Não nos encontramos muitas vezes. Não é preciso.
É um homem de um tempo ainda mais longínquo, que o meu, mesmo que sejamos da mesma geração.
Crescemos, estudámos e vivemos em meios muito diferentes. Percebo isso pelas conversas que temos, mas também pela sua biografia, aquela oficial, que está ao alcance de todos.
Ninguém diria pela tal "biografia" (foram muitos anos ao lado dos "poderes"...), que era tão anarquista. Ou então foi a idade que o foi extremando nas ânsias de liberdade, que devia ter, quando estava "refém" do poder.
Casou mais cedo do que eu. Gosta tanto da instituição que já vai na sua quinta união de facto (depois da chatice que foi o terceiro divórcio, não voltou a assinar nada de "cruz" (palavras dele).
Tudo o que escrevi até aqui, são coisas da qual não falamos. Sim, é verdade, nunca falamos das nossas mulheres. Uma ou outra vez, falamos dos filhotes, mas apenas porque calhou em conversa.
As nossas conversas misturam-se mais com os livros, com o cinema, com a arte, e claro, com algumas pessoas curiosas, que podiam ser personagens de qualquer conto ou novela... Ou seja, acrescentamos sempre "cultura geral" um ao outro, especialmente ele, que viveu mais coisas que eu. Se nos últimos anos quase que "desapareceu" dos jornais e revistas (pois é, quem não aparece esquece...), durante anos andou pela imprensa, rádio, e até, televisão. Adora esta vida de quase anónimo e também se orgulha de não ter nenhuma rede social (disse que se as tivesse, a falta de assunto até era capaz de o levar a "postar" a fotografia de um pastel de bacalhau...).
Tem mais sentido de humor que eu. Foi por isso que me perguntou se eu não andava cheio de "caruncho". Disse que sim. Até lhe falei do meu joelho direito, que parece o de um futebolista, coisa que nunca foi, para além das camadas jovens do velho Caldas e das futeboladas entre amigos...
Em vez do Trump, falámos de algumas Ivanas. E lá se saiu ele com uma daquelas frases que a Inês detesta, pelo ar misógino que transporta (pois é, além de anarquistas, também fingimos que somos uns perigosos machistas, apenas porque nos sabe bem...): «Tudo mudou. Somos uns sortudos, agora até as escritoras são bonitas.»
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
Com um amigo de perfil tão curioso quanto interessante, fiquei cheia de vontade de saber o principal: o seu nome...Pois, compreendo as suas razões, mas talvez isto seja mais um pretexto para nos manter em suspense...
ResponderEliminarBom fim-de-semana
Pois é, aquela coisa que matou o gato, é terrível, Janita.:)
EliminarSó estou autorizado a dizer que é um "gajo porreiro". :)
As escritoras e as engenheiras!
ResponderEliminarSou do tempo em que só entravam no Técnico raparigas sem graça.
Aqui está um comentário nada feminista.
Os futuros engenheiros eram assíduos na bar de Letras embora lhes ficasse fora de mão!
Também tenho sentido de humor, dizem que faço rir as pedras da calçada!😜
Abraço
Era a própria época que fingia gostar de mulheres austeras. Mulheres com roupas mais garridas e soltas, eram apelidadas de "galdérias", pelas próprias mulheres.
EliminarNão estou enganado, pois não, Rosa?
Essa de fazer rir as pedras da calçada decorre de um certo hiperbolismo.
ResponderEliminarSerá menos, muito menos! 😜
Abraço
O humor é quase sempre um bom companheiro.
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