quarta-feira, julho 13, 2022

A Tragédia do Costume...


Tenho cada vez mais dificuldade em falar dos nossos incêndios.

Tanta incúria e tanta maldade...

Faz-me confusão continuar a ver casas a arder, cercadas de mato. Percebe-se que os seus donos não cumprem a lei. Não entendo porque razão são tão pouco cuidadosos com os seus próprios bens...

Mas quando em muitos casos são as próprias autarquias que não cumprem a lei... Sim, basta andarmos pelo país fora para vermos bermas por limpar e árvores por cortar.

Para os incendiários ainda tenho menos palavras. Deverão causar mais de 70% dos fogos, quase sempre impunemente...

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)


terça-feira, julho 12, 2022

O Cinema Pode ser Quase Tudo...


Ontem vi um filme que não tinha nada de especial, mas à medida que o ia vendo, sentia que uma das personagens era parecida com uma das minhas poucas amigas. Pouco tempo depois telefonei-lhe e disse que a tinha visto dentro de um filme.

Embora o filme fosse apenas um pretexto para lhe dizer olá, acabei por a deixar baralhada e curiosa. E lá tive de enfrentar a curiosidade feminina, que suplanta quase sempre a "curiosidade humana".

Além do título e do nome da personagem, ela queria saber muito mais coisas do filme, que eu nunca iria conseguir responder-lhe, porque, provavelmente, as parecenças que descobri só estavam dentro da minha cabeça. Felizmente não era uma história de amor e a sua personagem era secundária.

Ela ficou de ver o filme e depois oferecer-me o seu comentário.

A primeira frase que escrevi numa folha de papel depois de ver o filme foi que o cinema pode ser "o espelho das nossas vidas". Poder pode, mas também poder ser muitas outras coisas. Foi por isso que não liguei muito ao que tinha escrito...

O cinema pode ser quase tudo, porque as imagens têm um poder imediato, nem sequer precisam de palavras para nos chamar a atenção, algo que os livros nunca terão e é por isso que serão cada vez um objecto de culto e não de massas.

Claro que também estou um pouco curioso em relação ao que ela me vai dizer. Mesmo que saiba que o mais provável é dizer que eu me tinha enganado, que não era ela que estava ali.

Foi a sobretudo minha imaginação a alargar-se e a fugir da realidade...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, julho 11, 2022

Segunda-Feira Marroquina


Se tudo o que é mais de trinta graus, já é calor a mais para mim, nem sei o que dizer com estas "ultrapassagens pela direita, pela esquerda e pelo meio" dos quarenta e vários graus.

Nem a proximidade atlântica nos vale... 

Não faço ideia se os turistas continuam a encher os aeroportos e Lisboa e o Porto. Provavelmente sim. Mas se calhar não era bem este Sol que queriam. Este parece-se mais com o deserto que com a Europa Mediterrânea, mesmo a da ponta mais ocidental...

Como seria de esperar, a "guerra" televisiva transferiu-se da Ucrânia para as nossas matas e pinhais, pois estamos na época dos incêndios. Se a televisão está apostada no "espectáculo", o Governo levou tudo mais a sério e declarou o estado de contingência, proibindo todo o tipo de actividades nas nossa zonas florestais, mesmo as agendadas (como os festivais de Verão...). É caso para dizer um carneiro é menos para brincadeiras que qualquer cabrita... E ainda bem, para todos nós.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, julho 09, 2022

O "Lixo Humano"...


Podia estar o dia todo a tentar explicar que não é assim tão "inexplicável", alguém cair para a rua e ficar por lá, por momentos, ou para sempre...

Nós humanos somos mais complexos do que parecemos. Um dos exercícios que me habituei a fazer desde cedo (às vezes com  alguma ginástica e quase forçado pela minha mãe...), foi tentar "colocar-me" no lugar dos outros. É uma coisa que todos devíamos fazer, aqui e ali, pois oferece-nos logo uma perspetiva diferente do que está em discussão.

