quarta-feira, setembro 30, 2015

Não Consigo Ignorar Esta Vitória


Ao contrário de uma boa parte dos benfiquistas que conheço, sempre tive a sensação que Rui Vitória era melhor treinador para o Benfica e para o futebol português que Jorge Jesus.

Há pelo menos três diferenças que já registo com agrado.

A primeira diferença deu-se na formação da equipa, que normalmente jogava com um único jogador português no onze. Com o novo treinador jogam pelo menos três, e dois deles andam pelos vinte anos de idade.

A segunda diferença aconteceu hoje, este Benfica é uma equipa para todas as competições e não apenas para consumo interno ou para a "II divisão europeia".

A terceira diferença reside no comportamento ponderado de Rui Vitória, que sabe que não é o melhor treinador do mundo, ao contrário do colega de profissão. que foi para Alvalade.

Mas penso que a melhor resposta do Rui para o Jesus está guardada para o "derby", mas dentro de campo e não nas conferências de imprensa...

 (A  fotografia é do site de "A Bola")

segunda-feira, setembro 28, 2015

A Mentira e a Manipulação Terão a Resposta dos Portugueses no Domingo


Continuo convicto de que a mentira e a manipulação (cada vez mais descaradas) terão a resposta dos portugueses no próximo domingo, com uma derrota convincente da direita.

Percebo que os comentadores da direita (em maioria nas televisões) aproveitem o tempo de antena, para fazer o seu papel e distorcerem a realidade sempre que lhes é possível. Assim como também  percebo que as redes sociais sejam normalmente tendenciosas e polémicas, tanto à esquerda como à direita.

O que  continuo a não entender são os "fretes" do jornalismo da actualidade, cada vez menos livre e independente. E o mais grave é ter a sensação de que vai ser muito difícil libertar-se de todos os interesses que o rodeiam, que começam e acabam nos interesses dos seus proprietários. 

Também me faz muita confusão que o secretário geral do PS tenha mais inimigos dentro que fora do partido. E que tenha revelado tantas fragilidades durante os últimos meses.

Mas não acredito que estes dois factores negativos sejam suficientes para colocar a coligação de direita à frente do PS em todas as sondagens. Isso só acontece porque a direita também controla as empresas que realizam estes estudos.

O que eles não controlam é a nossa liberdade pessoal. A nossa vontade de nos vermos livres de gentalha que a única coisa que fez em quatro anos foi empobrecer o país e os portugueses, ao mesmo tempo que privatizavam quase todo o país, depois de ajudarem a destruir empresas, como aconteceu com a TAP ou com os Estaleiros de Viana do Castelo, por exemplo. E nem vou falar no que fizeram à saúde, à educação e à cultura do nosso país.

É por isso que só há um caminho no domingo, votarmos contra a mentira e a manipulação desta gente ordinária e desonesta.

O óleo é de Heitor Chichorro.

domingo, setembro 27, 2015

Viagem em Itália


O segundo canal da RTP está a exibir um ciclo de filmes de Roberto Rossellini nas noites de sábado.

Graças à tecnologia tenho-os visto depois. Ontem foi exibido a  "Viagem a Itália"  (que nunca tinha visto, ao contrário de "Roma, Cidade Aberta", "Paisá, Libertação" e "Stromboli"), Curioso, acabei por o ver hoje de manhã (até fiz um intervalo a meio para ir à rua...).

A ideia de que "somos quase italianos e muito pouco espanhóis", torna-se ainda mais evidente ao olhar estes filmes. 

A primeira vez que fiquei com essa sensação foi quando fiz o "inter-rail" em 1985 e percorri uma boa parte de Itália de comboio, mas com paragens e visitas a Roma, Milão, Florença, entre outros lugares de culto (não apreciei a beleza de Veneza por estar a chover a sério nesta bela cidade em pleno Agosto...).

Faço esta afirmação com o olhar preso na fisionomia de Itália e dos italianos. Se esquecermos a língua, sentimos-nos em casa.

