Não fiz muitas perguntas (acho que já nem sei fazer entrevistas...), como de costume. Prefiro que as pessoas digam o que quiserem, desde que se sintam bem na pele que vestem.
Pensei que fazia parte do grupo de teatro amador do bairro, mas não, entrava em telenovelas e tudo. Talvez fosse verdade, mas ver estas "tragédias" portuguesas estava longe de ser o meu passatempo preferido. Ainda por cima ela trabalhava para o canal que menos contribuímos para a "guerra" das audiências, lá por casa.
Foi capaz de dizer que nunca fizera nenhum papel principal, talvez para dar mais autenticidade à sua história.
Expliquei-lhe que conhecia pouca gente do meio, tirando um ou outro figurante que entravam em algumas cenas, que passavam por lá, sem que se lhe conhecesse a voz.
Ela sorriu e disse-me que também começara assim...
Foi quase uma deixa para eu pagar os dois cafés e fazer-me à vidinha, no palco onde cabemos todos, sem termos direito a aplausos ou patadas.
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
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