terça-feira, novembro 10, 2020

Os Idiotas estão Sempre à Frente (ou ao lado) dos Ditadores


Enquanto bebia o café, na outra mesa que estava ocupada, a alguma distância, conversava-se sobre o futuro.

Já se estava em 2021 e dizia-se que quem não tomasse a tal vacina futurista, não poderia viajar por esse mundo fora.

Provavelmente é uma invenção dos idiotas do costume (dita ao ouvido dos censores e ditadores desde mundo...), que querem ir sempre mais longe, para o bem e para o mal.

Mas se for acolhida por algum governante, desses modernos, que gostam de pensar por todos, as pessoas mais saudáveis que ficam para o fim, vão ficar "presas"... até que existam vacinas para todos. Pode ser coisa para mais de um ano...

Mas o melhor mesmo é pensar que se trata apenas uma idiotice das redes sociais e dos cafés.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, novembro 09, 2020

A Liberdade que nos Vai Escapando das Mãos...


Depois de ver o filme brasileiro, "O Grande Circo Místico", fui de alguma forma forçado a olhar para este mundo, que tem encolhido tanto. Temos perdido tanto espaço...

Não se trata apenas dos ciganos que foram obrigados a fixar-se nas localidades e a perderem a sua essência nómada, os circos também deixaram de ser espectáculos quase da mesma "família", já não são ambulantes e itinerantes, e talvez por isso, estejam condenados a um lento desaparecimento, quase agonizante.

Mesmo nós, perdemos espaço para partir para qualquer lugar do mundo, apenas com uma mochila às costas. Não é apenas uma questão de perigo (a "pandemia" não entra neste texto, podia ter sido escrito quando o filme se estreou no cinema...), é sobretudo de "legalismos", que nos vão roubando a liberdade individual, e até a vontade de "descobrir mundo" (pois é, também já está tudo descoberto...).

(Fotografia de Luís Eme - Arealva)


domingo, novembro 08, 2020

Cruzeiro Seixas (1920-2020)



Os deuses não deixaram Cruzeiro Seixas chegar aos 100 anos (faltavam apenas vinte e cinco dias...).

Acredito que não se tenha incomodado muito. Devia estar cansado de viver neste tempo estranho, que tornou todas as máscaras visíveis.

Provavelmente, Artur é o pintor e o poeta que melhor simboliza o surrealismo no nosso país, na cor e nas palavras dos seus dias, muito graças à sua longevidade, à sua transparência e à sua filosofia de vida.

(Desenho de Cruzeiro Seixas)


sábado, novembro 07, 2020

A (falsa) Dúvida...


Os dias cinzentos são quase sempre mais introspetivos, é como se nos virassem para dentro de nós, sem darmos por isso.

Talvez fosse por isso que ouvi o desabafo de um homem, cansado de ser boa pessoa e honesto...

Durante a sua já longa vida foi incapaz de recorrer a expedientes ou golpes baixos. Sente algum orgulho de não ter  vocação para bufo ou "lambe cus", mas continua cheio de dúvidas. Quando disse que não sabia ao certo, se o facto de nunca ter "pisado o risco" se ficara a dever a uma questão de carácter, ou se fora apenas um sinal de estupidez ou cobardia. 

Conheço-o bem, ao ponto de saber que estava a mentir...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


sexta-feira, novembro 06, 2020

Um Mundo com a Cabeça no Ar (aliás, nas redes sociais)


Vou voltar a falar dos meus filhos, porque, tal como a maior parte dos jovens da sua geração, conhecem o mundo graças às viagens que fazem nas "redes sociais", onde nem sempre o que "parece é".

Mesmo que eu lhes diga que é importante não acreditarmos apenas numa história, que as versões únicas são do mais perigoso que existe, porque não há apenas uma história sobre cada pessoa, cada povo ou cada lugar, sinto que não ficam muito convencidos.

Sei que tenho uma visão das coisas ligeiramente diferente do comum dos mortais, porque tanto o jornalismo como a história, foram-me tornando ainda mais céptico, em relação ao mundo que nos cerca. O normal em mim é "questionar" (o que também faz de mim um "chato"...)

Mas incomoda-me muito que as pessoas não usem a cabeça para pensar...

(Fotografia de Luís Eme - Nazaré)


quinta-feira, novembro 05, 2020

«Posso "comprar" o que está por detrás desse teu sorriso?»


Ela olhou-me, fixamente, em silêncio e de máscara. Naquele momento descobri que é muito mais fácil do que pensava, reconhecer as pessoas apenas pelos olhos.

Sorri-lhe e ela, depois de guardar a máscara, quis "comprar", na totalidade (fez questão de me dizer que não queria "metades"...), aquilo que me fizera sorrir. 

Eu disse-lhe que sim, e apenas custava um café.

Era tão simples... Era uma coisa quase infantil, a descoberta de que é mais fácil do que pensava descobrir  quem são os bandidos, que apenas escondem o rosto e deixam de fora os olhos, em qualquer assalto, mesmo "carnavalesco"...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quarta-feira, novembro 04, 2020

«A noite tornou-se clandestina»


Contaram-me algumas histórias sobre algumas festas nocturnas, organizadas em plena pandemia, com mil e um cuidados, por todas as razões e mais alguma. 

Só é possível entrar com convite personalizado e nunca se realizam no mesmo lugar. Normalmente são escolhidas quintas isoladas, com o portão de entrada fechado a sete chaves.