Voltando à "Viagem em Itália", é um filme quase vulgar, que consegue retratar muito bem a vida de um casal (quando os desencontros quase se revelam fatais...), graças a dois extraordinários actores, George Sanders e Ingrid Bergman.

No cinema o divórcio foi salvo por um "milagre". Não o da Santa que ia a passar na procissão, mas o de um homem e de uma mulher, que num momento de maior tensão, conseguiram perceber tudo o que estava em causa, tudo o que tinham a perder.

Embora não tenha lido qualquer crítica ao filme (nem escutado com atenção a apresentação de Lauro António), esta foi a mensagem que recebi de Rossellini: muitas vezes podemos ser nós a fazer "milagres" na vida, basta perdermos o orgulho e dar voz ao coração. Ao dizer isto até pode parecer que o filme é "lamechas". Mas é tudo menos isso...

sábado, setembro 26, 2015

Salão de Festas da Incrível: um Lugar onde é Possível Ser Feliz


Ao passar por um painel destinado aos cartazes da campanha eleitoral, gostei de ver que o Bloco de Esquerda continua a escolher o Salão de Festas da Incrível Almadense para fazer o seu grande comício na Margem Sul.

Esta minha satisfação não teve nada  que ver com a política, teve sim a ver com o associativismo, ou seja com a minha Incrível. Sei bem o jeito que dá esta receita extra para o equilíbrio das contas da Colectividade mais antiga de Almada...

Depois também fiquei a pensar que o Salão de Festas da Incrível é um lugar de culto para muito boa gente.  Provavelmente também o é para o BE, que além de gostar do lugar, talvez encontre ali algo de especial, e é por isso que volta à nossa "Catedral", de quatro em quatro anos.


Não é nada estranho, Por exemplo os "Moonspelle", a nossa grande banda de rock metálico continua a ter uma relação especial com a Sala e gosta sempre de voltar...

quinta-feira, setembro 24, 2015

«Imaginava os poetas diferentes»


«Imaginava os poetas diferentes.»

Quando quis descobrir as diferenças ela falou-me de gente mal vestida e pestilenta, que tinha alguma coisa contra a água.

Eu sei que muitos poetas são uns "sem abrigo" no mundo cultural, ignorados pelos críticos e pelas várias "capelinhas" onde de trocam poemas como fossem orações. Mas apenas por isso. Aqueles que conheço tomam banho com regularidade.

Foi por isso que quis saber de onde vinha aquela "imaginação".

Respondeu-me de uma forma insegura: «Talvez tenha sido de algum filme ou então foi algum poeta que vi na rua, mal vestido, bêbado, a gritar poemas como se fossem maldições. E com um cheiro horrível.»

Disse-lhe que as suas palavras eram um insulto para quase todos os nossos poetas. E que dos consagrados talvez apenas o Bocage se enquadrasse nesse retrato.  E mesmo ele, foi quase empurrado para o lado de lá da sociedade, por todos aqueles que desprezavam a liberdade.

Mesmo Camões, amante de raparigas bonitas, devia ser bastante cuidadoso com a sua indumentária e com o seu jogo de sedução...

O óleo é Joan MIró.

quarta-feira, setembro 23, 2015

A Pianista do Terceiro Andar


Olho-te de calças de ganga vestidas e camisa de alças, mas consigo fechar os olhos e imaginar-te a tocar piano com um daqueles vestidos de artista que chegam ao chão, num palco enorme, onde nem sequer te faltam outros sons complementares. 

Sim, de longe a longe aparece um rapaz de violoncelo e duas raparigas com violinos, ambos com vontade de tapar o que não existe, o vazio.

Mesmo quem percebe menos que o essencial sobre música, percebe que tu enches qualquer palco e não apenas a tua sala...

