quarta-feira, maio 27, 2026

O caminho foge de nós e nós fugimos do caminho...


Talvez as pessoas só se sentissem tão perdidas durante a Segunda Guerra Mundial, como se sentem hoje. Talvez...

Claro que não eram todas as pessoas, eram só as dos países ocupados ou em guerra. Felizmente ou infelizmente, estavamos muito distantes da globalidade. Não era um coisa do outro mundo, num lugar afastado do mundo, não se fazer ideia de quem era o Hitler ou o Staline. Hoje é mais difícil passar ao lado de um Putin, um Trump ou um Netanyahu.

Pensei nisto ao ler uma passagem do Diário de Hélène Berr (escrito por uma judia em Paris, durante a ocupação nazi...): "Como se curará a humanidade de outra forma senão começando por descobrir a sua podridão? Como se purificará o mundo de uma forma, senão fazendo compreender a extensão do mal que angustia e me atormenta. Nâo é pela guerra que se vingarão os padecimentos: o sangue chama sangue, os homens ancoram-se na sua malvadez e cegueira."

Sinto que nos estão a querer roubar todas as âncoras...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


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