sexta-feira, maio 29, 2026

O cinema português a filmar a história


O cinema português de vez em quando intromete-se com a nossa história e com os seus protagonistas. E ainda bem.

Foi o que fez José Filipe Costa, com o seu, Pai Nosso - Os últimos dias de Salazar. Estou curioso e quero vê-lo, por mais que uma razão.

A principal é abordar um período histórico, santificado na actualidade por uma direita imergente, mesmo que as suas virtudes maiores fossem a mentira, a ambiguidade, a corrupção, a hipocrisia e a repressão.

Se pensarmos que durante o tempo retratado no filme, existiam em simultâneo dois "presidentes do conselho", um a sério e outro a brincar, isto explica muito a seriedade do regime, apesar do tom cerimonioso dos governantes e da meía dúzia de famílias do regime, que dominavam todos os sectores do país. Sim, não devem existir muitos países que tenham alimentado uma farsa do género durante praticamente dois anos. 

Há muitos portugueses que desconhecem, este, e outros factos curiosos, da nossa história.

E nem vou falar da existência de pelo menos três versões da queda de Salazar (de duas cadeiras diferentes e da banheira...), além da oficial (caiu de cansaço quando estava a "trabalhar para o país" no seu escritório...), divulgada um mês depois do acidente caseiro.

Gosto quando o cinema mostra alguns lados da história, de que se fala pouco... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


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