Quando a senhora disse que agora se via pornografia na televisão a toda a hora, pensei que estava um pouco equivocada.
Mas com o adiantar da conversa percebi que não. Pelo menos no seu ponto de vista.
Ela era do tempo em que sair de casa com uma saia ou um vestido acima do joelho, era um desafio perigoso para qualquer mulher, ou então mostrar a brancura dos braços na rua...
Parece que tudo isso, tão vestido, era excitante e prometedor, num país que nem sequer conhecia muito bem a palavra liberdade.
Poderia dizer-lhe que no ano que ela nasceu já havia mulheres que posavam nuas, umas para fotógrafos outras para pintores.
Não faltam por aí exemplos de esculturas e quadros com nus. Claro que com as fotografias, as coisas funcionavam de uma forma um pouco diferente. Um retrato de um nu feminino, mesmo sem ser integral, era "uma revista pornográfica".
Ela continuou a desviar as histórias da sua vida. Passou por tudo, desde o tomar banho na praia quase toda vestida ao topless dos nossos dias... E até se lembrou que o beijo na rua dava direito a uma multa.
Foi por isso que insistiu que agora tudo perdeu a graça. Já não há frutos proibidos...
(Fotografia de Alfred Cheney Johnston)