Com tantos problemas para resolver neste país, o meu barbeiro desta vez foi "meter-se" com os sem abrigo, essa "escória" da sociedade, esse "lixo humano", no seu léxico de barbearia. Felizmente ele é bem falante, raramente utiliza o vernáculo, o que faz com as conversas não "descambem (talvez seja uma estratégia pessoal, pois assim pode dizer as maiores barbaridades, deixando a imagem de que não está a "insultar ninguém"...).

Mas ao chamar alguém de "lixo humano" (mesmo que possa ter razão em alguns casos) está logo a entrar no domínio da ofensa pessoal e colectiva, a todos os homens e mulheres que, voluntariamente ou involuntariamente, foram despejados para a rua e transformaram um banco de jardim ou um velho alpendre em "quarto de dormir".

Eu disse-lhe que quando surge um desemprego tardio e de repente todas as portas se começam a fechar, é difícil dar à volta e voltar a ter uma vida normal. Se a família em vez de ajudar ainda "empurrar para baixo", é meio caminho andado para as pessoas se sentirem uns empecilhos e quererem "desaparecer"...

Ele respondeu-me da forma mais fácil, que "trabalho é coisa que nunca faltou por aí, falta sim, vontade".

Foi quando esgotei os argumentos...

Não valia a pena dizer que a forma de desaparecer mais usual é esta: deitar a chave de casa fora e esquecer o "número de polícia" da porta da rua e inventar outra vida, aparentemente mais livre, mas também mais suja e com menos sentido...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, julho 08, 2022

Aconteceu o que se Previa (espero que os governantes tenham percebido e voltem a colocar autocarros de onde foram retirados)


Já toda a gente esperava que a Carris Metropolitana não viesse melhorar nem resolver coisíssima nenhuma, aqui na Margem Sul, a nível de transportes (é cada vez mais difícil acreditar neste Governo).

Na primeira semana a única coisa que se nota é a supressão de autocarros (várias linhas desapareceram e onde fazem mais falta, nas zonas suburbanas...) e os que circulam como "passam por todo o lado", fazem com um volta de trinta minutos passe a demorar o dobro...

Isto faz lembrar os tempos da "troika" onde a existência de escolas, de hospitais de tribunais e de transportes,  começaram a funcionar consoante o número de utentes existentes e não segundo as necessidades locais...

Em relação à Carris Metropolitana não estou a falar "de cor". Na terça-feira como não tinha carro (o meu filho precisou dele...) e tinha de ir à Vale Figueira (Sobreda) resolvi ir à aventura. Descobri que o autocarro que passava pelo local para onde ia, tinha mudado a rota e agora ia para a Charneca de Caparica e já não passava ali. Para não apanhar dissabores maiores fui de metro até Corroios e a partir daqui dei "corda aos sapatos" (o que vale é que gosto de andar...). Ou seja fiz duas caminhadas de 45 minutos (ida e volta) e durante este espaço de tempo só passou por mim um autocarro, quando já estava quase em Corroios, e ia na direcção de Paio Pires...

Sei que os moradores têm protestado, e com razão. E para variar, lá apareceu a presidente do Município de Almada, a colocar "paninhos quentes" no problema, não deixando de abreviar a questão com uma frase  que mais parece um slogan eleitoral (só que não há eleições próximas): "Contamos com todos para melhorar os transportes públicos rodoviários em Almada".

Gostava que este PS "fosse mais trabalho e menos propaganda". Que as coisas bonitas que registam em papel e espalham pela comunicação social se tornassem práticas quotidianas e deixassem de ser promessas... 

Era bom para o país e para todos nós.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quinta-feira, julho 07, 2022

A já Velha Hipocrísia Norte-Americana


Sei que os norte-americanos nunca foram um bom exemplo de quase nada, para o mundo. Sempre acenaram com a "bandeira" do país mais livre do planeta, mas nunca passou disso mesmo, de uma bandeira.