O óleo é de Jeloen Moss.

terça-feira, setembro 22, 2015

O Cansaço de Caminhar em Sentido Contrário


Embora dê bastante prazer andar na direcção contrária de uma boa parte das pessoas que andam por aí, também acaba por cansar.

E com o tempo, além de cansar também se torna pouco natural, é quase um número de teatro.

Pelo menos era dessa forma que o André se sentia, até conseguir quebrar a primeira barreira do "clube dos homens livres e diferentes" e oferecer flores a uma mulher.

O curioso da coisa  foi ter gostado mais da sensação de oferecer flores que da mania de ser diferente, cultivada no seu bairro.

Talvez estivesse a ficar velho e fraco, ao ponto de se deixar corromper pela sociedade mercantilista. 

Talvez depois das flores viessem os chocolates e os perfumes...

O óleo é de Giovanni Casadei.

segunda-feira, setembro 21, 2015

Vitor Silva Tavares, o Adeus de um Editor Único


Vitor Silva Tavares, o pai e a mãe da editora "& etc", deixou-nos hoje.

Para quem não conhece a "& etc",  posso acrescentar que se trata de uma pequena editora fundada em 1974, que editava uns livrinhos quase quadrados (15,5 x 17,5 cm), em tiragens reduzidas, que continuam a fazer as delícias de muitos coleccionadores. Esta colecção conta com grandes autores de poesia e prosa, de cá e de lá.

O Vitor era uma personagem dos meios literários de tal forma diferente, que também só podia fazer livros diferentes.

Apesar de ser uma figura polémica (não tinha medo de chamar as coisas pelos nomes...), era bastante respeitado, especialmente nos recantos da poesia mais livres e com menos holofotes da fama, ao ponto de muito boa gente que escreve - eu também -  ter o desejo secreto de um dia ver publicado um livro seu na bonita colecção dos "livros quase quadrados".

domingo, setembro 20, 2015

O Domingo Pode Ser Quase Tudo


O domingo pode ser quase sempre o que quisermos. Não é por acaso que é o dia em que podemos fazer quase tudo o que nos apetece.

Talvez seja por isso que aqueles que têm mais "fé" continuam a ir à missa ou ao futebol, perdidos de amores, domingo sim domingo sim.

Às vezes penso que se fosse um individuo religioso ainda tinha uma roupita para vestir ao domingo. Penso apenas, pois não sinto qualquer saudade dessa parte da infância, em que a minha mãe costumava vestir-me praticamente igual ao meu irmão (nunca percebi porquê, um dias destes pergunto-lhe...) e além de irmos à missa de manhã, depois íamos visitar os avós, quase bonitos.

Mas voltando ao domingo dos outros, este também é o dia dos condutores de fim de semana saírem de carro e fazerem o seu passeio higiénico (com e sem almoço fora de casa) e provocarem filas intermináveis nas estradas graças à sua habitual velocidade cruzeiro...). 

E há também aqueles que escolhem o domingo para preguiçar, para andar de pijama pela casa fora, para se regalarem no sofá, a ver um filme ou uma série que não houve tempo para ver durante a semana (isto do cabo é só boas inovações...).

Eu normalmente não tenho programas definidos. Como não gosto de ficar tempo demais na cama, quando há alguma exposição num museu lisboeta (dos que ainda se podem visitar graciosamente de manhã...) , ai vou eu até à Capital.

A meio da tarde dou quase sempre uma volta a pé pela Cidade, pelos sítios do costume. Talvez eu não goste que o domingo seja um dia muito diferente dos outros...

Há ainda outra coisa, não evito apenas as estradas predilectas dos condutores de domingo, também detesto enfiar-me num "santuário de compras" (ao contrário do resto da malta cá de casa...). Só em casos de urgência é que me apanham nessas avenidas cheias de gente ávida pelas novidades que surgem do lado de dentro das montras.

Pois é, ainda bem que no domingo podemos fazer quase tudo o que nos apetece...

