cedo, dos homens pela
tarde para o petisco, posta-restante, central de notícias, posto avançado onde
paravam obrigatoriamente o padeiro e o peixeiro, o “marroquino”, o homem dos
queijos e chouriços, até, esporadicamente, o vendedor de conquilhas.
O largo passou a apresentar-se deserto,
rendido ao silêncio que pesa sobre as duas únicas casas que restam. Além destas
e do edifício do café encerrado, apenas uma charneca abandonada onde as chuvas
se afundam no Inverno e no Verão se contorcem plantas rasteiras ressequidas
pelo Sol.»
Não tem nada de premonitório, porque aqui o "Largo" continua com gente, mesmo que falem pouco ou quase nada (a Rosa é a excepção que confirma a regra), gostam de ficar por aqui, sentados nos velhos bancos de jardim, a ler, a olhar ou simplesmente a ver o tempo passar...
Mesmo assim, não deixa de ser uma boa maneira de começar Agosto. Até porque a realidade fez menos mal do que parece...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
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