Não é por isso de estranhar o retrocesso na lei do aborto, muito menos o eternamente adiado "debate" sobre a venda e o uso e porte de armas.

Sempre que há mais um "louco" que decide fazer dos seus semelhantes alvos, apenas porque sim, lá surge nas televisões a velha afirmação dos políticos: "Temos de acabar com estes atentados, temos de fazer um debate sério e alterar a lei das armas."

No dia seguinte finge-se que não se passou nada e o assunto fica resolvido, "à americana" (como tantos outros...).

É esta mesma hipocrisia, que alimenta o falso puritanismo, capaz de censurar filmes e livros. Porque o importante continua a ser o "parecer". E só se consegue manter erguida a capa do "melhor país do mundo", alimentando os vícios privados e as virtudes públicas...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, julho 06, 2022

A Ficção esta Sempre a querer Meter a Realidade do Bolso (ainda a propósito dos cartuchos com sal)...


Se eu tivesse qualquer dúvida sobre o gosto das pessoas por histórias, com balas verdadeiras e não com cartuchos com sal, tinha-as perdido com a aventura do Alfredo, contada aqui, há dois dias.

Como eu já tinha dito num comentário, a família do Alfredo não achou graça nenhuma a este seu "momento de loucura" (mesmo que tenha surtido efeito, pois não voltaram a ser incomodados...). 

Mal sonhavam eles que o melhor ainda estava para vir...

Todo e qualquer dissabor que o Alfredo pudesse vir ter, até mesmo com as autoridades, desapareceu, graças à imaginação das pessoas. O único tiro disparado naquela noite passou a "tiros". E nunca sequer a vizinhança colocou como hipótese que tivesse sido "o velho dos rés de chão" a disparar contra os "bandidos". Também nunca questionaram o casal de idosos sobre o que acontecera. Preferiram colocar a imaginação no terreno, como qualquer escritor de livros pretos.

Ou seja, existem pelo menos duas versões sobre o que aconteceu. A primeira, espalhada pelos vizinhos do prédio, na manhã seguinte, era de que tinha sido algum familiar ou amigo do Alfredo que surpreendera os dois ladrões a quererem entrar em casa e que os tinha corrido a tiro (alguém sabia que eram dois, da janela deve ter vistos os dois vultos a fugir...). Sem que ninguém percebesse porquê, houve outro alguém que resolveu "apimentar" o que aconteceu naquela noite (deve ver o CMTV...) e começou a falar de uma "guerra entre gangues" e que tinham sido disparado vários tiros. Só faltou mesmo terem despejado um frasco de ketchup na rua, para que a acção tivesse o "sangue" usado nos filmes. 

E como é natural, foi esta segunda tese que ganhou força e que se está a espalhar pelos cafés de Almada (claro que com ela veio também o habitual xenofobismo, devido ao excesso de "brasileiros" e de "paquistaneses" que vivem na cidade).

As únicas pessoas que sabem o que realmente aconteceu, permanecem em silêncio, porque nestes casos o "silêncio é mesmo de ouro"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, julho 05, 2022

As Coisas são o que São...


Hoje participei numa conversa ligeiramente acalorada, em que duas ou três pessoas pareciam ter descoberto, só agora,  que afinal a "meritocracia era uma treta"...

Poderia dizer que sempre foi. E talvez comece logo na escolha dos "representantes do povo" quer em cargos governativos como no parlamento, onde se percebe com facilidade que não estão ali os melhores mas os que puseram a jeito (ou deram mais jeito...) para receber convites.

Felizmente a conversa não levou nenhuma "guinada" para o lado da política, ficou-se pelo jornalismo e pelas culturas, os interesses mais imediatos das cinco alminhas que bebiam café e faziam horas para mais uma tarde criativa.

A grande crítica era sobre as pessoas que escreviam opinião hoje nos jornais. A maior parte dos "escolhidos", além de estarem longe se escreverem com brilho, eram incapazes de exprimir uma ideia que ultrapassasse o interessante. 

