Escrever sempre foi diferente de falar.
(grande novidade, não é?)
As palavras não nos escapam com tanta facilidade, não nos enganamos tanto com o uso que damos ao português, pela falta de ponderação ou simplesmente de vocabulário...
Falei do livro que estou a ler, um quase diário, que não o chega a ser. Sim, é mais um livro de observações. É curioso, mas o autor só fala de nomes de gente quando escreve de uma forma positiva sobre essas ditas pessoas. Quando faz um comentário mais agreste, esconde-os atrás das palavras...
E não somos todos assim? Questionou muito bem a Carla.
Somos e não somos. Depende do que se diz e também a quem se diz.
O Rui trouxe outra curiosidade para a mesa, o facto de nunca termos cultivado muito este género literário, As excepções que confirmavam a regra eram Vergílio Ferreira e Miguel Torga, e de uma forma mais disfarçada, Fernando Namora (o livro de que falo é dele, com um belo título, "Jornal sem Data"...) e mais um ou outro autor.
O Carlos acrescentou que lhes devia faltar "vidinha". Como nunca foram escritores de café nem de tertúlias, montavam as mesas e as cadeiras em casa e chamavam uma ou outra personagem, apenas para lhes fazerem companhia e "vingavam-se do mundo dos outros"...
Provavelmente estava certo. Era possível que lhes faltasse mais mundo, mais rua, mais conversa fiada...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
Acho que somos mais nós quando falamos e interagimos com outros, o nosso discurso vai-se adaptando ao contexto de forma rápida, quase instintiva.
ResponderEliminarQuando escrevemos somos perfeccionistas, procuramos a palavra certa no lugar certo e, por vezes, ficamos desiludidos por ficarmos aquém.
Depois há os eleitos que atingem esse nível que tanto apreciamos quando os lemos.
Abraço