O óleo é de Helena Lam.

sábado, setembro 19, 2015

O Esquecimento da Educação e da Cultura


Não sei se vamos ter um ministro ou secretário de estado da Cultura. É mais um dos aspectos que está dependente da escolha dos portugueses a 4 de Outubro.

Possivelmente um dos menos importantes. Não é por acaso que a Cultura e a Educação (para além da "promoção" ou não a ministério da Cultura), parecem excluídas da campanha eleitoral. 

De qualquer maneira, isso até pode não ter qualquer relevância, pois pode-se ter ministro sem vontade e sem apoio. ou seja, fazer-se o que é comum no nosso país, muda-se o nome ás coisas para que fique tudo na mesma.

Importante mesmo era que a Educação e a Cultura voltassem a contar para o nosso país...

O óleo é de Pierre Bonnard.

sexta-feira, setembro 18, 2015

Há Dias que Não São Dias (São Mais Pesadelos...)


Há muito que não tinha um dia como o de ontem, que só melhorou quando o sol se começou a ir embora.

Começou a meio da manhã numa reunião em que alguém "roeu a corda" e deixou-me com um dilema que tenho de resolver até segunda. E que provavelmente vai ser resolvido com a desistência, algo que não costuma fazer parte do meu léxico, mas como se trata de um projecto colectivo, é essa a vontade da maior parte das pessoas (apesar de já existir algum investimento pessoal). O mais curioso foi a mudança se ter dado em menos de 24 horas. Antes de ontem aparentemente estava tudo bem e ontem, «não dá, não há tempo, não tenho gente disponível», entre mais desculpas cheias de farrapos.

A única certeza que tenho é que não voltarei a trabalhar com a dita pessoa, no que quer que seja.

Ao final da manhã passei por uma bilheteira para tirar o passe da minha filha do metro de Almada (que têm 25% de desconto no regresso às aulas...). Mostrei o passe e o cartão de cidadão mas disseram-me que era preciso uma fotocópia do cartão de cidadão e um comprovativo da morada. Quando lá voltei com os papeis pedidos a jovem do guichet disse-me que também era preciso uma declaração da escola onde ela andava. Perguntei-lhe porque não disse isso da primeira vez, ainda tentou dizer que me tinha dito, quase a engasgar-se, para depois dizer que se devia ter esquecido...

Mas ainda havia mais aventuras à minha espera. Fui à escola onde ela está matriculada e disseram-me que a declaração só podia ser passada na sede do agrupamento. Mais uma volta ao carrossel e, reparem só, a secretaria da dita escola estava fechada durante a tarde, só abria de manhã no dia seguinte.

Claro que depois de toda esta confusão borrifei-me para a "oferta" dos 25% e comprei o passe ao preço normal.

Há muito tempo que não me lembrava de ter tido um dia assim.  Talvez sejam as "dores" de se ser português. E como eu fujo como o "diabo da cruz" de lugares como finanças, segurança social, centros de saúde ou centros de emprego, sou um pouco "estrangeiro".

O óleo é de Ray Hare.

quinta-feira, setembro 17, 2015

Parece que Não é Obrigação (Parece...)


Embora às vezes finja que não é obrigação escrever por aqui no "Largo" (e companhia...), sei que me estou a tentar enganar. Até porque não agarro frases inspiradoras na rua ou guardo pedaços de conversas com amigos, que depois tento dar-lhes uma volta e torná-las publicáveis, todos os dias.

Se me deixasse levar apenas pela vontade havia muitos dias de "pousio" por aqui... mas há algo que me faz escrever, que até pode ser entendido como "primo direito"  da velha luta que todos travamos contra a inércia, que nos ataca especialmente depois de um dia mais agitado de trabalho...

Hoje por exemplo, não tenho nada para dizer. Tal como não tinha ontem (e anteontem fui salvo pelo Bocage...).

Mas a vida é isto. Lutar e ser capaz de nadar contra a corrente (nem sou muito mau nisso...), quando a maré parece não quer mudar...

A ilustração é de Davis Pinter.