Estávamos todos de acordo. Mas as coisas nunca foram assim tão diferentes. Talvez hoje seja menos atractivo escrever em jornais por se saber que há menos leitores. Mas a escolha de convidados para escreverem nos jornais sempre se deveu mais à sua notoriedade social, que ao seu talento literário (disse e digo eu), salvo algumas boas excepções.

Recordei que uma das coisas que mais me fez confusão no curso de jornalismo, foi um dos meus professores, jornalista do "Expresso", na época, dizer que era mais importante para as redacções ter alguém com uma boa agenda de contactos que escrever bem. Claro que, com o tempo fui percebendo, que era muito assim. O importante era seres o primeiro a dar a notícia (qualquer um a podia depois "aprimorar", se fosse necessário...) e isso só acontecia se conhecesses bem as pessoas dos "poderes" e controlasses os meios...).

Voltando à "meritocracia", se no nosso país nunca nos conseguimos libertar da "cunha", como é que podemos falar do mérito, no que quer que seja?

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, julho 04, 2022

Os Cartuchos de Sal como Resposta (muito rara)


De longe a longe passa uma história do arco da velha na televisão, de novos proprietários de prédios que fazem de tudo, para correr com os inquilinos. E se for gente da terceira idade, nunca mais têm paz...

Infelizmente alguns senhorios portugueses também começaram a imitar os mafiosos estrangeiros, nas patifarias aos arrendatários, quando percebem que podem ganhar muito mais dinheiro, se conseguirem correr com os "velhos" que "nunca mais morrem", que moram nas suas casas.

Pagam a alguém, para os assustar durante a madrugada, sejam com a tentativa de abrir a porta de entrada ou até partindo vidros de janelas, destruindo vasos, etc.

Claro que a maior parte dos velhos não são de "ir à luta" como o Alfredo, que nunca mais caçara, mas ainda tinha a arma guardada num dos armários da dispensa. Mesmo com oitenta e um anos, achou que não se podia ficar, até por saber que a polícia não podia montar guarda em todas as casas. Também não tinha para onde ir com a esposa. A casa da filha era demasiada pequena para todos...

Determinado, à terceira noite montou guarda no quintal, longe da vista de quem aparecesse. Às duas e tal da manhã apareceram dois indivíduos, um ficou junto à porta e o outro começou a bater nas persianas das janelas, acordando todo o prédio. Como nos outros dias a vizinhança fingiu que não ouviu (inquilinos recentes, já com a renda actualizada...).

O velho Alfredo não teve meias medidas e disparou contra o vulto que estava junto à porta, que assim que ouviu o tiro, começou a correr sem parar, tal como o companheiro de aventura. Não chegou a saber se o sal fez mossa, mas já vão no décimo dia sem receber visitas estranhas. 

Claro que tanto ele como a esposa continuam com dificuldade em adormecer, pois estão sempre à espera que surja qualquer coisa, no escuro da noite...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, julho 03, 2022

A Procura Incessante da "Estrela de Famoso" (pelos próprios)


De vez em quando estou num lugar público e reparo em alguém (homem ou mulher) que passa a olhar para os lados, como se estivesse a passar por alguma passadeira, de qualquer cor. Não é difícil perceber que em algum momento das suas vidas, estiveram quase, quase, a agarrar a tão ambicionada estrela de "famoso". Tanto podem ter participado em qualquer programa manhoso da televisão, como serem cantores da "cassete pirata" ou actores de terceira categoria.

Normalmente não os conheço, mas mesmo assim, finjo não perceber ao que vêm, por achar desolador  aquele "espectáculo" em busca do reconhecimento. 

Mas depois fico a pensar, que esta gente precisa mesmo disto, de mesas de autógrafos em qualquer centro comercial, de "estar" numa festa qualquer com um rissol na mão e um copo com palhinha na outra a promover cuecas ou cremes. 