Quando ouvi este relato, fiquei a pensar que estas festas deviam ser no mínimo bizarras.

Asseguraram-me que não, não têm nada de diferente de um bar normal. Conversa-se, bebe-se e ouve-se música ao vivo. Numa noite de sorte, até se pode ter a felicidade de escutar a voz de algum cantor ou cantora conhecidos, num ambiente mais informal e descontraído...

Quase em jeito de desabafo, disseram-me: «a noite tornou-se clandestina.»

Nunca tinha pensado nisso. Mas sim, são muitas as pessoas que viviam dentro da noite, e devem continuar a viver... Mesmo que não tenham um "poiso", fora de casa, continuam a esperar pela madrugada, com os olhos bem abertos, entretidos a ver filmes, ouvir música, com um copo de qualquer bebida forte na mão...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


terça-feira, novembro 03, 2020

Um Fato à Medida Exacta...



Não imaginava que existissem tantas pessoas com a mesma opinião, que aquele que espero chamar amanhã, ex-presidente dos EUA, em relação a um assunto demasiado pertinente, que continua a "abanar" e a "sacudir" as nossas vidas. Sim, há por aí muitos eles e elas, que também pensam que o vírus é chinês...

Mesmo que não acredite muito em "teorias da conspiração", factos são factos. E se há um país que está a beneficiar economicamente com toda esta pandemia, é a China.

Como o Carlos diz, poucos alfaiates eram capazes de fazer um fato que tivesse a medida exacta do país que antes da pandemia, já usava "máscaras" no exterior, prometendo (e cumprindo) ser "mais capitalista que os capitalistas"...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


segunda-feira, novembro 02, 2020

Mudar "porque sim" (e porque não)...


As mudanças na vida raramente acontecem apenas "porque sim". Há sempre algo que nos força a mudar o nosso dia-a-dia, e nem sempre surge de uma forma positiva (sem querer estar a "bater no ceguinho", esta pandemia é um bom exemplo...).

São muito diferentes das alterações quase banais, que acontecem apenas porque alguém decide dar um novo ar a um muro ou a uma parede, como aconteceu na Arealva ou no Ginjal. 



Não tenho qualquer dúvida de que mandamos muito menos do que pensamos, em relação à nossa vida, e sobretudo, a tudo o que nos cerca...

(Fotografias de Luís Eme - Arealva)


sábado, outubro 31, 2020

Palavras com e sem Beleza


Poderá ter alguns resquícios de "machismo", mas continuo a detestar ouvir uma mulher a usar palavras feias, daquelas que quando éramos crianças, conheciamos por "asneiras".

Além de as vulgarizar, ainda lhes retira beleza, aquele beleza que muitas vezes "se sente sem ver"...

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)


sexta-feira, outubro 30, 2020

A Importância da Verdade Já não é o que Era...


O candidato democrata escolhido para as presidenciais dos EUA é péssimo (passa-se qualquer coisa estranha com este partido, que não consegue arranjar um homem ou uma mulher, com carisma suficiente para ser o presidente de todos os norte-americanos...), mas, apesar de tudo, oferece uma imagem de maior credibilidade que o actual presidente, que é, provavelmente, o político mais mentiroso da história.

Claro que esta é apenas a minha opinião. Digo isto porque durante o jantar a conversa foi até aos EUA e vi o meu filho a achar que um "aldrabão" é melhor presidente que um "velho caquético", com o apoio da irmã... E por mais argumentos que nós, pais, usássemos para os demover, percebemos que não íamos lá. 

Cheguei à conclusão, que neste mundo virado do avesso, a verdade deixou de ter a importância de outros tempos, pelo menos para as novas gerações...

E há ainda outra questão que coloco, ligada à escolha do candidato da oposição: será que os democratas estão mesmo interessados em governar os Estados Unidos da América?

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, outubro 29, 2020

Nós e os Outros...


Não há qualquer dúvida, de que somos um povo especial. Onde quer que chegamos, tentamos nos inserir nas sociedades locais, criando o mínimo de problemas aos que já lá estão. É por isso que também somos vistos muitas vezes como "subservientes", o que nem sempre corresponde à verdade, pois respeito não sinónimo de subserviência.

É mais uma postura onde se mistura a inteligência e a esperteza como emigrantes, porque não é difícil de perceber que quanto menos problemas criarmos aos outros, menos problemas irão sobrar para nós. Claro que pode ser entendido de outras formas, mas para mim é uma maneira inteligente de se sobreviver num país que nos é estranho.

Todas estas palavras porque noto que os estrangeiros, tão "civilizados" nos seus países, quando chegam a Portugal, acham que podem fazer tudo e mais alguma coisa, por serem de uma forma geral bem recebidos. 

O exemplo televisivo de hoje da Nazaré, é um bom exemplo, uma boa parte das pessoas que circulavam pela encosta próxima da Praia do Norte, sem máscara, eram turistas de outros países. 

E se sairmos das nossas fronteiras, basta vermos o que continua a acontecer em França, com os ataques de cariz religioso, por parte de quem não só não se insere na sociedade local, como ainda destrói e mata, quem está. Para mim é algo inclassificável. Prefiro que sejamos olhados como o "país das porteiras e dos pedreiros" (que felizmente está distante da realidade actual), que de assassinos.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)