Graças aos "engodos" lançados diariamente nas televisões, esta gente quer simplesmente ser "famoso", sem saberem muito bem o que isso significa. Para eles ser famoso é "aparecer", "ser visto", mesmo que não saibam fazer nada. O simples facto de serem figurantes de qualquer programa intromissivo (daqueles que segundo os entendidos dá "audiências"), faz com que sejam "felizes" e se sintam "importantes".

Claro que também sei que são muito poucos os actores ou músicos, com talento e popularidade, que se sentem incomodados com estas coisas. Mesmo os que saem à rua de óculos escuros ou passam a vida a queixarem-se nas revistas mexeriqueiras que "deixaram de ter "vida pessoal", adoram este jogos de rua, em são apontados  e olhados de alto a baixo pela gentinha que passa e adora passar ao lado do actor ou actriz da telenovela das nove.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, julho 02, 2022

As "Sociedades do Medo"...


Uma das coisas mais importantes da globalização tem sido a aproximação entre todos os continentes, com um conhecimento geográfico e social (mesmo que continue a ser demasiado "leve"...) de praticamente todos os povos que habitam o nosso planeta.

Talvez por isso, tenhamos percebido que não somos assim tão diferentes dos outros, por muito que estejamos afastados, geograficamente.

Após o lançamento do seu livro, "Portugal, Hoje, o Medo de Existir", o filósofo José Gil deu uma entrevista ao "Jornal de Letras" (Janeiro de 2005), em que demonstrou conhecer-nos como mais que "visitas da sua casa":

«Este novo medo é o que temos uns dos outros. Tememos que o Outro nos critique, que não estejamos à altura da ideia que ele supostamente tem de nós, e tudo isto trava a coragem do pensamento e da acção. Isto significa que somos uma sociedade suavemente paranóica. Temos medo de enfrentar os outros, temos medo de dizer o que pensamos. Como se a expressão do que pensamos se voltasse contra nós. E assim, em nome de estratégias que visam proteger a nossa vida, fazer a nossa carreira, etc., não avançamos. O que não impede que, aproveitando-se deste medo, haja em toda a parte pequeninos déspotas.»

Sim, somos muito isto.

Mas voltando à globalização, talvez ela nos tenha feito perceber que não estamos assim tão sós, nestes "medos". Ou seja, há muitas mais "sociedades do medo" espalhadas pelo mundo... 

E por outro lado, talvez a pandemia ainda tenha agravado ainda mais estes "medos".

Claro que esta nossa aproximação do tal "espelho quase universal", está longe de ser positiva, porque em vez de nos ajudar a enfrentar - e desafiar - o nosso "medo", pode sim, ajudar a que ele seja aceite como uma coisa normal.

(Fotografia de Luís Eme - Corroios)


sexta-feira, julho 01, 2022

«A sorte é um vento que sopra sempre a favor do mais forte»


Não sei quanto tempo recuámos em pouco mais de vinte anos... Mas foi muito. 

Apesar das muitas comparações que se fazem no Oriente, com passagens por África e pela América Latina, penso que só na Segunda Guerra Mundial é que se assistiu a invasões de países, com a de que a Ucrânia está a ser vítima, em pleno século XXI, pela Rússia. 

Pelo menos, nós os europeus, tivemos durante algum tempo a ilusão de que a "lei do mais forte" estava a ser esbatida, que a democracia, aqui e ali, ia conseguindo equilibrar as coisas. 

Mas alguma coisa falhou por esse mundo fora. Sei que o mais fácil será culpar os políticos. Mas não podemos nem devemos ser tão simplistas.

Mas é triste que a frase que Alves Redol escreveu numa das suas obras mais emblemáticas, "Barranco de Cegos", publicada em plena ditadura salazarista (1962), «A sorte é um vento que sopra sempre a favor do mais forte», volte a fazer cada vez mais sentido...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)